Top PDF Representações Sociais de Adolescentes em Cumprimento da Medida Sócio-educativa de Liberdade Assistida

Representações Sociais de Adolescentes em Cumprimento da Medida Sócio-educativa de Liberdade Assistida

Representações Sociais de Adolescentes em Cumprimento da Medida Sócio-educativa de Liberdade Assistida

Nota-se que os adolescentes consideram que há contribuição da medida sócio- educativa em suas vidas. Portanto, pode-se compreender que o cumprimento da medida sócio-educativa de Liberdade Assistida no Programa LAC de Vitória-ES está possibilitando (e foi observada) a execução de alguns dos princípios previstos pelo SINASE, por exemplo: respeito aos direitos humanos; responsabilidade solidária da Família, Sociedade e Estado pela promoção e a defesa dos direitos de crianças e adolescentes; adolescente como pessoa em situação peculiar de desenvolvimento, sujeito de direitos e responsabilidades; incolumidade, integridade física e segurança e respeito à capacidade do adolescente de cumprir a medida, às circunstâncias, à gravidade da infração e às necessidades pedagógicas do adolescente (BRASIL, 2006). Embora haja o relato de muitas experiências de fracasso apontadas na literatura com relação à execução das medidas sócio-educativas, Costa (2005) nos aponta que mudar é possível, seja pela forma de execução das medidas sócio-educativas, seja pelo posicionamento dos adolescentes em conflito com a lei diante das adversidades.
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Representações sociais de ato infracional e medida sócio-educativa de adolescentes em liberdade assistida

Representações sociais de ato infracional e medida sócio-educativa de adolescentes em liberdade assistida

A temática do adolescente em conflito com a lei tem despertado o interesse de pesquisadores e profissionais que atuam no âmbito das políticas sociais. De maneira a contribuir com essa área, a presente pesquisa objetivou analisar as representações sociais de medida sócio-educativa e ato infracional na visão de adolescentes em conflito com a lei. A Teoria das Representações Sociais foi utilizada como aporte teórico e metodológico. Participaram da pesquisa, quarenta e seis adolescentes que estavam cumprindo, há mais de três meses, a medida de Liberdade Assistida no município de Vitória-ES. Os dados foram coletados, por meio de entrevistas, com um roteiro semi-estruturado. A coleta de dados consistiu em um primeiro momento, relativo à técnica das evocações livres por meio dos termos “ato infracional” e “medida sócio-educativa” e em um segundo momento, relativo a questões extensas referentes aos mesmos termos, porém realizadas com nove adolescentes. Utilizou-se o software EVOC para análise das evocações emitidas e a Análise de Conteúdo para a análise das questões extensas. Os resultados apontaram a seguinte caracterização sócio-econômica dos adolescentes: renda familiar baixa, baixo nível de escolaridade, local de residência precário, etnias afrodescendentes predominantes e distanciamento da religião. As representações sociais de ato infracional relacionaram-se aos tipos de atos infracionais e às suas causas e conseqüências. Além disso, observou-se que os tipos de ato infracional mais praticados foram roubo e tráfico de drogas; as motivações para o cometimento do ato estão, prioritariamente, relacionadas ao dinheiro e más influências; alguns relataram a não reincidência no ato infracional, enquanto outros reincidiriam em condições de privação financeira ou desavenças pessoais. As representações sociais de medida sócio-educativa relacionaram-se a ações positivas em que, além da aprendizagem, houve a possibilidade de mudança. E ainda, os adolescentes apontaram a importância da família para o cumprimento da medida e afirmaram que a medida contribui positivamente em suas vidas.
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As representações sociais da escola na perspectiva de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação no Distrito Federal

As representações sociais da escola na perspectiva de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação no Distrito Federal

a) advertência, executada pelo juiz, com características admoestatórias, informativas, formativas e imediata; b) obrigação de reparar o dano, com restituição, ressarcimento e/ou compensação da vitima; c) prestação de serviços à comunidade (PSC), consistindo na realização de tarefas gratuitas ao alcance comunitário e educativo; d) liberdade assistida (LA), que consiste no acompanhamento, auxilio e na orientação ao jovem por um período mínimo de seis meses; e) medidas cumulativas, que implica a aplicação de mais de uma medida socioeducativa; f) semiliberdade, afastamento do adolescente de seu convívio familiar, mas sem privá-lo totalmente do direito de ir e vir; g) medida de internação, destinada a adolescentes autores de atos infracionais graves, referindo-se à detenção desses adolescentes em uma unidade de segurança eficaz (VOLPI, 2011, p. 23-27).
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Adolescentes infratores: estudo acerca da medida sócio-educativa de internação nas unidades do Centro de Atendimento Sócio Educativo ao Adolescente - CASA como defesa da cidadania

