Top PDF Prisão preventiva e obrigação de permanência na habitação : o controlo da sua execução

Prisão preventiva e obrigação de permanência na habitação : o controlo da sua execução

Prisão preventiva e obrigação de permanência na habitação : o controlo da sua execução

Na outra vertente da questão, demos como exemplo a forma como são realizados os despachos de reexame em que se decide pela manutenção da medida. São, na sua maioria, despachos curtos, muitas vezes remetendo para expressões da lei (nomeadamente, os “perigos” do art. 204.º do C.P.P), muito pouco factuais e limitando-se a afirmar, sem mais, que os pressupostos se mantêm. Questionamos se tal seria suficiente e, de forma a assegurar uma resposta, analisamos as exigências que o T.E.D.H estabelece nesta matéria. Analisamos em detalhe um caso em que Portugal foi condenado por violação do art. 5.º, n.º 3 da C.E.D.H por não ter logrado fundamentar a manutenção da medida de prisão preventiva aplicada à requerente por falta de motivos razoáveis, isto é, por se ter limitado a citar os fundamentos utilizados no momento da sua aplicação, sem explicar o entendimento de que os mesmos se mantinham absolutamente inalterados. Como vimos através desse caso mas também através de outros sucintamente analisados, é jurisprudência unânime do T.E.D.H que, embora num momento inicial a aplicação da medida se possa bastar com a invocação de determinados perigos, com o passar do tempo subsiste no juiz que reexamina a medida uma obrigação de analisar detalhadamente todos os motivos e sempre com referência aos factos que, em concreto, os fazem subsistir.
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Prisão preventiva ilegal e respectivo direito a indemnização

Prisão preventiva ilegal e respectivo direito a indemnização

Contudo, como referido anteriormente, o preceituado no art. 225º, do CPP foi objeto de alteração 139 , deixando assim de se exigir, para haver lugar a indemnização do Estado por privação da liberdade ilegal ou injustificada, que o arguido comprovasse que a prisão preventiva (ou detenção ou obrigação de permanência em habitação) tinha sido decretada com erro grosseiro na apreciação dos pressupostos de facto ou então demonstrando que a prisão ou detenção era manifestamente ilegal, passando agora admitir-se o tal direito quando “a privação da liberdade for ilegal; a privação da liberdade se tiver devido a erro grosseiro na apreciação dos pressupostos de facto de que dependia; ou se comprovar que o arguido não foi agente do crime ou atuou justificadamente” 140 .
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A prisão preventiva: o limite dos direitos  fundamentais

A prisão preventiva: o limite dos direitos fundamentais

Conjuntamente, de forma a reduzir os danos individuais provocados pela prisão preventiva, o art.193.º, n.º3, do CPP, consagra que “quando couber ao caso medida de coação privativa da liberdade nos termos do número anterior, deve ser dada preferência à obrigação de permanência na habitação sempre que ela se revele suficiente para satisfazer as exigências cautelares”. Ou seja, o legislador entende que, embora privativa da liberdade, deve ser dada primazia à medida que mantenha o arguido no seu ambiente, de forma a que se limitem o menos possível os direitos fundamentais daquele a quem são aplicadas, nunca esquecendo o princípio constitucional da presunção da inocência que impõe que as medidas de coação sejam, o máximo possível, compatíveis com o estatuto processual da inocência inerente à fase em que se encontram os arguidos a quem são aplicadas estas medidas e por isso que, ainda que legitimadas pelo fim, devam ser aplicadas as menos gravosas, desde que adequadas 109 . O texto deste artigo foi introduzido pela Lei n.º48/2007, de 29 de agosto, pretendendo-se assim, acentuar o carater excecional, subsidiário e não obrigatório da prisão preventiva. A excecionalidade e subsidiariedade da prisão preventiva são uma exigência que decorre da Constituição, nomeadamente nos seus arts.27.º e 28.º, n.º2, na medida em que impõe o direito à liberdade como regra, consagrando que a prisão preventiva não deve ser decretada nem mantida sempre que possa ser aplicada caução ou outra medida mais favorável prevista na lei.
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Nótula sobre o âmbito objectivo e subjectivo da obrigação de reexame dos pressupostos da prisão preventiva na L 9/2020, de 10 de Abril | Julgar

