Top PDF Pobreza e o sistema de seguridade social rural no Brasil.

Pobreza e o sistema de seguridade social rural no Brasil.

Pobreza e o sistema de seguridade social rural no Brasil.

A partir de dados em painel para as regiões rurais dos estados bra- sileiros no período 1995-2005, analisa-se o impacto das aposentadorias da seguridade social na pobreza. Essa análise é realizada controlando- se por outros determinantes da pobreza como o produto agropecuário per capita, a concentração de renda rural medida pelo coeficiente de GINI, os anos médios de estudo e o número de pessoas desocupadas com mais de dez anos de idade. Neste sentido, especifica-se um mo- delo econométrico dinâmico que é estimado pelo Método dos Momen- tos Generalizado-sistema (MMG-sistema) desenvolvido por Arellano e Bover (1995) e Blundell e Bond (1998). Os resultados do modelo per- mitem concluir que os benefícios da aposentadoria per capita não im- pactaram a pobreza rural no Brasil. Os fatores que contribuíram para a diminuição da pobreza rural foram os anos médios de estudo e o pro- duto agropecuário per capita com a predominância do primeiro. Por sua vez, o número de pessoas desocupadas influenciou de maneira posi- tiva a pobreza enquanto a concentração de renda rural não a afetou em nenhuma direção.
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Pobreza e o sistema de seguridade social rural no Brasil

Pobreza e o sistema de seguridade social rural no Brasil

A partir de dados em painel para as regiões rurais dos estados bra- sileiros no período 1995-2005, analisa-se o impacto das aposentadorias da seguridade social na pobreza. Essa análise é realizada controlando- se por outros determinantes da pobreza como o produto agropecuário per capita, a concentração de renda rural medida pelo coeficiente de GINI, os anos médios de estudo e o número de pessoas desocupadas com mais de dez anos de idade. Neste sentido, especifica-se um mo- delo econométrico dinâmico que é estimado pelo Método dos Momen- tos Generalizado-sistema (MMG-sistema) desenvolvido por Arellano e Bover (1995) e Blundell e Bond (1998). Os resultados do modelo per- mitem concluir que os benefícios da aposentadoria per capita não im- pactaram a pobreza rural no Brasil. Os fatores que contribuíram para a diminuição da pobreza rural foram os anos médios de estudo e o pro- duto agropecuário per capita com a predominância do primeiro. Por sua vez, o número de pessoas desocupadas influenciou de maneira posi- tiva a pobreza enquanto a concentração de renda rural não a afetou em nenhuma direção.
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MUDANÇAS INSTITUCIONAIS DA SEGURIDADE SOCIAL NO BRASIL: UMA ANÁLISE COMPARADA ENTRE O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE E O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

MUDANÇAS INSTITUCIONAIS DA SEGURIDADE SOCIAL NO BRASIL: UMA ANÁLISE COMPARADA ENTRE O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE E O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

Outro desafio importante para a consolidação da política nacional de assistência social é a integração entre os vários programas de benefícios e serviços sócio-assistenciais, incluindo a articulação dos benefícios monetários de garantia de renda com as demais oferta de serviços de proteções de situações de violação de direitos e vulnerabilidade, não restritas ao combate à pobreza. As principais dificuldades de integração originam-se nas diferentes formas de gestão destes programas entre as esferas federativas e o risco de associar, de maneira excessiva e mesmo punitiva, os serviços ofertados no campo socioassistencial como condição para garantir ou legitimar seu acesso aos benefícios monetários, e não como melhora das condições de vida e bem-estar das populações beneficiárias, ou visando construir as portas de saída para seus usuários no sentido superação de suas vulnerabilidades e a ampliação de sua autonomia financeira e social (IPEA, 2009, pp. 229-231).
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Política Territorial e Pobreza: o microcrédito orientado no Território Oeste Catarinense

Política Territorial e Pobreza: o microcrédito orientado no Território Oeste Catarinense

