Top PDF O quadro social e econômico da pesca artesanal no estado do Ceará, Brasil

O quadro social e econômico da pesca artesanal no estado do Ceará, Brasil

O quadro social e econômico da pesca artesanal no estado do Ceará, Brasil

The local economies of traditional communities obey their own logic but are nevertheless very important to the capitalist societies in which they operate. When respectful of the ecosystem, the relationship between traditional communities and the mangrove serves to protect these wetlands, since traditional communities play an important role in the protection of natural areas (SAENGER, 1999; RÖNNBÄCK et al., 2007). This reflects another important aspect of these traditional cultures, i.e. an approach to natural resource management that is marked by respect for the system’s natural cycles and exploitation that takes account of the capacity of animal and plant species for recuperation (HUSSAIN; BADOLA, 2010). Monocultures such as shrimp aquaculture have relegated the traditional economy to a second and third level compared to the theoretical progress associated with intensive shrimp farming (LÓPEZ-ANGARITA et al., 2016). Thousands of families survive on artisanal fishing, but little is known about how and how much they contribute to the economic sustainability of local populations (DIELE; SAINT-PAUL, 2005; ABURTO-OROPEZA et al., 2008; WALTERS et al., 2008, HUSSAIN; BADOLA, 2010). Data on artisanal fisheries are sparse, incomplete and biased, their position within a country’s economic and social framework being very difficult to ascertain (HUSSAIN; BADOLA, 2010; HELLEBRANDT et al., 2014), which is the main reason for the invisibility of this economic sector. It is thus essential to estimate their monetary contribution and how they distribute their working time throughout the week.
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Eficiência técnica e desempenho econômico de produtores de leite no Estado do Ceará, Brasil.

Eficiência técnica e desempenho econômico de produtores de leite no Estado do Ceará, Brasil.

Martins e Gomes (1998) enfatizam que a importante característica da pecuária leiteira de amortecedor social e econômico está perdendo espaço no Brasil. Do ponto de vista social, isso significa uma grave crise nos espaços rural e urbano, acentuando a concentração fundiária e reduzindo a oferta de trabalho para o meio rural, o que contribui para elevar a taxa de migração e gerar uma demanda adicional de emprego e de infra-es- trutura nas áreas urbanas (ALVES, 2001). Do ponto de vista econômico, denota a eliminação de postos de trabalho e, com estes, a alternativa para promover a distribuição de renda que, em regiões pobres como o semi-árido nordestino, representa uma questão fundamental, visto que, nestas, as opções de geração de trabalho e renda são escassas.
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Caracterização da pesca artesanal na costa do Estado do Ceará, Brasil.

Caracterização da pesca artesanal na costa do Estado do Ceará, Brasil.

provêm de águas com alta salinidade. Segundo Ihering, 1932 apud Mota Alves; Sawaya, 1975, a sardinha bandeira (O. oglinum), espécie de hábito pelágico costeiro, costuma aproximar-se do litoral para desovar, procurando em seguida o mar aberto, tal como outros clupeídeos. Para Fonteles-Filho (1988), sendo a cavala (S. cavalla) e a serra (Sc. brasiliensis) espécies de peixe da zona epipelágica, ambiente onde não existem abrigos e as populações-presa têm distribuição muito dispersa, sua velocidade permite cobrir grandes extensões. Dada essa característica, Fonteles-Filho (1968) registrou maiores índices de captura e abundância relativa dessas espécies no período de outubro a março. De acordo com o autor, nesses meses os cardumes se tornam mais densos pela aproximação da costa com fins reprodutivos, ficando ao alcance das artes e métodos de pesca empregados. O aumento na freqüência de fêmeas ovadas de pargo (L. purpureus) nos desembarques, à medida que a pesca se transferiu para a plataforma continental, levou Ivo; Hanson (1982) a suporem que a desova dessa espécie deva ocorrer possivelmente em bancos oceânicos e que, portanto, o pargo (L. purpureus) migra para áreas mais distantes para desovar.
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ambientais e sua relação com a pesca artesanal nos estuários dos rios Choró e Curu, estado do Ceará

ambientais e sua relação com a pesca artesanal nos estuários dos rios Choró e Curu, estado do Ceará

