Top PDF Psicologia comunitária: atividade e consciência

Psicologia comunitária: atividade e consciência

Psicologia comunitária: atividade e consciência

Tomamos, como unidade de análise do discurso, a conversação não-natural, estimulada e orientada por um dos participantes (entrevistadora). O que pretendíamos era saber se na conversação estavam presentes os seguintes elementos: a) o entendimento entre os participantes sobre o que conversavam (competência e coerência na interação entre ambos, entendimento na ação comunicativa); b) o significado pessoal do morador entrevistado (discurso principal) acerca de temas relativos à vida cotidiana de sua comunidade, à sociedade maior e, inclusive, a respeito de si mesmo, quer dizer, o sentido que tem para ele a atividade comunitária com relação a si mesmo e à comunidade, sua explicação de temas gerais e específicos, bem como, também, a maneira discursiva e o conteúdo do discurso ao relacionar três figuras em uma série de quatro; c) se esses elementos permitiam identificar características no discurso do morador (coerência discursiva) próprias de um tipo predominante de consciência, segundo o modelo de conscientização de Paulo Freire.
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Atividade e consciência

Atividade e consciência

motivos pelos quais foram estimuladas. O que muda radicalmente é o caráter dos relacionamentos que conectam os objetos e motivos da atividade. Estes relacionamentos são psicologicamente decisivos. O ponto é que para o próprio sujeito a compreensão e realização de objetivos concretos, seu domínio de certos modos e operações de ação é uma forma de afirmar, preencher sua vida, satisfazendo e desenvolvendo suas necessidades materiais e espirituais, que estão reificadas e transformadas em motivos de sua atividade. Não faz diferença se o sujeito está consciente ou inconsciente de seus motivos, se eles declaram suas existências na forma de interesse, desejo ou paixão. Suas funções, consideradas a partir da posição da c onsciência, é para “avaliar”, por assim dizer, o significado vital para o sujeito das circunstâncias objetivas e suas ações nessas circunstâncias, em outras palavras, para dotá-las de significado pessoal, o que não coincide diretamente com seus significados objetivos entendidos. Sob certas condições, a discrepância entre significados pessoais e significados objetivos na consciência individual pode equivaler a alienação ou até mesmo oposição diametral.
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Consciência e atividade: um estudo sobre (e para) a infância

Consciência e atividade: um estudo sobre (e para) a infância

Retomando a discussão sobre alienação, já realizada no capítulo 4, podemos dizer que a alienação da consciência do educando pode incluir: 1) o processo de realização da atividade (reproduzindo as relações sociais de dominação na relação professor-aluno); 2) os produtos (a criança pode ser obrigada a desfazer-se dos objetos produzidos, que se tornam meros objetos de avaliação); 3) a relação entre o indivíduo e o gênero humano (no que se refere às máximas possibilidades de desenvolvimento para sua faixa etária); e 4) a relação dos indivíduos para consigo mesmos, na palavra e no instrumento (apropriando-se da linguagem alienada para a explicação da realidade particular, e sendo privado das faculdades necessárias ao uso de instrumentos). A exclusão das atividades não-cotidianas dos currículos pré-escolares indica que, tendencialmente, não se está criando condições para o desenvolvimento de uma relação consciente com a vida. É o que podemos constatar nas atividades pré-escolares que incluem livros, dramatizações e histórias recheadas de costumes e idéias reprodutoras de falsa consciência. Tal processo de alienação é inadmissível, considerando-se que o educador precisa contar com o apoio das funções primitivas para possibilitar que a criança aproprie-se de funções mais elevadas (Vigotski, 1995, p.309). O próprio desenvolvimento institui as sempre crescentes possibilidades de se introduzir no cotidiano objetivações não-cotidianas.
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Práxis em psicologia comunitária: festa de São João como atividade comunitária.

Práxis em psicologia comunitária: festa de São João como atividade comunitária.