É recente a discussão que a academia, o poder público e a sociedade civil vêm realizando para diferenciar o paradigma tradicional das políticas públicas daquelas voltadas para o chamado desenvolvimento rural. E o crédito é um dos elementos estruturantes. Busca-se, neste artigo, questionar quais os principais fatores que limitaram o desenvolvimento do Microcrédito Orientado no Território Oeste Catarinense como política de atendimento aos segmentos mais vulneráveis da agricultura familiar no meio rural. O estudo se caracteriza como qualitativo de cunho documental, por privilegiar a observação vivenciada e a análise dos principais documentos orientadores da política territorial. Estruturou-se o trabalho em quatro sessões, a saber: a Política Social e a pobreza rural no Brasil; a Política Territorial e sua implementação no Território Oeste Catarinense; a Política de Microcrédito Orientado e, por fim, as considerações finais. Os dados apontam: os juros altos do crédito contribuíram para limitar o acesso pelo público-alvo; baixa rentabilidade da operação para a instituição financeira; limitação ou inexistência de divulgação do programa; e uma falta de integração do Plano de Microcrédito com ações de outras políticas afins.
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Análise  da pobreza rural no Brasil

Análise da pobreza rural no Brasil

Diante de toda a crítica que vem sendo traça- da a respeito dos indicadores unidimensionais de pobreza, outro caminho vem sendo construído na literatura. Sen (2000) é certamente uma das gran- des personalidades que trabalhou na elaboração de um conceito de pobreza medida a partir de suas vá- rias dimensões. Ao discutir o desenvolvimento de uma sociedade como fruto de liberdade que cada ser humano tem para realizar suas ações e desejos, o autor insere em seus argumentos que a inexis- tência da pobreza é, dentre outros fatores, um dos elementos essenciais para garantir a liberdade. A pobreza tira das pessoas a liberdade de comer, de obter nutrição satisfatória ou remédios para doen- ças tratáveis, a oportunidade de vestir-se ou morar de modo apropriado, de ter acesso a água tratada ou saneamento básico. Além disso, a privação de liberdade estaria relacionada também com a carên- cia de serviços públicos e assistência social, das quais assistência médica e educação estariam in- cluídas.
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Rev. katálysis  vol.18 número2

Rev. katálysis vol.18 número2

Todas essas mudanças se concretizaram em um promissor avanço da política previdenciária para a proteção ao trabalho, mas ainda teríamos muito que avançar. Há importantes contradições internas no sistema como um todo. Uma das principais refere-se ao princípio ou objetivo (conforme nomenclatura constitucional) da universalidade. A rigor a universalidade da seguridade brasileira diz respeito apenas à saúde, uma vez que a Previdência se constitui como um seguro social, o que se contrapõe diametralmente à perspectiva mais ampla da seguridade. Exceção feita somente aos segurados especiais (trabalhadores rurais, pescadores artesanais e índios) os quais não são obrigados a contribuir, mas são submetidos a um rigoroso cumprimento de normas, muitas delas alheias ao mundo do trabalho desses segurados. Embora a Constituição tenha garantido a equipa- ração entre os trabalhadores urbanos e rurais, em termos práticos, nem todos os benefícios que podem ser usufruídos pelos primeiros são estendidos igualmente para os segundos. A universalidade para a previdência é baseada no princípio liberal de oportunidade legal, formal a todos os cidadãos, desde que contribuam. Antes da Constituição somente poderiam contribuir trabalhadores especificados pela lei previdenciária e que, ao ingres- sar, tivessem uma idade inferior a 60 anos; agora “todos podem”. Com relação à assistência, ela alçou o status de política pública e, conforme reza a Constituição, “a todos que dela necessitem”. Todavia, o corte seletivo é brutal. Para ter acesso ao benefício de prestação continuada (BPC) não é suficiente ter no mínimo 65 anos de idade ou ser pessoa com necessidade especial atestada por médico perito do INSS, mas a família tem que ter uma renda per capita inferior a ¼ do salário mínimo. O Estado considera, portanto, necessidade somente essa faixa de renda ou sua ausência, deixando sem atendimento muitos que necessitam. Isso expressa ainda a fragilidade do nosso sistema de proteção social que, mesmo assim, encontra-se ameaçado em um processo retroativo de mudanças a partir das décadas de 1990-2000 com as contrarreformas, principalmente com rela- ção à Previdência Social. A década de 1990 inaugurou no Brasil as recomendações do Consenso de Washing- ton de ajuste estrutural, estratégia de enfrentamento à crise do sistema capitalista dos países centrais. Entre os vários elementos desse ajuste no campo econômico e político, o social foi alvo privilegiado. Nesse campo destacamos a previdência. Por quê? Em razão de sua importância econômica, o que se coaduna perfeitamente com o atual estágio do sistema capitalista de dominância do capital financeiro. A previdência privada constitui- se em um grande campo de expansão e acumulação financeira via Seguradoras e Fundos Privados de Pensão.
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A saúde no sistema de seguridade social brasileiro

