Top PDF Quando a rua é um lugar de encontro de afetos

Quando a rua é um lugar de encontro de afetos

Quando a rua é um lugar de encontro de afetos

Posto isso, o amor romântico é uma expressão sentimental idealizada e objetivada nas experiências afetivas e sexuais que são vividas pelos jovens que moram nas ruas. Como já foi dito, ele não é o único modelo de amor reconhecido nessas culturas juvenis, mas ele produz sentimentos de fixação a um determinado contexto social onde se encontra a pessoa amada, portanto, quando esse encontro acontece na rua. Se o conflito é repulsão, o amor é fixação na trajetória de vida dos jovens com experiência de moradia de rua. É através de vinculações afetivas que eles constituem não só os relacionamentos amorosos com outras pessoas, como também as ligações aos grupos que integram nas ruas, os modos de fixação a lugares na cidade que orientam suas identificações geográficas, além de tecerem redes com agentes institucionais que auxiliam em demandas cotidianas da vida nas ruas através dos serviços que são oferecidos pelas instituições públicas ou da sociedade civil. A rua é constituída por uma paisagem de afetos caleidoscópicos que estão em movimento, que se consolidam e se diluem, assim como os corpos dos que nela habitam. Essa rede afetiva é invisível para aqueles que só os enxergam através de suas expressões marginais, mas é reluzente para os olhares mais curiosos e melindrosos que enxergam diferentes práticas culturais nesse cenário público. Portanto, a rua é um lugar de encontro de afetos.
Mostrar mais

20 Ler mais

Singularidades inquietantes: quando a rua é um lugar de encontro de afetos

Singularidades inquietantes: quando a rua é um lugar de encontro de afetos

vezes os jovens não sabem há quanto tempo estão vivendo nas ruas, pois seus movimentos são demarcados pelas passagens esporádicas e eventuais em suas casas ou em instituições de acolhimento. Seus discursos apontam que o emaranhado de experiências vividas nas ruas e as informações sobre as formas de viver e sobreviver nas ruas são demarcadoras de suas classificações sobre ser um jovem morador de rua. A experiência é irrepetível, sempre há algo como a primeira vez, conforme assinala Bondia (2002). É um saber particular, subjeti- vo, relativo, contingente e pessoal, “um saber que revela ao homem concreto e singular, en- tendido individual ou coletivamente, o senti- do ou o sem-sentido de sua própria finitude” (BONDIA, 2002, p. 27). Por ser a experiência algo que nos acontece, duas pessoas, ainda que experimentem o mesmo acontecimento, não possuem a mesma experiência. O aconte- cimento é comum, mas a experiência é, para cada indivíduo, única. O autor compreende que o saber da experiência possui uma qua- lidade existencial e emana as apropriações de nossa própria vida, dessa forma, “o saber da experiência não se trata da verdade do que são as coisas, mas do sentido ou do sem-sentido do que nos acontece” (p. 27). Portanto, é um saber adquirido em virtude do modo como al- guém vai respondendo ao que vai lhe aconte- cendo ao longo da vida, assim como do modo como vamos dando sentido aos acontecimen- tos vividos.
Mostrar mais

12 Ler mais

Centro da cidade de Fortaleza, lugar das transformações: o idoso e os afetos implicados

Centro da cidade de Fortaleza, lugar das transformações: o idoso e os afetos implicados

Não poderia deixar de mencionar meu encontro repentino com Ecléa Bosi no Instituto de Psicologia da USP, ainda este ano de 2005. Seu olhar profundo e passivo me impressionou. E também sua resposta não esperada quando eu, caminhando por ali em sua procura, perguntei a uma senhora que avistei se ela poderia dizer-me aonde eu encontraria a professora Ecléa: “- Sou eu mesma”. Se não pensei ordenadamente o que eu iria dizer, acho que não o fiz (não deu tempo!), mas falei sobre o conteúdo dessa dissertação. Quando acabei de relatar, ela, da mesma forma respeitosa que suas palavras ao trabalharem tão dignamente o idoso e a historicidade da vida por eles, olhou-me com um sorriso muito acolhedor e disse: “- Continue nesse compromisso social com a Psicologia, minha filha, porque se os indivíduos prepararem a cidade para o idoso, a prepararão para qualquer outra pessoa”.
Mostrar mais