Nótula sobre o âmbito objectivo e subjectivo da obrigação de reexame dos pressupostos da prisão preventiva na L 9/2020, de 10 de Abril | Julgar

Sem entrar (por descabido, agora) no mérito da solução consagrada no art. 7.º/1, é mais ou menos evidente que a singularidade dele resulta do cruzamento de duas preocupações concorrentes e a colocar em concordância prática: de uma banda, preocupações de política criminal (naturalmente avessas à libertação, sem mais, de presos preventivos) e, de outra, de política de saúde pública (grosso modo, avessas à manutenção da situação de sobrelotação prisional em contexto epidémico). É por essa razão, pode-se logo avançar, que não se equaciona a revisão da medida de coacção e obrigação de permanência na habitação. Fora essa evidência, a primeira questão que ele convoca é a de saber se a revisão imposta no n.º 1 do art. 7 se circunscreve aos crimes cujas penas são suscetíveis de serem perdoadas ou indultadas ou antes se estende àqueles não abrangidos pelas medidas de graça (arts. 2.º/6 e 3.º/5).
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As vicissitudes do contrato de trabalho em caso de prisão preventiva do trabalhador

As vicissitudes do contrato de trabalho em caso de prisão preventiva do trabalhador

Por um lado, é dito que o trabalhador deveria ter configurado como possível a situação de prisão. Por outro, pergunta-se: não poderão essas faltas ser consideradas justificadas? Sucede que, no que concerne às faltas em si mesmas consideradas, não será nesse âmbito que surge a imputabilidade, mas sim num momento anterior: o trabalhador não faltou deliberada e intencionalmente; com efeito, não tinha outra hipótese que não faltar. É aqui que surge mister trazer à colação o elemento volitivo da questão e compreender que não é apenas aí que reside a pedra de toque, mas antes no elemento culposo: isto é, não é completo ou totalmente correto afirmar que o trabalhador voluntariamente cometeu o facto ilícito ou não observou a diligência exigível e acabou por se verificar determinado resultado. Há que explicitar a questão e precisar os termos: não é suficiente identificar-se o elemento negligente ou doloso; é imperativo identificar-se o elemento
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A UTILIZAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA COMO MEIO DE ALCANÇAR A COLABORAÇÃO PREMIADA

A UTILIZAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA COMO MEIO DE ALCANÇAR A COLABORAÇÃO PREMIADA

Nesse sentido, Soraia da Rosa Mendes e Kássia Cristina explicam que: A lei não proíbe que a delação/colaboração premiada possa se dar em qualquer fase da persecução penal. Podendo ocorrer durante o inquérito policial, ou até antes dele, em, por extensão, sindicâncias preliminares ou averiguações administrativas. Assim como durante a instrução processual e a fase dos recursos ordinários e excepcionais. Ou, até mesmo, segundo Dipp (2015, p. 23), após a formação da coisa julgada formal e material, de modo que, em decorrência das inúmeras possibilidades de reexame da condenação, ser possível entender que haja também abertura legal para que o acordo de delação/colaboração dê-se mesmo em fase de execução da pena. Caso em que a colaboração premiada, nos termos da lei, ocorrida depois da sentença, implicará em redução de pena até metade, sendo também admissível a progressão de regime, ainda que ausentes os requisitos objetivos. 9
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A INCONSTITUCIONALIDADE SUBSTANCIAL DO INSTITUTO DA PRISÃO PREVENTIVA E SEU USO DISCRICIONÁRIO

A INCONSTITUCIONALIDADE SUBSTANCIAL DO INSTITUTO DA PRISÃO PREVENTIVA E SEU USO DISCRICIONÁRIO

Isso porque, o dispositivo em questão traz a possibilidade da decretação da prisão preventiva em casos de garantia da ordem pública e financeira. Aquela, tem sido interpretada de forma a garantir o clamor social e gerar uma sensação de punibilidade imediata a qualquer custo, mesmo que antes do trânsito em julgado; enquanto esta, nada tem a ver com encarceramento precoce do acusado, tendo em vista que existem outros meios mais eficazes e menos danosos diferente da restrição de liberdade, que garantem a ordem a financeira, tais como sequestro e arresto de bens.