Os estuários da região Nordeste do Brasil caracterizam-se por fazerem parte de bacias hidrográficas que contém rios intermitentes e que apresentam seus maiores fluxos durante a estação chuvosa. Dessa forma, a penetração da água do mar nos vales durante as marés altas impede que esses rios fiquem sem a comunicação com o oceano durante a estiagem (Pinheiro e Morais, 2010). Essas reduzidas vazões resultam numa maior extensão da intrusão salina, aumento do tempo de residência dos estuários, redução da carga de sedimentos e de material dissolvido e em uma potencial formação de zona de turbidez máxima (Alber, 2002). Porém, quando há um aumento da vazão relacionado ao período de maior pluviosidade podem levar à estratificação da coluna d’água, ao deslocamento na zona estuarina em direção ao mar, ao domínio da circulação gravitacional (fluxo do rio) na circulação residual (maré) e em maior aporte de nutrientes ao estuário (Genz et al., 2008). Além disso, esses estuários abrigam em seu entorno um grande número de populações humanas, que tem nesses ecossistemas uma importante fonte de subsistência, com comercialização local do pescado e seu uso para alimentação.
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SUSTENTABILIDADE ECONÔMICO-AMBIENTAL nA PESCA ARTESANAL: um estudo de caso na praia da armação – Florianópolis/SC/Brasil

SUSTENTABILIDADE ECONÔMICO-AMBIENTAL nA PESCA ARTESANAL: um estudo de caso na praia da armação – Florianópolis/SC/Brasil

preocupações que ensejaram a pesquisa e este trabalho, apontando ainda as questões metodológicas pertinentes. Na seção seguinte faz-se uma exposição dos principais conceitos utilizados no artigo, indicando as referências utilizadas, com foco em sustentabilidade em suas diversas dimensões, bem como na problemática da sustentabilidade da pesca artesanal em Santa Catarina. A seção três (3) é dividida em três partes, compostas pela exposição e análise dos dados coletados nos níveis dos pescadores, dos restaurantes e da comunidade local. Por fim, nas considerações finais faz-se um resgate dos principais resultados elencando algumas preocupações que podem ser objeto de Políticas Públicas e de Governança Pública envolvendo tanto Estado quanto comunidades interessadas.
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A política nacional de desenvolvimento sustentável da pesca e da aquicultura e seus impactos sobre a pesca artesanal no Estado de Pernambuco

A política nacional de desenvolvimento sustentável da pesca e da aquicultura e seus impactos sobre a pesca artesanal no Estado de Pernambuco

plano discursivo nos Territórios da Pesca e da Aquicultura e no Plano Mais Pesca e Aquicultura de redução da desigualdade e de eliminação da pobreza, responde os interesses de setores empresariais que vem na crescente demanda do mercado nacional e internacional uma forma viável de obter grandes lucros em curto prazo. Se a isto somamos a possibilidade de obter, ajuda, colaboração e financiamento de instituições públicas, podemos explicar o explosivo crescimento da aquicultura no Brasil nos últimos anos. Este tipo de estratégias, nas que o setor privado se articula com as instituições públicas, nos parecem evocar tempos do período desenvolvimentista da SUDEPE, evidentemente com resinificados devido às mudanças que imprime a acumulação flexível, o que alguns acadêmicos denominariam como “neodesenvolvimentismo”. Esta divisão territorial objetiva principalmente o crescimento econômico e o lucro e se contradiz com qualquer valorização que se possa fazer dos pescadores e pescadores e suas contribuições à sociedade. Na realidade, os pescadores, mais uma vez, são vistos como fonte de atraso e como um obstáculo a superar para atingir o desenvolvimento, nos moldes modernos de produção e consumo de massa. Aspectos que aproximam o diálogo histórico do Poder Público com os pescadores, que vai da Marinha, passando pela SUDEPE até alcançar, hoje, ao MPA, onde os pescadores são vistos, no máximo, como meros coadjuvantes dos projetos nacionais e, em algum sentido, civilizatórios da modernidade.
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Extensão participativa para a sustentabilidade da pesca artesanal

