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Psicanálise e ciências sociais.

Psicanálise e ciências sociais.

narcisicam ente a fim de continuar a tradição ou de com batê-la ( com o evoca o contrato narcísico de Aulagnier [ 1975] ) . Os processos de socialização pelos quais o infans passa e que são sem pre, para ele, as m arcas de um a violência “necessária” ( AULAGNIER, 1975) ( violência estruturante) e a experiência da castração sim - bólica perm itirão a passagem do infans à criança, quer dizer, a passagem de um ser associal, anim ado por um desejo de total-potência ( ligado, de fato, a um senti- m ento de real im potência) , a um ser social que integra os valores de seu grupo e se localiza em relação a eles, e o acesso à hum anidade. Hum anidade quer dizer ( pela interm ediação dos processos de recalcam ento e idealização que se instau- ram ) a capacidade de am ar o outro e de se am ar ( a libido objetal não sendo necessariam ente oposta à libido narcísica) , de trabalhar com os outros ( o ho- m em “norm al”, com o assinala Freud, não é aquele que pode am ar e trabalhar?) , de sublim ar suas pulsões m ais violentas e m ais destrutivas nas artes, nas ciências e em toda atividade socialm ente valorizada. O indivíduo, com o escreveu Foulkes ( 1978, p.156) m ais tarde, é “o elo de um a longa corrente”; Freud teve essa intuição bem cedo. É por isso que a psicanálise não é redutível à psicologia. Ela é um a ciência psico-social tendo com o característica perceber que a outra cena ( aquela do inconsciente, aquela do im aginário) é tão ( e, talvez, m ais) interessan- te quanto aquela do visível, o objeto habitual das ciências sociais.
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A psicanálise freudiana e a dualidade entre ciências naturais e ciências humanas.

A psicanálise freudiana e a dualidade entre ciências naturais e ciências humanas.

Apesar de sua origem num momento histórico e num contexto filosófico bas- tante precisos, a distinção entre as ciências humanas e as ciências naturais tornou-se um modo de pensar tão arraigado que essas categorias raramente deixaram de se faze- rem presentes na discussão epistemológica posterior, ao longo de praticamente todo o século xx – e, pode-se dizer, ainda hoje. Em particular, a ontologia nela pressuposta passou a ser, na maior parte das vezes, assumida de maneira tão espontânea que as tentativas de superar essa dicotomia endereçaram-se, sobretudo, aos seus aspectos metodológicos, deixando intacta a diferença ontológica entre o humano e o não-hu- mano, desde então considerada idêntica à distinção entre o não-natural e o natural, respectivamente. Assim, por exemplo, o estruturalismo linguístico e antropológico francês dos anos 1940-1950 propunha-se, de modo geral, a ultrapassar a alternativa entre explicação e compreensão, dotando as ciências sociais de estratégias de análise, teorização e formalização comparáveis em rigor às das ciências da natureza, mas assu- mindo plenamente a fratura ontológica entre os dois domínios e, praticamente, erigin- do-a em dogma. Tudo se passava como se a distinção entre o natural e o artificial – entre o que depende e o que não depende da ação humana para existir – continuasse a ser pensada segundo alguma versão (bastante simplificada, em geral) da clássica dis- tinção aristotélica (Física, ii, 192b) e pudesse ignorar o desenvolvimento explosivo das ciências naturais na Idade Moderna e, mais especificamente, das ciências da vida, após a revolução darwinista no século xix com todos os desafios que colocavam ao antro- pomorfismo e ao “isencionalismo” (“exemptionalism”) (cf. Catton & Dunlap, 1978) mais ou menos evidentes implicados naquela distinção.
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ProPosições  vol.20 número2