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A problemática do fundamento da ordem pública na decretação da prisão preventiva

A problemática do fundamento da ordem pública na decretação da prisão preventiva

As grandes vigas trazidas pela nova legislação, em síntese, são: a) o tratamento sistemático do tema da prisão e das demais medidas cautelares pessoais; b) o estabelecimento do caráter subsidiário da prisão cautelar, aplicável apenas quando as demais medidas alternativas não forem adequadas ou suficientes; c) a vedação, como regra geral, da decretação da prisão preventiva em caso de crimes com pena máxima igual ou inferior a quatro anos, relegando a prisão para crimes graves; d) criação de diversas medidas alternativas à prisão, que poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente; e) a indicação clara de que toda e qualquer medida cautelar, da mais tênue a mais grave, deve perseguir uma finalidade cautelar, representada pela necessidade de sua aplicação para evitar fuga, para garantia das investigações ou da instrução ou, ainda, para evitar a prática de novas infrações penais; f) a adoção do princípio da proporcionalidade como vetor interpretativo e verdadeiro guia na adoção de toda e qualquer medida cautelar pessoal, refletindo em suas vertentes negativa – com seus três subprincípios (adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito) – e positiva, que veda a proteção deficiente; g) a necessidade de observância do contraditório nas medidas cautelares, em geral anterior à decretação da medida; h) a nova formatação da liberdade provisória, que claramente assume caráter cautelar e passa a ser imposta não apenas como contracautela (como se entendia anteriormente), mas, também, como cautela originária, para evitar a decretação da prisão; i) a revitalização do instituto da fiança, ampliando as hipóteses de afiançabilidade, permitindo que o Delegado conceda imediata liberdade para crimes afiançáveis com pena de até quatro anos e, ainda, ampliando consideravelmente os valores passíveis de serem fixados; e j) o estabelecimento do caráter precário e temporário da prisão em flagrante, que passa a ter prazo certo e limitado no tempo, após o qual deve ser
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A (in)aplicabilidade da prisão civil ao herdeiro da obrigação alimentar inadimplente

A (in)aplicabilidade da prisão civil ao herdeiro da obrigação alimentar inadimplente

De fato, sobre a terra, o indivíduo tem inauferível direito de conservar a própria existência, a fim de realizar seu aperfeiçoamento moral e espiritual. O direito à existência é o primeiro dentre todos os direitos congênitos. Em regra, o indivíduo, sendo capaz, deve procurar atingir tal objetivo com os recursos materiais obtidos com o próprio esforço, com o próprio trabalho. Muitas vezes, entretanto, por idade avançada, doença, falta de trabalho ou qualquer incapacidade, vê-se ele impossibilitado de pessoalmente granjear os meios necessários à sua subsistência. Ressalta-se que a Constituição Federal (BRASIL, 1988), em seu artigo 5º, inciso LXVII, veda, expressamente, a prisão civil por dívida “salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia”. A exceção em tela reflete, ainda mais, a importância dos alimentos no direito brasileiro, uma vez que revela a única hipótese de cabimento, na prática, da referida prisão.
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PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA, PRISÃO PREVENTIVA E O COMBATE AO CRIME ORGANIZADO PELA LEI 12.850/2013 (prisão preventiva como instrumento de afronta a presunção de inocência).

PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA, PRISÃO PREVENTIVA E O COMBATE AO CRIME ORGANIZADO PELA LEI 12.850/2013 (prisão preventiva como instrumento de afronta a presunção de inocência).