A saúde no sistema de seguridade social brasileiro

como principais propagadores instituições como o Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes), criado em 1976, “a partir da iniciativa de filiados do então Partido Comunista do Brasil (PCB)” (Elias, 1997, p. 195). Além do Cebes, é digna de nota a participação de profissionais e políticos de esquerda, com articulações internacionais, bem como de membros de centrais sindicais, de entidades associativas de trabalhadores da área e de movimentos populares. Grande parte dos profissionais mencionados ocupava postos importantes no Ministério da Saúde (MS) e no Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps) – o que lhes propiciava conhecimento da máquina governamental e, conseqüentemente, condições privilegiadas para problematizar a situação da saúde e incluí-la, como questão politicamente trabalhada, na agenda pública. Tratava-se, portanto, de uma elite profissional, de atores estrategicamente situados, dotados de recursos políticos para transformar problemas em questão (Oszlak e O’Donnell, 1976), a ponto de angariarem para as suas propostas ampla legitimidade. Disso se ressentiu a previdência e, especialmente, a assistência social, a qual, nas palavras de Almeida (1996, p. 25), não contou com “uma elite profissional que fosse capaz de nuclear e dar rumo a uma coalizão mudancista e que aliasse clara concepção do novo modelo
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Seguridade Social no Brasil

Seguridade Social no Brasil

No entanto, no contexto do MS, prosseguiam as discussões sobre a Lei Orgânica da Saúde (LOS), bem como as pressões para a passagem do INAMPS para o Ministério da Saúde. Na realidade, os reformistas da saúde se articularam na defesa da unificação INAMPS/MS e, sobretudo, pela continuidade do projeto de reforma do sistema de saúde. Promoveram, então, uma reordenação da política do MS centrada no abandono de uma estratégia que privilegiava a construção da Seguridade Social, tal como concebida na Constituição de 1988. Esta postura dos reformistas da saú- de marcou um primeiro rompimento do acordo político que presidiu à in- corporação do capítulo da seguridade na Constituição de 1988. Este rom- pimento derivou de uma situação política específica configurada no período: o MPAS e o INAMPS estavam sendo conduzidos por dirigentes compromissados com o bloco político conservador de Sarney e, portanto, desinteressados na efetivação da seguridade social no Brasil, o que difi- cultava o encaminhamento deste projeto.
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Pobreza, seguridade e assistência social: desafios da política social brasileira.

Pobreza, seguridade e assistência social: desafios da política social brasileira.

