Top PDF A referenciação a partir da concordância de gênero no português brasileiro: uma abordagem da Linguística Cognitiva

A referenciação a partir da concordância de gênero no português brasileiro: uma abordagem da Linguística Cognitiva

A referenciação a partir da concordância de gênero no português brasileiro: uma abordagem da Linguística Cognitiva

ou “todas”. Há também propostas que defendem a explicitação de sintagmas que estejam tanto no feminino quanto no masculino para referenciar grupos em que há integrantes de ambos os sexos. Essas diferentes estratégias são empregadas por grupos sociais também diferentes, algo que nos parece relevante para compreender os contextos de uso de cada uma bem como suas implicações linguísticas e sociais. Portanto, a fim de investigar o uso do masculino genérico e das formas linguísticas que se desviam dele, consideramos relevantes alguns fenômenos comumente estudados pela Linguística Cognitiva, conforme Steen (2016, 2017), Bybee (2010), Barcelona (2011), Langacker (2008, 2009), Ruiz de Mendoza Ibáñez (2000), e outros. Entre os conceitos previstos nesse horizonte teórico, foram especialmente úteis o da prototipicidade, o da gradiência, o da perspectivação e, sobretudo, os da conceptualização metonímica e da metáfora deliberada. Mediante esses referenciais teóricos, desenvolvemos a análise qualitativa de um corpus compilado durante a pesquisa e de dados experimentais obtidos em outros estudos sobre línguas românicas distintas. Com isso, identificamos que falantes tendem a não reconhecer que o masculino genérico inclui seres femininos na mesma proporção que reconhecem a inclusão de seres masculinos. Ademais, discutimos quando os usos dos gêneros gramaticais no PB se mostram influenciados por pressões metonímicas e quando o são por outros processos cognitivos, como o da metáfora deliberada. Por fim, procuramos relacionar o que identificamos na análise cognitiva ao que verificamos na análise sociológica e discursiva.
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O processo de transferência linguística no ambiente multilíngue de aprendizagem de PLE : uma abordagem pragmático-cognitiva.

O processo de transferência linguística no ambiente multilíngue de aprendizagem de PLE : uma abordagem pragmático-cognitiva.

Esta pesquisa está ancorada nos estudos pragmático-cognitivos, mais especificamente, na Teoria da Relevância, de Sperber e Wilson (1986/1995), que estabelece, através do seu Princípio da Relevância, que o processamento de um estímulo ostensivo ou, mais especificamente, de um enunciado, seja oral ou escrito, será relevante à medida que demande menos esforço e produza mais efeitos cognitivos. Com base nesse princípio, pretendeu-se analisar, por meio do experimento proposto com o rastreamento ocular, que registra com precisão fixações do olhar, combinado com o programa Translog II (JAKOBSEN, 1999; CARL ET AL., 2011), que registra as ações de teclado e mouse em tempo real, possíveis ocorrências de transferências linguísticas de uma língua sobre outra(s) em contextos de aprendizagem de língua estrangeira. Mais detalhadamente, o objetivo é analisar o tipo de influência entre as línguas envolvidas no contexto de aprendizagem de PLE configurado no Brasil por aprendizes que utilizam a língua inglesa como forma de mediação, e as possíveis transferências 1 da língua inglesa – uma segunda língua 2 – sobre o português brasileiro, em questão, denominado uma terceira língua 3 , segundo a perspectiva de Shirin Murphy (2003), da influência translinguística na aquisição/aprendizagem de uma terceira língua nesse contexto caracterizado como multilíngue (MATTHIESSEN ET al., 2008). Objetivou-se, ainda, observar qual o papel do processamento cognitivo nessas transferências. Estimou-se que o desenho experimental aqui proposto, por meio de dados como fixações e sacadas oculares, mapas de calor e outras informações obtidas a partir do rastreamento ocular, informações sobre a digitação e dados de verbalização, nos possibilitaria testar o nível de esforço de processamento cognitivo despendido pelo sujeito para executar algumas tarefas em
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GÊNERO GRAMATICAL E BIOLÓGICO DE SUBSTANTIVOS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO: UMA PESQUISA BASEADA EM CORPUS MESTRADO EM LINGUÍSTICA APLICADA E ESTUDOS DA LINGUAGEM