183 Ler mais

Cada nariz em seu lugar: o palhaço, seus afetos e estados em diferentes espaços

Cada nariz em seu lugar: o palhaço, seus afetos e estados em diferentes espaços

O palhaço gosta de rua. Quando vai à rua, ele está rompendo as paredes do edifício teatral, rasgando a lona do circo em busca do imprevisível. A rua não tem fronteiras, só o horizonte, onde ela se perde no infinito. A rua também não pertence a ninguém, é espaço de todos. É como um espaço de experimentação, espaço aberto em que o palhaço circula, interage e se exercita enquanto ser. Ela tanto seduz, quanto assusta. Seduz, porque se apresenta como um universo infindável de possibilidades e, pelo mesmo motivo, ela causa temor, porque não há um foco que garanta ao artista a atenção da plateia. É preciso trazê-la para si. Conquistar os olhares, destacar-se. A atitude de escuta e abertura para o outro deve estar ainda mais dilatada, assim como o corpo deve estar dilatado ao máximo para ser distinguido no meio da multidão. O pesquisador Narciso Telles afirma que “O teatro de rua é uma modalidade teatral em que o trabalho dos atores está o tempo todo competindo com outros elementos presentes no espaço. A atuação deve levar em conta a dificuldade de segurar a atenção da plateia, aberta à estética da interrupção” (TELLES, 2002, p. 37). Mas, antes de tudo, um palhaço é um outsider, ele está fora, é marginal, louco, então, ele não se mistura de fato; será sempre um estranho, tanto em relação à sua figura quanto em relação à sua atitude.
Mostrar mais

121 Ler mais

Sapatos na rua: um estudo semiótico do encontro

Sapatos na rua: um estudo semiótico do encontro

expostos a impertinência do tempo. Nem tudo o que acontece é capaz de perdurar em nossas memórias por muito tempo. Algumas coisas são apagadas completamente ou então se guardam para reaparecer em outros momentos. A memória é um recipiente de transitoriedades, sendo ela mesma, transitória. Nossas memórias circulam indefinidamente em narrativas e percursos cotidianos e também elas podem surgir como aparições inesperadas. Nossa obra quer abordar esse contexto de memórias, acontecimentos e situações instantâneas que marcam e compõem um universo de reconhecimentos e percepções cotidianas e passageiras. A presença de um material perene e descontinuo visa a uma proposição que indaga e proporciona acontecimentos. Queremos criar uma situação que possa desencadear um acontecimento e, a partir desse, gerar uma reflexão acerca do que isso pode significar em detrimento de outros acontecimentos. De modo geral, o que fizemos foi, criar um acontecimento a partir de materiais que geram acontecimentos ou que são por si só acontecimentos, que não somos (ou fomos )capazes de perceber em nossa rotina diária. O caminho entre dois lugares, casa e trabalho, por exemplo, é um espaço destinado a eventos aleatórios, é o lugar, ou a coleção (colagens) de lugares nos quais você pode transitar sobre atmosfera livre e flutuante, quando, de alguma forma, as coisas se sentem livres e soltas para se desenrolar. Não existe uma forma de controle absoluta, você pode ser precavido e tentar se adiantar, mas isso não será efetivo o suficiente para impedir você de tropeçar ou então pisar em uma poça de água; talvez até o seja em algum momento, mas definitivamente não será em todos. É talvez no momento em que estamos transitando por um espaço onde as coisas se desenrolam sem o nosso controle, que possamos ter a oportunidade de nos tornar mais atentos as situações que se desatinam ao nosso redor. Nosso olhar ganha amplitude e passa a se focar em pequenos detalhes; a rua nos convida a ser observadores do mundo contemporâneo. Nossos pés conectam-se ao mundo público e cotidiano de terceiros e não mais se deixam levar por uma falsa sensação de segurança otimizada por muros e construções. A rua te deixa exposto a uma série de eventualidades possíveis e modifica a sua ação. O ser em trânsito é aquele que se pôs de alguma forma suscetível a vida, que está vulnerável ao incômodo e às idéias do caminho, seus pensamentos vagam tão plenamente quanto o seu corpo, algo deve ser respondido, ele sabe, mas a pergunta ainda precisa ser encontrada.
Mostrar mais