Depreende-se, portanto, que a prisão preventiva por ter como finalidade a limitação da liberdade do cidadão, não deve ter sua incidência ampliada além do que a medida necessária de seu alcance ou mesmo de seu fim, para que não seja uma medida que os direitos garantidos constitucionalmente a todos aqueles que a sofrem. Para isso, faz-se imprescindível a existência dos pressupostos processuais e cautelares da prisão preventiva para a legalidade da medida imposta.

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As distorções da prisão preventiva para a garantia da ordem pública

As distorções da prisão preventiva para a garantia da ordem pública

Excepcionalidade. Prisão preventiva. Gravidade abstrata da conduta. Tráfico de drogas. 35g de maconha. Ordem concedida de ofício. (...) 2. No caso, a decisão que converteu a prisão em flagrante em preventiva limitou-se a fazer afirmações a respeito da gravidade abstrata do delito de tráfico de drogas, em contrariedade à firme orientação jurisprudencial do Tribunal. 3. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício para assegurar ao paciente o direito de aguardar em liberdade o trânsito em julgado de eventual condenação, ressalvada a possibilidade de expedição de nova ordem de prisão por fundamento superveniente.” (HC 122068/MG, Relator Ministro Roberto Barroso); “Habeas corpus. Processual Penal. Prisão preventiva. Crimes de tráfico e de associação para o tráfico de drogas. Artigos 12 e 14 da Lei nº 6.368/76. Necessidade de comprovação da presença dos requisitos previstos no art. 312 do Código de Processo Penal. Inidoneidade dos fundamentos justificadores da custódia no caso concreto. Revogação. Superação do enunciado da Súmula nº 691 do Supremo Tribunal Federal. Ordem concedida. (...) 3. Na hipótese em análise, ao determinar a custódia do paciente, o Tribunal estadual não indicou elementos concretos e individualizados que comprovassem a necessidade da sua decretação, conforme a lei processual de regência, calcando-a em considerações abstratas a respeito da periculosidade do agente e da necessidade de garantia da ordem pública. 4. Segundo a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal, para que o decreto de custódia cautelar seja idôneo, é necessário que o ato judicial constritivo da liberdade traga, fundamentadamente, elementos concretos aptos a justificar tal medida. 5. Ordem concedida.”
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Ordem pública na prisão preventiva: da “futurologia” à banalização

Ordem pública na prisão preventiva: da “futurologia” à banalização

Presentes os pressupostos elencados no artigo 312 do Código de Processo Penal, a prisão preventiva poderá ser decretada em relação aos delitos listados no artigo 313 (do mesmo código). Isto é, quando: se tratar de crime doloso punido com pena privativa de liberdade máxima superior a quatro anos (inciso I); caso o agente tenha sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado (inciso II); ou para garantir a execução de medida protetiva de urgência em casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência (inciso III). Outrossim, o parágrafo único do referido artigo ainda admite a decretação quando haja dúvida acerca da identidade civil do acusado ou quando este não a esclareça.
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A prisão preventiva no direito brasileiro e no direito português

A prisão preventiva no direito brasileiro e no direito português

processuais, multas, indenização dos danos causados à vítima, na prática, acabava por se tornar um fator de limitação da liberdade, na medida em que o valor a ser recolhido se tornava, muitas vezes, o óbice à liberdade. Além disso, em muitas hipóteses previstas na lei penal brasileira, como, por exemplo, no delito de furto qualificado, cujas penas máximas excedem a discricionariedade da Polícia Judiciária, caberia ao magistrado deliberar sobre a sua concessão (artigo 322.º, parágrafo único, do CPP). Contudo, agora, com a nova redação do artigo 319.º do CPP, a fiança passa a ser uma medida cautelar diversa da prisão, cabendo ao juiz, não apenas analisá-la, quando da apreciação do auto de prisão em flagrante, fazendo ponderações a seu respeito, mitigando-a, se necessário, mas sim avaliando a possibilidade de substituir o cárcere pela mesma.
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A prisão preventiva no direito Processual penal Brasileiro.

A prisão preventiva no direito Processual penal Brasileiro.