Resumo: Este artigo apresenta resultados parciais de pesquisa sobre o combate à pobreza no Brasil. A principal contribuição do texto está em relacionar determinadas características dos programas de combate à pobreza a categorias teóricas que vem infuenciando o debate sobre política social no contexto contemporâneo. Atenção especial é dada à relação desses programas com a Política Nacional de Assistência Social. Para isso, o artigo parte da hipótese de que houve uma recondução da lógica que inspira a construção das políticas sociais, a partir de uma transformação do estatuto teórico da questão social e de suas formas de enfrentamento. Tal inflexão de sentido aparece no texto pela prioridade da pobreza enquanto categoria de análise, entendida como ausência de capacidades, configurando teórica e metodologicamente um foco individualista de pensar o social, cuja principal fonte teórica é o pensamento de Amartya Sen. Palavras-chave: política social, seguridade social, assistência social, combate à pobreza.
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SEGURIDADE SOCIAL: ITÁLIA E BRASIL

SEGURIDADE SOCIAL: ITÁLIA E BRASIL

A evolução do direito do trabalho e previdenciário tem características que algumasvezes são comuns em nos diferentespaíses. Isso, particularmente, em matéria de saúde e segurança no trabalho e no sistema da aposentadoria. Nesta perspectiva, a comparação entre a Itália e Brasil pode ser particularmente interessante sob muitos pontos de vista. Com respeito à saúde e segurança no trabalho, a evolução da legislação europeia e italiana permitiu reduzir significativamente o número de acidentes e mortes no trabalho através de algumas medidas que tornaram economicamente rentáveis os investimentosem matéria de saúde e segurança no trabalho. Estes resultados demonstram que a segurança no trabalho pode ser um importante fator de desenvolvimento econômico para o país inteiro. Igualmente interessante para o Brasil é a evolução do sistema da aposentadoria italiana, especialmente em razãodobaixo impacto que as muitas reformas produziram por causa da falta de uma visão de longo prazo.
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SIMONE PINHEIRO MATOS CENSO ESCOLAR E O DESAFIO FRENTE ÀS INCONSISTÊNCIAS DE INFORMAÇÕES NO SISTEMA DO EDUCACENSO

SIMONE PINHEIRO MATOS CENSO ESCOLAR E O DESAFIO FRENTE ÀS INCONSISTÊNCIAS DE INFORMAÇÕES NO SISTEMA DO EDUCACENSO

Como pontuado nos objetivos, o curso, que tem como público-alvo a comunidade em geral, é oferecido gratuitamente pelo Tutor do Programa Formação pela Escola de cada CRE ou município. O curso é on-line, com carga horária de 60h e duração de 30 dias, período no qual acontecem dois encontros presenciais, realizados normalmente no início e no final do módulo. A plataforma é dividida seguindo as unidades da Cartilha do Caderno de Estudos do Censo Escolar. O curso é dividido em cinco seções: Unidade I – Censo: fonte indispensável para estabelecer políticas públicas; Unidade II Conhecendo o Censo Escolar; Unidade III – Informações coletadas pelo Censo Escolar; Unidade IV – Funcionalidades do Sistema Educacenso; Unidade V – Censo Escolar: Políticas Públicas e Controle Social. O cursista pode ir realizando as atividades na plataforma on-line, que é interativa, ou pode fazer conforme a sua disponibilidade de leitura off-line, fazendo o download da Cartilha. Ao final de cada seção, deve ser realizada uma atividade avaliativa on-line e, ao término do curso, deve ser entregue um plano de ação (Anexo II) das atividades para realização da inserção dos dados do Censo Escolar. Os tutores, que geralmente atuam nas Coordenadorias Regionais de Educação ou nas secretarias municipais, são, em sua maioria, professores ou supervisores escolares. Segundo o site do FNDE, nos programas de formação, os tutores devem atender aos seguintes requisitos:
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EMISSÕES DO SETOR DE AGROPECUÁRIA

EMISSÕES DO SETOR DE AGROPECUÁRIA

Um outro marco histórico relevante dos compromissos climáticos ocorreu na vigésima primeira Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Cli- mática (COP21), realizada em novembro de 2015 em Paris, e que reuniu 195 países (in- cluindo União Europeia) e culminou na elaboração do Acordo de Paris, que tem objetivo conter o aumento da temperatura média global em menos do que 2°C acima dos níveis pré-industriais e envidar esforços para limitar esse o aumento a 1,5°C, reconhecendo que isso reduziria de maneira significativa os riscos e os impactos da mudança climática. Essa meta deverá ser atingida por meio da soma de esforços dos 195 países signatários, incluindo o Brasil, através de suas NDCs ou Contribuições Nacionalmente Determinadas (termo em português). A NDC é o documento apresentado pelos países ao Secretaria- do da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Ele contém as ações pretendidas de cada governo para que as metas de redução das suas emissões de GEE sejam atingidas.
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EMISSÕES DOS SETORES DE ENERGIA, PROCESSOS INDUSTRIAIS E USO DE PRODUTOS