Adolescentes infratores: estudo acerca da medida sócio-educativa de internação nas unidades do Centro de Atendimento Sócio Educativo ao Adolescente - CASA como defesa da cidadania

O adolescente em processo de recuperação precisa encontrar no lar apoio para pôr em prática tudo que aprendeu durante o cumprimento da medida sócio- educativa. Nos casos de internação, semiliberdade e liberdade assistida, o acompanhamento ao jovem e à sua família deve se prolongar além da decisão judicial que o colocou em liberdade, sem tempo determinado, até que a instituição e seus agentes sintam segurança de um convívio saudável, tanto familiar como social. O comportamento do jovem em não aceitar a situação de marginalização (no sentido de exclusão da palavra) reflete sua inquietude com os conflitos e carências peculiares à fase de desenvolvimento em que está, uma vez que não é mais criança e ainda não é adulto, trata-se de uma fase de transição, de formação de personalidade, estando mais propenso a influências negativas que podem levá-lo à delinqüência.
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Significados de família para adolescentes em liberdade assistida

Significados de família para adolescentes em liberdade assistida

Esta pesquisa tem como objetivo geral compreender, a partir de uma abordagem sócio- histórica, como os adolescentes que estão em cumprimento de Liberdade Assistida têm significado a instituição família. O espaço eleito para a realização de tal investigação foi a Pastoral do Menor da cidade de Natal, cujo programa sócio-educativo se constitui fonte de nossas inquietações em torno do atendimento ao adolescente em conflito com a lei. A constituição do corpus foi viabilizada pelo emprego, principalmente, da entrevista individual semi-estruturada, junto a quatro adolescentes e aos sete familiares que também se fizeram sujeitos. Como fontes e instrumentos complementares de dados, procedemos, ainda, a uma pesquisa documental junto aos relatos técnicos existentes nas pastas-arquivo dos sócios-educandos, assim como recorremos às notas registradas em diário de campo. Para tratamento dos dados obtidos, empregamos a análise de conteúdo temática. A discussão, ao final, ocorreu em torno de três unidades temáticas: Família, Medida Sócio-educativa, Família e Medida Sócio-educativa. Na perspectiva dos adolescentes, a família se configura como um grupo fundamentado na existência de laços afetivos que, a despeito das vulnerabilidades de sua realidade familiar concreta e do seu anseio por maior liberdade junto aos seus, revelam-se importantes em suas vidas. Com este estudo, vislumbramos possibilidades de contribuir para a construção de políticas públicas e programas de atendimento mais próximos da realidade sócio- familiar dos adolescentes que estão em conflito com a lei e, dessa forma, favorecer o seu acesso ao estatuto de sujeitos de direitos.
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Um dos desafios da questão social: adolescentes em cumprimento de medida sócioeducativa em Araraquara-SP

Um dos desafios da questão social: adolescentes em cumprimento de medida sócioeducativa em Araraquara-SP

8- O Estado está calcado em uma ideologia dominante que mantém e reproduz o poder e as diferentes formas de violência, reforçando a relação simbólica entre dominantes e dominados. Esta ideologia, que reproduz a violência, cria e recria formas de controle social para manutenção do “status quo” das elites. Após a mobilização social de grande alcance surgem novas legislações sociais que colocam a proteção integral ao adolescente como pressuposto do direito. Surgem as medidas sócio-educativas propondo inovações sociais e pedagógicas no atendimento ao adolescente em conflito com a lei. Porém, as estruturas sociais permanecem com as mesmas formas e os mesmos paradigmas. A reforma do Estado não permite que a legislação avance e as medidas sócio-educativas apresentam dificuldades no acesso as políticas públicas e na garantia dos direitos. O ciclo de perversidade se consolida em decorrência da questão social e de vulnerabilidades instaladas na família, na adolescência, na escola, no trabalho. Este ciclo pode se repetir, a qualquer momento, especialmente se o adolescente cumprir medidas de privação de liberdade, quando o estigma se solidifica e cristaliza. 9- A exclusão social não pode ser desconstruída se analisarmos a sua gênese que
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A Escola e o Adolescente sob medida sócio-educativa em Meio Aberto

