Top PDF Transferência: amor ao saber.

Transferência: amor ao saber.

Transferência: amor ao saber.

Num a célula analítica o que já existe desde sem pre é o am or do sujeito ao saber no Outro, o analista vem ocupar este lugar do Outro que sabe. Nesse ponto pode-se fazer um a outra leitura do am or de transferência, o am or surge com o um a significação no lugar do Outro onde o saber não vem , m as que o sujeito acredita estar, desde sem pre, lá. É a crença na consistência do saber que leva o sujeito a procurar um analista: diga-m e o que o Outro não quis m e revelar. O sujeito recusa-se a que o Outro não saiba, em outras palavras, que falte ao Outro. Prova disso é a presença obstinada do sintom a e da fantasia em fazer do Outro inteiro, tal Alcebíades endereçando seu am or ao saber, suposto consistente, de Sócrates. O desejo do analista estruturalm ente capaz de suportar este sem blante de saber, este sem blante de objeto m aterial, tem o propósito de levar o sujeito, am ante do saber, à sua revelação derradeira: furar o seu saber com o não-saber. Tal é a produção da verdade em psicanálise: ela não é inteira, ela se apresenta m ordida pelo não-saber. A direção da análise leva o sujeito a encontrar a falta no lugar do sujeito suposto saber, aí onde ele supunha o sábio cientista do inconsciente, encontra silêncio. O encontro desse silêncio com o falta na sua relação com o Outro nada m ais é que o encontro do desejo por aquilo que ele é, isto é, o desejo é falta.
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TRANSFERÊNCIA E AMOR: UM ENLACE PELA ÉTICA JÉSSICA CHAER CAIADO

TRANSFERÊNCIA E AMOR: UM ENLACE PELA ÉTICA JÉSSICA CHAER CAIADO

Este trabalho aborda o lugar do psicanalista no manejo do amor de transferência, tomando como vértice de investigação um enlace que só pode ser respondido no campo da ética. Nesse contexto, Freud já alertava para as dificuldades que essa profissão se impõe, não a inviabilizando, mas evidenciando os cuidados desse fazer. O objetivo foi o de pesquisar de que modo e como o analista responde ao apelo do analisante de ser amado. Optou-se por um estudo teórico bibliográfico, com a utilização de textos de Freud e de Lacan ao longo de suas construções teóricas. E de algumas referências secundárias, de comentadores que exploram e esclarecem temas e conceitos aqui contemplados, como a temática da transferência, do amor, da ética e do lugar do analista. Este estudo problematiza o manejo do amor de transferência pelo analista, passando pela questão da centralidade e construção do fenômeno da transferência; uma diferenciação da ética e da moral e, por fim, a relação entre ética e o amor. Conclui-se que existe uma relação da ética com o amor, que abarca a dimensão da ética do desejo, conseguindo assim responder à questão central desse trabalho. A experiência analítica pode ser vista como uma experiência de amor, um convite para a revelação do desejo do analisante, que possui como premissa a ética do analista, que enlaça transferência e amor para que não haja um tamponamento do sujeito desejante.
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Juventudes, afetos e linguagem: o saber discursivo e a formulação de sentidos sobre o amor a partir da fala de jovens acadêmicos

Juventudes, afetos e linguagem: o saber discursivo e a formulação de sentidos sobre o amor a partir da fala de jovens acadêmicos