EMISSÕES DOS SETORES DE ENERGIA, PROCESSOS INDUSTRIAIS E USO DE PRODUTOS

Em sua NDC, o Governo brasileiro apresenta metas de redução de emissões com abran- gência válida para “todo o território nacional, para o conjunto da economia, incluindo CO 2 , CH 4 , N 2 O, perfl uorcarbonos, hidrofl uorcarbonos e SF 6 ”. No documento “Fundamentos para a elaboração da Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada (iNDC) do Brasil no contexto do Acordo de Paris sob a UNFCCC” as metas são detalhadas para cada um dos cinco setores cujas emissões são estimadas na “Terceira Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima” (MCTI, 2016). Nesta seção são discutidas as metas propostas para os setores de Energia e PIUP e são apresentadas comparações entre a evolução histórica das emissões, a meta proposta pela NDC brasileira e a meta da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC). O Quadro 3, a seguir, apresenta um histórico (1990 e 2005) e as metas publicadas pelo governo brasileiro para as emissões associadas aos setores de Energia e PIUP e para as emissões totais.
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EMISSÕES DO SETOR DE MUDANÇA DE USO DA TERRA

EMISSÕES DO SETOR DE MUDANÇA DE USO DA TERRA

Entre os pressupostos adotados, o mais frágil é o desmatamento ilegal zero. Desma- tamento ilegal zero já deveria ser uma realidade, não uma meta, visto a vasta gama de investimentos em comando e controle de desmatamento, principalmente no bioma Amazônia. Desde 2012 a taxa de desmatamento na Amazônia, principal contribuin- te de GEE do setor MUT, está estagnada em torno dos 5.000 quilômetros quadrados por ano. Cerca de um terço desse desmatamento tem se concentrado em áreas de assentamento do Incra e nas regiões próximas de projetos de infraestrutura como no- vas hidrelétricas e pavimentação de rodovias. Além disso, em junho de 2016 o Serviço Florestal Brasileiro anunciou que 95% da área cadastrável brasileira já está no CAR. O problema é que boa parte dessas informações sobre as propriedades são declaratórias e não foram validadas pelos órgãos ambientais, o que leva a uma alta insegurança na qualidade dos dados. Por exemplo, no Pará, 108 mil propriedades (de um total de 150 mil) apresentam sobreposições entre si incompatíveis com as exigências legais (Públi- ca, 2016). A meta correta deveria ser desmatamento zero. A área já aberta no Brasil é suficiente para atender à demanda do agronegócio, portanto, os incentivos devem ser para cessar o desmatamento, seja ele legal ou ilegal.
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EMISSÕES DO SETOR DE RESÍDUOS

EMISSÕES DO SETOR DE RESÍDUOS

Nos períodos de 1994-1998 e 2002-2010, verificaram-se saltos no total de emissões. O primeiro período de expansão coincide com o início do Plano Real, onde se observou um forte crescimento econômico e consequente maior acesso a bens de consumo e aumento da produção industrial. Já o segundo período destacado, entre 2002 e 2010, também é marcado por um crescimento acentuado no número de indústrias, decor- rente do aquecimento da economia. Assim como os investimentos em infraestrutura, programas de inclusão social, a Política Nacional de Saneamento Básico e ao maior financiamento em obras de infraestrutura de saneamento propiciadas pelo PAC.
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O PADRÃO DE DESENVOLVIMENTO DOS AGRONEGÓCIOS NO BRASIL E A ATUALIDADE HISTÓRICA DA REFORMA AGRÁRIA