GÊNERO GRAMATICAL E BIOLÓGICO DE SUBSTANTIVOS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO: UMA PESQUISA BASEADA EM CORPUS MESTRADO EM LINGUÍSTICA APLICADA E ESTUDOS DA LINGUAGEM

Brasileira de Letras (ABL). Entretanto, notou-se que em muitos casos o VOLP fornece apenas o gênero gramatical da palavra, não seus significados (a não ser que a própria ABL reconheça o substantivo como polissêmico, então a busca mostra diferentes resultados). Pensou-se, então, no dicionário Aulete, desenvolvido pelo projeto Caldas Aulete, por ser um conteúdo de referência e tradição com relação a dicionários de português brasileiro (o primeiro dicionário foi editado no final do século XIX). Apesar de contar com o conteúdo necessário à presente pesquisa, nossa busca encontrava-se focada em um material que fosse congruente com os princípios e fundamentos básicos de nosso estudo. Foi assim sendo que nossa busca optou por consultar os substantivos no dicionário Priberam. O dicionário Priberam surgiu a partir de um projeto para o desenvolvimento de uma plataforma de processamento de língua natural que armazena e processa dados da língua portuguesa (isto é, da língua em uso), fundado em 1989 em um programa colaborativo, juntamente com a Universidade de Carnegie Mellon (CMU). Apesar de ser um projeto de Portugal, o Dicionário Priberam de Língua Portuguesa (DPLP) conta com o português brasileiro desde 2011 e leva em consideração a grafia das palavras antes e depois do o acordo ortográfico (essencial para a nossa pesquisa, levando-se em conta que nosso corpus contém palavras em ambas as grafias). Fazer uso de um dicionário que trabalha com processamento de língua natural é a opção mais congruente para uma pesquisa fundamentada na abordagem teórico-metodológica da Linguística de Corpus.
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Abordagem cognitiva da construção deverbal x-dor: contribuições para o ensino do português

Abordagem cognitiva da construção deverbal x-dor: contribuições para o ensino do português

A lingüística cognitiva surge no final da década de 70 e princípio dos anos 80, como uma reação às impropriedades constatadas nos modelos de gramática estritamente formais, em particular, a versão padrão da gramática gerativa (CHOMSKY, 1965). Dois fatores impulsionaram inicialmente sua origem: por um lado, o interesse pelo fenômeno da significação (já evidenciado, aliás, pelo movimento da semântica gerativa) e, por outro, o interesse pela investigação psicolingüística de Eleonor Rosch sobre o papel fundamental dos protótipos no processo de categorização (cf. ROSCH; 1978; ROSCH; MERVIS, 1975). Constitui-se institucionalmente como paradigma científico no início da década de 90, com a criação da International Cognitive Linguistics Association e a realização da primeira International Cognitive Linguistics Conference, além da edição da revista Cognitive Linguistics e da coleção Cognitive Linguistics Research. Mas é ainda durante os anos 80 que nasce e se desenvolve, em diferentes locais e de diferentes formas, graças, sobretudo, aos trabalhos dos norte-americanos George Lakoff (LAKOFF; JOHNSON, 1980; LAKOFF, 1987), Ronald Langacker (1987, 1990, 1991) e Leonard Talmy (1983, 1988). Precisamente duas publicações constituem o marco inaugural desse novo paradigma: o livro Women, Fire and Dangerous Things: What Categories Reveal about the Mind, de autoria de George Lakoff (1987), e, no mesmo ano, o primeiro volume do livro Foundations of Cognitive Grammar de Ronald Langacker. Sinal de sua maturidade é o extenso (e em rápido crescimento) conjunto de publicações e, naturalmente, as obras mais recentes dos três fundadores da Lingüística Cognitiva – Lakoff (LAKOFF; JOHNSON, 1999), Langacker (1999) e Talmy (2000).
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Refletindo sobre a Provinha Brasil a partir das dimensões sociocultural, linguística e cognitiva da leitura.

