Top PDF Pânico e desamparo na atualidade.

Pânico e desamparo na atualidade.

Pânico e desamparo na atualidade.

Esse contexto rem ete a nossa hipótese de que o pânico, na atualidade, seria expressão de um m odo que o sujeito encontrou de se organizar na sociedade contem porânea, respondendo aos subsídios que a organização social atual ofere- ce para que ele se sustente para além da cena fam iliar, tendo em vista que o pânico expressaria o descom passo entre as exigências do tipo psicológico ideal atual, da exaltação desm esurada do eu e da estetização da existência, e a incapa- cidade no cum prim ento dessas exigências, portanto, efeito de um processo de produção social, expressão do m al-estar na contem poraneidade. 9 O panicado faria parte da categoria dos cham ados consumidores falhos que, segundo BAUMAN ( 1998, p.22) , são pessoas que não são capazes de ser seduzidas “pela infinita pos- sibilidade e constante renovação prom ovida pelo m ercado consum idor, de se re- gozijar com a sorte de vestir e despir identidades , de passar a vida na caça interm inável de cada vez m ais intensas sensações e cada vez m ais inebriante experiência”. São os fracassados, segundo a visão de m undo ( ideal da cultura) atual, fracassam no exer- cício da rapidez e infixidez, da infinita possibilidade da constante renovação, da sedução e prom essa de felicidade que a mudança perm anente traz. São excluídos sociais. Todavia, paradoxalm ente, são indivíduos que estão dizendo “não” a essa form a im positiva de ser, denunciando a sua m aneira que, na atualidade, estam os m ais à m ercê da desregulamentação e da liberdade individual , com o dissem os antes.
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Pânico, personalidade fóbica, desamparo e masoquismo: articulações psicanalíticas.

Pânico, personalidade fóbica, desamparo e masoquismo: articulações psicanalíticas.

Em sua 139ª sessão traz novas verbalizações referentes ao segundo operador conceitual proposto neste estudo: desamparo. Mariana, já sem namorado, falou sobre a possibilidade de viajar para sua cidade de origem de carona com um co- lega de trabalho, com o qual estava tentando flertar. Aventar essa possibilidade lhe despertava grande insegurança, como se observa a partir da verbalização que segue abaixo. É possível constatar que, para a paciente, ficar dentro do carro de um homem, com o qual poderia ter algum envolvimento amoroso, significava o irrompimento de incertezas e indefinições; estas, por sua vez, capazes de colocar por terra sua organização psíquica. Logo, parece razoável propor que Mariana temia a ocorrência de um ataque de pânico na situação em questão, pois a iminência da viagem era vivenciada como uma ameaça concreta de inundamento pulsional.
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Desamparo e intensidades em ato na adolescência : riscos ao devir

Desamparo e intensidades em ato na adolescência : riscos ao devir

inédita de sociabilidade tecida no mundo pós-moderno. O autor indica que a sociedade do espetáculo conjuga a exibição e a teatralidade, através das quais os atores se inserem como personagens na cena social, ou seja, a persona necessita de máscaras para desfilar e se ver incluída no cenário social. Com isso, a economia da subjetividade é marcada pela exaltação do eu e pela estetização da existência. Nesse ponto, Birman (1999) entende ser possível relacionar os conceitos de Debord e Lasch. Segundo o autor, na medida em que o sujeito precisa ter uma performance sedutora frente ao objeto, não por este, mas para seu próprio enaltecimento, ela passa a exigir uma imagem fundamental para a captura narcísica do outro, a qual denota uma falsa e, ao mesmo tempo, fascinante completude. Essa situação torna o objeto passível de descarte, tal como os diversos produtos dessa construção comprados em lojas ou supermercados e exaltados pela mídia e pela publicidade. Com isso, a individualidade perde seu valor e, por consequência, a alteridade e a intersubjetividade se tornam “modalidades de existência que tendem ao silêncio e ao esvaziamento” (Birman, 1999, p.188). Instaura-se, então, um embate para o sujeito psíquico da atualidade. Por um lado há uma superficialidade das relações, vive-se em tempos líquidos, como conceitua Bauman (2003), que expõem a fragilidade dos vínculos humanos, o sentimento de insegurança e os desejos conflitantes decorrentes do sentimento de apertar os laços e também mantê-los frouxos. Por outro, partindo da proposição psicanalítica, esbarra-se na necessidade de qualidade no encontro com o semelhante, já que é nesse encontro que se concebe a constituição do sujeito psíquico.
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Desamparo psíquico nos filhos de dekasseguis no retorno ao Brasil

