Top PDF Roland Barthes e seus primeiros toques de delicadeza minimalista: sobre O grau zero da escritura.

Roland Barthes e seus primeiros toques de delicadeza minimalista: sobre O grau zero da escritura.

Roland Barthes e seus primeiros toques de delicadeza minimalista: sobre O grau zero da escritura.

Sem fazer a nuança do português entre a escrita e a escritu- ra, a língua francesa designa muitos sentidos à “écriture”: a lingua- gem em sua representação gráfica, a arte de escrever, o documento lavrado em cartório, o conjunto dos livros da Bíblia. Temos aí um único significante e variações de graus da escrita enquanto sacra- mentada. O que explica que Roland Barthes tenha recorrido a es- sa palavra – a que não mais deixaria de voltar, o que já nos revela algo sobre sua constância –, quando precisou de uma para distin- guir entre a língua comum de que parte todo escritor, uma velha literatura exaurida cujos protocolos já não lhe pareciam mais va- ler, e uma nova forma, na verdade, quase improvável, a imprimir- -se contra a tela de bastidor desse fundo saturado. É essa terceira, definida no negativo, já que em função de sua extrema tensão com a literatura, que Barthes vai chamar “écriture” – e nós, brasileiros, de “escrita” ou “escritura”, segundo as preferências tradutórias, os- cilantes em nosso mundo editorial –, encarregando-a de represen- tar toda a literatura moderna, em seu movimento suspensivo. “A escritura – lemos logo na abertura de O grau zero da escritura – é um modo de pensar a literatura, não de estendê-la.” *
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Entre o neutro e o Grau zero da Escritura: A utopia da linguagem em Roland Barthes

Entre o neutro e o Grau zero da Escritura: A utopia da linguagem em Roland Barthes

O presente artigo tem como objetivo discutir a concepção da utopia de linguagem em Roland Barthes, bem como sua relação com a noção de Grau zero e Neutro, noções que fazem referência a fenômenos linguísticos que rompem com a estrutura paradigmática e binária da língua. Para tanto, a reflexão sobre a utopia da linguagem em Roland Barthes busca compreender em que medida o autor francês entende forma como valor, vinculando a seu projeto estético uma dimensão ética e política. Nesse percurso, discute-se como Barthes compreende a utopia da linguagem enquanto possibilidade de resistência ao caráter fascista da língua em O grau zero da escrita, O prazer do texto, O rumor da língua, O neutro e Aula. Além disso, comenta-se as relações de sentido possíveis feitas entre O grau zero da escritura e O neutro à luz de comentadores da obra barthesiana que estudam a concepção de linguagem proposta por Barthes, a saber: Jean-Claude Milner, Bernard Comment, Rodrigo Fontanari e Leda Tenório da Mota.
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Roland Barthes ou as visões de Hildegarda

Roland Barthes ou as visões de Hildegarda

Barthes é um dos grandes semiólogos do século XX. Sendo um estudioso dos sinais, enquanto crítico utiliza-se da linguística como instrumento fornecedor de modelos interpretativos. Interessa-lhe a “letra” tanto na sua materialidade, quanto no seu sentido simbólico. É na articulação das letras dentro das palavras, na constituição do texto e do discurso que procurará o(s) sentido(s). No livro onde estão os textos sobre Cy Twombly, por sinal, alguns ensaios denotam já no título esta estratégia: “O espírito da letra”, “Erté ou ao pé da Letra”. E um dos exemplos mais claros sobre a letra como atomização do sentido está na análise que fez noutra ocasião da novela de Balzac Serrrazin, onde a tensão entre S e o Z resumem semioticamente a questão não apenas onomástica – o S/Z dentro do nome de Serrazin, mas a identidade e o hermafroditismo do/da personagem. Só um crítico tantalizado pela letra e pelo “grau zero da escritura” teria olhos para ver na obra de Cy o que Barthes viu. Barthes, neste sentido, pertence a essa geração de semiólogos que, a partir de Saussure (um dos criadores da semiologia), reinventaram os estudos nas ciências humanas e sociais. Nos anos 40, 50, 60 e 70 a linguística era chamada orgulhosamente de “o carro-chefe” das ciências humanas e sociais. Por isto, ela tomou a dianteira e conheceu, acadêmica e editorialmente, o seu apogeu. A entrada em cena
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Sylvia Plath e Roland Barthes: fragmentos de um diário amoroso