Refletindo sobre a Provinha Brasil a partir das dimensões sociocultural, linguística e cognitiva da leitura.

Quando uma criança aprende a escrever uma língua que tem por base um sistema alfabético, necessita compreender que as letras, enquanto signos gráficos, correspondem a segmentos sonoros que não possuem significados em si mesmos, habilidades estas relacionadas à chamada consciência fonológica. Consciência fonológica é parte da consciência linguística, que implica a capacidade de compreender a maneira pela qual a linguagem oral pode ser dividida em componentes cada vez menores (sentenças em palavras, palavras em sílabas e sílabas em fonemas), de refletir explicitamente sobre os sons da língua, operar com essas unidades e manipulá-las de maneira diferenciada. O desenvolvimento da consciência fonológica em crianças obedece a padrões de complexidade; alguns níveis de consciência fonológica podem ser desenvolvidos espontaneamente, independentemente do ensino formal da escrita, porém habilidades fonológicas mais elaboradas têm sido consideradas como dependentes dos próprios avanços que a criança realiza em termos de alfabetização. As habilidades menos complexas são a recepção de rimas e aliteração e a segmentação de sentenças em palavras, que contribuem para os estágios iniciais da leitura; num processo recíproco, as habilidades desenvolvidas na leitura contribuem para o desenvolvimento de habilidades fonológicas mais complexas, como a manipulação e transposição fonêmicas (MALUF e BARRERA, 1997; ALVAREZ, 1998; CARVALHO; ALVAREZ, 2000; ZORZI, 2002).
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A concordância verbal no português falado em Feira de Santana - BA: sociolingüística e sócio-história do português brasileiro

A concordância verbal no português falado em Feira de Santana - BA: sociolingüística e sócio-história do português brasileiro

L’objectif central de la présente thèse est d’examiner la formation et la caractérisation actuelle de la réalité sociolinguistique brésilienne, en prenant comme thème spécifique l’utilisation variable de l’accord verbal de la troisième personne du pluriel dans le portugais parlé à Feira de Santana, ville de l’intérieur de Bahia, située dans la région nord-est du Brésil. On part du principe que les variétés populaires du portugais brésilien se caractérisent par une extrême réduction dans leur morphologie flexionnelle, motivées par des raisons socio-historiques. La principale est le contact entre les langues résultant de l’importation d’ un énorme contingent populationniste des Africains-esclaves durant trois siècles au Brésil et condamnés à la relégation d’un pervers système d’exclusion sociale tout au long de l’histoire brésilienne. On croît que telles conditions sociales ont réverbéré significativement la structure de la langue portugaise en provoquant une bipolarité des normes linguistiques au Brésil, avec un pôle qui abrite les varientes cultivées les plus proches de la norme standard, et l’ autre qui abrite les varientes populaires, marquées, comme mentionné, par des processus d’ extrême réduction dans leur morphologie flexionnelle. Dans ce sens, avec cette étude, on enquête, avec les presupposés théoriques et méthodologiques de la Sociolinguistique Variationniste, ainsi que des études socio-historico-démographiques de la communauté de parlers objet de la recherche comme il se trouvent distribués les deux pôles sociolinguistiques à Feira de Santana. A été analysé un total de 48 interviews, 36 de la norme populaire (12 enregistrées dans la zone rurale et 24 dans la zone urbaine) et 12 de la norme urbaine cultivée. On a constaté que malgré des changements continuels ayant eu lieu au Brésil à partir du XX siècle, il existe encore une bipolarité des normes du portugais parlé à Feira de Santana. Cette constatation empirique a été interprétée comme un réflexe de la bipolarité qui caractérise encore la société brésilienne actuelle (LUCCHESI, 2001, 2002 e 2006).
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A FORMAÇÃO SÓCIO-HISTÓRICA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO E A TRANSMISSÃO LINGUÍSTICA IRREGULAR