Desamparo psíquico nos filhos de dekasseguis no retorno ao Brasil

Muitos emigram sozinhos, ainda jovens; outros decidem emi- grar em idade mais avançada; e há os casos de famílias inteiras que emigram (avós, pais e filhos), dentre tantas outras situações. Outra diferença importante diz respeito à migração realizada dentro da oficialidade, dentro das leis existentes e que regulam os fluxos migra- tórios, e àquela migração insurgente, feita à revelia das leis e que con- figura os casos dos assim chamados “imigrantes não documentados”. O fenômeno migratório, hoje, comporta toda essa diversidade de situações, experiências e sentidos, tornando-o um fenômeno de- veras complexo. No entanto, enquanto expressão das condições de mobilidade, da hipercinética e da dromologia que grassa o mundo contemporâneo, a imigração carrega consigo essa força comum – a força cinética – que afeta a todos; e não somente a todos os imigran- tes, mas também àqueles que não migram no sentido tradicional, isto é, aqueles que permanecem no seu país, em territórios estáveis e bem delimitados, porém realizam percursos curtos e micromo- vimentações no cotidiano: “migram” de um trabalho a outro, de um relacionamento afetivo ou conjugal a outro, de uma profissão a outra; transitam entre valores morais, entre identidades ou núcleos identitários, entre mercadorias, gostos e estilos fomentados pelo modismo, e assim por diante. De certa forma, podemos dizer que a subjetividade promovida e incitada na atualidade é do tipo nômade, migrante, rizomática, mutante, dispersiva e fractal.
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Sob o signo da incerteza: autoridade simbólica e desamparo.

Sob o signo da incerteza: autoridade simbólica e desamparo.

O bserva-se, na atualidade, uma gradual diminuição do prestígio da clínica psicanalítica, sendo esta questio- nada em suas possibilidades de intervenção e na pertinência de seus pressupostos teóricos. As mudanças culturais ocorridas no último século colocam em xeque o modelo freudiano do laço social, tal como sugerido em “Totem e tabu” (Freud, 1913/1996), no qual o sujeito se constitui a partir de processos identificatórios mediados por uma autori- dade simbólica consistente. Em razão desses questionamentos há, hoje, na psicanálise, uma intensa produção voltada para o estudo da contemporaneidade e seus processos de subjetivação. Especula-se sobre novas doenças da alma (Kristeva, 2002), uma nova economia psíquica (Melman, 2003) e novas configurações do laço social (Zizek, 2003). Verifica- se, entre estes autores, um consenso na consideração de que o declínio da autoridade simbólica 1 é uma das causas respon-
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Desamparo psíquico na contemporaneidade

Desamparo psíquico na contemporaneidade

O indivíduo contemporâneo ao se deparar com a perda de referenciais antigos de vida acaba por vivenciar tal estado de esvaziamento subjetivo. Minerbo (2013) emprega o termo “depleção simbólica“, o qual emprestou da medicina, para referir-se à diminuição de alguma substância no meio celular, que acaba por causar prejuízos ao organismo vivo, quando está em falta. Nesse sentido, reitera que, na atualidade, o sujeito vivencia uma insuficiência/fragilidade do símbolo, passando a encontrar grandes dificuldades para lidar com sua angústia. A experiência do excesso, engendrada pelo consumismo, pela aceleração da vida e ampliação do espaço, causa a desorganização das funções e fronteiras do psiquismo, propiciando a angústia de morte.
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Entre angústia e desamparo.

