Top PDF Publicização do direito privado e liberdade de contratar

Publicização do direito privado e liberdade de contratar

Publicização do direito privado e liberdade de contratar

Normas de ordem pública são as que regulam c protegem interesses fundamentais da sociedade c do Estado, estabelecem as bases jurídicas fundamentais da ordem econômica ou mo[r]

32 Ler mais

O público e o privado na sociedade contemporânea e a liberdade de contratar

O público e o privado na sociedade contemporânea e a liberdade de contratar

Ferretoado em sua invulnerabilidade, o tabu egoísta tende a eclipsar-se dos Códigos burgueses. Escoraçam-no princípios que assentam na solidariedade humana e na utilidade social. Em todos os quadrantes da ciência jurídica a infiltração destes está a se realizar com pertinência. Já invadiu a esfera do direito público, espraia-se pelo direito privado e atinge mesmo o direito das obrigações. Moldando-se numa restrição cada vez maior das prerrogativas a que corresponde uma expansão cada vez mais acentuada de surtos de socialização, as novas diretrizes do direito originaram um fenômeno curiosíssimo. Relações dantes reguladas pelos costumes e pela moral deslocam-se para a esfera jurídica. A causa deste deslocamento reside na convicção de que a pura sanção da consciência individual já não bastaria para defender certos deveres morais (Bruig). É necessária a sanção externa do direito para impor uma pena ao transgressor. 20
Mostrar mais

32 Ler mais

Regime jurídico privado e publicização :   a sociedade limitada no ordenamento jurídico nacional

Regime jurídico privado e publicização : a sociedade limitada no ordenamento jurídico nacional

89 Em Los Actuales Perfiles de la Autonomia de la Voluntad en el Ambito de la Contratacion Privada, Revista de la Faculdad de Derecho y Ciencias Sociales de la Universidad Nacional de Córdoba, volume 6, número 1, 1998, 285-311, página 294,. Tradução livre : O Estado deve abandonar sua atitude de mero observador garante do cumprimento do acordado, e assumir uma maior intervenção nos negócios, através de diversificadas medidas de proteção, com a finalidade de neutralizar as conseqüências negativas de tantas desigualdades. Serão promulgadas normas imperativas, se exercitaram controles e se estabelecerão variados esforços direcionados a restabelecer o equilíbrio rompido pelo abuso da liberdade de contratar. Assim, se sancionarão corpos normativos de observância obrigatória em distintos setores de atividade (legislação laboral, preços máximos, locações urbanas, etc ) e aparecerão contratos normativos ou regulamentários, contratos tipos e cogentes. São estas modalidades contratuais em que se restringe, o faz-se desaparecer, a liberdade de conclusão ou de definição do conteúdo contratual. Sobrevêm o que se conhece como publicização do direito privado, que acompanha o desenvolvimento do direito econômico.
Mostrar mais

233 Ler mais

A liberdade nos caminhos da reconstrução de argumentos entre o direito público e o direito privado

A liberdade nos caminhos da reconstrução de argumentos entre o direito público e o direito privado

Portanto, o direito subjetivo de contratar e a forma de seu exercício também são afetados pela funcionalização, que indica a atribuição de um poder tendo em vista certa finalidade ou a atribuição de um poder que se desdobra como dever, posto concedido para a satisfação de interesses não meramente próprios ou individuais, podendo atingir também a esfera dos interesses alheios. (...) Recoberta na codificação oitocentista, da qual o vigente Código Civil é reflexo, pela preeminência do princípio da liberdade contratual em sua face mais individualista e quase absoluta, esta função não poderia ser esquecida num Código que é marcado, como o atual Proj eto, pela diretriz da socialidade, isto é, pela “colocação das regras jurídicas num plano de vivência social”, pela “aderência à realidade contemporânea”, fazendo prevalecer “os valores coletivos sobre os individuais, sem perda, porém, do valor fundante da pessoa humana”, como aludiu Miguel Reale ao apresentar o Anteprojeto e como reafirmou em texto recente. Significa com isso afirmar que o contrato, expressão privilegiada da autonomia privada, ou poder negocial, não deve mais ser perspectivado apenas como a expressão, no campo negocial, daquela autonomia ou poder, mas como o instrumento que, principalmente nas economias de mercado, mas não apenas nelas, instrumentaliza a circulação da riqueza da sociedade. – Martins-Costa, 1998, p. 13.
Mostrar mais