A Escola e o Adolescente sob medida sócio-educativa em Meio Aberto

O primeiro passo é compreender quem é este aluno, não o resumindo ao ato infracional cometido, ou mesmo compreendendo o fato como uma patologia do adolescente. Segundo uma pesquisa realizada pela Fundação Telefônica 4 com adolescentes sob Liberdade Assistida do Estado de São Paulo, ficou evidente que um cotidiano marcado pela violência e exclusão aparece reiteradamente nos dados apresentados; 34% dos adolescentes entrevistados têm familiares presos, 85% já foram pelo menos apreendidos, 40% afirmaram serem viciados em algum tipo de droga ilícita. Do universo dos egressos não entrevistados, 5% estão mortos e 27% presos no sistema prisional. Quase 70% estão fora da escola e 65% sem trabalho. É salutar ponderar que não são apenas os adolescentes pobres, negros, moradores de aglomerados que cometem atos infracionais, entretanto, por razões que não são foco direto deste trabalho, a maioria absoluta dos adolescentes que estão cumprindo algum tipo de medida sócio- educativa apresentam este perfil.
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Serviço de proteção social a adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de liberdade assistida (LA) e de prestação de serviço à comunidade (PSC): um estudo sobre sua contribuição para o contexto social dos socioeducandos

Serviço de proteção social a adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de liberdade assistida (LA) e de prestação de serviço à comunidade (PSC): um estudo sobre sua contribuição para o contexto social dos socioeducandos

Esse entendimento que iremos buscar segue a linha de análise e referência utilizada até então, ou seja, uma “compreensão dialética das relações sociais, nas quais os sujeitos produzem e reproduzem valores, comportamentos e atitudes como forma de dar significado a sua existência” (VOLPI, 1999, p. 53). É necessário que se faça uma relação entre os aspectos sociais e a prática do ato infracional, o que não significa, porém, que esse entendimento seja sinônimo de justificativa para o cometimento de atos que infringem as leis nem de impunidade como muito se dissemina no chamado senso comum e na grande mídia, mas através de uma análise crítica é possível estabelecer essa relação que deve ser levada em consideração nesta discussão. São adolescentes em situação de pobreza os quais são negligenciadas suas necessidades e com seus direitos sociais violados, são vistos como ameaça à sociedade burguesa.
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Ato infracional e medida socioeducativa: representações de adolescentes em L.A..

Ato infracional e medida socioeducativa: representações de adolescentes em L.A..

em Liberdade Assistida, sendo que, no primeiro quadrante, as palavras consideradas mais signiicativas (componentes do núcleo central), foram aprendizagem, atividades, educação e mudança. De modo geral, as palavras apresentadas nesse primeiro quadrante possuem um cunho positivo. Nesse sentido, ao se analisar as palavras aprendizagem, atividades e educação, nota-se que as medidas socioeducativas podem estar relacionadas àquilo que esses adolescentes adquirem durante o cumprimento da medida, ou seja, a oportunidade de aprender algo, fazer atividades e manter contato com um tipo de educação, que não é, necessariamente, a educação formal da escola. A valoração positiva atribuída à medida socioeducativa pelos adolescentes entrevistados também pode ser conirmada por outros estudos que demonstram as experiências bem-sucedidas de Programas de Liberdade Assistida (Costa, 2005; Francischini & Campos, 2005; Passamani & Rosa, 2009).
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Adolescentes e deliquência : um olhar oximorônico sobre a aplicação da medida sócio-educativa de privação de liberdade em São Luís.

Adolescentes e deliquência : um olhar oximorônico sobre a aplicação da medida sócio-educativa de privação de liberdade em São Luís.

É importante considerar que nem sempre o comportamento desviado é indicador de falha na aprendizagem da norma, ou da internalização do seu valor, ou ainda que a sanção para aquela conduta discrepante inexista, é fraca ou provavelmente não ocorrerá. Nessa situação fica importante investigar se o comportamento do adolescente, lido como desviado, esteja ocorrendo em consonância com um subgrupo, ao qual ele esteja vinculando-se, que possui padrão divergente às normas da família e escola e que, naquele contexto, esteja exercendo maior força como referência para ele, influenciando suas representações de si e auto-estima, embasando suas opiniões, aspirações, atitudes e perspectivas de vida (ROSA, 1978; MACDAVID & HARARI, 1980; LANE E SEARS apud LAKATOS, 1999). Assim, o grafiteiro e o pichador, podem ser vistos na escola e na família como 'errado', mas em seu grupo esses comportamentos são valorizados, reconhecidos, admirados, assegurando poder e pertencimento, como diz Maffesoli (2000, p. 130), “O fato de partilhar um hábito, uma ideologia, um ideal determina o estar junto, e permite que este seja uma proteção contra a imposição, venha ela do lado que vier”.
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Proposta de Utilização de Mandala Educativa como Contribuição da Psicopedagogia para o Processo de Ensino e Aprendizagem em Medida Sócio Educativa de Liberdade Assistida