Sylvia Plath e Roland Barthes: fragmentos de um diário amoroso

Por isso a escolha dos diários – que foram mantidos por longos anos - como objeto principal dessa discussão, nos quais estão documentadas sensações dessa procura inces- sante pela obra. Em diversas passagens a autora fala sobre a importância da escrita, de se tornar uma escritora re- conhecida e publicada e também da necessidade de escre- ver. Também em outros trechos ela destaca a importân- cia do diário como instrumento necessário à própria vida: “Suponho que o simples fato de eu ser capaz de escrever aqui, segurando a caneta, prove minha capacidade de se- guir vivendo”. 8
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Espaço e poesia na comunicação em meio digital

Espaço e poesia na comunicação em meio digital

É fácil aceitar as colocações de Foucault quando se considera, por um lado, a demanda de um pensamento consolidado que acalentasse a necessidade de certezas do homem medieval e, por outro, a busca do homem moderno de entender o que, até então, era considerado imensurável. Na verdade, a busca do homem moderno coincide com a perda das certezas trazidas pelas mudanças quando da passagem da Idade Média para a Idade Moderna. Uma vez que o espaço não se encontra mais restrito sob a égide das certezas, o mecanismo buscado para, de algum modo, reaver o equilíbrio, foi conhecer melhor esse entorno. Talvez por isso, justamente nesse momento ocorre o movimento da globalização que é representada pelo anseio de ampliar o domínio sobre o espaço. Ora, não foi esse um dos principais objetivos das chamadas Grandes Navegações? Uma vez que o entorno não significa mais proteção (tendo em vista as descobertas científicas), ao invés de esperar segurança do externo, a opção encontrada foi desbravá-lo e fazer das leis humanas, de alguma forma, as leis do espaço. Não é sem razão que, nesse momento, o humano se encontra em posição de destaque nas artes e no pensamento, de um modo geral.
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PRÁTICAS DE GESTÃO ESTRATÉGICA E SEUS EFEITOS NO SUCESSO ESCOLAR: O ESTUDO DE CASO DE UMA ESCOLA DA REGIONAL CENTRO SUL FLUMINENSE

PRÁTICAS DE GESTÃO ESTRATÉGICA E SEUS EFEITOS NO SUCESSO ESCOLAR: O ESTUDO DE CASO DE UMA ESCOLA DA REGIONAL CENTRO SUL FLUMINENSE

Esta dissertação buscou analisar as práticas gestoras do Colégio Estadual Ministro Raul Fernandes que possam ter contribuído para a melhoria de seus resultados, representados pelos indicadores de IDEB e IDERJ, no período de 2011 a 2013, o colégio está situado na Regional Centro Sul, com sede na cidade de Vassouras no Estado do Rio de Janeiro e está sob a jurisdição Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro. O texto está organizado em três capítulos. No primeiro capítulo é apresentado o cenário da unidade escolar, seus resultados internos e externos, analisados a partir do panorama nacional, estadual, regional e municipal, além das estratégias implantadas pela Secretaria Estadual de Educação visando à melhoria dos indicadores educacionais, e as ações da escola para alcance dos resultados apresentados. Considerando a pesquisa de campo, pesquisa documental e bibliográfica, no segundo capítulo, será realizada uma análise crítica e reflexiva sobre práticas de gestão estratégica e sucesso escolar a partir de Farias (2012), Lück (2009), Ferreira (2009), Ribeiro (2011), Carvalho (2010), Soares (2012) e a entrevista com roteiro semiestruturado articulará os dados apresentados e a teoria estudada, buscando as práticas e ações desenvolvidas pela escola que possam ter contribuído para o alcance de seus resultados. Após apresentação e análise dos resultados internos e externos da escola, tabulação dos dados coletados na pesquisa de campo e identificação das práticas gestoras que possam ter contribuído com os bons resultados, no terceiro capítulo, é apresentado o Plano de Ação Educacional, com a proposta de padronizar práticas exitosas para a unidade escolar e compartilhar possibilidades de ações bem sucedidas com as outras unidades escolares da Diretoria Regional Pedagógica, visando à troca de experiência.
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Barthes, Lucia e eu: conversa em torno dos caminhos

