ANEXO I: A Evolução da Gestão dos Recursos Hídricos no Brasil (1930/2005)
A ÁGUA COMO ELEMENTO DE TRATAMENTO TRANSNACIONAL Sem água não há vida na terra, no entanto ela necessariamente precisa
1.4 ÁGUA COMO ELEMENTO FUNDAMENTAL EM CUMPRIMENTO A UMA AGENDA TRANSNACIONAL: A AGENDA 2030
A necessidade de existência de uma Agenda Internacional de cumprimento para o desenvolvimento sustentável, é por si só, a resposta que fundamenta a necessidade do Direito Transnacional para regulamentação do direito de interesses de bem comum.
Primeiramente, é importante ter claro que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são uma coleção de 17 metas globais
149 NEVES, Marcelo. (Não) solucionando problemas constitucionais: transconstitucionalismo além de colisões. Lua Nova, São Paulo, vol. 93, p. 201-233, 2014.
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estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Os ODS são parte da Resolução 70/1 da Assembleia Geral das Nações Unidas: “Transformando o nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, aqui abordado como a Agenda 2030.150
Como um conceito basilar de uma era, o desenvolvimento sustentável, a partir dos objetivos da Agenda 2030, são os guias cernes de uma comunidade internacional. Neste sentido, Jeffrey Sachs expõe que:
El desarrollo sostenible es un concepto básico para nuestra era. Es tanto una forma de entender el mundo como un método para resolver los problemas globales. Los Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS) guiarán la diplomacia económica mundial de la próxima generación.151;152
Sendo assim, a comunidade internacional tem como anseio mudar uma era com o desenvolvimento sustentável, nesse sentido Benson e Craig no que tange ao conceito operacional aduzem que:
reflects a broader societal goal of how economic and social development should proceed—namely, with sufficient consideration of the environment and natural resources to assure the continuing availability of natural capital and other ecological amenities. The international community embraced sustainable development at the 1992 UN Conference on Environment and Development in Rio de Janeiro, incorporating it into both the Rio Declaration and Agenda 21. The pursuit of sustainable development has occurred in an emerging climate change era.153;154
150 UNITED NATIONS. Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development».
United Nations Sustainable Development knowledge platform. Disponível em:
<https://sustainabledevelopment.un.org/post2015/transformingourworld>
151 O desenvolvimento sustentável é um conceito básico para nossa época. É uma forma de compreender o mundo e um método para resolver problemas globais. Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) guiarão uma diplomacia econômica global da próxima geração (Tradução livre).
152 SACHS, Jeffrey D. La era del desarrollo sostenible. Nuestro futuro está en juego:
incorporemos el desarrollo sostenible a la agenda política mundial. Traducido por Ramon Vilà.
Barcelona: Ediciones Deusto, 2014, p. 17.
153 reflete um objetivo social mais amplo de como o desenvolvimento econômico e social deve prosseguir, ou seja, com consideração suficiente do meio ambiente e dos recursos naturais para garantir a disponibilidade contínua de capital natural e outras amenidades ecológicas. A comunidade internacional abraçou o desenvolvimento sustentável na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente de 1992 e Desenvolvimento no Rio de Janeiro, incorporando-o tanto à Declaração do Rio e Agenda 21. A busca pelo desenvolvimento sustentável ocorreu em um clima emergente mudar era (Tradução livre).
154 BENSON, Melinda Harm; CRAIG, Robin Kundis. The End of Sustainability. Society and Natural Resources, 0:1–6, 2014, p. 02.
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Como visto, fato é que a necessidade de mudanças nas tradicionais formas de gestão das políticas da água, mediante a incorporação de preocupações próprias do desenvolvimento sustentável, entrou na agenda dos governos de diversos países do mundo a partir da realização da Rio-92155.