O objetivo desse trabalho é analisar, a partir da Psicologia Comunitária, a organização de uma festa de São João em uma comunidade da Canafístula (Ceará) como uma atividade comunitária. Esse processo de facilitação ocorre por meio do desenvolvimento de atividades comunitárias que são ações coletivas permeadas por posturas dialógicas, democráticas e cooperativas desenvolvidas pelos moradores com fins comunitários e pessoais. Essas ações podem ser promotoras de processos de conscientização, de fortalecimento da identidade pessoal e comunitária e de maior integração entre os moradores. As ações foram desenvolvidas por um Projeto de Extensão universitária de um Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão de uma Universidade Pública do Ceará em 2011 e contou com uma equipe de alunos da graduação e da pós-graduação, uma professora e um grupo de moradores da Canafístula. A atuação aconteceu em processo de cooperação entre os moradores da comunidade e os extensionistas, com reconhecimento tanto do saber acadêmico quanto do saber popular. O foco era o fortalecimento das práticas culturais locais, a partir da realização do festejo junino, através do qual promoveu-se a participação em ações coletivas, a formação de rede entre os diversos atores comunitários, o sentimento de pertença à comunidade e o fortalecimento da identidade dos envolvidos. O método utilizado foi o dialógico-vivencial, em que os facilitadores se propõem a experienciar profundamente a realidade em que se inserem, vinculando-se às pessoas e ao lugar, realizando também análises sobre o modo de vida comunitário e dialogando com os moradores. Conclui-se que o desenvolvimento do festejo junino pode ser abordado como uma atividade comunitária, pois sua organização e sua realização tiveram como bases o diálogo e a cooperação com o um objetivo coletivo. Foi igualmente permeado por processos de conscientização e de fortalecimento da identidade pessoal e comunitária, propiciando aos participantes o reconhecimento de si enquanto sujeitos de sua história e agentes de transformação da própria realidade. Uma das consequências desse processo foi a criação de um grupo de jovens com o objetivo de refletir sobre a comunidade e seu desenvolvimento.
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A atividade musical e a consciência da particularidade

A atividade musical e a consciência da particularidade

situação na qual se encontra a atividade. Trata-se da relação entre pensamento, emoção e música. Uma cadência modal progressiva, por exemplo, pode gerar diferentes estímulos, se estiver no contexto do século XVII ou XVIII. A expectativa obedece às leis psicológicas da vida mental. É um produto de respostas habituais que foram desenvolvidas em ligação aos estilos musicais particulares em conjunto com os modos de percepção humana (mas não se trata de simples contágio). Na anatomia de uma música, um padrão de expectativa gerado em sua estrutura, uma progressão, por exemplo, pode ser considerado como uma norma. Um desvio disso pode ser considerado como um estímulo emocional. Desse modo, é difícil pensar em um ouvinte passivo, um mero espectador sem emoções próprias e singulares. Assim, a crítica de Eco (2006) à Meyer carece de fundamento suficiente, pois ele parece desconhecer a natureza psicológica da reação estética, ignorando as experiências culturais vivenciadas pelo ouvinte. Crê-se que, tanto em uma quanto em outra música, o ouvinte é capaz de co-criar os estilos por meio de suas experiências na cultura e com base em sua própria musicalidade, bem como com base na consciência que possua de si mesmo em relação ao estímulo. Desse modo, a experiência emocional estética na música está presente no indivíduo, que só é indivíduo porque também é um ser social. O padrão emocional que acontece na arte, como já dito anteriormente, não é mais um padrão natural, como na filogênese. É um fenômeno cultural eculturalmente desenvolvido. Isso faz parte, de acordo com Meyer (1984), da lei do afeto, segundo a qual, em uma situação estímulo que pode variar indefinidamente, as condições propiciadas pela música evocam estados emocionais relevantes para a psique humana, derivados da experiência legítima, ou seja, da vida vivida na cultura.
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Noções de Psicologia Comunitária

Noções de Psicologia Comunitária

O uso da dramatização (como técnica psicodramática ou como teatro popular), requer um preparo do facilitador para lidar com a atividade psíquica revelada como drama pessoal e político, individual e coletivo. No meio comunitário, visa aos participantes lidarem com a sua história pessoal e comunitária construída na realidade em que vivem e onde o drama de suas vidas se desenrola, sempre numa perspectiva de construção do indivíduo que se faz sujeito de seu mundo em busca de um mundo novo. Não é estimulada a situação psicoterápica, mas, em alguns momentos, há de se lidar com ela. O sentido da dramatização, em Psicologia Comunitária, é o jogo da espontaneidade, da criatividade e da consciência (Moreno, 1990), em um contexto dialógico, transformador e libertário, revelador da opressão e da anulação (Boal, 1980) e, ao mesmo tempo, impulsor da construção da identidade e de um novo modo de vida comunitário.
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A tomada de consciência e a prática de ensino: uma questão para a psicologia escolar.