NEVES, Antônio Felipe da Silva. Da prova indiciária no processo penal.. outro crime doloso em sentença imutável, ressalvando o disposto no parágrafo único do art. Ocorre que, [r]

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A prisão preventiva prevista na lei de falências e recuperação de empresas

A prisão preventiva prevista na lei de falências e recuperação de empresas

Com a crescente globalização, o mundo atual cada vez mais gira em torno dos negócios. Vários são os interesses envolvidos ao redor de determinada empresa: dos empresários, dos trabalhadores, dos fornecedores, entre outros. Desta feita torna-se necessária a criação de mecanismos que visem inibir a utilização de empresas com o intuito de enriquecimento ilícito, muitas vezes através da utilização de fraudes, desvio de bens, etc. Isto para que possa haver confiança entre as relações existentes entre as empresas, essencial ao bom andamento da economia. Uma das formas de combater tais práticas foi a tipificação de determinadas condutas como crimes pelo legislador pátrio. Além disso, o legislador, visando inibir a continuidade de determinadas condutas, a sensação de impunidade, entre outros fatores, fez previsão expressa na lei de falências da possibilidade de prisão preventiva do falido em caso de indícios de prática de crime falimentar. Contudo algumas questões sobre o instituto da prisão preventiva necessitam ser analisados com maior cautela. A prisão é medida última de sanção, devendo somente ser aplicada em casos extremos. E a prisão do falido não foge a esta regra. Nosso estudo visa exatamente avaliar tal instituto. Assim, esta monografia tem por escopo analisar a constitucionalidade de tal prisão, os requisitos necessários à validade do decreto provisório, suas semelhanças com a prisão preventiva prevista no Código de Processo Penal
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A (in) compatibilidade da colaboração premiada com o instituto da prisão preventiva

A (in) compatibilidade da colaboração premiada com o instituto da prisão preventiva

Não há, contudo, do ponto de vista jurídico, relação direta entre acordo de colaboração premiada e prisão preventiva. A decretação da prisão preventiva, conforme já consignado, somente é cabível para a “garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal” (art. 312 do Código de Processo Penal). (...) A Lei 12.850/2013, por sua vez, não apresenta a revogação da prisão preventiva como benefício previsto pela realização de acordo de colaboração premiada. Com efeito, o art. 4º desse diploma legal permite ao juiz conceder “o perdão judicial, reduzir em até 2/3 (dois terços) a pena privativa de liberdade ou substituí-la por restritiva de direitos daquele que tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e com o processo penal”, atendidos os requisitos
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A prisão preventiva como mecanismo de controle e legitimação do campo jurídico

A prisão preventiva como mecanismo de controle e legitimação do campo jurídico

O sistema prisional é um espetáculo de horrores, que não choca a opinião pública e não comove os governantes, porque é exatamente isso o que se espera dele: a expiação da culpa, o sofrimento, a punição do corpo e da alma dos depositários das nossas mazelas sociais. O histórico descaso por parte do Estado com relação aos estabelecimentos prisionais, para além de todas as críticas ao encarceramento, impossibilita a satisfação dos fins a que a pena se destina, e inviabiliza a garantia da segurança na sociedade como um todo. O sistema carcerário brasileiro está longe de ser um meio de contenção da criminalidade, tornando-se, ao contrário, cada vez mais um dos maiores propulsores do aumento da violência 17 . Muito distantes do propósito de reinserir socialmente, as prisões têm contribuído para o aumento das taxas de criminalidade. O encarceramento produz reincidência: depois de sair da prisão, aumentam as chances de voltar para ela (delinqüência secundária).
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A Fundamentação das Decisões Judiciais e a Prisão Preventiva MESTRADO EM DIREITO