ProPosições vol.20 número2

do mundo social ou dos processos de engajamento se revela rapidamente decepcionante, pois mostra-se muito menos como analogia científica do que como metáfora. Assim, a psicanálise freqüentemente tende a assumir o formato de uma roupagem dos prejulgamentos do pesquisador. Mesmo que o princípio da não-transparência funde epistemologicamente as ciências sociais, ele não pode, em nenhum caso, autorizar a “redução” das ações humanas a uma mani- festação de algum inconsciente, individual ou coletivo. Se concordarmos que na “produção social de sua existência, os homens estabelecem relações determi- nadas, necessárias e independentes de sua vontade” (Marx), não se pode infe- rir, entretanto, que sua ação só possa ser compreendida pela produção, supos- tamente profunda, de uma experiência interior que apenas a psicanálise, por si só, fornece. Feitas tais reservas — que têm relação com o eclipse provocado pelo uso que as ciências sociais fazem da psicanálise há muito tempo — seria, por- tanto, o caso de dizer que a psicanálise deve ser proscrita? Eu penso que não, mas sob condição de respeitar esses princípios. Diferentes pesquisas biográficas caracterizadas por uma atenção clínica (Jacques Maître, Francine Muel-Dreyfus) já o mostraram.
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Paidéia (Ribeirão Preto)  vol.22 número51

Paidéia (Ribeirão Preto) vol.22 número51

origem judia Drª Koch e concretizar a possibilidade da for- mação de analistas em nosso país. Iniciou a análise com a mesma, em 1937, sendo a primeira mulher a deitar em um divã no hemisfério sul. O destaque conferido à biografada, neste capítulo, evidencia seu pioneirismo do movimento psi- canalítico de São Paulo, tornando-se a primeira proissional não médica a interessar-se pela Psicanálise, com a peculiari- dade de que este interesse de tomar a psicanálise unicamente como sistema teórico, entendendo-a também como técnica terapêutica, migrando, assim, de um interesse restrito ao estudo teórico do tema, em direção à formação psicanalíti- ca e, consequentemente, à prática clínica. A construção dos capítulos posteriores segue direcionamento semelhante ao adotado nos capítulos anteriores e privilegia o viés histórico. Concluindo, no livro Virgínia Bicudo: A trajetória de uma psicanalista brasileira, o autor tem como proposta central narrar a singular carreira de uma psicanalista pioneira, que deixou atrás de si realizações desde o início do século XX. Desde o interesse precoce pela Psicanálise que desenvolvera no curso de Ciências Sociais da Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, onde ingressou no ano de 1936, até o cargo de membro da diretoria da Sociedade de Psicanálise de São Paulo e coordenadora do Instituto desta instituição. Mesmo ocupando cargos estratégicos na Sociedade de Psica- nálise de São Paulo, desde o início de sua primeira formação, foi a partir da década de 1960, ao retornar de Londres – onde esteve nos anos anteriores aprimorando seus conhecimentos, tendo contato direto com o grupo e as teorias de Melanie Klein –, que Virgínia Bicudo consolida sua liderança no gru- po de São Saulo. Salientando e introduzindo fortemente a importância da Psicanálise de Crianças como instrumento didático na formação dos analistas brasileiros e na difusão, consolidação e reconhecimento desta prática em nosso país. Sempre coniante no poder de transformar realidades sociais por meio da Psicanálise, apostou desde o início de seu traba- lho, primeiro como Professora primária educadora sanitária do Instituto de Higiene Mental de São Paulo, na possibili- dade de favorecer a aprendizagem e o desenvolvimento de crianças e jovens em situação de fracasso escolar.
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Ciênc. saúde coletiva  vol.19 número6

Ciênc. saúde coletiva vol.19 número6

Dando continuidade ao encontro como mo- mento de troca e formação e que permite a “emer- gência das subjetividades”, o capítulo 5 o traz como espaço de experimentação e elaboração. O planejamento do “Protejo” teve seu momento te- órico-conceitual, no qual a equipe lançou mão de discursos da psicanálise, das ciências sociais e da pedagogia, para auxiliar na formação do edu- cador-facilitador no estabelecimento de vínculos com os jovens educandos, no sentido de estrutu- rar e nortear a criação de espaços que permitam a construção de narrativas, de expressões de de- sejos e de anseios e que estimulem a possibilida- de de sonharem a produção de novas realidades e a perspectiva de um “final feliz”. Os autores tomam a obra de Winnicott para discutir a pro- dução de sentidos e “permitir ao sujeito estabele- cer conexões com sua vitalidade, imprimir seu estilo e definir seu self (...)”.
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Movimentos sociais e Reforma Agrária: um balanço crítico dos governos Lula e Dilma — Outubro Revista

Movimentos sociais e Reforma Agrária: um balanço crítico dos governos Lula e Dilma — Outubro Revista

no interior do programa Fome Zero – está enfraquecendo as bases da luta pela reforma agrária, que são recrutadas nas zonas rurais e nas periferias pobres das cidades. Depois da implantação dos programas sociais de renda mínima, o número de acampados que permanecem mobilizados caiu para menos da metade. Hoje o MST conta com cerca de 80 mil famílias acampadas, além do vínculo com centenas de milhares de assentados distribuídos pelo território nacional. Sua base social é constituída por famílias pobres, que não possuem alternativa imediata de sobrevivência a não ser a ocupação de terras.
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As Ciências Sociais e Humanas em Saúde na Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva.