Deste então, a consideração de princípios da sustentabilidade passou a ser um novo paradigma para gestão de políticas ambientais, inclusive no que diz respeito à água. A incorporação das preocupações implicava em uma evolução na gestão, que passaria a ser baseada em políticas amplas, em arranjos institucionais efetivos e em incentivos para uso eficiente e sustentável da água para diversos fins156.
De acordo com Henrique Leff, a oferta gratuita de recursos naturais pela natureza e a crença de sua capacidade ilimitada de recuperação frente às ações exploratórias contribuiu para uma postura descomprometida com a proteção e com o equilíbrio ecológico157. Cotidianamente, diversos são os exemplos de desperdício e despreocupação, como escovar os dentes com a permanência da torneira aberta;
lavagem de ruas e calçadas com jatos d’água (“vassoura hidráulica”), lavagem de veículos com água tratada, o uso de válvulas sob pressão nas descargas dos vasos sanitários; o despejo das águas servidas de banho e lavagens em geral, sem a preocupação com a racionalização de consumo e/ou reuso. Por outro lado, a indústria tem percebido, cada vez mais, a indissociabilidade entre a conservação dos recursos naturais e a ecoeficiência ambiental. É preciso que esta inter-relação seja, assimilada e internalizada na prática diária de cada cidadão158.
O meio ambiente é formado, dentro de uma visão simplificada, pelo solo, água e ar. Estes meios interagem sinergicamente entre si, significando que o
155 BRIZ, Esther María Sánchez. Perspectiva histórica das políticas hidráulicas no Brasil e na Espanha. Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2018.
156 BECKER, D. F. (org.). Desenvolvimento Sustentável: necessidade ou possibilidade? 4ª ed.
Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2002. p. 22.
157 LEFF, Enrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder.
Tradução de Lúcia Mathilde Endlich Orth. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2012, p. 35.
158 AIT-KADI, M. Water for development and development for water: realizing the sustainable development goals (SDGs) vision. Aquatic Procedia, v. 6, p. 106-110, 2016. p. 108.
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resíduo descartado no solo, por exemplo, mais dia menos dia irá contaminar as reservas de água e o ar. Ademais, a decomposição dos resíduos descartados nos rios, que origina substâncias tóxicas, pode atingir outros locais distantes da fonte poluidora, ampliando assim os danos da contaminação para o meio ambiente159.
Agrega-se a isso o fato de que 1,7 bilhão de pessoas, ou um terço da população do mundo em desenvolvimento, vivem em países que se confrontam com a escassez do suprimento de água (ou seja, consomem mais de 20% da sua oferta de água renovável a cada ano). O “acesso limitado à água enfraquece as perspectivas de desenvolvimento de muitos países, e os conflitos causados pela utilização e distribuição da água são uma causa potencial de disputas internacionais”160.
Com esse arcabouço, as constituições dos estados territoriais dependem necessariamente de um demos comum, que, em outros contextos, são usadas como ferramentas de paz internacional e, ao mesmo tempo, buscam criar um nomos compartilhado que pode constituir uma política capaz de executar funções além das fronteiras. Embora a soberania nacional permaneça legitimamente enraizada nas decisões democráticas e na vontade popular daqueles que vivem em uma entidade territorial pré-definida, a constituição nacional fornece a base última de legitimidade legal para governança e assim define e limita a força interna do direito internacional.
Contudo, segundo Miglino e Cruz, os sistemas de 'lei' global, propriamente ditos, são estabelecidos onde os participantes e observadores codificam obrigações normativas em termos da divisão binária legal / ilegal, com alguma forma de infraestrutura legal, e, para julgar conformidade. Logo, o déficit democrático que resulta da globalização e da fragmentação das funções de governança, surgiu na literatura sobre a democratização da governança global que pode em linhas gerais161.
159 DERANI, Cristiane. Direito ambiental econômico. São Paulo: Max Limonad, 1997, p. 161.
160 NOVAES, W. A década do impasse: da Rio-92 à Rio+10. São Paulo: Estação Liberdade, 2002.
p. 11.