A FORMAÇÃO SÓCIO-HISTÓRICA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO E A TRANSMISSÃO LINGUÍSTICA IRREGULAR

Lucchesi (2001) vai argumentar, a partir de fatos históricos do desenvolvimento do Brasil, para justificar a importância da TLI na formação do PPB, mostrando as condições em que viveram as populações no Brasil, nos últimos 500 anos. Começa com a aculturação das populações indígenas e africanas desde a primeira metade do século XVI, seguida dos grandes deslocamentos desses povos das áreas mais urbanizadas para os recônditos lugares no interior do país, dificultando mais ainda o aprendizado do PE que se concentrou definitivamente nas zonas urbanas com a elite branca colonial. Esses fatores foram cruciais para entender o porquê de os primeiros africanos e indígenas terem aprendido o português de forma tão precária, e essa L2 se converter em L1 para os seus descendentes, em uma situação de nenhuma escolarização, e em lugares de difícil acesso. Após os primeiros cem anos de colonização, surgem, nos séculos XVII e XVIII, muitas cidades no interior do país, levando a acontecer um êxodo urbano. Somente no século XVIII, é implantado um sistema oficial de educação pública com a chegada do Marquês de Pombal. Porém, a escola era apenas para os homens brancos. As mulheres brancas, os africanos e os índios e seus descendentes continuavam não alfabetizados. A escolarização tardia e para poucos faz com que a maior parte da população brasileira fosse analfabeta até a metade do século passado.
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O ensino de português língua estrangeira/língua segunda baseado em tarefas na perspectiva da linguística cognitiva

O ensino de português língua estrangeira/língua segunda baseado em tarefas na perspectiva da linguística cognitiva

O Ensino de Português Língua Estrangeira/Língua Segunda Baseado em Tarefas na perspetiva da Linguística Cognitiva... O Ensino de Português Língua Estrangeira/Língua Segunda Baseado em Ta[r]

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Referenciação e técnicas experimentais: aspectos metodológicos na investigação do processamento correferencial em português brasileiro

Referenciação e técnicas experimentais: aspectos metodológicos na investigação do processamento correferencial em português brasileiro

s ciências cognitivas, em suas muitas subdisciplinas, têm se dedicado a entender os processos através dos quais opera a mente humana. No tocante à linguagem, um dos grandes desafios é compreender os aspectos cognitivos do texto, isto é, os processos linguísticos mentais que, independentes ou relacionados a outros sistemas cognitivos (como memória e atenção), permitem aos ouvintes/leitores, por exemplo, acessar itens lexicais, decodificar estruturas sintáticas e construir os sentidos de textos orais/escritos. A investigação de tais processos linguísticos de produção, percepção e representação tem se dado, do ponto de vista metodológico, principalmente por meio da realização, em laboratório, de experimentos psicolinguísticos, que precisam ser rigorosamente controlados, de modo que se possa isolar a influência das variáveis de interesse sobre o fenômeno em observação, minimizando ou eliminando efeitos indesejáveis de variáveis outras que possam interferir nos resultados da pesquisa. Esse processo de eliminação de variáveis incontroláveis integra o que é comumente chamado de planejamento experimental, procedimento crucial na determinação da confiabilidade dos resultados. Assim sendo, o objetivo deste artigo é somar à literatura brasileira sobre planejamento experimental em psicolinguística, especificamente no que tange ao controle das diferenças entre as modalidades falada e escrita da língua quando da elaboração de experimentos, fim que será perseguido através da discussão dos resultados de dois estudos sobre processamento correferencial em português brasileiro, avaliando estruturas anafóricas típicas de situações de fala e escrita. Antes, contudo, de descrever os experimentos mencionados, faz-se necessário discorrer sobre os paradigmas experimentais atualmente disponíveis aos pesquisadores em psicolinguística.
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A concordância bal no português popular de Salvador: uma amostra da variação linguística na periferia da capital baiana

A concordância bal no português popular de Salvador: uma amostra da variação linguística na periferia da capital baiana