A tomada de consciência e a prática de ensino: uma questão para a psicologia escolar.

A primeira mudança do participante no que concerne à prática de ensino de adultos refere-se à escolha das atividades. Ao contrário da primeira aula em que o sujeito usou um Tic Tac Toe (jogo da velha) como recurso para auxiliar na aquisição do vocabulário, o participante passou a priorizar as discussões sobre os temas abordados no livro adotado no curso, enfatizando as trocas verbais entre os alunos. A segunda mudança na prática do participante na sala de aula diz respeito à qualidade das perguntas formuladas por ele, conforme evidenciamos anteriormente. Embora na última aula observada pela pesquisadora (quarta aula) o participante tenha ainda utilizado perguntas convergentes, ele próprio destacou o objetivo para a escolha desse tipo de pergunta: “Mas o objetivo da atividade era avaliar a compreensão dos alunos do texto que ouviram”. As mudanças que os resultados apontam verificaram- se de forma progressiva. As sessões de interação, as observações e as sessões de feedback entre o participante e a pesquisadora, compreendidas no seu conjunto, favoreceram a tomada de consciência do participante sobre as suas posturas frente ao ensino de adultos e, em particular, sobre o ensino de língua estrangeira para alunos adultos, com longa escolarização. Esse processo se deu primeiro do ponto de vista do seu discurso e depois do ponto de vista da sua prática em sala de aula.
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O conceito de consciência no Projeto de uma psicologia de Freud e suas implicações metapsicológicas.

O conceito de consciência no Projeto de uma psicologia de Freud e suas implicações metapsicológicas.

tes e o movimento voluntário. Dessa maneira, a consciência deixa de ser um sistema dotado de características próprias e exclusivas – o sis- tema ω do Projeto... –, para converter-se em uma propriedade que se acrescenta aos processos neuropsíquicos a partir de uma certa etapa e de um certo grau de sua organização, de sua complexidade e de sua evolução (onto e filogenética). Essa tendência se acentuará quando, com a dissolução da noção de um sistema inconsciente na passagem para a segunda tópica, Freud passar a referir-se a “inconsciente” e “consciente” como qualidades psíquicas, ou seja, como propriedades dos processos, mas não mais, necessariamente, como classes de pro- cessos homogêneos. Quanto à percepção, observe-se que, desde “A in- terpretação dos sonhos”, fica claro, pela própria estrutura do aparelho, que o estímulo recebido pela extremidade perceptiva do mesmo, deve atravessá-lo na sua integridade, ser submetido a toda a série de trans- crições e reorganizações, antes que possa tornar-se conscientes na ex- tremidade oposta. Talvez o indicador mais nítido de como Freud pensa a percepção consciente como possibilitada por esse processo complexo de organização do material sensorial bruto seja o modo como ele aplica o conceito de elaboração secundária, 16 não apenas à alucinação onírica, mas à atividade perceptiva como tal:
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Relações da Psicologia Comunitária com a libertação a partir da dialética dominaçãoopressão

Relações da Psicologia Comunitária com a libertação a partir da dialética dominaçãoopressão

A conscientização, portanto, é um processo relevante para a práxis da Psicologia Comunitária, pois é através dela que há a emancipação de um sujeito comunitário, problematizador e transformador da realidade vivida. Essa práxis é, sobretudo, um processo de construção do sujeito. Isso está explicitado, no objetivo da Psicologia Comunitária apresentado por Góis (2008, p. 83): possibilitar “a expressão e desenvolvimento do sujeito da comunidade, mediante o aprofundamento da consciência dos moradores com relação ao modo de vida da comunidade”. Esse processo de construção do sujeito da comunidade vai desde a hominização, até a emancipação do sujeito enquanto ser ativo e responsável por determinar sua vida e transformar a realidade. A partir da ótica da libertação, segundo Boff (1976, p. 24) “pode-se ver toda a longa caminhada evolutiva do homem como processo de progressiva hominização. Hominização significa exatamente o processo de se tornar homem”. Sobre esse questão, Guzzo e Lacerda Jr. (2012) afirmam que a história humana é nada mais do que um processo permanente de autoconstrução humana e que os únicos limites para o desenvolvimento da subjetividade são limites sócio históricos. O sujeito vai se construindo no próprio ato libertador, na atividade de superação das contradições sociais e nas suas lutas cotidianas. Touraine também aborda o processo de libertação do sujeito quando afirma que “o sujeito se forma na vontade de escapar às forças, às regras, aos poderes que nos impedem de sermos nós mesmos, que procuram reduzir-nos ao estado de componente de seu sistema e de seu controle sobre a ati vidade” (2006, p. 119). A emergência desse sujeito na nossa sociedade é favorecida pelas condições atuais de existência, onde o homem não se encontra mais num mundo idealizado e é cotidianamente confrontado com uma realidade concreta e consigo mesmo.
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Psicologia Comunitária no Ceará: uma caminhada