As Ciências Sociais e Humanas em Saúde na Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva.

Esboçou-se uma proposta para uniformizar os propósitos, conteúdos e metodologia do ensino das ciências sociais que conduzisse o aluno a tomar consciência do contexto em que se insere e dos limites do saber e das práticas médicas tradicionais; capacitá-lo a elaborar uma descrição distinta da realidade, incorporando a visão crítica do social e não apenas ideológica, e produzir conhecimentos sobre a conjuntura de saúde. A metodologia de ensino deveria partir de textos de medicina social e não das ciências sociais disciplinares. Os debates sobre a proposta recusaram uniformizar aquele ensino em torno do projeto da corrente de medicina social, em função da diversidade das ciências sociais e de sua desejada articulação com as demais disciplinas (Planejamento em Saúde e Epidemiologia) na redefinição das práticas de saúde coletiva (ABRASCO, 1984). Em janeiro de 1986, criou-se a Comissão de Ciências Sociais (CCS), junto com as comissões de outras subáreas da Saúde Coletiva e da Comissão de Políticas de Saúde (ARCOVERDE, 2006), permanecendo a primeira a cargo de Everardo Duarte Nunes e Amélia Cohn. A força da conjuntura política e o forte empenho da associação no processo de Reforma Sanitária priorizaram a implementação das atividades da Comissão de Política de Saúde, que funcionou autonomamente às demais ciências sociais, atuando fortemente na formulação e vocalização da política de saúde, defendida pela associação e pela militância do movimento sanitário, tendo permanecido, posteriormente, apartada das primeiras.
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Fertilidade de substratos para mudas de mangabeira, contendo fibra de coco e adubados com fósforo.

Fertilidade de substratos para mudas de mangabeira, contendo fibra de coco e adubados com fósforo.

2 Departamento de Ciências Fundamentais e Sociais, Centro de Ciências Agrárias, Areia, Paraiba, Brasil. *Autor para correspondência.[r]

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Consultoria para a internacionalização de municípios – projeto do setor governamental da Empresa Júnior de Relações Internacionais Orbe

Consultoria para a internacionalização de municípios – projeto do setor governamental da Empresa Júnior de Relações Internacionais Orbe

0769 - CONSULTORIA PARA A INTERNACIONALIZAÇÃO DE MUNICÍPIOS – PROJETO DO SETOR GOVERNAMENTAL DA EMPRESA JÚNIOR DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS ORBE. - Marina Morais de Andrade (Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, UNESP, Franca), Cairo Gabriel Borges Junqueira (Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, UNESP, Franca), Laís Helena de Custódio Queiroz (Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, UNESP, Franca), Diego Henrique Goulart de Freitas (Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, UNESP, Franca), Lucas Pereira de Morais Saifi (Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, UNESP, Franca), Danielle Aline de Alencar Hernandes (Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, UNESP, Franca), Mayara Sousa Teoro (Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, UNESP, Franca), Thássio de Castro Torres (Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, UNESP, Franca), Flávia Helena Moura Cardoso (Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, UNESP, Franca) - marina.moraisdeandrade@gmail.com.
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PARA UMA PSICANÁLISE, FENOMENOLOGIA E HISTÓRIA DAS CIÊNCIAS EM GASTON BACHELARD