Resumo: Esta pesquisa foi desenvolvida como parte do estudo do português popular do estado da Bahia realizado pelo Projeto Vertentes. O corpus foi constituído através de amostras de fala vernáculas coletadas em dois bairros da capital baiana, Itapuã e Liberdade, com o objetivo de realizar uma análise variacionista da concordância verbal junto à 3ª pessoa do plural, a partir dos princípios teóricos e metodológicos da Sociolinguística Variacionista. Para realizar o estudo, foi estabelecida a variável dependente, em termos binários, na dicotomia presença ou ausência do morfema de 3ª pessoa do plural e as variáveis linguísticas e sociais que supostamente afetam o fenômeno em foco: a) realização e posição do sujeito; b) concordância nominal no sujeito; c) indicação do plural no SN sujeito; tipos de verbo; d) saliência fônica; e) forma do último constituinte que está antes do verbo; f) faixa etária; g) sexo; h) rede de relações sociais; i) nível de escolaridade; j) nível de exposição à mídia. Os resultados obtidos com os dados gerados pelo VARBRUL demonstraram as peculiaridades do fenômeno no português popular de Salvador, apontando os contextos condicionadores de realização da concordância verbal.
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O acento no português brasileiro: uma abordagem experimental

O acento no português brasileiro: uma abordagem experimental

Este estudo trata do acento lexical no português brasileiro (PB) sob uma perspectiva multirrepresentacional. Tem como principal objetivo avaliar mecanismos acústicos, articulatórios e cognitivos envolvidos na produção e percepção do acento. A metodologia adotada conjuga a análise teórica fonológica com evidências experimentais, seguindo a proposta da Fonologia de Laboratório. Foram realizados um experimento de produção e três experimentos de percepção. No experimento de produção, foram avaliadas propriedades acústicas e articulatórias envolvidas na realização do acento, a partir da gravação dos sinais de fala e eletroglotográfico. Verificou-se que a principal propriedade acústica empregada na realização do acento no PB é a duração, capaz de diferenciar sílabas acentuadas de pretônicas e postônicas e as últimas entre si. Ná série de experimentos de percepção, foi avaliada a interação entre acento e acesso lexical. O primeiro experimento testou a influência da frequência de tipo na segmentação de sequências não linguísticas ambíguas com relação à localização da proeminência. Os resultados do primeiro experimento indicam que as propriedades acústicas exercem influência na percepção da proeminência em padrões sonoros. O segundo experimento de percepção testou a influência da frequência lexical na segmentação de sequências linguísticas ambíguas com relação à posição da proeminência. Finalmente, o terceiro experimento testou a influência da frequência lexical na percepção categórica do acento, a partir de estímulos gerados por morphing. O segundo e terceiro experimentos mostraram que a percepção da proeminência acentual depende da frequência de ocorrência das palavras. Com base
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Uma abordagem cognitiva do riso

Uma abordagem cognitiva do riso

Tem-se, portanto, um cenário interessante aqui, já que o chiste tendencioso de Freud pode ser compreendido como um recurso social de obtenção de determinados obje[r]

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Referenciação, multimodalidade e tipografia cinética: reflexões em linguística textual

Referenciação, multimodalidade e tipografia cinética: reflexões em linguística textual

Como é possível verificar, há uma discussão em torno da redução da maioridade penal promovida pela instituição ora referida. Para construir sua argumentação, é resgatado, inicialmente, o senso comum a respeito do tema e, em seguida, é apresentada a posição do instituto. Tal inferência é possível pela instauração do primeiro objeto de discurso, por meio de uma introdução referencial pura– ou seja, aquela que ocorre quando não há nenhum elemento no cotexto 37 a que ela pudesse se associar, sendo uma informação “totalmente nova” – que corresponde à expressão “Instituto Sou da Paz”. No entanto, não recai sobre esse fato a única razão para entendermos que o segundo momento do texto (que corresponde ao recorte 10) corresponde à opinião do instituto, mas também agem para tal a correlação de cores azuis e da mudança de voz do narrador (deixa de ser feminina para ser uma masculina), além das diferenças no tom da música de fundo (no primeiro, ela lembra a ambientação de um circo ou de um parque de diversões), todos estes tributários do processo de inferenciação que, como nos lembra Marcuschi (2007), não se trata de uma atividade de identificação de um conhecimento armazenado previamente que é recuperado para a leitura, mas um complexo processo de construção discursivo a partir da articulação entre conhecimentos partilhados e o novo texto. Depois da introdução referencial inicial, há o seguinte (focalizemos nossa atenção, por enquanto, apenas nos aspectos linguísticos):
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Estudar o português como língua pluricêntrica no enquadramento da linguística cognitiva com foco nas variedades nacionais do PE e PB