Extensão participativa para a sustentabilidade da pesca artesanal

Ainda em relação à extensão universitária, Thiol- lent et al. (2003) já haviam observado que o Plano Na- cional de Educação – PNE lei n o .10.172/2001, em sua referência à Educação Superior, introduziu formulações que poderiam contribuir para a aplicação do conhecimen- to e o intercâmbio de saberes na relação universidade e sociedade. Alguns anos depois, a ocorrência do aumento no índice de trabalhos acadêmicos sobre conhecimentos ecológicos tradicionais, constatada por Diegues (2007), leva-nos a inferir alguma modificação ou tendência à superação da histórica desvalorização da extensão nas instituições de ensino superior do Brasil, no sentido de ações contextualizadas na sociedade brasileira, principal- mente, junto aos povos tradicionais da pesca artesanal no litoral brasileiro devido às suas maiores vulnerabilidades. A exposição da proposta metodológica é precedida de uma abordagem panorâmica dos serviços públicos de (ATEP) desde sua criação até hoje, prestados pelo Governo Federal à pesca artesanal, destacando a carac- terização desta atividade de pequena escala na atuali- dade, a crise do setor provocada pelo modelo clássico de extensão e encerrando com as tendências e desafios tanto políticos quanto científicos para a ATEP. No item subsequente, é apresentado o framework de uma me- todologia interativa, “Extensão Participativa da Pesca Artesanal em Contexto”, constituído pelos seguintes tópicos: (a) Conhecimentos marítimos tradicionais e
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Mudanças e continuidades do aviamento na pesca artesanal.

Mudanças e continuidades do aviamento na pesca artesanal.

básicas dos pescadores adquirirem material de pesca: uma que ela considera ‘tradicional’, por possuir características próximas às do aviamento existentes em outros segmentos sociais amazônicos, que está mais presente entre os ‘curralistas’; e uma segunda, que ela denominou de ‘recente’, posto que adota normas do sistema de crédito que vigora nos segmentos mais complexos da sociedade, uma vez que já obedece a prazos e valores fixos no pagamento das prestações mensais, sendo mais comum entre os ‘redeiros’ (pescadores que utilizam redes malhadeiras). Em Marudá, no litoral do Pará, Furtado (1987) distinguiu três tipos de intermediários. Os primeiros são chamados ‘grandes intermediários’, que se estabelecem localmente em barracões, onde recebem o pescado e transportam em seus próprios caminhões. Estes operam equipamento adequado à conservação do pescado e, por meio deles, ocorre o maior volume de exportação. Freqüentemente, entre produtores e estes últimos estabelecem-se relações de compromissos, não somente através da comercialização, mas também, como verificou a referida autora, encontram-se presentes relações sociais representadas pelo compadrio ou por relações amistosas. A segunda categoria é a dos ‘médios intermediários’, que compram dos primeiros, assim como diretamente dos produtores. Por último, encontram-se os ‘pequenos intermediários’, subdivididos em três subcategorias. Uns transportam o pescado em reduzidas quantidades, utilizando os ônibus de linha e revendendo em povoações próximas. Outros transportam o pescado por meio de bicicletas, sendo conhecidos localmente como ‘bicicleteiros’. E, finalmente, os que atuam por via fluvial, através de embarcações motorizadas, denominadas de ‘lanchas’, atingindo povoados mais distantes. Estes últimos, segundo Furtado (1987), evocam o comércio dos regatões na Amazônia, uma vez que, além da comercialização do pescado, transportam passageiros e negociam bens produzidos nesses locais, ao mesmo tempo em que vendem produtos como combustível, sal, gêneros alimentícios diversos etc.
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Saberes, narrativas e conflitos na pesca artesanal