PARA UMA PSICANÁLISE, FENOMENOLOGIA E HISTÓRIA DAS CIÊNCIAS EM GASTON BACHELARD

B achelard se consagrou, enquanto epistemólogo, pelo esforço que empregou em alertar seus leitores, tanto cientistas quanto filósofos, sobre a necessidade de supe- rarmos as doutrinas chamadas pseudocientíficas através de uma psicanálise eficaz do conhecimento objetivo, por defender que a retificação em ciência se faz necessária, pois ela confere tônus e vigor aos saberes sancionados e aos saberes ultrapassados ela deflagra uma cisão irremediável. A nova ciência contemporânea desvela o caráter dinâmico e tran- sitivo do próprio conhecimento, seus alicerces levantam-se sobre os valores de coerência e complexidade progressiva de suas teorias e enfoques, tanto quanto, pela modulação dos Resumo: apresentaremos a crítica bachelardiana às imagens e valores subjetivos amalgamados ao conhecimento objetivo por meio de uma apropriação e aplicação do método psicanalítico ao campo das ciências. Para exemplificar esse tratamento psicanalítico do conhecimento científico, abordaremos um caso específico de obstáculo epistemológico presente na cultura científica que chamou a atenção de Bachelard até o fim de sua vida, trata-se dos valores projetados pela imagem do fogo que foi tema não só de seus estudos epistemológicos, mas também de suas análises literárias em sua fase noturna final. Posteriormente a esta análise inicial, buscaremos compreender de que modo a ciência contemporânea lançou um “novo olhar” sobre os fenô- menos investigados (fenomenotécnico), sobretudo, a quântica e a microfísica, consolidando uma nova ontologia dos objetos tidos como infinitesimais, circunscrita a uma ruptura entre o conhecimento científico e senso comum, fazendo com que Bachelard reformulasse, inclusive, a própria noção de história das ciências como sendo descontínua.
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O DESPERTAR DA EDUCAÇÃO SUSTENTÁVEL E DA CIDANANIA PLANETÁRIA  Kátia Cristina Cruz Santos, Moises Seixas Nunes Filho

O DESPERTAR DA EDUCAÇÃO SUSTENTÁVEL E DA CIDANANIA PLANETÁRIA Kátia Cristina Cruz Santos, Moises Seixas Nunes Filho

A problemática ambiental está entrelaçada na história da humanidade. Anteriormente por observações fragmentadas e desconexas, hoje por postulados científicos, sociais, políticos e econômicos, entre outros fatores. A iminente crise ambiental seus desafios a serem cumpridos pela humanidade é a justificativa pelo presente estudo deste artigo científico, pois além de soluções técnicas, requer soluções educacionais que se configurem na construção de conhecimentos, desenvolvimento de mudanças de hábitos, internalização de novos valores e atitudes que contribuam para a superação dos problemas apresentados.
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Marcus Cesar Ricci Teshainer

Marcus Cesar Ricci Teshainer

Doença Mental e Psicologia é, na verdade, uma reedição, ou melhor, uma releitura de Maladie Mentale et Personnalité. Após o lançamento de História da Loucura na Idade Clássica (1961) Foucault é convidado a relançar seu primeiro livro, porém ele se recusa a faze-lo uma vez que tal livro critica severamente a psicanálise, e como membro do partido comunista na época traz uma forte influência marxista para o texto, dedicando um capítulo inteiro a Pavlov e à ciência psicológica materialista. Assim, proíbe sua reedição. Em 1962, um ano após o lançamento de História da Loucura na Idade Clássica, Foucault revê todo o material de Maladie Mentale et Personnalité, suprime todo o capítulo que trata da psicologia pavloviana e o lança com um novo título: Maladie Mentale et Psychologie (Doença Mental e Psicologia). Em entrevistas ou ocasiões semelhantes, irá sempre identificar História da Loucura na Idade Clássica como sendo seu primeiro livro, renegando completamente Maladie Mentale et Personnalité.
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Das ciências sociais para as ciências sociais em saúde: a produção científica de pós-graduação em ciências sociais.

Das ciências sociais para as ciências sociais em saúde: a produção científica de pós-graduação em ciências sociais.

Encontramos nas quatro instituições de ensino 258 dissertações de mestrado e teses de douto- rado elaboradas entre 1990 e 2001 que aborda- ram temáticas da área de saúde. Nos programas de Pós-Graduação da PUC/SP e da USP encon- tramos o maior número de trabalhos, respecti- vamente, 98 trabalhos (38%) e 96 (36%). Cha- ma atenção, no entanto, a presença de 15% dos trabalhos na Fundação Getúlio Vargas, isto é, um número absoluto de 39 trabalhos, consideran - do-se que, ao contrário das demais instituições pesquisadas, ela conta apenas com um curso de graduação em administração de empresas, en - quanto as demais têm vários cursos na área de ciências sociais e humanas. A criação do Progra- ma de Administração Hospitalar de Sistemas de Saúde (PROAHSA) incentivou a produção in - telectual da FGV/SP sobre questões da área da saúde, pois ao final da década de 1980 já haviam sido defendidas 20 dissertações de mestrado com temáticas de saúde e, dos anos 90 até 2001, con- tabilizamos os 39 trabalhos citados (Figura 1).
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A realidade social e os sujeitos solitários.