Estudar o português como língua pluricêntrica no enquadramento da linguística cognitiva com foco nas variedades nacionais do PE e PB

linguístico pode apontar para empregos sincrónicos muito diferenciados e claramente divergentes no PE e PB a nível das respetivas normas standard, não reflectindo aparentemente as redes conceptuais construídas, histórica e socialmente determinadas, entretanto caídas parcialmente em desuso. Observámos, assim, que os empregos da linguagem-em-uso contemporâneas privilegiam certas aceções ou padrões de uso como mais frequentes em detrimentos de outros, delimitados diatópica e/ou diastraticamente. Demonstrou-se, igualmente, que (ii) o significado de um item lexical não é objeto mental estável, mas resulta da arquitetura de rede(s) de conceptualizações e interpretações projetada em aberto e construída de acordo com critérios precisos e linguisticamente bem definidos no âmbito da Linguística Cognitiva. Esta arquitetura é, porém, diferenciada, em função dos factores específicos de cada uma das culturas nacionais em que se desenvolve, originando, assim, as especificidades a nível do PE e do PB. Demonstrou-se, também, que (iii) este sistema de estruturação conceptual envolve quer as capacidades cognitivas gerais quer os mecanismos do imaginário como metáfora e metonímia conceptuais, quer ainda conhecimentos que temos sobre o mundo, integrados numa semântica enciclopédica, que abrange, por exemplo, criação tanto de nomes comuns como de novos nomes próprios, tais como antropónimos ou topónimos.
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Formas de referenciação a pessoas: uma abordagem variacionista

Formas de referenciação a pessoas: uma abordagem variacionista

Este trabalho tem como objetivo estudar o uso das formas de referenciação a pessoas no português brasileiro falado, partindo da hipótese de que as escolhas feitas pelos falantes são condicionadas por fatores linguísticos e sociais. O corpus foi formado a partir de uma amostra composta de 24 entrevistas com moradores de duas áreas geográficas distintas e índices de população e desenvolvimento humano diversos: o distrito Aparecida do Mundo Novo (MG), e Belo Horizonte (MG), região escolhida para que se pudesse fazer um estudo comparativo com a comunidade pesquisada, uma vez que, conforme se sabe, o Estado de Minas Gerais possui diferentes áreas dialetais, e Belo Horizonte constitui um centro metropolitano que recebe pessoas de diferentes regiões. Para a análise, foram identificadas duas variantes: (1) o nome oficial, como José, José Paulo, José dos Santos, e (2) outros antropônimos diferentes do nome oficial, como Zé, Zé de Paulo, Zé de Juca. Foram selecionadas as ocorrências em que a referência é indireta, ou seja, a pessoa referida não é o entrevistado. Mais exatamente, quando as formas de nomear são usadas para fazer menção a uma terceira pessoa. São apresentadas análises quantitativa e qualitativa. A metodologia de tratamento dos dados foi a Teoria da Variação integrada à análise das redes de relações sociais dos informantes. Os resultados mostram que, em Aparecida do Mundo Novo, é mais frequente o uso dos nomes morfologicamente modificados, já em Belo Horizonte, é mais frequente o uso de nomes sem modificações. Identificadas e tipificadas as interações entre os informantes das amostras, atribuem-se os resultados ao grau de densidade das redes de cada comunidade analisada. A correlação tipo de referenciação escolhida e densidade de redes é também encontrada em comunidades portuguesas em outros momentos de tempo. A pesquisa diacrônica nos permitiu verificar que um mesmo processo se repete através dos anos. O estudo desse tema apresenta mais evidência a favor da atuação do Princípio Uniformitário.
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Variação e mudança do imperativo no português brasileiro: gênero e identidade