Barthes, Lucia e eu: conversa em torno dos caminhos

presença dele, eram duas coisas: o quanto ele era discreto e a delicadeza. Dizem que Barthes era de uma delicadeza impressionante. Quando ele se dirigia ao outro… Quando ele escutava… Isso é muito legal, não é? Pensar que um cara consegue falar para uma pequena multidão nesse pon- to. O que não era, absolutamente, o caso de Lacan (risos). Lacan não tem nada de delicado (risos). Ele é engraçado… doido… Mas delicado, não. E Barthes conseguiu manter aquilo tudo no ponto do sujeito discreto e da delicadeza. Isso é muito interessante, não é, João? Eu sempre falo com os alunos, quando vão dar alguma aula e ficam tímidos, você já deve ter ouvido isso, que este é o sentido de uma aula expositiva: quem se expõe é o professor. Se há uma coisa que acontece com o professor, ali, quando ele vai to- mando certa intimidade com uma turma, é uma exposição. E ele, Barthes, nunca resvala na exposição… Ele tem uma elegância… E uma delicadeza… Isso é impressionante! E eu acho que o texto dele é isso. Você pega lá o Incidentes, por exemplo. Todo mundo, depois de Roland Barthes par Roland Barthes, esperando que, finalmente, nesse livro de memórias de Barthes, ele contaria tudo. E conta, mas da- quele jeito. Não resvala nada. Todo mundo sabe o que ele ia fazer no Marrocos, com quem ele ia encontrar… Mas não resvala. Blanchot também tem isso, mas à custa de um certo mistério que ele cria no próprio texto e também em torno da sua figura. Barthes é sem mistério.
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Do triângulo literário à república das letras: os prefácios rumorejantes

Do triângulo literário à república das letras: os prefácios rumorejantes

A partir de leituras clássicas sobre a hierarquização da interpretação e a república das letras, este ensaio propõe, com base na ideia de rumor da língua, de Roland Barthes (1988), uma reflexão desconstrutora acerca da interpretação, em dois prefácios do século XIX, um de Oscar Wilde e outro de Machado de Assis. A hipótese de leitura é que, ao ruminarem a questão da interpretação oitocentista e rumorejarem a desconstrução, esses prefácios discutem o caráter inconclusivo da própria interpretação. Para tanto, apresentaremos uma discussão com base nos prefácios de The picture of Dorian Gray e Papéis avulsos. Do ponto de vista literário, eles serão lidos como proposições críticas da cultura ocidental. Diferentemente do historiador caranguejo, supomos que não criticam “para trás”. A revisão seria uma espécie de passo atrás em relação às doutrinas estéticas disponíveis à época. É como se tais prefácios dialogassem com a máxima jocosa de Friedrich Nietzsche (2006, p. 15): “(...) sacudir uma seriedade que se tornou demasiado opressiva para nós. ” Lidos daí os prefácios tornam-se rumorejantes por suscitarem ruídos entre o emissor, a mensagem e o receptor, porque
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PRÁTICAS DE GESTÃO ESCOLAR E SEUS REFLEXOS NO DESEMPENHO DE UMA ESCOLA PÚBLICA: O CASO DA ESCOLA ESTADUAL JOSÉ AMÉRICO BARBOSA – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

PRÁTICAS DE GESTÃO ESCOLAR E SEUS REFLEXOS NO DESEMPENHO DE UMA ESCOLA PÚBLICA: O CASO DA ESCOLA ESTADUAL JOSÉ AMÉRICO BARBOSA – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