74 Ler mais

Afetos de rua: culturas juvenis e afetividades nos bastidores da Cidade

Afetos de rua: culturas juvenis e afetividades nos bastidores da Cidade

Esse trabalho é cercado por afetividades: Interlocutores, aproximações, tempos, experiências. As linhas seguintes expressam um afeto que tomou conta de minha trajetória nos últimos anos e que, certamente, não cessará após o processo de conclusão dessa tese. Tudo iniciou-se sem que eu tivesse percebido, estruturando ritos iniciatórios de uma significativa experiência de pesquisa. Estava simplesmente escutando histórias de amor sentada em um banco de uma praça em Fortaleza. Paulatinamente, fui percebendo que essas histórias revelavam um interessante universo sobre os modos de vida juvenis. Parei com tudo, mudei de lugar, observei por um outro ângulo e retornei a um campo que há muito tempo me chamava de volta: os bancos do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará. Já havia uma movimentação em mim que mobilizava um sentimento nômade, como se já tivesse chegado a hora de uma transgressão não só de lugares, como de desejos e de formas de interação social. César Barreira, meu iniciador em pesquisas sobre a vida social, incansavelmente me chamava de volta. Glória Diógenes, minha cúmplice em diferentes aventuras sociológicas e antropológicas, mostrou-me que um “achado de pesquisa” tinha me encontrado. Abanquei-me novamente nas cadeiras do Benfica, o bairro de tantos devaneios acadêmicos, seja com os colegas de turma nas salas de aula (reconheço que tive um seleto grupo de colegas de curso); nos seminários, através das falas dos “mestres” ou dos convidados que por aqui desembarcaram em viagens epistemológicas; ou com os grandes amigos de uma vida toda nas Ciências Sociais da UFC, que tornaram a boemia no Benfica um cenário de grandes encontros e debates socioantropológicos.
Mostrar mais

241 Ler mais

“O que é lugar de fala?” de Djamila Ribeiro

“O que é lugar de fala?” de Djamila Ribeiro

Podemos abordar a importância dessa obra a partir de muitos aspectos, enfatizamos aqui, em particular, a sua contribuição para repensar o mundo acadêmico e o fazer ciência. Para isso, é importante compreender que Djamila enfatiza que “[...] quando falamos de pontos de partida, não estamos falando de experiências de indivíduos necessariamente, mas das condições sociais que permitem ou não que esses grupos acessem lugares de cidadania.” (RIBEIRO, 2017, p. 61). Portanto, é essencial pensar no lugar de fala no campo acadêmico como uma questão histórica e socialmente relevante, pois envolve considerar como grupos de indivíduos foram afastados de lugares de poder, incluindo aí a própria academia, na medida em que acessar conhecimento e participar de sua produção é um ato de poder.
Mostrar mais

6 Ler mais

Um Lugar Memorável: a Faculdade da Educação/UFRGS, entre afetos e trabalho (1970-2016).

Um Lugar Memorável: a Faculdade da Educação/UFRGS, entre afetos e trabalho (1970-2016).

Nesta mirada para a Faculdade de Educação, o que nos move é o propósito de contribuir para que essas memórias não se dissolvam, não sejam esquecidas. Houve aqui uma tentativa de condensá-las neste tex- to. Tarefa difícil, quiçá impossível, e, certamente, inacabada. Elegemos alguns episódios, no nosso entender, merecedores de uma análise mais detalhada. Importa reforçar que os temas abordados foram apontados pelos próprios entrevistados: Ébano Oriental, Figueira, Flamboyant, Grevilha, Ipê Amarelo, Ipê Roxo, Jacarandá, Mimo de Vênus, Painei- ra, Palmeira, Tipuana, Canafístula, Cinamomo, Cipreste, Acácia, Ara- çá, Plátano, Araucária, Timbaúva, Ligustro, Pitangueira e Guapuruvu. Cada um deles, de acordo com os lugares de sujeito que ocuparam no passado e ocupam no presente, indicou caminhos para narrar suas me- mórias relativas à FACED.
Mostrar mais