161 MIGLINO, Arnaldo; CRUZ, Paulo Márcio. Possibilidades para a transnacionalidade democrática. Revista do Direito UNISC, Santa Cruz do Sul, nº 44, p. 3-26, jul/dez., 2010.
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A presença de uma sociedade civil internacional, que vê o mundo como um horizonte participativo, tornou-se um fato que as classes políticas internacionais têm que levar em conta. Deste ponto de vista, o debate insere-se na qualidade deliberativa dos atores da sociedade civil global, que poderá contribuir para o surgimento de uma esfera pública global necessária para a definição de governança democrática global.
A justificativa para o fortalecimento da soberania, para uma confederação de estados democráticos, ou a replicação de instituições estatais em nível global não reconhecem e acomodam a natureza existente da governança global, que opera sem fronteiras jurisdicionais claramente definidas ou sem uma estrutura constitucional abrangente162.
A respeito do direito e a globalização, destaca sobre “governança global”
que investiga a transformação da lei em face da erosão do poder estatal e da descentralização das atividades econômicas transfronteiriças, Boaventura de Sousa Santos e César A. Rodríguez Garavito163, registram:
La perspectiva de la gobernanza nos trae a la memoria las preocupaciones de los pragmatistas sociales y de los realistas jurídicos estadounidenses acerca de la ingeniería social que inspiró la primera generación de académicos y practicantes del movimiento «derecho y desarrollo» en los años sesenta. Por otro lado, los académicos de la después, al destacar el momento de la hegemonía dejan a un lado el de la contra hegemonía, que al menos desde Gramsci ha venido ocupando el centro de la teoría social crítica (2007, p. 11)164.
162 CRUZ, Paulo Márcio. Repensar a democracia. Miolo Revista, vol. 15, p. 44-99, 2009. p. 32.
163SANTOS, Boaventura de Sousa; GARAVITO, César A. Rodríguez (eds). El derecho y la globalización desde abajo - Hacia una legalidad cosmopolita. Rubi (Barcelona): Anthropos, 2007, p. 11.
164 A perspectiva de governança nos lembra as preocupações dos pragmatistas sociais e realistas jurídicos americanos sobre engenharia social que inspiraram a primeira geração de acadêmicos e profissionais do movimento "direito e desenvolvimento" na década de 1960. Por outro lado, os acadêmicos da hegemonia, por sua vez, contam com uma rica tradição da teoria social crítica do direito, que incluiria autores como Marx no passado ou Bourdieu e Foucault no presente, para mostrar a contribuição do direito à resistência e também a persistência do domínio dentro e fora das fronteiras nacionais. Mas, como será explicado mais adiante, ao destacar o momento da hegemonia, eles deixam de lado a contra-hegemonia, que pelo menos desde Gramsci ocupa o centro da teoria social crítica SANTOS, Boaventura de Sousa; GARAVITO, César A. Rodríguez
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Conforme Edgar Morin, para serem reguladores ativos, torna-se necessário demonstrar para as sociedades democráticas a inclusão dos interesses e perspectivas daqueles sujeitos ao regime, mecanismos institucionalizados para assegurar a representação de diversidade de perspectivas nos procedimentos legislativos; tomada de decisão após deliberações fundamentadas; adoção de regulamentos compatíveis com as normas internacionais de direitos humanos165.
A legitimidade democrática para o direito na era moderna, de acordo com Donnelly, depende de uma comunidade internacional de estados democráticos (deliberativos) para as atividades reguladoras globais de atores não estatais; e a aceitação de cada sistema jurídico (autônomo) de que deveria estruturar suas relações com outros sistemas legais por referência à ideia de autoridade democrática, levando em conta as lições do construtivismo e da escolha racional. O desafio é encontrar o pluralismo aplicável para a democracia, partindo-se da proposição de que “democracia” partindo-seja um valor civilizatório166.