Entre angústia e desamparo.

Fica então estabelecido: dar conta de um tratam ento é um a tarefa im possí- vel, porquanto a todo relato inevitavelm ente vai faltar a atualidade, o ato da transferência. Mas com facilidade podem os im aginar que a tarefa se com plique ainda m ais quando a atualização transferencial se dá m ais sobre os afetos do que sobre as representações. A este propósito é notável que toda a obra de Donald Winnicott seja resultado de um a reflexão sobre a prática analítica e que ao m esm o tem po esta fique, no final das contas, pouco descrita por ele. Aliás, esta é um a das razões que im pelirão Margaret Little a prestar testem unho de com o era o jeito de Winnicott em sessão, ao publicar um relato de sua própria análise com ele. 1
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SOBRE O CONCEITO DE PÂNICO MORAL

SOBRE O CONCEITO DE PÂNICO MORAL

Isto nos leva diretamente aos aspectos normativos do pânico moral, seus elementos de condenação moral. Enquanto o sociólogo pode encontrar terra firme – ou alguma coisa próxima disto – quando mensura ocorrências de uma conduta, a extensão do dano material, ou mesmo o tamanho do risco, é mais difícil aferir a validade dos julgamentos morais proferidos por outros. Quando alguém descreve um episódio como um pânico moral, é sempre possível supor que ele ou ela simplesmente recusa- se a levar a sério o ponto de vista moral dos alarmados. O que o analista vê como uma reação histericamente exagerada pode ser vista pelos participantes como uma resposta apropriada a uma problemática moral profundamente maléfica. Medos populares podem ser bem estabelecidos, preocupações morais apropriadamente expressas. Como podemos escolher algum dentre estes pontos de vista, ao invés de escolhermos tomar partido em questões morais e assim pisando fora de nosso papel como sociólogos?
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Modelos de tratamento para o transtorno do pânico.

Modelos de tratamento para o transtorno do pânico.

No Transtorno do Pânico é muito comum aparecer agorafobia. Esta é definida, de acordo com DSM-IV (APA, 1994), como uma ansiedade por estar em lugares ou situações onde a fuga é difícil ou embaraçosa ou a ajuda possa não estar disponível na eventualidade de ocorrer um ataque de pânico ou sintomas isolados. Esse quadro de ansiedade leva a uma resposta de evitação sistemática (agorafóbica) de várias situações, tais como: ficar sozinho fora de casa ou até mesmo dentro de casa, ficar numa multidão ou lugares fechados (cinema, shows, teatros, etc.), fazer compras em lojas e supermercados, fazer uso de meios de transportes (automóvel, ônibus, metrô ou avião), passar por uma ponte ou túnel, entrar num elevador ou ficar preso no trânsito. O indivíduo com agorafobia identifica os estímulos como aversivos, por isso foge ou esquiva-se dos mesmos.
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A fobia e o pânico em suas relações com a angústia.

A fobia e o pânico em suas relações com a angústia.

A relação entre estes sintomas e uma situação traumáti- ca infantil, tentativas de sedução por parte de um tio, revela- se possível, então. Mas, o que parece exemplar nesse extrato clínico é que a fala dessa jovem e a descrição que faz de seus males lembram bastante as queixas que comparecem com freqüência, hoje, nos consultórios, sejam eles de médicos, psicólogos ou psiquiatras. Esses transtornos, aparentemente contemporâneos, que Freud entendia como ‘crises de an- gústia’, teriam chances de se classificarem como “ataque de pânico”, seguindo-se as diretivas do Manual de Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM IV), que se trans- crevem abaixo:
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O desamparo aprendido revisitado: estudos com animais.

O desamparo aprendido revisitado: estudos com animais.