92 Ler mais

Direito à morte ou liberdade para morrer

Direito à morte ou liberdade para morrer

O que não significa, contudo, que os Estados não tenham margem de apreciação no que diz respeito à amplitude da liberdade dos seus cidadãos. É certo, como sublinha o TEDH, que a extensão com que os Estados permitam ou pretendam regular a possibilidade de lesão poderá envolver considerações conflituantes quanto à liberdade pessoal e ao interesse público 22 . Mas como o próprio TEDH reconheceu em jurisprudência mais recente, no caso Haas v. Switzerland 23 , está ainda longe a existência de um consenso entre os Estados-Membros do Conselho da Europa quanto ao direito de uma pessoa de escolher como e quando terminar a sua vida. Ora, tendo o suicídio assistido sido descriminalizado em alguns Estados-Membros, a maioria deles ainda privilegia a protecção do direito à vida, face ao que, nesta matéria, os Estados terão uma ampla margem de apreciação, entendimento este que o TEDH veio ainda a reiterar no caso
Mostrar mais

10 Ler mais

A FORMAÇÃO DO DIREITO PRIVADO EUROPEU E A TRADIÇÃO DO DIREITO ROMANO

A FORMAÇÃO DO DIREITO PRIVADO EUROPEU E A TRADIÇÃO DO DIREITO ROMANO

O Direito privado dos países europeus, alguns com medidas diferentes e construídos sobre tradições históricas distintas, depende do Direito Romano. Este é cada vez mais visível em um período no qual são reduzidas, e inclusive desaparecem, as diferenças entre os “domínios jurídicos” e as “famílias jurídicas”, mudanças com frequência motivadas por vontades políticas.

5 Ler mais

LIBERDADE RELIGIOSA COMO DIREITO ÉTNICO

LIBERDADE RELIGIOSA COMO DIREITO ÉTNICO

Judicialização significa que questões relevantes do ponto de vista político, social ou moral estão sendo de- cididas, em caráter final, pelo Poder Judiciário. Trata- -se, como intuitivo, de uma transferência de poder para as instituições judiciais, em detrimento das instâncias políticas tradicionais, que são o Legislativo e o Execu- tivo. Essa expansão da jurisdição e do discurso jurídico constitui uma mudança drástica no modo de se pensar e de se praticar o direito no mundo romano-germânico. Desde a promulgação da Constituição de 1988, é crescente o número de litígios, envolvendo casos de intolerância religiosa contra adeptos das religiões de matriz africana. Nesse processo de judicialização da religiosidade afro-brasileira, casos relevantes como a legitimidade ou não da imolação (sacrifício) de ani- mais nos rituais religiosos, o cabimento ou não do dano moral diante de gestos de violência e intolerância aos religiosos afro-brasileiros foram enfrentados pelos ma- gistrados nos diversos Tribunais em nosso país.
Mostrar mais

14 Ler mais

Liberdade e coação no direito de Kant

Liberdade e coação no direito de Kant

Quando nos ocupamos com a questão da coação, pensamos sempre nas con- dições de sua aplicabilidade, visto que não podemos esquecer que o homem vive em sociedade. Lembremos aqui que, de acordo com Kant, o que caracteriza a condição humana é sua insociável sociabilidade. Ou seja, Kant considera como conceito fundamental da filosofia da história, o fato da dificuldade encontrada pelos homens para viverem em sociedade. A sociedade, ao mesmo tempo que obriga os homens a se associarem, coloca-os em uma situação de conflito. Desse conflito, temos as ambigüidades, que apenas podem ser suportadas pela força da lei. A lei jurídica determina, sob força de coação, a convivência pacífica entre os homens. E é justamente aqui que vemos o lugar próprio do direito. Se, conforme falamos no início, direito e justiça se aproximam, então fica evidente que o direito, que deve fornecer as leis jurídicas de um Estado, necessita não se opor ao dever. Ora, o que podemos perceber, a partir disso, é que essa lei jurídica, que possibilita a vida em sociedade, não possui um caráter apenas meramente legal. Pelo contrá- rio, faz-se necessária sua relação com as moralidades, pois, se a lei jurídica se afastar por completo da lei moral, a sociedade não cumpre seu principal papel, que é o de possibilitar a sociabilidade entre insociáveis. Há necessidade de mais uma aproximação entre os âmbitos da moralidade e da legalidade. A situação da insociabilidade entre os homens não é resolvida apenas sob força da coação jurídi- ca, pois disso poderíamos ter uma sociedade de demônios, cumpridores das leis jurídicas, mas não necessariamente agindo moralmente. Cumprir a lei não implica, como mostramos com a citação acima, a moralidade. Não basta agirmos conforme o dever, mas por dever. E, se considerarmos que o fundamental papel do Estado é possibilitar a vida estável entre seus membros, favorecendo a sociabilidade, então faz-se necessária a intervenção de uma legalidade que possa cumprir também com os desafios da moralidade.
Mostrar mais