24 Ler mais

O encontro de subjetividades em A pessoa é para o que nasce

O encontro de subjetividades em A pessoa é para o que nasce

Esse sistema de amostragem, no qual se baseia o modelo sociológico, busca levar para a tela um grupo particular que representa a realidade, ou seja, uma parcela maior, o geral. Dessa forma constitui-se o particular/geral, sistema do qual Bernardet (2003) destaca três etapas para seu devido funcionamento. Primeiramente, o que ele chama de encontro inicial, que seria uma espécie de triagem para a observação do entrevistado em potencial, para ver se ele atende às ideias do documentário, para conhecimento de sua história e da forma que ele se porta diante da câmera. A segunda fase corresponde à gravação em si, ou seja, ao momento em que o entrevistado serve de matéria-prima para o cineasta, emprestando suas expressões, seus gestos e suas falas ao documentário. Nessa fase, o entrevistado é ator dele mesmo e age em função da filmagem, tentando ser natural, porém sempre atendendo às necessidades do cineasta. A última etapa é a de montagem, na qual as falas e cenas serão postas de acordo com a mensagem que o cineasta quer passar. Dessa forma, ele determina quais as cenas fundamentais e em qual ordem elas serão apresentadas, a fim de defender um argumento posto durante o filme. Assim, o realizador faz com que o público acredite que uma pequena amostra de um problema social maior está sendo levada à tela, quando na verdade, aquela amostra não é o real em si, mas uma construção baseada no olhar do cineasta.
Mostrar mais

100 Ler mais

É possível saber que horas são no entre-lugar?

É possível saber que horas são no entre-lugar?

É importante deixar claro que a comparação entre o mé- todo dos dois autores não visou apontar que um estava certo e o outro equivocado, até porque, trata-se de duas linhas de raciocínio que já possuem lugares estabelecidos no contexto acadêmico. Trata-se, então, de pensar em termos de adequa- ção do modelo de abordagem ao objeto. Nesse caso, o objeto, a formação cultural e literária de um país dependente, pede uma perspectiva de análise capaz de absorver o lastro histó- rico e social que ele possui. O método adotado por Silviano Santiago pode ser concebido como adequado para tratar de outras questões – o crítico foi um dos primeiros a trabalhar com o pensamento pós-estruturalista no Brasil e também é um dos pioneiros nos estudos homoeróticos no Brasil –, en- tretanto, a ótica materialista de Schwarz apresenta-se mais ajustada para pensar o lugar e as condições do sistema literá- rio brasileiro. Assim como Adorno, ele sabe que considerar a cultura como algo autônomo, ainda que apenas metodolo- gicamente, seria colaborar para o próprio desmembramento da cultura, “pois o conteúdo da cultura não reside exclusiva- mente em si mesma, mas em sua relação com algo que lhe se- ria externo: o processo material da vida 42 ”. A crítica dialética
Mostrar mais

13 Ler mais

Publicações do PESC A Informática ao Encontro de Crianças de Rua: Uma Proposta

Publicações do PESC A Informática ao Encontro de Crianças de Rua: Uma Proposta

are como um sistema hipermídia.. Esta situação nos faz refletir e afirmar que qualquer proposta que não trate a questão pela raiz, será apenas um paliativo frent[r]

151 Ler mais

Quando a escola é a "casa", a "rua" e o "quintal" .

Quando a escola é a "casa", a "rua" e o "quintal" .

São 7 horas da manhã, faz frio, e a neblina cobre boa parte das montanhas ao redor da escola. Dona Clair bate o sinal sonoro para o turno da manhã, abre o portão azul e as crianças entram, si- lenciosas, em grupos, pares ou sozinhas, uniformizadas com uma blusa cinza do colégio, calça comprida ou short, e carregando mochilas ou bolsas. Algumas vieram a pé, pois moram nas redon- dezas. Outro grupo saiu de casa há mais de uma hora e foi trans- portado pela condução oferecida pela prefeitura municipal. Todos se dirigem às salas de aula, onde ficam até às 9h30, quando bate o sinal para o recreio e o almoço. Nesta hora, há um certo alvoro- ço na corrida até a fila da refeição, servida por três serventes (as mesmas que a cozinharam) em pratos individuais. O cardápio de hoje é arroz com frango desfiado e feijão. As crianças sentam-se, com o prato à mão, no chão do corredor cimentado que dá de frente para o amplo pátio de chão de terra onde depois brincarão exaustivamente até o fim do horário do recreio.
Mostrar mais

21 Ler mais

Praça cultural: um lugar de encontro e convívio em Araguari

Praça cultural: um lugar de encontro e convívio em Araguari

O primeiro critério analisado foi a distribuição dos equipamentos públicos de lazer, cultura, educação e áreas verdes na cidade (Figura 44). A partir dessa leitura foi possível observar a concentração central dos únicos equipamentos culturais da cidade como biblioteca, museu, Conservatório de Artes e Música e a Casa da Cultura. A região central é a única que recebe esses equipamentos públicos, demonstrando uma grande desigualdade na distribuição dos mesmos para atender a toda a população. Os espaços públicos de lazer sâo basicamente as praças, muitas de origem religiosa, que nâo possibilitam diferentes formas de apropriação do espaço pela comunidade e muitas vezes nâo oferecem nenhuma atividade de lazer para atrair os moradores. Dessa forma se tornam regularmente apenas praças de passagem e/ou contemplação, sendo utilizada basicamente em ocasiões de festividades religiosas.
Mostrar mais