A Fundamentação das Decisões Judiciais e a Prisão Preventiva MESTRADO EM DIREITO

A presente dissertação abordou o tema da fundamentação das decisões judiciais e a prisão preventiva, mediante análise da legislação e da doutrina, nacionais e estrangeiras, bem como da jurisprudência pátria. O processo penal, direito constitucional aplicado, é uma garantia fundamental no Estado Democrático de Direito, cujo pilar central é a dignidade humana. No Estado Democrático de Direito, devem ser motivadas todas as decisões judiciais, máxime diante da necessidade de restrição a direitos fundamentais, no caso a liberdade, mediante a decretação da prisão preventiva. A fundamentação, decorrente do princípio do devido processo legal, consiste na explicitação das razões de fato e de direito que conduziram o magistrado à decisão. O discurso justificativo judicial deve mostrar-se íntegro, dialético, coerente e racional, não sendo suficientes meras referências a dispositivos legais, com alusão a fórmulas vagas e genéricas, ajustáveis a toda e qualquer situação. Considerando o princípio da presunção de inocência, consignou-se que a prisão preventiva, cautelar por excelência, é marcada pela provisoriedade, devendo vigorar enquanto perdurar a situação de urgência que justificou a decretação da medida, constituindo providência excepcional, porquanto aplicável às hipóteses emergenciais, se e quando todas as demais medidas cautelares mostrarem-se inadequadas e insuficientes. O estudo demonstrou que a prisão preventiva só poderá ser decretada em face da presença de determinados pressupostos e requisitos legais, razão pela qual sua motivação demandará, por parte do magistrado, análise das circunstâncias e peculiaridades do caso concreto, à luz do princípio da proporcionalidade. Ao final, restou assente que a fundamentação inidônea, dotada de vícios, enseja reconhecimento de sua nulidade, por comprometer valores essenciais consagrados no Texto Constitucional, atingindo a própria dignidade da pessoa humana.
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Por um processo penal sem prisão preventiva para a garantia da ordem pública

Por um processo penal sem prisão preventiva para a garantia da ordem pública

A situação é ainda pior quando se consideram outros supostos crimes, sejam eles ocorridos no passado, pela análise de antecedentes, sejam eles ainda a ocorrer no futuro, como nos casos em que se fundamenta a prisão preventiva no risco de reiteração delitiva do acusado, ou seja, para evitar a prática de novas condutas criminalizadas. Haveria, desse modo, de ficar demonstrado que o acusado, caso em liberdade, voltaria a delinquir. Trata-se, porém, de uma tentativa de se demonstrar o indemonstrável, portanto assenta-se uma linha de pensamento baseada na presunção de que aquele que pratica uma ou duas condutas criminalizadas, necessariamente praticará a terceira, e assim sucessivamente (DUCLERC, 2011, p. 427). É cabível questionar se a razão de ser de tal tese consiste na previsão do comportamento do criminalizado ou se na previsão de que, em sua vulnerabilidade, será novamente selecionado pelas agências de criminalização secundária. Certo é que, se o acusado ainda não foi condenado em definitivo por crime algum, decretar-lhe a prisão preventiva sob esse argumento significa, acima de tudo, inverter a lógica da presunção de inocência, instituindo uma perigosa presunção de culpa não autorizada pela Constituição Federal (DUCLERC, 2011), mas praticada na realidade dos sistemas penais (propositalmente) invertidos da América Latina (ZAFFARONI, 2011, p. 70).
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A suspensão da execução da pena de prisão e os crimes sexuais

A suspensão da execução da pena de prisão e os crimes sexuais

Similarmente, a nível nacional, o instituto nem sempre apresentou a mesma cara. No Projeto da Parte Geral de 1963, consagrava-se autonomamente os dois institutos – sob a denominação de regime de prova encontrava-se o principal conteúdo da probation e à designação de sentença condicional correspondia o instituto da suspensão da pena, ainda que reinventado, nomeadamente pela inexistência de limites para a sua aplicação e pela possibilidade de suspender a fixação da pena concreta. No entanto, estas propostas não tiveram acolhimento – exceto quanto à autonomização dos dois institutos – no CP de 1982, onde se acabou por enunciar um critério formal para ambos: a pena de prisão não superior a 3 anos. A diferença radicava no facto de, em sede de suspensão da execução da pena, estar em causa a pena concreta e, relativamente ao regime de prova, estar em causa a moldura penal.
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