10 Ler mais

Para uma concepção histórica do conceito de concessão: a concessão de exploração petrolífera entre a "publicização do contrato jurídico-privado" e a "privatização do contrato público"

Para uma concepção histórica do conceito de concessão: a concessão de exploração petrolífera entre a "publicização do contrato jurídico-privado" e a "privatização do contrato público"

Embora Themístocles Cavalcanti tenha na sua trajetória um extenso currículo e se apresente como um grandes juristas brasileiros, é deficitário o material a respeito de sua vida. De modo geral, as informações mais completas sobre ele estão disponíveis no site do Supremo Tribunal Federal e no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da FGV, o CPDOC. De acordo estas fontes, Themistocles Brandão Cavalcanti nasceu no Estado do Rio de Janeiro, em outubro de 1889. Iniciou seus estudos no curso secundário em Paris, no Colégio Louis de Gonzag, terminando-o em Petrópolis, no Colégio São Vicente. Em 1922, formou-se em Direito pela Universidade do Rio de Janeiro. O jurista ocupou os seguintes cargos e funções: Procurador do Tribunal Especial (1930); Procurador da Junta de Sanções (1931); Procurador da Comissão de Correição Administrativa (1931); Consultor Geral da República (1945-1946); Procurador Geral Eleitoral (ad hoc por diversas vezes e efetivo em 1946) e Procurador Geral da República (1946-1947); Membro da Comissão Consultiva da Prefeitura do Distrito Federal (1932); Membro da Comissão Elaboradora do Anteprojeto da Constituição de 1934, do Itamarati (1933); Presidente da Comissão de Tarifas do Serviço Público (1943); Presidente da Comissão Revisora do Projeto do Código Rural.
Mostrar mais

266 Ler mais

Constituição da sexualidade e autonomia das mulheres que se prostituem : contributos dos fundamentos de justiça e de liberdade para a ordenação das racionalidades estruturantes do direito privado.

Constituição da sexualidade e autonomia das mulheres que se prostituem : contributos dos fundamentos de justiça e de liberdade para a ordenação das racionalidades estruturantes do direito privado.

feminismo radical e liberal. No Capítulo 3, pretende-se descrever a relação não instrumental estabelecida entre o liberalismo igualitário e o Direito Privado, pela qual será proposto o fundamento de alternância coerente entre a racionalidade comutativa e distributiva na fundamentação e prescrição normativa das relações particulares. No Capítulo 4, será investigada a juridicização da liberdade pela autonomia privada, em sua acepção negativa e positiva, pela qual objetiva-se a identificação dos parâmetros de inteligibilidade dos direitos subjetivos de personalidade e a extensão da liberdade negocial projetada sobre eles, informando um regime qualitativamente diverso para os negócios existenciais. A hipótese que está sendo testada é de que, em um esquema coerente de liberdades e não liberdades, expresso ainda na correlação entre a autonomia positiva e negativa, deve ser compreendido como ilegítima qualquer restrição a autonomia existencial, a menos que ela se manifeste lesiva ao sistema de iguais liberdades individuais ou seja necessária para manutenção da titularidade do direito subjetivo de personalidade no qual se funda o poder dispositivo. Diante disso, o exercício de direitos subjetivos de personalidade pode integrar o conteúdo dispositivo da autonomia privada existencial, de modo a possibilitar o desenvolvimento livre da sexualidade da mulher que se prostitui no contexto negocial do qual ela foi historicamente excluída.
Mostrar mais