Proposta de Utilização de Mandala Educativa como Contribuição da Psicopedagogia para o Processo de Ensino e Aprendizagem em Medida Sócio Educativa de Liberdade Assistida

Quando o adolescente entra em conflito com a lei, a MSELA pode apoia-lo na convivência coletiva, desde que haja consistente apoio emocional, suporte material, orientação psicopedagogica e, acima de tudo, capacidade de acolhimento. Faleiros (2006) complementa que é preciso o é formar profissionais para atuar na defesa dos direitos de crianças e adolescentes em situações de violência física, psicológica negligência, abandono, abuso sexual, exploração do trabalho infantil, exploração sexual comercial e tráfico para esses fins, em uma perspectiva preventiva.
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A MEDIDA SÓCIO-EDUCATIVA DE LIBERDADE ASSISTIDA: UM ESTUDO SOBRE A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DOS ADOLESCENTES ATENDIDOS PELO PROGRAMA LIBERDADE ASSISTIDA DO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ

A MEDIDA SÓCIO-EDUCATIVA DE LIBERDADE ASSISTIDA: UM ESTUDO SOBRE A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DOS ADOLESCENTES ATENDIDOS PELO PROGRAMA LIBERDADE ASSISTIDA DO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ

Assim, o presente trabalho busca analisar a representação social dos adolescentes inseridos no Programa Liberdade Assistida do município de São José, sobre a medida sócio- educativa de L[r]

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As tecnologias de reprodução assistida e as representações sociais de filho biológico.

As tecnologias de reprodução assistida e as representações sociais de filho biológico.

As respostas dos entrevistados referentes ao signifi- cado da maternidade e da paternidade remetem aos padrões tradicionais. A maternidade foi citada como algo mais envolvente do que a paternidade, em que “a mulher se dá para os filhos” (Beto). Foi considerada também como “uma realização para a mulher” (Carmem) e uma dádiva que só a mulher pode ter. Além disso, ela seria muito importante para a mulher “porque sai de dentro dela” (Clóvis) e, de acordo com Beto, os filhos têm mais importância para a mulher do que para o homem. A maternidade apareceu, na maioria das entre- vistas, como parte da estrutura identitária das mulheres, isto é, à medida que elas se tornam mães, elas se tornam “intei- ras”, “completas”, o que é exemplificado pelas diferenças que Antônio aponta entre paternidade e maternidade. Ao referir- se à paternidade, enfatizou o lúdico e a aprendizagem que a convivência com o filho propicia. Quanto à maternidade, ex- plicou que ela proporciona “um crescimento e amadureci- mento” para a mulher. Nesse sentido, parece que a formação feminina passa necessariamente pela maternidade.
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Compreensão psicológica de adolescentes em conflito com a lei, em cumprimento de medida socioeducativa de internação

Compreensão psicológica de adolescentes em conflito com a lei, em cumprimento de medida socioeducativa de internação

A primeira etapa compreendeu os primórdios do século XIX até a primeira década do século XX, na qual os menores de idade eram considerados e tratados da mesma forma que os adultos e as normas de reclusão daqueles eram fixadas quase no mesmo tempo destes, ficando, ademais, recolhidos todos no mesmo espaço. Um segundo momento origina-se nos EUA, no início do século XX, e se espalha pelo mundo e pela América Latina. Naquele momento se preconizou a cultura de judicialização dos conflitos sociais, ou seja, para cada patologia social deveria haver uma arquitetura específica de segregação. Assim, a separação entre adultos e menores foi o marco desse período.
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A reinserção social do adolescente autor de ato infracional através da medida socioeducativa de liberdade assistida

A reinserção social do adolescente autor de ato infracional através da medida socioeducativa de liberdade assistida

Assim, considerando as peculiaridades da me- dida de liberdade assistida, não restam dúvidas de que ela seja uma medida de verdadeiro caráter pe- dagógico, porém necessita, para sua concretude, de estrutura adequada e de um comprometimento maior da sociedade e Poder Público para que, efetivamente, ofereça-se ao adolescente a possibilidade de reinser- ção social, acompanhando seu convívio familiar, es- colar e na sociedade, além de incluí-lo em programas que auxiliem na sua formação pessoal.