As฀hipóteses฀do฀desamparo฀aprendido฀e฀da฀inatividade฀ aprendida฀oferecem฀previsões฀de฀efeitos฀contrários฀em฀de- corrência฀de฀algumas฀manipulações,฀o฀que฀permite฀seu฀teste฀ experimental.฀Diversos฀estudos฀foram฀realizados฀com฀esse฀ fim,฀a฀maioria฀deles฀mostrando฀resultados฀contrários฀à฀hipó- tese฀da฀inatividade.฀Por฀exemplo,฀Yano฀e฀Hunziker฀(2000)฀ realizaram฀dois฀experimentos฀para฀confrontar฀essas฀hipóteses,฀ nos฀quais฀a฀variável฀manipulada฀foi฀o฀grau฀de฀atividade฀física฀ requerido฀ pela฀ resposta฀ de฀ fuga฀ no฀ teste.฀ Considerando฀ o฀ proposto฀pela฀hipótese฀motora,฀se฀o฀indivíduo฀aprende฀a฀ficar฀ inativo฀durante฀os฀choques฀incontroláveis,฀então฀o฀desamparo฀ só฀ocorre฀se฀a฀resposta฀de฀teste฀envolver฀alta฀atividade฀motora,฀ podendo฀mesmo฀haver฀uma฀facilitação฀da฀aprendizagem฀no฀ caso฀de฀a฀resposta฀requerer฀baixa฀atividade฀para฀ser฀emitida.฀ Ao฀contrário,฀a฀hipótese฀do฀desamparo฀–฀que฀postula฀que฀a฀ variável฀crítica฀é฀a฀aprendizagem฀de฀que฀os฀eventos฀do฀meio฀ não฀são฀passíveis฀de฀controle฀–฀permite฀prever฀que฀o฀grau฀de฀ atividade฀motora฀exigida฀para฀emissão฀da฀resposta฀no฀teste฀ é฀irrelevante฀para฀a฀ocorrência฀do฀déficit฀de฀aprendizagem.฀ Portanto,฀ os฀ sujeitos฀ expostos฀ aos฀ choques฀ incontroláveis฀ deveriam฀apresentar฀o฀desamparo฀independentemente฀de฀a฀ resposta฀de฀teste฀envolver฀alta฀ou฀baixa฀atividade฀motora.฀Nes- se฀estudo,฀foram฀utilizadas฀duas฀respostas฀de฀fuga฀diferentes:฀ “saltar”฀e฀“focinhar”฀(colocar฀o฀focinho฀em฀um฀orifício฀na฀ parede).฀Considerou-se฀que฀e฀resposta฀de฀focinhar฀poderia฀ ser฀classificada฀como฀resposta฀de฀baixa฀atividade฀motora฀uma฀ vez฀que,฀para฀sua฀emissão,฀é฀indispensável฀que฀o฀sujeito฀esteja฀ parado,฀com฀o฀corpo฀voltado฀para฀o฀orifício฀da฀parede฀e฀o฀ focinho฀na฀altura฀do฀mesmo,฀sendo฀a฀única฀movimentação฀ requerida฀a฀de฀esticar฀o฀pescoço,฀de฀forma฀a฀introduzir฀o฀foci- nho฀no฀orifício.฀Ao฀contrário,฀a฀resposta฀de฀saltar฀poderia฀ser฀ classificada฀como฀de฀alta฀atividade฀motora,฀pois฀sua฀emissão฀ requer฀o฀deslocamento฀global฀do฀sujeito฀que฀deve฀sair฀de฀um฀ compartimento฀e฀chegar฀ao฀outro,฀do฀lado฀oposto฀da฀caixa.฀ Portanto,฀o฀reforçamento฀negativo฀dessas฀duas฀respostas฀se- leciona฀padrões฀opostos฀de฀atividade฀motora.฀Os฀resultados฀ do฀ primeiro฀ estudo฀ mostraram฀ igual฀ nível฀ de฀ desamparo฀ nos฀testes฀com฀as฀respostas฀de฀saltar฀e฀de฀focinhar,฀confir- mando฀a฀previsão฀da฀hipótese฀do฀desamparo฀e฀contrariando฀ o฀previsto฀pela฀hipótese฀motora.฀No฀segundo฀experimento,฀ foram฀testadas฀as฀previsões฀sobre฀o฀efeito฀de฀“imunização”.฀
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Análise do desamparo de uma menina de cinco anos.