Quanto aos fundamentos voltados às sociedades democráticas, o direito internacional interage com o direito constitucional democrático e territorial, descrevendo a reciprocidade de direitos individuais, destinada a permitir o reconhecimento de outras normas internacionais dentro dos sistemas constitucionais, proporcionando garantias adequadas de atender às necessidades e padrões de um País167. Como referem Santos e Garavito168:
[...] la «brecha regulatoria» de la economía global se deriva de la divergencia entre el derecho y los actuales procesos económicos.
Semejante divergencia es el resultado de las diferentes escalas o niveles en los cuales operan las actividades económicas globales y las legislaciones estatales nacionales, y de las dificultades que los Estados-nación afrontan cuando desean aplicar su lógica reguladora jerárquica a
(eds). El derecho y la globalización desde abajo - Hacia una legalidad cosmopolita. Rubi (Barcelona): Anthropos, 2007 (Tradução Livre).
165 MORIN, Edgar; KERN, Anne Brigitte. Terra-Pátria. Porto Alegre: Sulina, 2003.p. 64.
166 DONNELLY, Jack. The social construction of international human rights. Relaciones Internacionales, n. 17, jun. 2011. p. 1.
167 GOMES, Luiz; MAZZUOLI, Valerio de Oliveira. Direito supraconstitucional: do absolutismo ao estado constitucional e humanista de direito. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010. p. 14.
168 SANTOS, Boaventura de Sousa; GARAVITO, César A. Rodríguez (eds). El derecho y la globalización desde abajo- Hacia una legalidad cosmopolita. Rubi (Barcelona): Anthropos, 2007. p. 12.
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las industrias cuyos sistemas de producción globalizados se cimientan en una combinación del mercado con una lógica organizativa de funcionamiento en redes (2007, p. 12)169;170.
Deste modo, de acordo com o que se extrai dos ensinamentos de Jessup, ainda que se queira recorrer aos padrões clássicos de soberania, é imprescindível destacar que a própria atuação do Estado quando condescende ao direito internacional se traduz na manifestação da sua atividade soberana. Desta feita, a elaboração - e a adesão - de tratados internacionais pode ser vista como
“a sua plena manifestação, pois a celebração de um tratado é precisamente um dos mais importantes exercícios de soberania por parte do Estado”171.
Disso se infere que a eventual alegação de competência específica dos Estados ou mesmo de violação da sagrada soberania estatal no campo da proteção dos direitos humanos se encontra terminantemente ultrapassada. Tudo isso porque a soberania já não pode mais ser sustentada como um conceito que se oponha às modificações de uma nova ordem internacional, sobretudo diante das formas de solidariedade, humanidade e dos direitos humanos nos diferentes Estados, tal como da experiência de universalização e mundialização que os direitos humanos propõem e constituem como atributo inalienável de todos os povos, inaugurando o seu direito imprescritível à autodeterminação e pertencendo ao substrato social (e, portanto, não ao Estado).172
Por outro lado, é possível dizer que um conceito mais condizente com a realidade contemporânea é o que abarca a cooperação internacional dos Estados em benefício de finalidades comuns, na qual o direito internacional tenta restringir
169 A "lacuna regulatória" da economia global decorre da divergência entre a lei e os processos econômicos atuais. Essa divergência é o resultado das diferentes escalas ou níveis nos quais as atividades econômicas globais e as leis estaduais nacionais operam e as dificuldades que os estados-nação enfrentam quando desejam aplicar sua lógica regulatória hierárquica a indústrias cujos sistemas de produção globalizados eles são baseados em uma combinação do mercado com uma lógica organizacional de operação de rede.
170 SANTOS, Boaventura de Sousa; GARAVITO, César A. Rodríguez (eds). El derecho y la globalización desde abajo - Hacia una legalidad cosmopolita. Rubi (Barcelona): Anthropos, 2007, p. 12. (Tradução Livre).
171JESSUP, Philip C. Direito Transnacional. Tradução de Carlos Ramires Pinheiro da Silva. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1956. p. 77-78.