Objetiva entabular uma discussão em torno do saber discursivo (domínio do interdiscurso) e da formulação de sentidos (domínio do intradiscurso) no que diz respeito ao tema do amor, considerado como objeto do discurso, desde a análise da fala de jovens acadêmicos. Nosso propósito, em outras palavras, é buscar compreender como são construídos sentidos acerca do amor a partir de entrevistas com jovens de dois cursos de graduação da Universidade Federal do Ceará-UFC – graduação em Economia Doméstica e em Letras –, além de delinear uma análise acerca de sentidos constitutivos de uma memória discursiva sobre o amor. Por nos comprometermos com os pressupostos teórico-metodológicos da Análise do Discurso de Linha Francesa, o amor aqui é pensado enquanto resultado de processos históricos de significação que se efetivam no e pelo sujeito falante, por conseguinte, é tomado como um objeto discursivo. Com base nesses pressupostos, trabalhamos com as categorias juventudes, amor e discurso (interdiscurso e intradiscurso). A primeira categoria é pensada à luz de estudiosos como Bourdieu (1983), Abramo (1994), Ariès (1981), Pais (2003; 2005; 2012), Groppo (2000), mais voltados para a área da Sociologia e da Educação, além de pensadores ligados ao campo da História, como Leuchtenburg (1976) e Hobsbawm (1995). O tema do amor é delimitado com base na obra de autores como o historiador suíço Rougemont (2003); nas reflexões dos escritores e ensaístas Paz (1994) e Bruckner (2011); em considerações advogadas por Luhmann (1991) e nas ideias propostas pela historiadora brasileira Del Priore (2012) e por Chauí (1991), além de postulados teóricos propostos pelos sociólogos Giddens (1993) e Bauman (2001; 2004). Ainda no que diz respeito ao tema, fazemos uma imersão em textos de autores consagrados na área da Literatura, sejam os de origem
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TRAÇOS AUTOBIOGRÁFICOS DA TRAJETÓRIA DE INÁCIA SANTOS: NARRATIVAS DE PERSISTÊNCIA EM BUSCA DO SABER E AMOR PELA DOCÊNCIA

TRAÇOS AUTOBIOGRÁFICOS DA TRAJETÓRIA DE INÁCIA SANTOS: NARRATIVAS DE PERSISTÊNCIA EM BUSCA DO SABER E AMOR PELA DOCÊNCIA

Aos 17 anos, dava início a minha trajetória em sala de aula, na alfabeti zação de adultos, o anti go Movimento Brasileiro de Alfabeti zação (MOBRAL). Algum tempo depois, a pedido dos pais da comunidade, passei a alfabeti zar as crianças, que enfrentavam ainda as mesmas difi culdades que eu havia enfrentado. Ou seja, a falta de uma escola para aprender as primeiras letras. Devido a tudo isso, meu pai com o apoio de outros da nossa comunidade, entraram em contato com o prefeito, na época Dario de Araújo Gorgônio, reivindicando a fundação de uma escola e mais, indicava meu nome para ser a professora. O senhor prefeito demonstrou interesse e pediu que fosse feita a relação do número de crianças, enquanto que eu ti nha que comparecer a Secretaria de Educação do município, para me submeter a um teste de capacitação, através do qual fui considerada apta a lecionar na referida escola. Veja que bela coincidência: eu, a menina que antes caminhara quilômetros para cursar as séries iniciais e fi zera o quinto ano primário por meio de um curso radiofônico, agora me era dado por Deus, o privilégio de lecionar para todas aquelas crianças com muito amor e dedicação, sempre buscando um melhor aprimoramento em sala de aula, buscando por meio de todas as fontes possíveis para colocar em práti ca uma metodologia que levasse meus alunos a obter um melhor aprendizado. Apesar da minha pouca experiência, eu já percebia que se meus alunos estavam aprendendo, a metodologia estava certa, do contrário teria que buscar outras formas, novas ferramentas de aprendizagem.
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Amor e paixão como facetas da educação: a relação entre escola e apropriação do saber.

Amor e paixão como facetas da educação: a relação entre escola e apropriação do saber.

A primeira questão que se coloca é por que o ser humano carece do saber, por que o saber é objeto de desejo humano. Ontologicamente, o saber é elemento essencial da práxis humana, desde o cotidiano até esferas de objetivações mais elaboradas e sistematizadas, como a ciência, a filosofia, a política e as artes. Ao buscar meios para realizar fins postos no processo de trabalho, o ser humano necessita conhecer o sistema causal dos objetos, suas qualidades e propriedades, ele precisa desvelar as determinações do objeto a fim de guiar sua ação e o modo específico de transformá-lo. Desta maneira, como mencionado, o ser humano produz um universo de
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A VIDA ETERNA É PARA AQUELE QUE NÃO A PROCURA: A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO

A VIDA ETERNA É PARA AQUELE QUE NÃO A PROCURA: A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO

A crise para os destinatários de Lucas permanece: como ajudar ao próximo igno- rando que assim se estaria seguindo o caminho para a vida eterna? Estaria a consciência tão livre ao ponto de amar independente da herança que o amor ao próximo garante, segundo o ensinamento de Jesus? Estaria a consciência do cristão lucano aberta para compreender que aquele que não professava sua fé poderia se tornar um exemplo a ser seguido naquilo que mais importa que é o amar a Deus e ao próximo? Seria possível amar ao próximo sem pensar em ganhar a vida eterna, já sabendo que é por conta desse amor que a alcança? Como o legista, ou o cristão lucano poderiam se livrar dessa eterna “sombra de dúvida”, que é o saber se muitas de suas boas ações para com o outro estariam, ou não, embriagadas da expectativa de uma recompensa, aqui ou no mundo vindouro? Tal paradoxo aprisiona e gera um desconcerto sem tamanho.
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Uma experiência do acompanhamento técnico psicológico ao adolescente em Liberdade Assistida (LA): contribuições psicanalíticas

Uma experiência do acompanhamento técnico psicológico ao adolescente em Liberdade Assistida (LA): contribuições psicanalíticas

Enfatiza Ribeiro (2011): “ Tal como Sócrates e Alcebíades, o técnico deve reconhecer o que está em jogo na transferência e possibilitar um espaço de construção de algum saber a partir[r]

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50 sos Nacionais abobrinhas  Vizente Besteirol sos Nacionais

50 sos Nacionais abobrinhas Vizente Besteirol sos Nacionais

2 - “Eu não vou saber me acostumar sem suas mãos pra me acalmar sem seu olhar pra me entender sem seu carinho amor, sem você.” (Roberto Carlos). 4 – “Vou caminhando nas ruas pensando [r]

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ENCONTRO COM UMA PAJÉ: UMA FIGURA INSULAR E DO ENTREMEIO

ENCONTRO COM UMA PAJÉ: UMA FIGURA INSULAR E DO ENTREMEIO

Nosso primeiro contato com Maria segue as formalidades iniciais. Uma conversa descontraída em que ela diz que seria visitada, falamos sobre a pesquisa, os fotos e vídeo que faríamos e os problemas de ordem espiritual que nos assaltavam no momento. Descarrego é o que ela prescreve. Parte-se para a seleção das ervas, base da defumação e do benzimento. Revezamos no ritual, a lógica é a mesma. A pessoa senta-se de frente para a entrada do recinto com as mãos descruzadas – nesse caso formos recebidos na palhoça adjacente à sua residência que serve de cozinha uma vez que é onde está o fogão à lenha para o preparo de alimentos e que fornece combustível para a defumação. Não deve-se vacilar para a primeira pergunta: “Quem pode mais que Deus?” “Ninguém!”. Muitas palavras são quase sussurradas, umas orações de bom agouro nos envolve tão bem quanto o incenso colocado no chão sob nossas costas. Alguns vaticínios ou preditos são ditos no final da sessão. Depois partimos para a consulta, momento em que ela vai pedir para escrevermos o nome das ervas para o banho de Descarrego, Atração de Amor e Chama, a saber, olho grande, afasta azar, óleo ungido,
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Entre a Transmissão e a Transferência: implicações éticas, pedagógicas e psicanalíticas da relação mestre-aprendiz no processo de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras.