Justificativa: Educar para higiene corporal visa buscar uma prática participativa de modo que as orientações para os alunos sejam coerentes com a linguagem do próprio corpo e de sua realidade, facilitando a apropriação do conhecimento científico a respeito de si mesmo, sobre as condições de vida do lugar onde vive e a importância de colocar em prática certos hábitos que contribuirão decisivamente para o cuidado com ele e o local onde mora. Quando o aluno percebe que estes hábitos o ajudam a viver melhor, sem dúvida alguma ele estará motivado a colocá-los em prática com regularidade. Isso faz com que o educador seja o mediador, renovando e incentivando o interesse em se praticar corretamente os hábitos de higiene. Muitas vezes, nós, educadores, percebemos certo desconforto em nossos alunos, provocando até mesmo um baixo índice de rendimento escolar e autoestima. É neste momento que devemos esclarecer e estimular os alunos, propondo uma tomada de consciência no que diz respeito à saúde, à limpeza corporal, à postura em sala de aula, na escola e na comunidade. Ser saudável é também estabelecer bons hábitos e compreender que o nosso corpo merece um carinho especial, e que esse tratamento nos traz benefícios.
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A crítica-escritura de Blanchot, Butor e Barthes

A crítica-escritura de Blanchot, Butor e Barthes

No estudo de Perrone-Moisés, a obra barthesiana em análise é S/Z, em que Barthes comenta a narrativa Sarrasine, de Balzac. Essa leitura poderia se estender pelos demais livros de Barthes, uma vez que a autora estuda/comenta as peculiaridades da críti- ca-escritura barthesiana, que são inerentes aos demais estudos do crítico, como, por exemplo: o trabalho intertextual, no qual Barthes inicia um trabalho de fusão entre o objeto analisado e a sua escrita, transformando-os em escritura (linguagem plural/produtiva); a avaliação, que se inicia desde a escolha da obra até a sua análise subjetiva dentro do corpo da escritura, e que somente pode ser avaliada/estudada em termos de escritura ou dentro do espaço da escritura, jamais analisada por elementos extra-escritura; a bri- colagem (prática das relações), que faz de pedaços de outros textos um quebra-cabeça textual que encontra na escrita barthesiana a sua coerência; a disseminação, que se refere à produção de sentidos dos textos barthesianos, devido à prática da escritura que envolve esses textos (escritura = produção, logo, leitura = disseminação = produção de outros textos); o erotismo: somente sabe trabalhar a linguagem quem a entende como um corpo pulsante, desejoso de carícias e de complementações; e a suspensão, a obra nunca está totalmente decifrada, pois não é decifrável completamente, permanecendo ausente e silenciosa.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CAED - CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CAED - CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA

O presente trabalho tem como objetivo analisar a implementação do Programa de Recuperação Paralela, entre os anos de 2009 e 2012, em duas escolas rurais deEnsino Fundamental I, sendo vinculada uma à outra, situadas na cidade de Limeira, estado de São Paulo. A finalidade desse programa é recuperar a defasagem de aprendizagem dos alunos, evitando tanto a promoção automática sem a efetiva aquisição dos conhecimentos desejáveis a cada ano de escolaridade, quanto à reprovação no final dos ciclos, constituindo-se em uma estratégia importante para superar os desafios educacionais relacionados ao fracasso escolar.Para tanto, fez-se necessário verificar a ação dos atores envolvidos na prática, identificar quais os fatores relacionados à gestão se configuram como entraves ao Programa no que se relaciona à legítima qualidade da recuperação da aprendizagem dos alunos, além de investigar os efeitos sobre o seu desempenho. A intenção, a partir das informações investigadas, foi elaborar uma proposta de intervenção para aperfeiçoamento e monitoramento do Programa nas respectivas unidades escolares, visando à melhoria do processo de recuperação de aprendizagem, visto que os resultados das avaliações externas apresentaram declínio das médias nos anos pesquisados. O referencial metodológico para a coleta de dados pautou-se na abordagem qualitativa e quantitativa, sendo utilizados documentos oficiais normatizadores e reguladores referentes ao Programa de Recuperação Paralela, assim como registros intraescolares. Como instrumentos de pesquisa foram utilizados questionários com os professores da classe regular e entrevistas semiestruturadas com o professor da classe de recuperação paralela, professor coordenador pedagógico e vice-diretor. O embasamento teórico desta pesquisa tem como autores principais Heloísa Luck eThelma Polon, que abordam a temática das ações gestoras relacionadas ao monitoramento do desempenho dos alunos, Danilo Gandin eAraujo, que retratam a importância do planejamento participativo, visando ao trabalho colaborativo. Ainda, foram utilizados os estudos de Isabel Alarcão eJosé Carlos Libâneo naquilo que se relaciona à formação continuada inserida no contexto escolar. O resultado da pesquisa demonstrou que as ações dos atores envolvidos, especialmente do gestor escolar, denunciam a falta de planejamento organizado de forma participativa, sobre a perspectiva da cultura colaborativae a ausência de efetivo monitoramento do desempenho discente e de ações de formação continuada dentro do contexto escolar, o que requer desenvolvimento de ações que revertam a situação identificada e possibilitem maior eficiência e eficácia do Programa de Recuperação Paralela.
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Lição crítica: Roland Barthes e a semiologia do impasse.