O PADRÃO DE DESENVOLVIMENTO DOS AGRONEGÓCIOS NO BRASIL E A ATUALIDADE HISTÓRICA DA REFORMA AGRÁRIA

Desde o final da década de 1980, o Brasil passou por um intenso processo de reestruturação política e produtiva, ingressando na nova divisão internacional do trabalho que resultou da crise estrutural do capital deflagrada a partir da década de 1970. Mais recentemente, com o crescimento exponencial da demanda internacional por commodities agropecuárias e produtos de baixa densidade tecnológica, o País encontrou na especialização produtiva uma “nova” via para seu “desenvolvimento”, convertendo-se, simultaneamente, em importante “plataforma de valorização financeira”. No plano político interno, a captulação e (conseqüente) ascensão do principal (e único) partido político de massas surgido no pós-ditadura civil-militar ao mais alto posto de comando do Estado – o Partido dos Trabalhadores - levou o país a experimentar um extraordinário surto de expansão capitalista - que, a partir de meados dos anos 2000, foi denominado por intelectuais progressistas de toda sorte de neodesenvolvimentismo. Neste contexto, os agronegócios, que vinham se expandindo desde as décadas anteriores, tornaram- se elementos estratégicos da nova economia política brasileira do novo século. Com o PT, o setor experimentou sua belle époque, modificando, de modo decisivo, a questão agrária nacional e, ao mesmo tempo, conferindo um novo significado histórico para a (luta pela) reforma agrária. Com isto, o padrão historicamente “truncado” de acumulação capitalista brasileira evoluiu para um padrão destrutivo de desenvolvimento das forças produtivas do capital, especialmente no campo, intensificando a degradação social do trabalho e dos recursos naturais e ecológicos. Neste trabalho, analiso o padrão econômico e social de desenvolvimento dos agronegócios no Brasil nas últimas décadas e o projeto político que lhe dá forma, sobretudo a partir do impulso recebido pelo Estado, por meio do programa neodesenvolvimentista dos governos do PT. Simultaneamente, discuto a atualidade histórica da reforma agrária, os desafios e as condições necessárias para sua realização.
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CAPÍTULO 2 – A POLÍTICA AGRÍCOLA NO BRASIL: EVOLUÇÃO,

CAPÍTULO 2 – A POLÍTICA AGRÍCOLA NO BRASIL: EVOLUÇÃO,

Goulart, que se viu sitiado por movimentos de direita e de esquerda. Ao intensificar sua campanha pela reforma agrária em novembro de 1963, o governo também estenderia o acesso à Previdência Social e à assistência médica aos trabalhadores rurais. Contudo, nesse momento, Goulart se encontrava em um cenário já marcado por greves de diversas categorias de trabalhadores urbanos e pela ascensão dos movimentos análogos no campo, que iniciaram ocupações de terras em vários estados. Em resposta, militares forneceram armas a fazendeiros do Sul do País e dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, formando-se neste último um dos maiores núcleos da reação ao projeto de reforma. Em Goiás, Pernambuco e Alagoas, grandes proprietários de terras se organizaram para enfrentar movimentos camponeses. Associações como a SRB e o Conselho das Classes Produtoras (Conclap) comandaram ações para resistirem fisicamente a ameaças que supunham ultrapassar a questão propriamente fundiária. A decisão de avançar no caminho da redistribuição de terras, apesar da resistência do Congresso em aprovar emendas à Constituição Federal, levou Goulart a ordenar que a Superintendência da Reforma Agrária (Supra) elaborasse um decreto para, nos marcos legais, autorizar a desapropriação de áreas localizadas às margens de rodovias federais e açudes (Bandeira, 1978: 98-99, 104, 121-125, 148, 154-157). Poucos dias depois de assinar o decreto, Goulart estaria exilado no exterior.
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PEDRO HENRIQUE BARBOSA DE ABREU