Psicologia Comunitária no Ceará: uma caminhada

Ao longo do tempo, trabalhando junto com sociólogos, educadores, economistas, assistentes sociais, militantes políticos, religiosos, psicólogos clínicos, psicólogos sociais e psicólogos comunitários, víamos nesses trabalhos interdisciplinares sérias limitações quando penetravam nas questões da subjetividade, da parte ideal do psiquismo, do modo de vida refletido na mente do morador como imagem ativa de suas relações sociais e comunitárias. O processo do reflexo psíquico da comunidade não era, muitas vezes, compreendido e nem considerado na ação comunitária, a nao ser de forma distinta do contexto histórico-social do morador; uma separação entre individuo e meio que pouco atendia, por mais que se falassem de contexto, história, subjetividade, consciência e participação comunitária.
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Psicologia da justiça e comunitária: trajetórias, desafios e concretizações

Psicologia da justiça e comunitária: trajetórias, desafios e concretizações

contribuição da Psicologia para o Direito e, em particular, para o sistema de justiça, tem surgido em linha com as crescentes demandas judiciais e com o reconhecimento da existência de técnicos capacitados e especializados na aplicação dos conhecimentos da Psicologia à prática judicial. Não deixa, contudo, de ser igualmente verdade que um dos mais graves problemas, nomeadamente da atuação no contexto da Psicologia da Justiça e Forense, continua a residir no facto desta área ser o “pasto” para psicólogos (clínicos ou outros) que, sem a necessária formação e especialização académica e profissional, se têm vindo a imiscuir em questões e trabalhos para os quais não possuem a devida preparação e competência, afetando inevitavelmente a qualidade do exercício da profissão e, sobretudo, a credibilidade da mesma. Mais do que a regulação criteriosa e rigorosa do acesso à profissão e exercício ético da mesma (para os quais a criação da Ordem dos Psicólogos pretendeu dar um contributo importante), entendo que a consciência e ética individual de cada um é condição central para o bom desempenho da atividade profissional.
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IDEOLOGIA E UTOPIA EM PSICOLOGIA COMUNITÁRIA

IDEOLOGIA E UTOPIA EM PSICOLOGIA COMUNITÁRIA

Por outro lado, a Psicologia Comunitária deverá ter sempre em linha de conta a união entre a teoria e a praxis. Uma vez que, sob pena de reproduzir as relações de poder assimétricas, estas acabam por facilitar o aparecimento e a manutenção da passividade e do paterna- lismo. A orientação tanto no sentido da transformação social como individual, incluirá os participantes internos e externos e a comunidade ela mesma enquanto unidade. O trabalho comunitário deverá poder produzir ou formar-se como um movimento social em que a refl exão esteja presente, refl exão essa indispensável porque condutora da acção e refl exo dela, para que as necessidades verbalizadas sejam de facto aquelas correspondentes a necessidades profundas e muitas vezes a situações limite. O movimento para a mudança da consciência dos indivíduos face ao real, possibilitador da descoberta das relações de causa e efeito entre factos aparentemente desconexos para a comunidade, poderá con- tribuir para uma visão mais clara das situações, e como tal a descoberta ou revalorização de potencialidades individuais e colectivas, que possibilitarão um processo de desnatu- ralização (eg: Moscovici, 1986), em que os sujeitos se interrogarão acerca dos discursos dominantes e a quem tais discursos e explicações favorecerão, ou seja a possibilidade de os indivíduos se questionarem do porquê das coisas serem de um modo e não de outro. Por fi m, a necessidade de permitir à comunidade de recuperar a sua memória, a sua história, de reconstruir as suas origens, por forma a ter uma visão das suas potencialidades, bem assim como das suas debilidades, como meio de afi rmação identitária (eg: Tajfel, 1983) e dessa afi rmação poder extrair o conhecimento e a força, bem como os recursos para levar a cabo uma acção transformadora.
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Participação social em saúde: contribuições da psicologia comunitária.