Lição crítica: Roland Barthes e a semiologia do impasse.

Possivelmente, o sentido acontece mediante tal paixão; o sentido é uma verdade de palavras. Eis o efeito ontológico desencadeado por uma operação semântica, cuja verdade é a de uma identificação entre o sujeito crítico, seu objeto de es- tudo/desejo e sua linguagem. E todos esses elementos, a lin- guagem especialmente, implicam a História, as diversas his- tórias da qual a História é feita e revista — história da lin- guagem, dos corpos, das idéias, da crítica, da sociedade etc. É por isso que Barthes considera, como vimos, que a valida- de crítica é afim à verdade do crítico e de seu tempo. E o Barthes crítico sabe que sua verdade está menos nos seus objetos de desejo/de estudo que na força que possibilita a identificação do crítico aos objetos (ou vice-versa). A mesma força que, em breve, trata de suspender essa identificação e de deslocá-la para outros objetos, projetando novos e renovados reencon- tros. Sem esse deslocamento, o crítico pode recair em mitolo- gia, em ideologia, em paródia involuntária de si mesmo.
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Política do intervalo (la voie de Roland Barthes)

Política do intervalo (la voie de Roland Barthes)

Agradeço a Verónica Galíndez‐Jorge a amizade, o cuidado e o tempo dedicado à orientação  dessa  pesquisa,  à  generosidade  depositada  num  diálogo  sempre  muito  instigante  e  à  liberdade que me deu para “ensaiar”. Agradeço a Claude Coste a recepção calorosa em Paris  durante  meu  estágio  na  Equipe  Barthes  (ITEM‐ENS)  e  a  confiança  depositada  nessa  jovem  pesquisadora.  Agradeço  a  Marcos  Piason  Natali  a  leitura  sempre  atenta  e  a  imensa  generosidade.  Agradeço  a  Marcos  Antonio  de  Moraes  e  a  Caio  Gagliardi,  professores  tão  queridos  e  leitores  tão  refinados.  Agradeço  a  Cláudia  Amigo  Pino,  barthesiana  criativa,  a  amizade,  as  aulas  divertidas  e  a  parceria.  Agradeço  a  Leda  Tenório  da  Motta  a  intransitividade  e  o  transbordamento.  Agradeço  aos  jovens  e  talentosos  barthesianos  Rodrigo Fontanari, Priscila Pesce de Oliveira, Carolina Bellocchio, Daniella Moraes, Ester Pino  Estivill,  Francesca  Mambelli,  Adrien  Chassain  e  Mathieu  Messager.  Agradeço  a  todos  os  colegas do GELLE, em especial Leda Cartum, Lúcia Ribeiro, Jeferson Ferreira, Paula Frattini e,  sobretudo, Luciana Schoeps, quem me mostrou que a via era essa. Agradeço imensamente a  Irène Fenoglio a partilha de uma rara sensibilidade. Agradeço a Arthur Lamarre por insistir  na  importância  do  contraste  de  cores  nas  masterclasses  de  violoncelo  em  que  fui  sua  tradutora.  Agradeço  a  Alessandra  Odazaki  pela  paixão  compartilhada  por  certos  lieder.  Agradeço  a  Flávio  Rodrigo  Penteado  as  muitas  horas  de  escuta,  os  desvios  pessoanos  em  tardes chuvosas e os livros com que me presenteou ao longo dos anos que vivemos juntos.  Agradeço a Tiago Guilherme Pinheiro a parceria, o afeto, a prosa e, principalmente, por me  ensinar  que  o  que  eu  tinha  pra  dizer  não  estaria  em  todos  os  livros  que  ainda  não  li.  Agradeço  a  Clarisse  Lyra  Simões  a  leveza  de  uma  conversa  que  se  fortalece  a  cada  dia.  Agradeço a Gabriela Soares da Silva e a Rodrigo Lobo Damasceno, também muito queridos.  Agradeço  a  Marília  Garcia  esse  belo  encontro  que  se  constrói  em  nossos  enganos  geográficos.  Agradeço  aos  meus  pais,  José  Alexandre  Bratfisch  e  Regina  Celia  Gonçalves  Bratfisch, o carinho e o apoio irrestrito.  
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Signos do corpo: Réquichot, Barthes e nós, os outros.