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Projetos de Vida e Relações Interpessoais de Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Internação

Projetos de Vida e Relações Interpessoais de Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Internação

Foi somente com o advento da Doutrina da Proteção Integral, vigente atualmente, que às crianças e adolescentes foi atribuída uma responsabilidade por atos infracionais, não mais de caráter antissocial, mas criminal. A infração, e não a situação irregular, passou a se configurar como fator introdutório dos adolescentes no sistema judicial, destacando-se ainda os amplos direitos às garantias processuais e penais (Sartório & Rosa, 2010). Nesse sentindo, crianças com até 12 anos incompletos autoras de atos infracionais são atendidas mediante aplicação de medidas protetivas pelos Conselhos Tutelares (Estatuto da Criança e do Adolescente [ECRIAD], 1990, Art. n. 105), enquanto que adolescentes entre 12 e 18 anos incompletos cumprem MSE que visam simultaneamente: 1) a responsabilização quanto às consequências lesivas do ato infracional; 2) a inclusão social e garantia de direitos dos adolescentes; e 3) a desaprovação da conduta infracional (Lei Federal nº 12.594, 2012). Existem seis tipos de MSE (ECRIAD, 1990, Art. n. 112), que em ordem de gravidade são: advertência; obrigação de reparar o dano; prestação de serviço à comunidade; liberdade assistida; inserção em regime de semiliberdade; e internação em estabelecimento educacional. O presente trabalho se propõe a investigar esta última, entendida como “medida privativa da liberdade, sujeita aos princípios da brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoas em desenvolvimento” (ECRIAD, 1990, Art. n. 121).
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Rede social de adolescentes em liberdade assistida na perspectiva da saúde pública.

Rede social de adolescentes em liberdade assistida na perspectiva da saúde pública.

Ressalta-se que o modelo de redes sociais dos adolescentes em LA ainda permite reflexões sobre práticas, sobretudo na área da saúde, não referidas pelos adolescentes como elemento de suas redes. Nesse sentido, as equipes da atenção primária po- dem, por exemplo, com base na compreensão do cuidado inte- gral à saúde, pensar estratégias de acolhimento e acessibilidade aos serviços para esse público. Ações diretas, como oficinas e grupos de convivência nas unidades, também favorecem a gê- nese do sentimento de pertencimento comunitário, a adoção de hábitos de vida saudáveis e mudanças de projetos de vida. Esse novo paradigma desafia as lógicas de organização dos serviços, a formação dos profissionais e os modelos de atenção episódi- ca, apenas quando existe demanda clínica específica. Em outra direção, as políticas públicas também devem favorecer a inter- locução entre as diferentes áreas para que o cuidado seja ope- racionalizado sob perspectivas diversas, reunindo profissionais da saúde, educação e assistência social. Isso seria facilitado se a lógica das redes prevalecesse também na organização dos servi- ços e as informações fossem compartilhadas.
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Análise do perfil socioeconômico das adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação no Distrito Federal

Análise do perfil socioeconômico das adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação no Distrito Federal