PEDRO HENRIQUE BARBOSA DE ABREU

Os riscos de intoxicação envolvidos no preparo dos agrotóxicos são elevados, pois é neste momento que as substâncias tóxicas presentes nas formulações dos produtos apresentam maior concentração. Desta forma, qualquer respingo no corpo ou inalação pode causar intoxicação aguda do trabalhador rural ou ser responsável por agravos de longo prazo. Entretanto, o contexto do trabalho agrícola familiar em Lavras leva à adoção de práticas que aumentam estes riscos de intoxicação. Os agricultores relatam que a diluição e mistura de produtos, de forma geral, é feita já na área de cultivo. Isto implica o preparo direto no aplicador (sem a utilização de instrumentos adequados); o tombamento do recipiente, cujo conteúdo deve passar diretamente pela boca estreita do aplicador sem que uma gota seja derramada, em local desnivelado, com buracos e, muitas vezes, íngreme; a utilização de água parada e suja, levada para a área de cultivo em tambores. A comercialização de embalagens de 20 litros de agrotóxicos, cujo consumo é estimulado pelo valor proporcionalmente menor, também dificulta a manipulação do produto durante o preparo, podendo levar a derramamentos e respingos. Neste contexto, 64,2% dos entrevistados afirmaram já ter derramado ou respingado agrotóxico no corpo durante o preparo (Tabela 13).
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EMISSÕES DE GEE DO BRASIL

EMISSÕES DE GEE DO BRASIL

Após o sucesso histórico do multilateralismo com a assinatura do Acordo de Paris, em dezembro de 2015, a maré política global pareceu virar no sentido do isolacionismo nos meses seguintes: no meio do ano, o Reino Unido decidiu em referendo, por curta mar- gem de votos, sair da União Europeia, enfraquecendo o bloco que liderava a transição global para a descarbonização. Em novembro, o Colégio Eleitoral dos Estados Unidos ga- rantiu a vitória a Donald Trump na sucessão de Barack Obama, e o maior emissor históri- co de gases de efeito estufa do planeta efetivamente retirou-se do processo multilateral. Trump, que se elegera prometendo “cancelar” o Acordo de Paris, iniciou a desestrutu- ração de todas as políticas públicas de clima na esfera federal com poucos meses de mandato. Em junho de 2017, anunciou que os EUA sairiam do acordo do clima ou busca- riam “renegociá-lo”, provocando reação imediata da comunidade internacional. Embora a saída dos EUA possa não chegar a se concretizar, já que pelas regras do acordo isso só poderia ocorrer a partir de 2020, o cancelamento das contribuições americanas ao Fundo Verde do Clima tende a contaminar o debate sobre financiamento das NDCs (Contribui- ções Nacionalmente Determinadas) condicionais dos países em desenvolvimento. O real prejuízo das mudanças nos EUA e na União Europeia sobre a ação climática glo- bal ainda é desconhecido no momento em que este relatório é publicado. Há, porém, um terceiro grande emissor de gases de efeito estufa que sofreu um terremoto político em 2016 com impactos nitidamente negativos para a agenda de clima e para as emis- sões: o Brasil.
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Octavio Ianni e o proletariado rural no Brasil — Outubro Revista

Octavio Ianni e o proletariado rural no Brasil — Outubro Revista

No contexto da acumulação originária exposta por Marx (1980 [1867]), os camponeses foram arruinados, expulsos das terras das quais eram proprietários fundiários ou arrendatários, e as imensas extensões de terras, muitas delas com campos inexplorados, concentraram-se em grandes propriedades nas mãos de uma ínfima minoria. Apartados dos meios de produção, os camponeses foram impelidos a se tornar “trabalhadores agrícolas”, no sentido capitalista da expressão, à disposição dos proprietários de terra. No entanto, somente até um primeiro momento da grande indústria fora possível contrabalançar o crescimento da população entre o campo e a cidade, pois o suposto equilíbrio urbano-rural era frágil em face do crescimento acelerado e desmedido das cidades comandadas pela lógica industrial.
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