156 Ler mais

“LUGAR PARA VIVER É AQUI. LUGAR PARA SOBREVIVER É LÁ: MIGRAÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL PARA O JAPÃO

“LUGAR PARA VIVER É AQUI. LUGAR PARA SOBREVIVER É LÁ: MIGRAÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL PARA O JAPÃO

Em 1º de junho de 1990 foi aprovada nova lei de controle de entrada de estrangeiros. As empresas passaram a ter direito de contratar legalmente niseis e sanseis. Mesmo após a regulamentação da referida lei, nem sempre os contratos são legais, isto é, estão em contrato indireto pessoas enviadas aos locais de trabalho por agenciadores ou intermediários ou ainda representantes das empresas japonesas, quando os nikkeis ganharam a oportunidade de trabalhar legalmente.

14 Ler mais

O lugar do encontro: reflexões sobre uma prática pedagógica

O lugar do encontro: reflexões sobre uma prática pedagógica

Resumo: Propõe-se neste texto** um conjunto de reflexões que fundamentem uma prática: a nossa atividade docente na Universidade do Porto, iniciada em meados dos anos 1980. Faz-se um recuo introspetivo e crítico sobre a nossa experiência profissional – trata-se portanto de um exercício deliberadamente existencial. Procuramos com ele discernir escolhas e decisões sobre o modo de ir sustentando uma prática, organizando este percurso de acordo com quatro grandes momentos: 1) os tempos iniciais da vida profissional – colocados perante a constatação de que a docência é um campo deixado ao saber-fazer de cada um, interrogamo-nos sobre como resolvemos este confronto com o facto concreto de ter de planear e de dar uma aula; 2) interroga-se em seguida essa entidade a que chamamos «a sala de aula», propondo-a como lugar do encontro; concebemo-la como algo mais do que o setting onde decorre um processo de transmissão de informação, resgatando-a assim ao reducionismo cognitivo e sublinhando outras dimensões com as quais devemos complexificar o que se passa neste setting – partindo do facto de sermos um animal social, concluímos que a apren- dizagem e, em sentido mais geral, a educação, não podem ser senão relacionais; 3) exploram-se algumas consequências desta constatação, assentando nela os princípios pedagógicos que nos regem e identificando estratégias concretas para os trazer para o quotidiano da docência; 4) por último, reflete-se sobre a mudança, pensada nas dinâmicas do adaptar, do renovar e do inovar. Posicionamo- -nos criticamente acerca da identificação da inovação com a tecnificação dos meios de ensino e propomo-la como resultado espontâneo do jogo entre a investigação e o ensino/aprendizagem – jogo primordial para a identidade daquilo que entendemos como Universidade.
Mostrar mais

13 Ler mais

Qual é o lugar do pagode no centenário do samba?

Qual é o lugar do pagode no centenário do samba?

Mas, ao lado disso, é importante destacar o reprocessamento que os grupos de pagode vão realizar na sonoridade tradicional do samba, na qual a percussão (pandeiro, surdo, cuíca e tamborim), o cavaquinho e o violão formam o eixo principal. Esse “som” caracte- rístico funciona como um modelo simbólico de identificação do gênero, mas não de forma exclusivista. Isto porque, desde o princípio das gravações de samba no início do século XX, os arranjadores sempre buscaram acionar uma grande diversidade timbrística nos sambas registrados em disco. O resultado é que, até certo momento, é possível ouvir uma grande diversidade de sonoridades nos discos de samba, as quais ampliam o universo de possi- bilidades sonoras do gênero. Contudo, a partir da década de 1970, o “som” das rodas começa a aparecer em grande quantidade de grava- ções de samba, como forma de acionar uma legitimidade “amadora” para um samba que se apresentava em sérias dificuldades comerciais. A partir desse momento, inicia-se um processo de formalização sonora do samba, que se enri- jece em torno dos instrumentos mais caracte- rísticos, a partir dos quais o samba constitui-se como autêntico e tradicional. Afastados das Escolas de Samba, os sambistas conseguem ocupar espaços no mercado fonográfico, e a sedimentação de uma sonoridade “autêntica”
Mostrar mais