Variação e mudança do imperativo no português brasileiro: gênero e identidade

Em resumo, o pai mantém o imperativo associado ao subjuntivo, enquanto a mãe se afasta dessa forma, apresentando os mesmos percentuais do uso predominante na fala do Distrito Federal. A família tem uma boa situação financeira, sendo pai e mãe bem sucedidos profissionalmente e perfeitamente adaptados à cidade. Segundo a teoria da acomodação (Giles & Powesland; 1975 apud Hanna 1986), o falante acomoda sua linguagem à do interlocutor, seja se aproximando do jeito do falar local ou se afastando. A convergência em direção ao dialeto local pode ser uma forma de receber aprovação e avaliação positiva do novo grupo. É provável que nem sempre esse seja um processo consciente. Na entrevista com a mãe, ela reconhece não ter tido nenhum problema na chegada a Brasília. Sua adaptação ao dialeto local pode ter sido uma forma de mostrar uma boa interação com o grupo, além de uma maneira de mostrar que, em sua nova função profissional, ela não teria nenhum problema de adaptação, tanto profissional quanto social ou linguística. Segundo Hanna (1986), há uma tendência em Brasília para a convergência, visto que há, nas classes urbanas, uma tendência à homogeneização na fala. Além disso, o Distrito Federal favorece a formação de redes abertas por causa de suas distâncias dentro da própria cidade e em relação às demais capitais do país e da constante desigualdade social entre os membros da comunidade. Com base nas informações fornecidas pelos informantes, inferimos que suas redes sociais são abertas, pois são formadas por pessoas de diferentes partes do país, sendo que esse contato caracteriza as redes uniplexas (Borttoni-Ricardo, 1985) – aquelas em que o contato é profissional ou familiar e cujos indivíduos não têm contato intenso. De acordo com os estudos de Milroy (1980), as redes fechadas favorecem a manutenção do dialeto de origem do falante. No caso do falante Bes, esse aspecto não se reflete nos resultados
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Estratégias de focalização no português brasileiro: uma abordagem cartográfica

Estratégias de focalização no português brasileiro: uma abordagem cartográfica

De acordo com a abordagem criterial, a prosódia tem acesso a sentença diretamente da estrutura, da representação sintática. Por isso, a necessidade de um constituinte com função discursiva estar em uma posição sintática específica. Aboh (2007) fala em traço formal para foco, mas, nesse caso, o autor não está se referindo ao sentido puramente formal, mas ao fato de ser um traço que está na numeração e que deve ser checado. A checagem desse traço ocorre na sintaxe porque, de acordo com a proposta cartográfica, um elemento foco ou tópico deve ocupar uma posição específica, entrar em relação especificador- núcleo. Belletti (c.p) afirma que não devemos empregar a terminologia de traço forte ou fraco, que é usada na identificação de elementos que têm somente função gramatical, para o foco. Para os elementos com propriedades sintáticas e semânticas devemos trabalhar apenas com a terminologia de traço criterial interpretável ou não-interpretável. A abordagem criterial tem sido desenvolvida por traços interpretáveis do sistema A', os quais não desaparecem das representações, mas requerem um licenciamento local.
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A variação na concordância nominal de número no Sintagma Nominal no Português afrobrasileiro: abordagem mórfica

A variação na concordância nominal de número no Sintagma Nominal no Português afrobrasileiro: abordagem mórfica

A variação quanto à concordância nominal de número no Brasil é fato conhecido e debatido no âmbito da Linguística. A gramática normativa, no entanto, ainda não apresenta atualizações nesse sentido, tornando essa marca ainda muito estigmatizada. Essas gramáticas exibem, no capítulo destinado ao tema aqui estudado, um conjunto de regras que muitas vezes não são representativas do uso geral encontrado na fala dos brasileiros, sobretudo os de baixa ou nenhuma escolaridade, particularmente na zona rural.