Saberes, narrativas e conflitos na pesca artesanal

Transcorridos 56 anos desde a publicação de tão relevante e pioneira obra, a realidade revelou que os jangadeiros ainda continuam trabalhando e habitando em diversas áreas do litoral do Nordeste do Brasil, embora “novos” discursos escatológicos surjam sobre o fim de- les, dentro e fora da academia. A Rede Globo, por exemplo, através da série Globo Mar, apresentada pelos jornalistas Ernesto Paglia e Glenda Kozlowski, na sua segunda fase, produziu uma reportagem sobre jan- gadeiros cearenses, transmitida em rede nacional no dia 11 de abril de 2011. Nessa reportagem foi afirmado – na abertura e no desfecho da matéria, respectivamente – que a vida dos pescadores “é uma tradição que está com os dias contados” (Glenda Kozlowiski) e que “deixamos o Ceará com a sensação de que é pouco provável que esta profissão valente resista a outras sete décadas de sal e de vento” (Ernesto Paglia). É claro que a existência dos pescadores jangadeiros não passou incólume ao conjunto de mudanças socioeconômicas vivenciado em muitas localidades costeiras (urbanização, turismo, desmatamento de mangues e outros conflitos urbanos e rurais) e que também se apresentou no universo técnico e tecnológico incorporado à própria pesca artesanal (barcos motorizados, por exemplo) nessas últimas cinco décadas. Tudo isso, sem dúvida, provocou uma diminuição da pescaria desenvolvida com uso da jangada nesse período (DIEGUES, 1983; RAMALHO, 2007). Contudo, é oportuno ressaltar que isso não significou a extinção dos jangadeiros e de seu secular trabalho, como desejava e julgava salutar José Vieira e postulou, em tom mais uma vez profético, a referida matéria da Rede Globo.
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Sustentabilidade e gestão da pesca artesanal na costa do Semiárido Potiguar (RN), Brasil

Sustentabilidade e gestão da pesca artesanal na costa do Semiárido Potiguar (RN), Brasil

A correlação significativa e positiva, observada no ambiente oceânico, entre a produção e a precipitação pluviométrica ocorreu, principalmente pelas grandes capturas de peixe-voador, na área do talude continental, no período chuvoso. Segundo SILVA et al. (2011), esse período transcorre de janeiro a junho, em que as maiores concentrações pluviométricas se dão nos meses de março, abril e maio. Podemos supor, como citado por FERREIRA (2009), que esta abundância de pescados esteja relacionada a uma área de ressurgência que ocorre na quebra da plataforma durante a estação chuvosa, gerada pela Corrente Norte do Brasil, que atua paralelamente à plataforma externa, bem como pela dinâmica dos ventos de nordeste, que predominam nesta região. Essa condição gera um ambiente de grande produtividade, que favorece a ocorrência do peixe-voador, tornando-o um dos mais importantes recursos pesqueiros da região. Segundo BARROS e OLIVEIRA (1997), essa pescaria sempre tem sido comprometida pelo seu baixo desempenho econômico, pois o valor de mercado não é significativo. Na mesma área identifica-se a presença do dourado, espécie de alto valor comercial, haja vista a relação interespecífica de predador- presa com o peixe-voador (FONTELES-FILHO, 2011).
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Pesca artesanal em Cabo Verde: arte de pesca linha-de-mão

Pesca artesanal em Cabo Verde: arte de pesca linha-de-mão

A população dos países da África Ocidental é estimada em 23 milhões de habitantes, dos quais, aproximadamente, 60% vivem nas proximidades do litoral. A abundância de recursos haliêuticos, com uma produção que atinge um valor global estimado em cerca de 400 milhões de US dólares, é crucial para aquelas populações, assim como para a economia destes países. Com efeito, a pesca representa, aproximadamente, metade das receitas em divisas de países como a Mauritânia, assim como 30% das exportações no Senegal, onde 600 mil empregos directos e indirectos são criados pela pesca e actividades paralelas. Cerca de 80% dos desembarques efectuados neste último país (ou seja, aproximadamente 400 mil toneladas por ano) provêm da pesca artesanal local (Anon, 2002).
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Projeto Marambaia: apoio à pesca artesanal no Ceará - instalação e monitoramento dos recifes artificiais em Paracuru

Projeto Marambaia: apoio à pesca artesanal no Ceará - instalação e monitoramento dos recifes artificiais em Paracuru

No Estado do Ceará, ações de instalação de recifes artifi ciais tiveram início em 1993 e, em 2002, a idéia do Projeto Marambaia de Recifes Artifi ciais foi apresentada pela PETROBRÁS às comunidades locais sendo exaustivamente discutida com os pes- cadores artesanais e as equipes técnicas. Na ocasião, também estiveram presentes representantes dos mu- nicípios de Pecém, Taíba e Paraipaba, além de téc- nicos do IBAMA/RJ e o LABOMAR/UFC. A idéia principal do projeto foi a criação de uma nova área de pesca por meio da instalação de contêineres desa- tivados na plataforma costeira de Paracuru.
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Particularidades do pertencimento na pesca artesanal embarcada