Signos do corpo: Réquichot, Barthes e nós, os outros.

Lendo o ensaio de Barthes em torno de Réquichot, po- deríamos designá-lo como uma rosácea de lexias, na medida em que, para tratar essa enigmática arte, o crítico-escritor de O prazer do texto (1973) a recorta não mais em seus elemen- tos articuladores, mas antes nos signos-chave que, segundo a semiologia tutelar, constituem-na. O corpo destruído de Réquichot se projeta, dessa maneira, no texto que recorta a arte, disseminada em signos caleidoscópicos e esparsos.

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Luz preferida: a pulsão da escrita em Maria Gabriela Llansol e Thérèse de Lisieux

Luz preferida: a pulsão da escrita em Maria Gabriela Llansol e Thérèse de Lisieux

incansáveis dos nadas de San Juan de la Cruz. Mas não há de ser nada a morte do pai, a doença demencial do pai, logo nos primeiros tempos do Carmelo? Mas não há de ser nada a vida encarcerada e rígida em uma pequena comunidade religiosa? Mas não há de ser nada a obediência rigorosa de um escrever sincopado com vômitos de sangue? Sim, senhora, escrever com tintura sangüínea, fruto de uma tuberculose, que a exauria aos vinte e poucos anos de idade e que a entregaria à morte aos vinte e quatro. Manchar a folha branca com sangue e aproveitar apenas a tinta dessa pena para não perder o fluxo irrespirável daquela a quem faltará o ar, não seria nada? Sim, senhora, ela escrevia por obediência. Mas obediência a quê, perguntais. Ao nada, podeis pensar, embora de fato tenha sido a Madre Superiora a solicitar aquilo que poderia ser sua carta de morte. Mas também sua carta ao mundo. Sim, porque Teresa não deixou de ser quixotesca ao desejar correr mundo a espalhar uma boa nova; a converter almas; a entregar-se a aventuras missionárias. Não vos esqueçais que ela figura ao lado de Joana D’Arc, em Notre Dame de Paris, em duas peças conventuais e poemas de sua autoria, enfim. Mas não vos esqueçais, senhora, que a pequena via da infância não tem, nem pode ter qualquer pretensão canônica. E apesar disso, doutora. E apesar de doutora, rosas. E apesar do claustro, missioneira. Sim, ela se quis trancada em uma cela, onde poderia viajar melhor. E escreveu. Escreveu em um fluxo-refluxo de imensas insiginificâncias, que abrem sentidos ínfimos ao todo que não existe. Deixou-se levar pela escrita e apesar de. Seu livro, então, cumpriu e cumpre e cumprirá a missão. Abriu caminho e se lançou ao inesperado. Texto: lugar que viaja. E, no entanto, Teresa, presa na cela a cumprir obediência, escrevendo no
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O fragmento, o trágico e o singular: obscenidades do discurso amoroso de Roland Barthes

O fragmento, o trágico e o singular: obscenidades do discurso amoroso de Roland Barthes