Participação social em saúde: contribuições da psicologia comunitária.

O trabalho de Rodrigues, Brognoli e Sprisigo (2006) corroborou essa linha de atuação quando discutiu a importância da participação em uma associação de usuários de um CAPS como espaço de informação e formação, construção de autonomia, pertencimento, instrumento político e de empoderamento, que, segundo os autores, é compreendido como a solidariedade dos participantes no desenvolvimento de ações coletivas. A participação dos usuários e familiares nessas associações colabora com o fortalecimento da Reforma Psiquiátrica, gestão das políticas públicas, processo de reivindicação de direitos e de construção coletiva. A associação também é vista como forma de tratamento, onde a participação é mais uma atividade componente do projeto terapêutico individual significando que, mesmo como tratamento produziu-se uma abertura para o campo político, ofertando a possibilidade de engajamento para além do estritamente terapêutico. Vale dizer que aprender e conhecer também é terapêutico, assim como a autonomia e a liberdade (Rodrigues, Brognoli e Sprisigo, 2006, p.244).
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Psicologia comunitária

Psicologia comunitária

Enfocando desse modo o desenvolvimento do morador, a Psicologia Comunitária no Ceará considera em seu campo de atuação alguns conceitos-chaves que lhe permite uma maior compreensão da vida comunitária, em seus aspectos coletivos e pessoais. Fazem parte do nosso universo conceitual as seguintes palavras- chaves: identidade social (Tajfel, 1972; Turner, 1987); sujeito da história (Vygotski, 1983; Lane, 1984); relação dominador-dominado, conscientização, diálogo problematizador, consciência crítica (Freire, 1980); atividade e consciência (Vygotski, 1983; Leontiev, 1982; Luria, 1990); identidade pessoal (Toro, 1982; Ciampa, 1987; Góis, 1995b); atividade comunitária, modo de vida da comunidade, ideologia de submissão e resignação, caráter oprimido, afetividade social, valor e poder pessoais (Góis, 1984); sentido de comunidade (Sarason, 1974); ação local (Franco, 1995); empoderamento (Rappaport, 1977); laços e apoio social (Kessler, 1985); e competência da comunidade (White, 1959).
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Saúde Comunitária e Psicologia Comunitária e suas contribuições às metodologias participativas

Saúde Comunitária e Psicologia Comunitária e suas contribuições às metodologias participativas

Nesta atividade, os profissionais da saúde, de outras políticas públicas e lideranças comunitárias, jun- tamente com os moradores da comunidade, empreen- dem uma caminhada conjunta e dialógica, que pode se realizar em diversos momentos do dia, apreendendo as variações do viver em comunidade (Góis, 2008). Na caminhada comunitária, os papéis do profissional e do morador são diferentes, porém estão em relação de horizontalidade, já que ambos estão no território, cami- nham, interagem e vivenciam o cotidiano da comuni- dade em conjunto. O morador passa a ser também um facilitador de processos de inserção na comunidade e de promoção de atividades comunitárias. Segundo Rebouças Jr e Ximenes (2010), a importância do envol- vimento do morador na caminhada se deve ao fato de que “ele conhece mais o lugar e assume uma função de guia, o que propicia mais segurança a todos. O morador sabe quais são os lugares perigosos, os melhores horá- rios e quem são as pessoas importantes que devem ser visitadas” (p. 160).
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A importância das categorias da psicologia social comunitária para as práticas no SUS

A importância das categorias da psicologia social comunitária para as práticas no SUS

A participação popular está voltada a conscientização, pois é um processo que incita a população de modo efetivo superando cidadania teleológica funcional, de uma ética de dever, para uma cidadania da consciência social e política dos direitos sociais comunitários. Nesse sentido, a cidadania aguardada se relaciona a uma ética prática, que possibilita a mobilização do sujeito em direção a uma cidadania ativa (Benevides, 1991), uma cidadania plena no sentido de expressão do sujeito consciente, de se pronunciar. Diferente de uma cidadania utilitária de usufruto de direitos sem a busca de uma ação integral do sujeito, de não ser, portanto, cumpridor de normativas elaboradas de modo alheio a sua realidade social concreta.
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Psicologia clínico-comunitária