Particularidades do pertencimento na pesca artesanal embarcada

Por ser uma atividade caracterizada pela condição de risco e pela necessidade de se ter segredo em relação às rotas aquáticas para se atingir os melhores locais de pescaria, es- tar com a família (pai, irmãos, primos), amigos e compadres é fundamental para que a atividade alcance os fins almejados. Ademais, o trabalho da pesca requer confiança, sincronia e companheirismo entre os que estão embarcados e, por isso, nada melhor do que utilizar os laços familiares e de amiza- des de longa data como mecanismos valiosos de trabalho. Isso demonstra que há certa recorrência em se definir e fazer uso de um grau de solidariedade capaz de estruturar e organizar os grupos de trabalho que vão sair em pescaria, reproduzindo, no espaço aquático, laços existentes no espaço terrestre. Con- tudo, não é só isso, pois se vê “aqui uma clara alusão a dois fatores: o primeiro, a socialização no conhecimento técnico e naturalístico, realizada ‘de pai para filho’; o segundo, a ne- cessidade de manutenção ‘em segredo’ desse conhecimento” (Lima, 1997, p. 91).
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Pesca artesanal e projetos de  em Bitupitá, Ceará: os direitos das populações costeiras frente aos interesses empresariais e estatais

Pesca artesanal e projetos de em Bitupitá, Ceará: os direitos das populações costeiras frente aos interesses empresariais e estatais

Alguns aspectos mais universalizados que caracterizam a pesca arte- sanal, abordados por pesquisadores nacionais e estrangeiros, dizem respeito ao isolamento total ou relativo das populações pesqueiras, à natureza das relações de trabalho, com ênfase no não assalariamento e na composição de equipes de trabalho segundo as relações de parentesco; às habilidades e conhecimentos sobre o ambiente, à divisão de trabalho dentro da unidade familiar, à baixa produção do pescado, para consumo e com pequeno excedente a ser comer- cializado; à tecnologia simples, às agruras do ambiente, aos baixos ganhos e à existência de intermediários na fase de comercialização. Dentre os autores que enfatizam estas características destacamos, para o caso brasileiro, os estudos realizados por Kottak (1966, 1982) e Forman (1966), sobretudo, quanto à impor- tância conferida a noção de segredo e à mestrança como elementos centrais da ideologia igualitária, considerada pelos estudiosos do tema como marca deste tipo de pesca; Cordell (1989) e o foco nas noções de risco e imprevisibilidade atinentes à produção pesqueira, aspectos já elencados por Forman (1970) e Kottak (1966), mas vistos por este autor como elementos atenuadores do caráter confl ituoso da territorialidade marítima; Diegues (1973, 1983) e a formulação de critérios de classifi cação dos pescadores, diferenciando produção artesanal da industrial para, em seguida, avançar na caracterização do caráter tradicional das comunidades pesqueiras e, posteriormente, nas relações e confl itos dessas populações com as unidades de conservação (1994, 1999, 2000); Maldonado (1993) e as contribuições de uma etnografi a de caráter comparativo entre pes- cadores brasileiros, suecos e canadenses ao evidenciar semelhanças estruturais nas relações dos pescadores com o ambiente, na centralidade da ideologia igualitária e no jogo equilibrado entre competição e cooperação na atividade da pesca artesanal.
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Gestão integrada e participativa da pesca artesanal: potencialidades e obstáculos no litoral do estado de Santa Catarina.

Gestão integrada e participativa da pesca artesanal: potencialidades e obstáculos no litoral do estado de Santa Catarina.