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O culturema Amélia: uma unidade linguística, ideológica e cultural do português brasileiro

O culturema Amélia: uma unidade linguística, ideológica e cultural do português brasileiro

Neste trabalho, foram estudados os aspectos culturais e ideológicos que fomentam o estereótipo "submisso" atribuído ao gênero feminino e lexicalizado, no Brasil, pela palavra “amélia”. A partir dos pressupostos teóricos já postulados sobre Culturemas, por Veermer (1983), Nord (1997), Vilela (2000), Luque Nadal (2009, 2010), Pamies Bertrán (2010) tencionou-se, aqui, averiguar sua complexidade linguística, carga semântica e seu grau de representatividade social em grupos identitários femininos. Para tanto, objetivou-se: observar os contextos de uso e repetição do culturema “Amélia” que o validasse como tal e verificar a relação entre o culturema e o estereótipo que compõe sua definição, de modo a identificar os traços semânticos que são associados ao culturema em questão. Metodologicamente, partiu-se do uso da palavra cultural brasileira “amélia” (palavra acoplada ao vocabulário do Português Brasileiro para designar mulher submissa) como principal critério para coleta de amostra (entre weblogs , crônicas, comunidades da Internet, redações, depoimentos). Em seguida, investigaram-se aspectos culturais e o conteúdo atrelado a este vocábulo, encontrando, por conseguinte, a negociação ideológica e cultural que fortemente se estabelece, tomando por base o conceito de Culturema (Luque Nadal, 2009). Como resultado, obtivemos uma visão detalhada das características deste culturema brasileiro, seu grau de representatividade na sociedade que o utiliza e os componentes conceituais de identidade e de estereótipo incorporados na sua carga semântica, o que possibilitou formar um quadro claro dos componentes das palavras culturais para trabalhos posteriores. Esta pesquisa, feita sob o plano de fundo da internacionalização do Brasil pelo Português Brasileiro, bem como da série de saberes evocados pelos culturemas, tratou de desconstruir o vocábulo nascido no Português Brasileiro com a conotação cultural que vigora, visando assim ser um ponto de partida para subsidiar a inserção cultural no ensino e aprendizagem de Português como Língua Estrangeira através do léxico e a dicionarização de palavras culturais e suas potenciais cargas semânticas em diversas línguas.
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O acento primário em português brasileiro: uma abordagem não-métrica.

O acento primário em português brasileiro: uma abordagem não-métrica.

O fenômeno que nos propomos a analisar neste trabalho é o acento do português brasileiro (doravante PB) que, segundo Câmara Júnior (1970, p. 63), se caracteriza como “uma maior força expiratória, ou intensidade de emissão, da vogal de uma sílaba em contraste com as demais vogais silábicas”. O objetivo geral deste trabalho é discutir os critérios que definem o padrão acentual do português brasileiro. Para alcançar esse objetivo, desenvolvemos um trabalho baseado em dados previamente levantados pelos diversos estudos já existentes no Brasil. Entendemos não ser necessário levantar mais dados, uma vez que já há estudos de variação com resultados confiáveis que servem para apoiarmos nossa tese, segundo a qual o acento primário do português brasileiro é livre, variável (na subjacência), imprevisível, portanto, não pode ser previsto por qualquer regra ou restrição salvo se se lançar mão de estipulações, o que termina por gerar grande sobrecarga à Fonologia Métrica. Rejeitamos a Fonologia Métrica tal como constituída atualmente por essa teoria tratar o acento primário como secundário e o acento secundário como primário, o que gera resultados imprecisos, pouco confiáveis porque os critérios adotados por essa teoria – sensibilidade ao peso e adoção de um tipo de pé como o caracterizador do acento do português brasileiro - parecem não ser adequados para a análise desse sistema. Postulamos que o acento primário seja tratado como primário, tal como defende a Teoria do Acento Primário Primeiro – PAF –, proposta por van der Hulst (1997, 2006), que é a teoria norteadora deste trabalho. Segundo a PAF, dois são os critérios necessários para a localização do acento primário: a sílaba especial e o domínio. Essa teoria entende por sílaba especial aquela que recebe uma marca lexical – motivada diacronicamente ou por ser um empréstimo. Quanto ao domínio, este compreende as duas últimas sílabas da borda (direita ou esquerda), sendo, nesse caso, a extrametricidade opcional. Nesse ponto, discordamos da abordagem proposta por van der Hulst por postularmos a ampliação de duas para três sílabas próximas à borda direita – a janela de três sílabas é perfeitamente previsível pela Fonologia Métrica, com a diferença que, para essa teoria, a terceira banda dessa janela é sempre fechada.
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