A realidade social e os sujeitos solitários.

uma sociedade menos repressora, mas de saber reconhecer a loucura de uma norma vigente na realidade social, ou seja, conseguir esse reconhecimento. Freud e outros tantos psicanalistas que o sucederam constataram que os momentos de crise são oportunos para tanto. Dessa forma, se a lógica do capital pode adquirir a ferocidade do Outro, que anula a diferença dos corpos e os desejos, esse ambiente é propício a várias crises. E a psicanálise, que “não ama o acordo urgente, precipitado, já que não detesta a angústia, pois sabe que ela é necessá- ria” (PEREÑA, 1996, p.63), vê nessas crises a possibilidade de “rebeldia contra a crueldade niilista do capital, de modo que o sujeito possa sair dessa sujeição ao Outro”, sem que isso exclua a solidariedade. Segundo Pereña (1996), essas crises, em lugar de favorecerem a solidariedade dos conformados, testemunham a condição de solidariedade dos perturbados. Nelas há a oportunidade de trans- formar o mal-estar em saber, pois suscitam perguntas, obrigam a respostas e, assim, permitem que se explore aquilo que se encontrava velado na essência do problema. Para Aromí (2003), elas não dispensam juízos diretos, ou seja, que cada um fale e se situe frente aos fatos, por meio de respostas antigas ou novas. As crises só serão um desastre quando as respostas surgirem dos prejuízos que elas causam, de forma a impedir a reflexão sobre aquilo que a nova realidade brinda. Daí que a crise representa a possibilidade de criação de novas respostas, pela via do sujeito desejante, ainda que imerso no gozo.
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III Latimoamericano Ciências Sociais e Barragens: ciência, tecnologia e sociedad

III Latimoamericano Ciências Sociais e Barragens: ciência, tecnologia e sociedad

O III Encontro Latinoamericano Ciências Sociais e Barragens reafi rma a incerteza da rentabilidade do projeto Belo Monte, no rio Xingu, e reconhece o direito à história, à reprodução da relação dos grupos ali existentes com seus territórios, em seus aspectos materiais, simbólicos e afetivos. Considera a necessidade de investimentos em pesquisa para o reconhecimento do real valor econômico da fl oresta em pé ameaçada pela implantação e pelos desdobramentos advindos do avanço sobre os territórios, no caso de hidrelétricas na Amazônia, ou seja, a imprevisibilidade dos impactos sociais e ambientais em cadeia a exemplo de Belo Monte (rio Xingu), Santo Antônio e Jurau (rio Madeira); a mitigação e compensação como mecanismos de viabilização irrestrita; decisões geopolíticas delegadas a empresas privadas e de interesse em lucro que afetam a Constituição nacional. E fi nalmente, aponta para novos processos de criminalização e constrangimento impostos a grupos atingidos, assessores, pesquisadores e operadores da Justiça e o esvaziamento dos conselhos de política ambiental. Temas que conclama a sociedade brasileira à refl exão e posicionamento consciente e democrático.
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Dificuldades dos sistemas "fechados" e dilemas da formação na pós-graduação.

Dificuldades dos sistemas "fechados" e dilemas da formação na pós-graduação.

Entretanto, a humanidade, de maneira geral, parece imersa no seu entourage, ocupada em sobreviver, cheia de problemas, ruminando ressentimentos, sem instrumentos intelectuais para transcender o vivi- do e refletir sobre a estrutura social, econômica e cultural, sobre sua economia psíquica e a dos que entram na vida de cada um. Por isso, a dominação de alguns homens sobre muitos nem sempre está apoiada em uma teoria abstrata fechada e coerente, mas em uma práxis cujos inúmeros supostos – crenças, mitos, costumes, relações sociais, religião e tudo o que constitui a consciência de si mesmo, dos demais e do mundo, ancorados em vivências do dia a dia e nas tradições – afetam todos os participantes do grupo social. Quando a teoria existe, tudo se torna mais simples para quem exerce a dominação ou a contesta, mas os fatores que a teoria desvenda atuam e fazem o conjunto funcionar.
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O efeito educacional em Foucault. O governamento, uma questão pedagógica?.