A partir da crise das instituições citadas, do desmoronamento de seus alicerces, o espaço “estriado” das mesmas cede passagem ao espaço “liso” da sociedade de controle. A respeito dessa passagem, podemos sinalizar que é “como se, ao cabo da estriagem que o capitalismo soube levar a um ponto de perfeição inigualável, o capital circulante necessariamente recriasse, reconstituísse uma espécie de espaço liso, onde novamente se coloca em jogo o destino dos homens”. 173 Sendo assim, esta nova forma de controle em espaço descerrado atua por meio de complexos de informação e redes de comunicação que são interiorizadas e postas em movimento pelos próprios indivíduos. Os dispositivos aplicados pela sociedade disciplinar não conseguiam adentrar completamente nas consciências e corpos dos indivíduos a ponto de cerceá-los na integridade de suas atividades, pois grande parte das relações de poder era ainda estática. Por outro lado, na sociedade de controle, através de rizomas maleáveis, flutuantes e movediços, o poder do capital transfigura-se, aumenta seu alcance, penetração, intensidade, bem como sua capacidade de captura. Ora, no momento mais avançado de suas formulações sobre o poder, foi justamente para este panorama que Foucault viu a necessidade de se abrir, ou seja, tomar a “liberdade”, o trânsito livre das pessoas como condição sine qua non de existência do poder: “O poder só se exerce sobre ‘sujeitos livres’, enquanto ‘livres’ – entendendo-se por isso sujeitos individuais ou coletivos que têm diante de si um campo de possibilidade onde diversas condutas, diversas reações e diversos modos de comportamento podem acontecer”. 174 Há então uma transformação na própria natureza do poder, que deixa de ser hierárquico e compartimentado para dispersar-se em um rizoma mundial que enlaça a todos os indivíduos. Como coloca Pelbart, “na sociedade de controle, o conjunto da vida é abraçado pelo poder e desenvolvido na sua virtualidade.” 175
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Das ideias de Roland Barthes à teoria do enquadramento: análise de uma cobertura política

Das ideias de Roland Barthes à teoria do enquadramento: análise de uma cobertura política

Esta pesquisa tem como objetivo buscar uma verificação das ideias do semiólogo Roland Barthes para a análise dos meios de comunicação de massa, adotando como método de investigação a análise de enquadramento. Especificamente, a investigação procura identificar os operadores retóricos do mito, descritos em Mitologias, e os elementos da linguagem autoritária – apresentada em Aula – nas narrativas produzidas pela imprensa. Para tanto, foram estudadas reportagens dos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, publicadas na semana subsequente à prisão dos primeiros réus condenados na ação penal 470, decorrente do suposto pagamento de propina a parlamentares no caso conhecido como “mensalão”. Enquadramentos implícitos dos dois periódicos foram encontrados através da análise, por meio da qual foi possível categorizar determinadas propriedades textuais que exemplificam os operadores retóricos do mito. O estudo sugere que muitas das características reveladas na análise são inerentes à produção jornalística – como a omissão da história, que descontextualiza os eventos, que passam a adquirir existência própria – e a quantificação da qualidade, que busca descrever acontecimentos de maneira genérica e quantitativa. Por fim, a pesquisa interpreta que as coberturas dos dois jornais são muito semelhantes e reforçam as figuras da autoridade e das instituições sociais, o que também é característico do jornalismo diário.
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Narrativas do leitor do literário pelo viés da análise progressiva de Roland Barthes

Narrativas do leitor do literário pelo viés da análise progressiva de Roland Barthes

Nosso objetivo foi exemplificar como a metodologia de análise progressiva desenvolvida por Barthes, a partir do conto Sarrasine, de Honoré de Balzac, pode ser utilizada também na análise de narrativas construídas em pesquisas científicas. Partimos do princípio de que pesquisas qualitativas, do campo das Ciências Sociais, sentem a necessidade de metodologias que resguardem a força expressiva contida nas narrativas dos sujeitos de pesquisa. Na Análise Progressiva das Narrativas, não são recortes da fala que são trazidos ao contexto da pesquisa para comprovar a hipótese traçada, pois tudo o que o sujeito de pesquisa narra aponta para uma percepção, um ponto de vista, que se soma a outros tantos para compor um grande mosaico intertextual.
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SILVANA MARIA CAIXÊTA A FORMAÇÃO DE GESTORES DE ESCOLA E O DESENVOLVIMENTO DO PERFIL DA GESTÃO PEDAGÓGICA: O CASO DA SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE ENSINO DE UNAÍMG