183 Ler mais

Crônicas de direito internacional privado

Crônicas de direito internacional privado

Neste caso, entendemos que as complexidades para a análise podem se elevar. A primeira problematização cabível seria mesmo a extensão com que cada foro per- mite plena autonomia da vontade em relação ao direito aplicável ao contrato internacional. Em segundo lugar, é necessário se atentar ao maior ou menor grau de es- pecificidade da lei eleita. Em Atecs v. Rodrimar foi so- bre este segundo ponto que, tanto a corte arbitral de origem quanto o STJ, por ocasião da homologação da sentença estrangeira, se ativeram e convergiram. Isto é, o entendimento de que a CISG, sendo a Suíça Estado Contratante da Convenção, estaria compreendida como parte do direito material suíço. Embora não expressado nessas palavras, esse entendimento se coaduna com a
Mostrar mais

25 Ler mais

INSTITUIÇÕES DO DIREITO PÚBLICO E PRIVADO. Direito Natural e Direito Positivo

INSTITUIÇÕES DO DIREITO PÚBLICO E PRIVADO. Direito Natural e Direito Positivo

O DIREITO não é obra da razão, mas da História (um direito para cada época).. DIREITO POSITIVO.. d) - a lei não pode abarcar todo o JUS.[r]

13 Ler mais

A BUSCA PELA INDIVIDUAÇÃO ATRAVÉS DA RELIGIÃO: QUANDO O INDIVÍDUO ESTÁ PRIVADO DE SUA LIBERDADE

A BUSCA PELA INDIVIDUAÇÃO ATRAVÉS DA RELIGIÃO: QUANDO O INDIVÍDUO ESTÁ PRIVADO DE SUA LIBERDADE

também diz que a prisão é local de transformação (“o homem que é tirado da liberdade e colocado no isolamento se transforma”) e de aprendizado, pois no momento em que você é colocado no presídio precisa aprender a se adaptar ao regime para não se prejudicar ainda mais. Diz que é preciso tomar cuidado com as amizades feitas dentro do presídio, para não se deixar levar, de forma a não receber a influência do demônio, pois: “ninguém daqui persegue ninguém, estão aqui só para orientar, te servir e te instruir para o amanhã, pra uma vida melhor. É, reformar a pessoa, reformar a pessoa para quando ele sair está em outra vida, numa vida melhor que, para ele não errar mais. Então isso, aqui que é o presídio Romão Gomes é pra ajudar, é pra ajudar os militares né?!”, mostrando um lado positivo do trabalho do presídio em questão, que, também, é relatado pelo Coronel, chefe da instituição, que ressalta a ressocialização, abordada como ato de reformar a pessoa. Apesar deste lado positivo visto por D. existe em sua fala e no funcionamento do presídio uma pressão, imposição de regras e comportamentos e não aceitação de desobediência e insubordinação. D. busca enxergar essa pressão, também, como positiva, a fim de poder lidar melhor com essas transformações em sua vida, mas, principalmente, porque acredita ser necessário existir alguém que determine regras – uma figura paterna. Além disso, é possível identificar que a religião nesse caso é a ponte que faz o indivíduo aceitar as regras dadas pelo presídio, pois deixa a impressão de que ser submisso é bom. Sendo assim, ouso dizer que dentro do presídio D. tem lidado melhor com seu complexo paterno, a figura do pai tem se mostrado positiva e necessária para que ele se re-organize.
Mostrar mais

82 Ler mais

Direito de autor e liberdade de criação

Direito de autor e liberdade de criação

Mas com isto torna-se visível uma nova dependência, que substitui as dependências antigas. O empresário é a parte mais forte, à qual o ―beneficiá- rio‖ do direito intelectual se tem de submeter. Só as grandes figuras globais escapam a este fado. Também aqui teremos de concluir que se reforçam tanto a nível mundial os direitos dos autores, por pressão dos países mais desen- volvidos que invocam sempre a proteção dos autores e artistas — e afinal são as empresas de copyright as principais beneficiárias desse empolamento de proteção. Os ―beneficiários‖ dos direitos autorais ficam afinal na dependên- cia destas entidades, antes de mais da escolha ou aceitação da obra ou pres- tação como objeto de exploração por parte destas.
Mostrar mais