172 FURLAN, Fernando de Magalhães. Integração e soberania: o Brasil e o Mercosul. São Paulo:
Aduaneiras, 2004, p. 79.
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o comportamento hegemônico abusivo por determinados estados, cujas ressalvas são semelhantes às da constituição, nas quais buscam, independentemente da reciprocidade, disseminar normas e ações que posterguem os direitos humanos.
Como explicam Steiner, Alston e Goodman,173 a consubstancialidade entre o Estado e direito internacional é construída sobre a noção de Estado, baseado no princípio central da soberania, mas o compromisso com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a Carta das Nações Unidas, a Declaração e Programa de Ação de Viena e outros instrumentos internacionais de direitos humanos sobrepõem a territorialidade174.
No mesmo tema Bobbio175 explica que:
É uma realidade político-jurídica que se evidencia no fato de que não se podem evocar os direitos soberanos para explicar qualquer descumprimento de acordos internacionais em matéria de direitos humanos. O reconhecimento das obrigações erga omnes por todos os sujeitos do Direito Internacional busca garantir o interesse público internacional, cujas obrigações, se traduzem na relação de todos os Estados vinculados pela norma e, não bilateralmente em relação a cada Estado. Assim, essas obrigações encontram-se vinculadas ao respeito em relação a todos os outros Estados sujeitos à norma que a estabelece.
Portanto, a soberania, em seu conceito contemporâneo, é balizada pelo direito, sendo que na esfera internacional, tal direito é o próprio direito internacional, e no que concerne a este estudo, a construção político jurídica como valor civilizatório em uma democracia transnacional. Denota-se que os Estados Democráticos efetivam-se no processo de democratização, inclusive no sistema internacional, como aduziu Norberto Bobbio176, o qual complementa que, “todas as fórmulas ideais, também pertencem não à esfera do ser, mas à esfera do dever ser”. A ideia central dessa abordagem é que, em vez de tratar a democracia como um conjunto idealizado de instituições que precisam ser induzidas para além do
173 STEINER, Henry J; ALSTON, Philip; GOODMAN, Ryan. International human rights in context:
law, politics, morals. 3. Ed. New York: Oxford University Press, 2007. p. 295.
174 STEINER, Henry J; ALSTON, Philip; GOODMAN, Ryan. International human rights in context:
law, politics, morals. 3. Ed. New York: Oxford University Press, 2007, p. 295.
175 BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. 7ª tiragem. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004, p. 136-138.
176 BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia. Tradução: NOGUEIA, Marco Aurélio. São Paulo:
Paz e Terra, 2000, p. 13.
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Estado, é preciso pensar sobre os princípios fundamentais que a democracia exige sob as condições existentes.
Esses valores podem abarcar inclusão, igualdade, controle popular, transparência, responsabilidade, deliberação, etc. Esses valores devem ser buscados em diferentes locais institucionais por vários atores em um processo em andamento. Não exige nenhum ponto final específico para trabalhar. Nesse pensamento, igualdade política, participação e representação como valores-chave, pela busca de responsabilidade, deliberação e contestação em diferentes espaços, em que as ordens jurídicas globais realmente permitam que esses valores venham à tona177.
Por conseguinte, a água como elemento fundamental em cumprimento a uma Agenda Transnacional a Agenda 2030 tem total relevância, uma vez que para que se caminhe em direção a possibilidade de alcançar os 17 ODS, é fundamental que se trabalhe a sustentabilidade dos bens comuns, sendo a água elemento vital no que tange à essência da vida, além dos objetivos atrelados especificamente a água potável (ODS6) e produção e consumo (ODS 12), todos os demais são interligados e dependentes de uma forma ou de outra da água. Isto posto, considerando que a água atravessa as fronteiras estatais e é um direito fundamental, passa-se para o aporte do direito transnacional para a água.
177 DE BÚRCA, Grainne. Developing democracy beyond the state. Columbia Journal of Transnational Law, v. 46, n. 2, p. 101–158, 2008, p. 101-102.
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