Psicologia clínico-comunitária

do princípio economicista e outros segundo o princípio biocêntrico. (gÓis, 1991). neste último, os animais e plantas são seres vivos participantes de uma grande dança da vida, e não mercadorias de valor de mercado, como no princípio economicista. Há claramente uma grande diferença entre o que é hegemônico em nossa sociedade (coisificação da natureza, exploração do homem pelo homem, utili- tarismo, consumismo, tudo é mercadoria) e o princípio biocêntrico (a vida como referência maior). lamentavelmente, o que prevalece ainda hoje é o valor de mercado para definir que ser vivo ou meio ambiente deve ser cuidado em sua saúde e com qual finalidade. outras vezes, menos, prevalece a necessidade de proteger a espé- cie humana, que exige uma prática de cuidado ambiental. nesta, a preocupação é o desenvolvimento sustentável, tentativa de garantir a sobrevivência das próximas gerações humana. muito pouco, ainda minoria, o ato de cuidar revela-se como consciência ecológica pro- funda e cidadã - o respeito e o amor aos seres vivos (incluindo o ser humano) e à natureza em geral.
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A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NUMA PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA

A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NUMA PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA

Apesar de todos os problemas, a maioria gosta do local e se vê como responsável por ele o que é bastante positivo porque mostra que estão dispostos a mudar, porém em nível individual, havendo a necessidade da continuação no sentido de organização e instrumentalização na busca de soluções coletivas. Sawaia (2001c) nos leva a pensar a ética participativa através da idéia de potência de ação de Espinosa, nos permitindo passar da passividade à atividade, se permitir ser afetado pelo outro, convertendo-se em motivo dos próprios afetos e dono da própria percepção, revertendo-se em luta pela libertação. A potência de ação remete ao outro, já que os homens se realizam uns com os outros e, além disso, unindo forças se maximiza sua potência e se aumenta o campo de ação.
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Espaço e subjetividade: formação e intervenção em psicologia comunitária.

Espaço e subjetividade: formação e intervenção em psicologia comunitária.

semestres do Curso de Psicologia, através de visitas às comunidades, participação em ações sociais encabeçadas pelas Polícia Civil e Militar do Estado de São Paulo (forne- cimento de documentos de identidade) e pela Universidade (cursos de extensão para os moradores), participação em festas, eventos esportivos, de lazer e religiosos, acompa- nhadas de moradores e de lideranças. Seis líderes, um da Vila Nova Tietê (J.), dois da Vila São João (M. e V.) e três da Cidade Nova (A., G. e J.) foram ainda entrevistados sobre a história da comunidade. Importante esclarecer que V. foi a única liderança do sexo feminino que encontramos e que à exceção de V. e G., os demais são moradores das vilas mencionadas (V. nunca morou dentro do Complexo da Funerária, mas lá trabalha todos os dias, e G. já foi morador, tendo parte de sua família residindo na Cidade Nova). Além disso, excetuando A. que tinha menos de 30 anos, os demais líderes possuem mais de 50 anos. Todo material, registrado e gravado, foi submetido à Análise de Conteúdo (Bardin, 1976).
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ANÁLISE HISTÓRICA DA PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA NO BRASIL.

ANÁLISE HISTÓRICA DA PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA NO BRASIL.

Este texto apresenta debates relativos ao campo da Psicologia Social Comunitária (PSC) tomando como base suas produções textuais nas últimas duas décadas (1990-2010). O mapeamento do conjunto de artigos, teses, dissertações e livros produzidos sob o signo PSC foi o procedimento utilizado para problematizar o que tem sido realizado por este movimento que se constitui como uma das versões contemporâneas da Psicologia Social. Contextualizamos as produções a partir das mudanças de rumo da proissão e da reivindicação por uma nova direção para a Psicologia Social produzida em território latino-americano. A exposição está centrada em dois pontos principais: as vinculações teórico-epistemológicas da PSC e a caracterização do trabalho do psicólogo comunitário. Concluímos o artigo indicando que as relexões em torno da diversidade das vinculações teórico- epistemológicas e da tentativa de uniicação da PSC nublaram a análise do problema central dos efeitos de sua prática e de seus compromissos éticos e políticos.
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