Análise do desamparo de uma menina de cinco anos.

Enquanto relatava a evolução dos sintomas, garantindo que em casa – a fa- mília mora na favela da Rocinha – Caroline demonstrava um comportamento nor- mal, Rodrigo se acalmava aos poucos. Isso porque, quando convidei os dois para entrar na sala, ele estava enfurecido com minha demora em atendê-los, devido à fila de espera do plantão. Ao longo dos atendimentos, esta fúria se repetia a qual- quer pequeno atraso de minha parte, e igualmente se dissipava ao longo da ses- são, à medida que eu escutava o que Rodrigo tinha a dizer. Discutindo o fato em supervisão, compreendi que sua drástica oscilação de humor expressava seu medo de ser abandonado, de retornar ao desamparo de um menino que nunca foi “cria- do” pela mãe ou pelo pai (alcoólatra), um menino que “[se criou] na rua”, de acor- do com suas próprias palavras. As marcas deste desamparo se faziam evidentes no rosto de Rodrigo, repleto de cicatrizes, duas ou três mais profundas. E tam- bém no seu esforço visível para construir um lar, muito embora não tivesse ja- mais contado com um modelo exemplar que pudesse eleger como ideal.
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Subjetividade, alteridade e desamparo nos tempos atuais.

Subjetividade, alteridade e desamparo nos tempos atuais.

A aceleração da fluidez do desejo, garantida durante os tempos que cor- rem, faz uma espécie de cobrança ao psiquismo. Esta não se realiza como um pedido suave, mas como um grito, um apelo que, por meio de um denso estar- dalhaço, faz-se sentir de forma atordoante no psiquismo. Tal atordoamento de- ve-se, sumariamente, à insustentabilidade psíquica e afetiva em que o sujeito se encontra. Com a fluidificação do desejo, as barreiras entre eu-outro também se modificam de modo marcante e fundamental. Ao adentrar o terreno do recalque do outro da diferença, ou seja, ao buscar a homogeneização do agir e do pensar, o indivíduo deixa de reconhecer a alteridade, condição essencial da estrutura- ção psíquica. Afinal, é na relação com o outro que o sujeito torna-se capaz de sustentar-se enquanto ser do desamparo.
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Razões Pelas Quais é Bom Ser HOMEM

Razões Pelas Quais é Bom Ser HOMEM

Quando seu trabalho e criticado, você não entra em pânico achando que todos a sua volta,.. secretamente te odeiam.[r]

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E agora, Carlos? Amparo e desamparo na poética de Drummond

E agora, Carlos? Amparo e desamparo na poética de Drummond

Mas esse silêncio, essa separação do mundo alheio, é, ao mesmo tempo, um ir ao encontro de algo. Mesmo que esse algo tenha um leve tom metafísico, ainda assim o encontro com o eu não se configura em um tempo pleno, mas com uma “anulação do tempo em tempos vários”. 42 O quase- desamparo se afirma em uma nudez que está além dos corpos, “a modelar campinas no vazio/ da alma, que é apenas alma”. 43 Aqui, Carlos, seu corpo separa-se de uma história escrita por outros (amparada por outros) para ir ao encontro de uma história escrita por ele mesmo (amparada-desamparada por ele mesmo). A alma-apenas alma não é uma essência unitária boa ou má, mas sabe que o sentido de qualquer ação humana é dado posteriormente a ela, uma vez que, originalmente, ela é dupla, indecidível, além do bem e do mal.
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Reforma agrária no Brasil: a intervenção do MST e a atualidade do programa de transição — Outubro Revista

Reforma agrária no Brasil: a intervenção do MST e a atualidade do programa de transição — Outubro Revista