SILVANA MARIA CAIXÊTA A FORMAÇÃO DE GESTORES DE ESCOLA E O DESENVOLVIMENTO DO PERFIL DA GESTÃO PEDAGÓGICA: O CASO DA SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE ENSINO DE UNAÍMG

Esta dissertação objetiva investigar de que forma o Progestão contribui para o desenvolvimento do perfil dos gestores a partir da formação oferecida pela Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais, além de verificar as possíveis lacunas frente às exigências de um modelo de gestão pedagógica estratégica. O interesse pelo universo da gestão escolar e a consequente motivação para esse estudo surgiu em meu ambiente de trabalho, atuando como analista educacional e no contato in loco com gestores e profissionais das escolas públicas. O estudo aborda a formação de gestores na SRE Unaí e a dimensão da gestão pedagógica, por meio de um estudo de caso de abordagem qualitativa que envolveu levantamento e análise documental, pesquisa bibliográfica, aplicação de questionário para os gestores das escolas jurisdicionadas à SRE Unaí. Os resultados da pesquisa demonstraram que 50% dos gestores não tinham experiência em gestão antes da nomeação para o cargo de diretor e que 79% avaliaram ser o seu grau de conhecimento sobre as tarefas pedagógicas suficiente. Detectou-se, ainda, que os gestores adquiriram conhecimento e prática intermediária em ensino e aprendizagem, trabalho pedagógico, prática pedagógica e avaliação. Isto posto, a proposta de intervenção desta dissertação foi criar um Programa de Formação Continuada em Gestão Pedagógica para Gestores Escolares com o propósito de buscar o aprofundamento nas temáticas voltadas para a gestão pedagógica.
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A tentação do haikai e a experiência traumática da fotografia em Roland Barthes / The Temptation of Haikai and the Traumatic Experience of Photography in Roland Barthes

A tentação do haikai e a experiência traumática da fotografia em Roland Barthes / The Temptation of Haikai and the Traumatic Experience of Photography in Roland Barthes

Atentemo-nos a essa peça em prosa que é A câmara clara e ao novo estatuto para imagem fotográfica que Roland Barthes acaba por fundar nesse livro: a de que certas imagens – aquelas tidas por ele como pungentes (a isso voltaremos) – podem significar sem necessariamente se deixar apreender pelo discurso verbal que tudo busca reinterpretar. É a partir da indagação da essência – do noema – da fotografia, ou mesmo daquilo que a difere dos outros tipos de imagem, da pintura, do cinema, que deveríamos examinar essas fotos. Tomando muito seriamente as reflexões barthesianas a respeito da fotografia, deparamo-nos com o fragmento 35, no qual o autor relata a razão pela qual a fotografia sempre lhe espantava. Seu espanto nascia do aspecto químico da imagem, pois, embora a arte fotográfica seja devedora da câmara escura dos pintores, foi a descoberta da sensibilidade à luz dos sais de prata, pela Química, que possibilitou o registro e a fixação da imagem. Insistindo bastante no aspecto químico da imagem, Barthes atribui à foto um caráter mágico, uma imagem não produzida pela mão do homem acheiropoietos. Declara assim Barthes: “A Fotografia espanta-me sempre, como um espanto que perdura e se renova inesgotavelmente. Talvez esse espanto, essa teimosia, mergulhe na substância religiosa a que estou afeiçoado”. Tal é o fascínio perturbador que esse tipo de imagem desperta em Roland Barthes que, algumas linhas adiante, nota ainda o autor: “A fotografia tem algo a ver com a ressureição: não se poderá dizer dela o que diziam os Bizantinos da imagem de Cristo de que está impregnado do Sudário de Turim […]”. 24
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