Entre a Transmissão e a Transferência: implicações éticas, pedagógicas e psicanalíticas da relação mestre-aprendiz no processo de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras.

da área da Pedagogia e em diálogo com a transferência acima descrita. Outros processos se dão no cenário do ensino; entre eles, a transmissão, que é definida como a capacidade, a disponibilidade do professor em transmitir conhecimento, transferindo saberes e fortalecendo seu papel em todo o processo. A qualidade da transmissão deve ser ressaltada, e é ela que faz daquele que ensina um mestre. Porém, já nos ensinam diversos teóricos da Educação, notadamente Paulo Freire (2003, 2011) que o saber pressupõe humildade, e, sobretudo, deve- se continuamente desejar aprender. Tal postura repudia qualquer pressão hierárquica, distanciando o mestre da mais importante fonte de aprendizagem do ensinar: o próprio aprendiz.
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COLETÂNEA CARTAS DE AMOR   completa   Junho 2006

COLETÂNEA CARTAS DE AMOR completa Junho 2006

Por outro lado, queira você saber, até a esquerda virou ligth e assim pensa chegar ao governo e ao poder. Está mudando de bagagem, e das muitas coisas que está descarregando uma delas é a linguagem. Neste teatro onde os líderes buscam fama, creia, ignoram o triste drama. Temos hoje, início do novo século XXI neste país, o grande recinto, cerca de 50 milhões de pobres e famintos, que usam a gíria da fome todo dia. Mas a “esquerda” nada fala. Esta gíria espanta a burguesia.

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VOCÊ ESTÁ PRONTA PARA SE APAIXONAR

VOCÊ ESTÁ PRONTA PARA SE APAIXONAR

Por valorizar certas crenças que nem sempre são reais, sem saber, você pode estar fechando seu coração para o amor.. Se você assinalou Falso para oito ou mais afirmativas, maravilha.[r]

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Flexionando o gênero: a subsunção do feminino no discurso moderno sobre o trabalho culinário.

Flexionando o gênero: a subsunção do feminino no discurso moderno sobre o trabalho culinário.

Como bem observou Marcel Mauss, normalmente confundimos instrumentos ou ferramentas com técnica, quando, na verdade, só há técnica quando há um ato tradicional eficaz (Mauss, 2003:407) , o que significa dizer que os instrumentos pulverizam as técnicas no sentido aqui adotado. Talvez por isso mesmo, por se tratar da transferência de um saber tradicionalmente feminino para um universo masculino, é que foi necessário, para Escoffier, formalizar todos os gestos, criar um vocabulário controlado e assim por diante: parecia a “invenção” da cozinha masculina num mundo em que os homens nada sabiam previamente sobre o cozinhar e do qual, por exigir iniciação e treinamento, as mulheres da cozinha doméstica ficariam apartadas – bem como da cozinha empresarial, contra as quais destinou seu discurso antes citado.
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Walter Benjamin, Marcel Proust e a questão do sadismo.

Walter Benjamin, Marcel Proust e a questão do sadismo.

claro o conceito de “pulsão de morte”. Não por acaso, o capítulo se abre retomando a discussão sobre a questão da morte – a causa da morte é, exclusivamente, interna ao organismo? – na biologia da época, já introduzida desde o primeiro capítulo. Para tentar resolver este dilema, pois as respostas da biologia não lhe parecem satisfatórias, Freud faz, mais uma vez, uma revisão de sua teoria, agora sob o ângulo da teoria das pulsões. Se, no início, a partir da análise das neuroses de transferência e tomando como modelo o popular “Hunger und Liebe”, “Fome e Amor”, foi feita a diferença entre as pulsões do Eu e a pulsão sexual, para depois, a partir da problemática do narcisismo, mostrar-se que a diferença entre as duas pulsões é apenas de natureza “tópica”, pois o Eu, embora não seja redutível ao sexual, também é investido sexualmente, resta saber agora como entender esse quadro a partir da hipótese da existência de uma “pulsão de morte”. Os dois primeiros passos da teoria das pulsões tinham resultado em dois ganhos consideráveis: o primeiro, implicou um alargamento do conceito de sexualidade, sem o qual a própria psicanálise não teria sido criada; o segundo, por sua vez, mostrou a existência de um “narcisismo originário” como constitutivo do próprio sujeito. Ora, em relação ao terceiro passo – reafirmando (contra o “monista” Jung, principalmente) seu “dualismo” pulsional – Freud diz que nada garante o mesmo “grau de certeza” dos dois primeiros 33 . Não por acaso, toda a parte final deste capítulo é uma longa e
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PLANTÃO PSICOLÓGICO EM SERVIÇOS DE ATENÇÃO À SAÚDE NO MUNICÍPIO DE PINHALZINHO/SC