Esses dados da realidade do campo brasileiro nos ajudam a identifi- car a atualidade e a justeza das teses programáticas elaboradas por Trotsky, no Programa de Transição, em relação à necessidade de se fazer media- ções político-econômicas na elaboração de programas que visem levar até o campo — particularmente, às áreas de pequena propriedade familiar — propostas coletivizantes, tanto em termos da propriedade, como da produ- ção. O Programa de Transição torna nítido que medidas confiscatórias con- tidas em palavras de ordem como “nacionalização da terra” e “coletivização da agricultura” devem atingir latifundiários e capitalistas, suas proprieda- des e métodos de exploração do trabalho, não o camponês, nem sua forma de produção privada ou cooperada. Cabe ressaltar que o Programa de Tran- sição aponta para a aliança entre trabalhadores do campo e da cidade, ali- ança essa que deve se apoiar no acordo e não na coação, como fica claro no último parágrafo do subtítulo que trata da aliança entre operários e campo- neses: “A aliança que o proletariado propõe, não às classes médias em ge- ral, mas às camadas exploradas da pequena burguesia da cidade e do cam- po, contra todos os exploradores, incluindo os da ‘classe média’, não pode ser fundamentada sobre a coação, mas somente sobre a livre concordância, que deve ser consolidada em um ‘acordo’ especial. Este acordo é precisa- mente o programa das reivindicações transitórias, livremente aceito por ambas as partes”. 32
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Atualidade de Vigotski.

Atualidade de Vigotski.

Vigotski começa sua produção científica, propriamen- te dita, no campo da educação e da psicologia na década de 1920. Portanto, são aproximadamente 90 anos passa- dos desde suas primeiras formulações teóricas e muitos desses anos guardaram sua obra no limbo por razões, de certo modo, conhecidas. A chegada de suas ideias ao ocidente aconteceu, portanto, longos anos após sua pro- dução. Apesar disso, elas aqui aportaram e encontraram terreno fértil. Hoje, é significativamente grande o número de pesquisadores, no mundo, que nelas se inspiram para realizar suas investigações. Isso por si só atesta tanto o vigor quanto a atualidade de seu pensamento.
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A atualidade do rural.

A atualidade do rural.

Caminhos que estão presentes no artigo “Paradoxos do sindicalismo brasileiro: a CUT e os trabalhadores rurais”, de Iram Jácome Rodrigues e Mario Henrique Guedes Ladosky. Indagando as razões, políticas e sociológicas, que fazem com que a base sindicalizada da CUT abrigue um contin- gente bastante expressivo de associados ligados a atividades produtivas do setor rural, os autores demonstram não ape- nas a vitalidade e a atualidade do trabalho no campo, como também indicam novos caminhos para o complexo proces- so de afirmação política dos direitos do trabalhador rural.
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Atualidade de Shakespeare

Atualidade de Shakespeare

torno da autonomia da arte, tema central em Adorno (1997).. Espectros de Marx, de Jacques Derrida. E no entanto todos os séculos leram o mesmo texto. Isso pode ser verificado no horizont[r]

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Dor e desamparo: filhos e pais, 40 anos depois.

Dor e desamparo: filhos e pais, 40 anos depois.

A diferença entre a memória dos pais e a dos filhos tem uma radicalidade: os pais poderiam relatar fatos decorrentes das vicissitudes de suas escolhas políticas e pessoais. São memórias impregnadas de afeto, tingidas pela dor dos acontecimen- tos, pela recusa das más lembranças, diminuídas ou aumentadas pela importância das perdas e do desamparo. Sabemos que a memória é seletiva, não é um ato mecânico ou químico, ela é colorida pelos afetos e este é o principal ingrediente da crença de que a lembrança relatada poderá ir re-significando momentos, situa- ções, e sua repetição e sua rememoração é que poderão ir desfazendo o peso de um acontecimento doloroso. Recordar, repetir, elaborar é a proposta freudiana para o processamento dos sintomas que se organizaram para dar conta da dor, dos con- flitos e dos momentos de desamparo. Falar de uma lembrança até que ela se torne um passado.
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