19 Ler mais

O texto: lugar de encontro entre a língua natural e a arte literária

O texto: lugar de encontro entre a língua natural e a arte literária

fim de mostrar as interseções ou os cruzamentos entre língua e literatura, objeto deste Simpósio, o recurso a um texto literário me parece um proce- dimento de que é difícil escapar. Pois o texto é, sem dúvida, o lugar privi- legiado onde o usuário da língua, no caso o escritor, realiza tais cruzamentos, com maior ou menor consciência em relação aos efeitos que se produzirão. Essa zona de interseção entre língua e literatura foi, por muito tempo, o objeto decla- rado de um método de abordagem textual conhecido como análise estilística. Hoje, porém, creio que a disciplina Estilística, pouco valorizada, se acha ausente dos currículos de Letras, a menos que esteja implícita em algum item do progra- ma de outras disciplinas de teoria lingüística ou literária.
Mostrar mais

10 Ler mais

Um lugar ao sol encontro da saúde mental e atenção básica

Um lugar ao sol encontro da saúde mental e atenção básica

A promoção da saúde tem como alicerce principal a participação do usuário em conjunto com os trabalhadores em saúde, entendendo que só há mudança se a construção for coletiva. Isso reforça o empenho profissional em promover a participação popular, por meio dos diversos fóruns, com vista à efetivação do controle social. Todavia este é um dos entraves das políticas sociais, uma vez que a efetivação do controle social representa reflexo da lógica individualista de atenção, ou seja, se o atendimento é voltado para o indivíduo e não para o coletivo, já aí se mostra a busca por um comportamento singular. Quando se fala em participação popular predispõe-se um coletivo pensando, planejando, propondo e fiscalizando a política de saúde de seu distrito e município, por exemplo. Porém, esse encontro coletivo é que está se apresentando como ponto tênue na sociedade.
Mostrar mais

65 Ler mais

A casa é a rua: uma abordagem sobre a exclusão social e os moradores de rua no Brasil

A casa é a rua: uma abordagem sobre a exclusão social e os moradores de rua no Brasil

O presente artigo objetiva fazer uma análise, a nível nacional, acerca das pessoas em situação de rua, conhecidas popularmente como “moradores de rua”, abordando, inicialmente, o atual contexto socioeconômico à nível mundial. Em nossa pesquisa abordamos pontos da Constituição Federal de 1988, algumas normas da legislação vigente no Brasil, dados de censos e pesquisas realizadas, além de matérias jornalísticas pertinentes a temática em questão. Buscamos identificar se há, no Brasil, políticas públicas destinadas a tais indivíduos, quais são os direitos que estes têm, quais são os riscos enfrentados e a realidade vivenciada por eles nas ruas do nosso país. Através doa dados coletados, foi constatado que, embora existam normas voltadas para atender às necessidades deste público e que as condições de vida de milhares de brasileiros tenham melhorado nos últimos anos, a quantidade de indivíduos sem um lar e sem a devida assistência ainda é alarmante e bastante preocupante.
Mostrar mais

25 Ler mais

Sexualidade e violência, o que é isso para jovens que vivem na rua?.

Sexualidade e violência, o que é isso para jovens que vivem na rua?.

na cidade pelos índices de criminalidade. Após briga com mãe, decidiu ir para a rua em companhia de amigos. Na época, já fazia uso de drogas. Em abordagem do Conselho Tutelar, foi para o abrigo. Sua primeira passagem pelo abrigo foi em 1999. Esmeralda é alegre e brincalhona. Falante e de muitos amigos, é a jovem mais popular do abrigo. Ao falar de sua história não se mostra abalada ou triste, diz-se acostumada com a vida na rua. Após conversa, encaminhamos Esmeralda para o gineco- logista da unidade de saúde local, pois esta nos disse que tinha grande quantidade de secreção vaginal, com odor fétido e feridas vaginais. Atentamos para uma possível doença sexualmente transmissível (DST) como Trichomonas vaginalis. O exame médico conirmou nossas suspeitas. Iniciou tratamento imediato, mas fugiu da casa em companhia de ami- gos e, segundo informações do abrigo, permaneceu cinco dias na rua e está grávida.
Mostrar mais

7 Ler mais

Show all 10000 documents...

temas relacionados