PLANTÃO PSICOLÓGICO EM SERVIÇOS DE ATENÇÃO À SAÚDE NO MUNICÍPIO DE PINHALZINHO/SC

Com base na teoria psicanalítica, o plantão psicológico se pauta pela escuta do sujeito em sofrimento psíquico, uma atenção às manifestações inconscientes. Para Daher et. al. (2017), através do manejo da transferência e interpretação do sujeito do desejo, busca-se produzir um saber junto com o paciente, saber que este dispõe e que pode ser despertado pela escuta, levando-o a assumir novas situações de vida.

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O amor nos Unspoken Sermons de George MacDonald

O amor nos Unspoken Sermons de George MacDonald

Estamos, por conseguinte, diante de um amor, exigente e nem sempre dador de tranquilidade devido à oposição que encontra no «ego» mundanizado e no «mundo» egotizado, que é uma viagem no desconhecido face a valores últimos que só se fazem perceptíveis, na sua textura mais exacta, à medida que o amante vai caminhando para o amado e, nesse processo, mudando a sua percepção. Uma viagem, por entre férteis artefactos amorosos perpetuamente insubstituíveis entre os seus traços de legibilidade, que, a ser empreendida e segundo o juízo de George MacDonald, permite que se diga que o amor é, de certo modo, uma reunião de «ἀγάπη» com o melhor do que há no «ἔρως». Em concreto e pondo-se de lado as terminações nervosas dos termos que iremos recuperar: é caminho de Deus para o homem e deste para Aquele; é criador de valor no seu objecto e reconhecimento deste valor; é perda e doação de si e ganho e acolhimento do outro; é manutenção de promessas e doação destas.
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DAS DIFERENTES VISÕES DO AMOR, ATÉ O AMOR MÍSTICO PRESENTE NO CONTO TEOREMA DE HERBERTO HELDER.

DAS DIFERENTES VISÕES DO AMOR, ATÉ O AMOR MÍSTICO PRESENTE NO CONTO TEOREMA DE HERBERTO HELDER.

Macabéa – Revista Eletrônica do Netlli | V. 5, N. 2, p. 17-27, jul.-dez. 2016 sábios à custa dos nossos crimes e do comum amor à eternidade. O rei estará insone no seu quarto, sabendo que amará para sempre a minha vítima. Talvez não termine aí a sua inspiração, e ele se torne cada vez mais cruel e mais inspirado. O seu corpo ir-se-á reduzindo à força de fogo interior, e a sua paixão será sempre mais vasta e pura. E eu também irei crescendo na minha morte, irei crescendo dentro do rei que comeu o meu coração. D. Inês tomou conta das nossas almas. Ela abandona a carne e torna-se uma fonte, uma labareda. Entra devagar nos poemas e nas cidades. Nada é tão incorruptível como a sua morte. No crisol do inferno manter-nos-emos todos três perenemente límpidos. O povo só terá de receber-nos como alimento, de geração para geração. Que ninguém tenha piedade. E Deus não é chamado para aqui.
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A última entrevista com Castro Alves