Neste contexto, vale a pena ressaltar que os sistemas de gestão dos recursos naturais continuam, ainda hoje, tributários do paradigma científico mecanicista- reducionista e da ideologia economicista - que adquiriu uma posição hegemônica no cenário global. Tais sistemas não têm se mostrado à altura dos desafios que se colocam atualmente à conservação do patrimônio natural da humanidade e à eliminação da pobreza e da exclusão social. Ao contrário, eles reforçam a ética do domínio implacável dos seres humanos sobre a natureza e seu corolário: a mercantilização progressiva de todas as esferas da vida em sociedade. Dessa forma, ao invés de oferecer subsídios para a superação dos condicionantes estruturais da problemática socioambiental, a ciência convencional da gestão de recursos naturais renováveis é uma dimensão constitutiva da crise. Todavia, isto não significa que muitos instrumentos de análise associados à pesquisa metodológica convencional não possam ser criativamente incorporados à construção de uma scienza nuova (MORIN, 1990; HOLLING et al., 1998).
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Etnobiologia da Carcinofauna Acompanhante da Pesca Artesanal de Arrasto no Litoral Central do Estado do Espírito Santo.

Etnobiologia da Carcinofauna Acompanhante da Pesca Artesanal de Arrasto no Litoral Central do Estado do Espírito Santo.

Os crustáceos são altamente capturados na pesca de arrasto, sendo os camarões considerados alvo e outros decápodes a fauna acompanhante. O presente estudo descreveu a percepção etnoecológica sobre a importância dos crustáceos a partir do conhecimento de pescadores em três municípios do sul capixaba. Essas observações foram realizadas entre setembro/2016 a fevereiro/2017, perfazendo 92 entrevistas. Os pescadores são do sexo masculino, entre 21 e 71 anos e baixa escolaridade. Para os entrevistados, os crustáceos apresentam importância ecológica, pois fazem parte da cadeia alimentar e do ecossistema, sendo utilizados para comercialização, consumo próprio, além do uso de siris e caranguejos na confecção de isca, denominada engodo. Os pescadores consideram o período do defeso importante, porém incorreto para a região. O conhecimento desses pescadores corrobora com descrito na literatura, o que demonstra importância da etnoecologia como ferramenta de manejo e gestão dos recursos pesqueiros, voltado à sustentabilidade e valorização da pesca.
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Mecanismos de controle econômico e social para o Programa Seguro-Desemprego Pescador Artesanal

Mecanismos de controle econômico e social para o Programa Seguro-Desemprego Pescador Artesanal

decorrente da parceria do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com a Universidade de Brasília (UnB). Na ocasião, enfatizaram-se os aspectos qualitativos do programa, destacando-se que: (1) na pesca artesanal, os pescadores, que geralmente possuem baixa renda, para subsistir, tendem a garantir a pesca mesmo em seus períodos de defeso; (2) nos últimos anos, a quantidade de requerimentos de pescadores artesanais tem crescido significativamente; (3) nas oficinas regionais e entre os gestores do MTE, houve manifestações no sentido de que muitos dos requerentes beneficiados não seriam verdadeiramente pescadores artesanais; (4) há relatos constantes, por parte dos agentes do MTE, de ocorrências de fraudes e da falta de articulação entre os órgãos responsáveis pela gestão do programa.
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A situação da pesca artesanal nas regiões brasileiras

A situação da pesca artesanal nas regiões brasileiras

O ambiente marinho brasileiro é composto por 7.378 km de extensão e abran- ge 17 estados, ocorrendo uma grande diversidade de ambientes: estuários, lagoas, costeiras, manguezais, marismas, praias e costões rochosos com fundos arenoso, lodosos, recifes de algas calcárias e biodetritos, da plataforma continental e do talude superior (HAINOVICI, 2011). Dessa forma, os tipos de fundos associados às correntes marinhas que banham a costa brasileira tem determinado o nível de pro- dutividade primária da pesca, seja em biotas tropicais ou subtropicais e com tem- peraturas de alta diversidade, o que tem propiciado a ocorrência de vários recursos pesqueiros que são explorados, utilizando-se uma gama variada de apetrechos e de modalidades de pesca, seja em pequena escala, com ou sem embarcação, ou em escala que inclui a utilização de grandes embarcações.
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Pesca artesanal : uma abordagem ecológica popular

Pesca artesanal : uma abordagem ecológica popular

junto a eles.. Objetivo Geral ... Objetivo Específico ... Fatores transformadores ... Turismo e Especulação Imobiliária ... Desenvolvimento Capitalista e Expansão do Consumo..[r]

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