O efeito educacional em Foucault. O governamento, uma questão pedagógica?.

Além da veracidade ou não, da pertinência ou não da tese de Hoskin, aquilo que gostaríamos de salientar aqui é a indiscutível proximidade entre os objetos de análise do ilósofo e determinadas questões pedagógicas que, embora não se reduzam, como pensava Hoskin, à disciplina e ao exame, aparecem como elementos articuladores da relação saber-poder. Não é nosso interesse contribuir na consideração de Foucault como “criptopedagogo”; não pretendemos colocar o pensador do lado do campo da Educação e aproveitar essa condição para dar destaque à Pedagogia, considerada disciplina menor ou subdisciplina, como salienta Hoskin (1993a) em outro dos seus trabalhos. Ainda que seja uma realidade que a Pedagogia ocupa um lugar secundário dentro das ciências sociais e humanas; que o seu caráter cientíico seja questionado pelas outras ciências; que, no máximo, seja considerada como disciplina aplicada das verdadeiras ciências sociais e humanas, também é uma realidade que, a partir de novos olhares, o seu lugar de destaque na constituição da nossa modernidade é cada vez mais evidente e que, como airma Hoskin (1993b, p. 33), “na verdade, Foucault descobriu algo muito simples (ainda que muito raro, embora): o caráter central da educação na construção da modernidade”.
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XXVII ENCONTRO NACIONAL DO CONPEDI SALVADOR – BA

XXVII ENCONTRO NACIONAL DO CONPEDI SALVADOR – BA

A situação do sistema parlamentar tornou-se hoje extremamente crítica, porque a evolução da moderna democracia de massas transformou a discussão pública, argumentativa, numa simples formalidade vazia (...). Os partidos (que de acordo com o texto da Constituição escrita, nem existem oficialmente) atualmente não se apresentam mais em posições divergentes, com opiniões passíveis de discussão, mas sim como grupos de poderes sociais ou econômicos, que calculam os interesses e as potencialidades de ambos os lados para, baseados nesses fundamentos efetivos, selarem compromissos e formarem coalizões ”. (SCHMITT, 1996, p. 08, grifo nosso)
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AMARILDO DE SOUZA HORÁCIO

AMARILDO DE SOUZA HORÁCIO

Em 2010, formei-me em Licenciatura em Educação do Campo na área de formação de Línguas, Arte e Literatura. No Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) investiguei a trajetória dos educandos da minha turma para conhecer o que estávamos fazendo e em que medida aquela experiência contribuia com nossas lutas. Esse trabalho foi importante pois a partir dele concluímos que a experiência formativa proporcionou conhecimentos e espaços pedagógicos e políticos que reforçavam as perspectivas dos Movimentos Sociais (MST e a Via Campesina 7 ). Em meio aos intensos e tensos debates entre Movimento Social e Universidade, um dos desafios materializou-se na gestão do Curso: fomos provocados a aprofundar o que se compreendia e como se dava o “pensar coletivo”. As falas dos sujeitos daquela pesquisa afirmavam o fato de o curso ter sido constituído em duas vertentes: uma do Movimento no contexto da sua organicidade e uma da Universidade, em seus aspetos formativos (HORÁCIO, 2010).
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A unidade cultural da África Negra: uma reflexão

A unidade cultural da África Negra: uma reflexão

É docente do Instituto Superior João Paulo II, da Universidade Católica de Angola (UCAN). É licenciado em Ciências da Educação, opção História e Mestre em História de Angola pelo Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) de Luanda e doutorando em Ciências Sociais, na opção Antropologia, pela Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Agostinho Neto (UAN). Tem estudos e comunicações publicados em livros colectivos e em revistas, das quais se destaca: «Visão antropológica do exercício do poder tradicional. O caso do Ohamba Mungambwe», in I Encontro Nacional sobre a Autoridade Tradicional em Angola, Luanda, Ministério da
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