A última entrevista com Castro Alves

Castro Alves — Sou um homem que escreve e declama seus poemas. Por amor, por compulsão e por herança. Um poeta brasileiro nascido em 14 de março de 1847 lá na fazenda Cabaceiras, sete léguas distante de Curralinho. Um baiano do sertão. Meus pais foram o doutor Antônio José Alves e dona Clélia Brasília da Silva Castro, que também nasceu em um 14 de março. A família mudou para Salvador quando eu tinha sete anos de idade. Aqui completei o curso primário e fiz o ginasial. Aos 15, em 1862, eu e meu irmão José Antônio fomos morar no Recife para fazer o Curso Anexo, um ano de aulas preparatórias que habilitavam às provas da Faculdade de Direito, onde fiz o 1º e o 2º ano. Lá, ainda em 62, pela primeira vez tive um poema publicado pela imprensa, “A destruição de Jerusalém”, no “Jornal do Recife”. No ano seguinte saiu no nº 1 de um jornal acadêmico, chamado “A Primavera”, o meu primeiro poema contra a escravidão: “A canção do africano”. Em 68, fui para São Paulo continuar meus estudos jurídicos. Completei apenas o 3º ano, sem bacharelar-me por conta de problemas relacionados à saúde. Mas as publicações se sucederam, tanto no Recife como em Salvador, no Rio de Janeiro e São Paulo. Alguns desses versos, junto com muitos inéditos, hoje fazem parte do meu livro “Espumas Flutuantes”, primeiro e único até agora, e que foi lançado em outubro do ano passado, aqui mesmo na Bahia, para onde voltei no final de 69.
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Corpus shakespeariano e reformas religiosas inglesas: um estudo de caso - O mercador de Veneza.

Corpus shakespeariano e reformas religiosas inglesas: um estudo de caso - O mercador de Veneza.

A iguração da melancolia de Antônio cria um vínculo implicativo causal, na trama da peça, com sua propensão de abrir a senda para o mal diabólico, o que é metaforizado, vá- rias vezes, por meio do ‘judeu/puritano’ cênico Shylock. A exemplo da tipologia de Robert Burton (1577-1640), os tratados morais e médicos dos séculos XVI e XVII — e suas trans- posições em tipos dramáticos — estavam marcados pela teoria dos humores. Na tipologia médica-teológica de Burton, a melancolia amorosa é o avesso moral das virtudes do amor, pois, ao provocar a imoderação, transforma uma virtude espiritual em vício carnal, inverten- do os efeitos moralmente saneadores e cívicos da caridade e da boa-vontade com o próximo. Em inglês elizabethano, love pode ser utilizado para se referir ao amor caridoso sacrii- cial pelo próximo a exemplo de Cristo (caritas), ao amor conjugal e ao amor amical no sentido clássico-renascentista (amiticia). Este último sentido pode signiicar amizade entre indivídu- os, amizade entre Estados e amizade entre indivíduo e Estado. No entanto, em O mercador de Veneza, a amiticia entre Antonio e Bassanio, deformada em vício carnal pela melancolia amorosa, surge como condição de possibilidade do contrato sangrento com Shylock. Assim, podemos dizer que os papistas cênicos Antonio e Bassanio aceitaram o hazard de fazerem com que seu love se desdobrasse num transtorno diabólico puritano para o duque. Portanto, a peça propõe um vínculo implicativo causal entre ameaças ‘puritanas’ e ‘papistas’ à ordem civil e ao poder soberano divino.
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História de Dois Amantes

História de Dois Amantes

veneno. Mas ai! daquele que se mancha com sangue humano e vinga com um crime maior um mais pequeno. Os males não se devem aumentar mas diminuir. Nós sabemos que de dois bens se deve escolher o melhor, ou entre o mal e o bem se deve escolher o bem, mas de dois males se deve escolher o menos nocivo. Qualquer solução tem os seus perigos. Mas esta que eu mostro tem menos riscos. Por meio dela não só poupas a sua vida, mas também me fazes bem a mim que enlouqueço, ao ver Lucrécia atormentar-se por minha causa. Preferia que ela me odiasse do que eu implorar- te. Mas chegamos a esta situação. A coisa seguiu tal rumo que se a nau não for guiada pelas tuas artes, pelo teu cuidado, engenho e solicitude, não resta esperança de salvação. Ajuda-nos, pois, a ela e a mim, e mantém a tua casa sem mácula. Não me julgues ingrato. Sabes quanto é o meu valimento junto do imperador. Tudo o que pedires farei que o consigas. E antes de tudo prometo e dou a minha palavra que serás conde palatino e toda a tua descendência gozará deste título. A Lucrécia e a mim ponho nas tuas mãos e confio à tua lealdade, e o nosso amor e o nosso bom nome, e a honra da tua gente. Tu és o juiz. Todas estas coisas estão em teu poder. Vê o que fazes: podes salvar a situação, ou deitá-la a perder».
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