24 Ler mais

Nexo de causalidade no direito privado e ambiental

Nexo de causalidade no direito privado e ambiental

A noção de sistema no direito privado e o Código Civil como eixo central. In: MARTINS-COSTA, Judith (Org.). A reconstrução do Direito Privado: reflexos dos princípios, diretrizes e direitos fundamentais constitucionais no Direito Privado. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002. p. 145- 173. Conforme a autora, a sistematização ocorreu por volta do século XVIII, sendo o Direito na Idade Média caracterizado até então pelo particularismo (aplicação do ordenamento correspondente à classe, etnia, profissão e família na qual a pessoa havia nascido). Com o advento do jusracionalismo agregado às teorias sociais da época, ganhou força a idéia de um Direito universal e válido para todas as pessoas. Foi essa primeira concepção caracterizada pela lógica do tipo axiomático-dedutivo e pela inexistência de abertura, aspirando assim à totalidade, como referiu a autora: “A toda a questão jurídica deveria ser dada uma resposta, obtida segundo uma operação lógica do pensamento, de subsunção adequada”. Mais tarde, a referida evolução do Direito serviu de base para a formação do Estado Moderno, sobressaindo os valores da igualdade, justiça e segurança jurídica. Outra conquista decorrente desse momento histórico foi a separação entre sociedade e Estado. (Idem, ibidem, p. 150-156).
Mostrar mais

154 Ler mais

A desigualdade de gênero e o direito internacional privado

A desigualdade de gênero e o direito internacional privado

Estas perguntas são apenas pontos de reflexão para as mudanças que a materialização do direito internacional privado poderá promover em sua metodologia. Com o futuro em aberto, as demandas sociais por justiça material têm exigido que os instrumentos do direito internacional privado comportem a complexidade das relações sociais contemporâneas. No caso da Convenção de 1980, não se pretendeu aqui trazer respostas completas e não se nega a sua contribuição nas últimas décadas para a proteção da criança em âmbito internacional. Parece relevante, no entanto, refletir de forma mais profunda sobre o problema da violência doméstica e seus efeitos sobre a mãe e a criança. A escassez dos recursos de que dispõem as instâncias de aproximação com o caso concreto, como as autoridades centrais, tem sido apontada pela doutrina como uma questão a ser repensada. 234 A pretensa neutralidade da convenção 235 quanto às particularidades dos Estados que dela fazem parte não pode servir de reforço a situações de injustiça para a mulher nas relações de família. Os dilemas relativos à aplicação da convenção expostos acima ilustram de forma clara a interseção entre o direito internacional privado e o feminismo. Há uma tensão entre o primeiro, enquanto técnica consolidada de resolução de controvérsias transfronteiriças, e o segundo, que abarca elementos como demandas de justiça material, uma visão crítica de práticas e normas discriminatórias e a ênfase no respeito pela diversidade, entre outros. É possível conceber que o feminismo sirva como ferramenta para adaptar o tratamento da subtração de crianças à realidade atual e às expectativas de justiça correspondentes.
Mostrar mais

116 Ler mais

Igualdade e proibição de discriminação no direito privado

Igualdade e proibição de discriminação no direito privado

A presente pesquisa tem por objeto esquadrinhar a relação estabelecida entre igualdade e direito privado. Para tanto, começa por analisar diversas facetas da igualdade – algumas delas historicamente determinadas –, quais sejam: (i) igualdade como prevalência da lei, (ii) igualdade como proibição de arbítrio, (iii) igualdade como proibição de discriminação e, finalmente, (iv) igualdade como igualdade de oportunidades, para concluir que o conteúdo material da igualdade – se não o único, o principal – é a proibição de discriminação, conceito esse que, além de possuir amparo constitucional, deve ser entendido como vedação de subjugação (antissubordinação). Segue investigando como se dá a eficácia dos direitos fundamentais, e especialmente da igualdade, frente aos poderes públicos (legislativo, executivo e judiciário) e aos atores privados, debatendo, no caso da Drittwirkung, as principais teorias formuladas, notadamente se o vínculo é direto (atuam com legítimos direitos subjetivos) ou indireto (a depender de mediação estatal), para concluir que se cuida de uma eficácia direta, embora subsidiária (a preferência para acomodar os direitos fundamentais no trato privado é do legislador) e prima facie (admite ponderação) e que, uma vez verificada a ocorrência de uma conduta discriminatória, há uma precedência prima facie da igualdade como proibição de discriminação frente a outro princípio ou bem constitucionalmente protegido. Examina, por fim, três situações paradigmáticas envolvendo a igualdade e o direito privado, a saber, (i) a autonomia contratual e a obrigação de celebrar o contrato de consumo, (ii) a autonomia testamentária e a distinção entre filhos legítimos e ilegítimos e (iii) a liberdade de expressão religiosa frente à orientação sexual.
Mostrar mais

35 Ler mais

Show all 10000 documents...