Esta pesquisa tem por objetivo analisar o perfil socioeconômico das adolescentes que cumprem medida socioeducativa de internação no Distrito Federal. A metodologia adotada para a pesquisa foi análise documental dos dossiês das adolescentes. Até maio de 2013 havia 11 adolescentes cumprindo medida de internação estrita na Unidade de Internação do Recanto das Emas (UNIRE), que é a única unidade de internação no DF com espaço designado às adolescentes que cumprem internação estrita e provisória. Entre os documentos analisados estão: relatórios encaminhados ao Judiciário, Plano Individual de Atendimento (PIA), relatórios técnicos encaminhamentos para serviços de atendimento, cópias de documentos pessoais, ocorrências disciplinares das adolescentes, autorizações de saída, autorizações de visitantes para as adolescentes, ofícios do TJDFT, sentença judicial e representação do Ministério Público, entre outros. A análise de dados se deu com o objetivo de levantar informações sobre o ato infracional cometido pelas adolescentes, tempo de cumprimento da medida, idade, dados de renda familiar, informações sobre educação e saúde das adolescentes e suas famílias. Com a análise dos dados demonstrou-se que a maioria das adolescentes tem idade entre 15 e 17 anos (54%); 27% das adolescentes tem idade entre 18 e 19 anos e 18% tem entre 13 e 14 anos. Quanto a renda per capita das famílias das adolescentes verificou-se que as com renda de até 1/2 (meio) salário mínimo representam 73% do total das famílias. Verificou-se ainda que 63% das adolescentes possuem um parente que cumpre pena no regime fechado, ou cumpre medida de internação no sistema socioeducativo. Apenas uma das adolescentes internadas estudava antes de iniciar o cumprimento da medida e todas as adolescentes que não estudavam não chegaram a concluir o ensino fundamental. Segundo os registros todas as adolescentes já fizeram uso de algum tipo de droga lícita ou ilícita, e do total de adolescentes, 9 (nove) já fizeram uso de drogas ilícitas. Com uma análise mais aprofundada das trajetórias das adolescentes demonstrou-se que a maioria delas vivencia situações de violações de direitos. Assim, para as adolescentes em cumprimento da medida socioeducativa de internação maior do que a necessidade de estabelecer um novo projeto de vida que contemple o afastamento do contexto infracional, é a de estabelecer estratégias coletivas da garantia de sua cidadania capaz de superar sua trajetória marcada pela violação de direitos.
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ENCONTROS-NARRATIVAS na Cidade-internação:
vidas Contadas Por Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa

ENCONTROS-NARRATIVAS na Cidade-internação: vidas Contadas Por Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa

Esta pesquisa realizou-se no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Estado do Espírito Santo – IASES – órgão responsável pela aplicação das medidas socioeducativas aos adolescentes que praticam atos infracionais. Teve como foco a medida de Internação cumprida na Unidade de Internação Social – UNIS. Conforme disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECRIAD) e no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), tais medidas devem promover práticas pautadas no eixo pedagógico (educativo) e não no eixo sancionatório (punitivo). A pesquisa em tela, junto aos adolescentes no cotidiano da unidade de internação, revelou a multiplicidade das relações, das práticas, dos fios que tecem o atendimento socioeducativo, impondo a necessidade de ferramentas metodológicas que possibilitassem evidenciar tal variação de composições, como as micro-relações e os micro-enfrentamentos travados neste contexto. O diário de campo, produzido ao longo de nossa inserção enquanto trabalhadoras e pesquisadoras; a técnica da narrativa como potência; os encontros e suas afetações foram nossas apostas ético-políticas, que possibilitaram entender as práticas, os modos de funcionamento da instituição e as relações de saber/poder ali evidenciadas. Perseguimos, nos encontros-narrativas, com os adolescentes e no mergulhar no campo, não a trilha marcada pelo sistema, mas sim andar por outras trilhas possíveis. Priorizamos encontrar desvios, escapes ao controle, a produção de alianças e de novas formas de ser e estar no mundo. Os contos-narrativas são frutos do encontro. São modos de contar que deixam ver as miudezas das vidas contadas e as histórias vividas.
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A instrumentalização do paradigma da proteção especial da criança e do adolescente na aplicação de medida sócio-educativa

A instrumentalização do paradigma da proteção especial da criança e do adolescente na aplicação de medida sócio-educativa

O paradigma da proteção especial decorre de um processo complexo de transformações sociais, históricas e jurídicas gerando novos conceitos e princípios no âmbito da ciência do Direito. Construído através de uma perspectiva humanitária e constitucional eleva a criança e o adolescente à condição de sujeitos de direitos e garantias fundamentais, estabelecendo o modelo garantista como norte para os atores jurídicos quando da apuração da prática de ato infracional. No intuito de observar a forma como este paradigma é instrumentalizado quando do processamento e julgamento de adolescentes representados pela prática de ato infracional, partiu-se dos fundamentos teóricos para a investigação empírica. A pesquisa foi realizada através da análise crítica das sentenças proferidas pelos juízes dos Juizados Regionais da Infância e da Juventude de Porto Alegre no ano de 2007. Constatou-se a predominância de um discurso punitivo, com a relativização das garantias fundamentais sob a justificativa de uma finalidade pedagógica e ressocializadora da medida sócio-educativa, que não se mostra democrática e aniquila a autonomia do adolescente ao pretender, ainda que na melhor das intenções, modificá-lo, melhorá-lo, enfim, normalizá-lo.
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