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Água superficial

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3. METODOLOGIA

3.3 Água superficial

As amostras de água foram coletadas em garrafas de polietileno tereftalato, preservadas com ácido nítrico (HNO3 65% ultra-puro, Merck), mantendo o pH da água inferior a 2,0 até o momento das análises (FIGURA 6).

Figura 6: Coleta de amostras de água superficial nos pontos amostrais.

As amostras foram identificadas em campo e encaminhadas ao Laboratório de Química Ambiental da Universidade de Campinas (UNICAMP), sendo conservadas a 4°C até o momento da análise. A quantificação de mercúrio total (HgT) e metilmrcúrio (HgMe) foi realizada usando a técnica de espectrofotometria de fluorescência acoplado a sistema de geração de vapor frio e pré-concentração em coluna de ouro (CVFAS) pela adição ao frasco extrator de 100 mL de amostra previamente digerida pelas soluções de cloreto de bromo e cloridrato de hidroxilamina, em frasco provido de válvula com quatro vias. A redução foi feita usando 2 mL de cloreto estanoso 10% (m/v) em HCl 10% (v/v). A amostra foi

purgada com argônio a uma vazão de 400 mL min-1 por 15min. O gás efluente foi levado até uma coluna de quartzo contendo em seu interior areia recoberta por ouro, usada como coluna extratora, com posterior volatilização por aquecimento. O Hg elementar foi levado pelo gás de arraste (Ar) até a cela de detecção do equipamento de fluorescência. A determinação de metilmercúrio (HgMe) em água foi realizada segundo a metodologia descrita por Bisinoti et al. (2007b), envolvendo a extração com ditizona-tolueno e quantificação por cromatografia gasosa.

3.4 Sedimento de fundo

As amostras de sedimento de fundo foram coletas utilizando-se coletor pontual de sedimento – draga de Eckman, permitindo a coleta da camada mais reativa do sedimento (FIGURA 7).

Figura 7: Coleta de amostras de sedimento de fundo nos pontos amostrais utilizando

Os perfis verticais de sedimento foram coletados nas áreas de remanso, com tubo de acrílico com 100 cm de comprimento e 7,5 cm de diâmetro, e fatiadas em superfície (5 cm), 50 cm e 100 cm. Após a coleta, as amostras foram acondicionadas em sacos de polietileno e encaminhadas ao Laboratório de Química Ambiental do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (UNESP), sendo mantidas resfriadas a 4 oC até o momento de preparação e análise. As amostras de sedimento foram inicialmente homogeneizadas a úmido nos próprios sacos de polietileno utilizados em campo, sendo posteriormente secos a temperatura ambiente e homogeneizados em gral de porcelana. Após secagem, maceração e digestão das amostras de sedimento o teor de mercúrio total (HgT) foi quantificado pela técnica de geração de vapor de mercúrio a frio acoplado a espectroscopia de absorção atômica (CVAAS).

A determinação de metilmercúrio nas amostras de sedimento foi realizada segundo a metodologia descrita por Bisinoti et al. (2007a), envolvendo a digestão com hidróxido de potássio em meio alcoólico, extração com ditizona-tolueno e quantificação por cromatografia gasosa.

3.5 Plânctons

As amostras de plânctons foram coletadas utilizando-se rede de arraste com abertura de malha entre 25 e 68 µm e posteriormente lavadas com água ultra- pura e centrifugadas para retirar os sólidos em suspensão.

As amostras foram identificadas em campo e encaminhadas ao Laboratório de Química Ambiental da UNICAMP, sendo conservadas a 4 °C até o momento da análise. As amostras foram digeridas e o mercúrio total (HgT) quantificado pela

técnica de espectrofotometria de fluorescência acoplado a sistema de geração de vapor frio e pré-concentração em coluna de ouro (CVFAS) (FIGURA 8).

Figura 8: Coleta de amostras de plâncton utilizando rede de arrasto.

A determinação de metilmercúrio (HgMe) nas amostras foi realizada segundo a metodologia descrita por Bisinoti et al. (2007b) envolvendo digestão, extração com ditizona-tolueno e quantificação por cromatografia gasosa.

3.6 Invertebrados

As coletas dos invertebrados aquáticos foram realizadas utilizando-se redes de arraste de 250 µm para coleta na superfície da água. As amostras do substrato na superfície do sedimento de fundo foram realizadas utilizando-se draga de Eckman, que foram coletadas e peneiradas para separar os animais do folhiço. As amostras de invertebrados foram identificadas em campo e encaminhadas ao Laboratório de Química Ambiental da UNICAMP, sendo conservadas a 4 °C até o momento da análise. As amostras foram digeridas e o mercúrio total (HgT)

quantificado pela técnica de espectrofotometria de fluorescência acoplado a sistema de geração de vapor frio e pré-concentração em coluna de ouro (CVFAS). A determinação de metilmercúrio (HgMe) nas amostras foi realizada segundo a metodologia descrita por Bisinoti et al. (2007b), envolvendo digestão, extração com ditizona-tolueno e quantificação por cromatografia gasosa.

3.7 Peixe

O monitoramento de mercúrio total (HgT) foi realizado em peixes bioindicadores, cujas espécies chaves são Cichla monoculus e Hoplias malabaricus. Entretanto, nessa primeira fase do monitoramento de mercúrio em peixes da bacia do Mutum Paraná e Bolsão Lateral do Mutum, a amostragem foi direcionada para as espécies de peixes de relevante consumo pela população ribeirinha, sendo, portanto, adquiridas amostras de peixe diretamente dos pescadores da região em 15/03/2009 (cheia), 15/06/09 (vazante) e 26/08/09 (seca), possibilitando a análise em 18 espécimes de pacú (Mylossoma aureum), 23 espécimes de jaraqui

(Semaprochilodus theraponera), 16 espécimes de curimatã (Prochilodus

nigricans), 32 espécimes de branquinha (Curimata amazonica), 14 espécimes de

tucunaré (Cichla ocellaris), 21 espécimes de Tambaqui (Colossoma

macropomum), 8 espécimes de Piranha (Serrasalmus sp), 7 espécimes de

pescada (Plagioscion sp), 10 espécimes de bico de pato (Sorubim lima), 5 espécimes de dourada (Brachyplatystoma avicans), 7 espécimes de traira

(Hoplias malabaricus) e 1 espécime de pirarucu (Arapaima gigas). Após a coleta,

o material foi acondicionado em sacos de polietileno, congelado e encaminhado ao Laboratório de Química Ambiental do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (UNESP), sendo mantido congelado até o momento de

preparação e análise. As amostras de músculo de peixe (50 a 100 g) foram digeridas em meio ácido e o teor de mercúrio total (HgT) foi quantificado pela técnica de geração de vapor de mercúrio a frio acoplado a espectroscopia de absorção atômica (CVAAS).

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO:

Os períodos das campanhas de coleta foram classificados de enchente (19/11/08), cheia (15/03/09), vazante (15/06/09) e seca (26/08/09), referentes às distintas fases hidrológicas do rio Madeira, com base no Boletim no 4, de 22/04/09, do Sistema de Informação Hidrológico (HidroWeb) da Agência Nacional de Águas (ANA), considerando a estação hidrológica de Porto Velho. A figura 9 mostra as curvas elevatórias das cotas diárias observadas em Porto Velho no período de 1967 a 2009.

Figura 9: Curvas elevatórias das cotas diárias observadas no rio Madeira. Adaptado do

Monitoramento Hidrológico de 2009 – Boletim no 4 – 22/04/2009.

A cota de alerta de cheia foi calculada como o valor da média de todas as máximas anuais somada ao seu desvio padrão, resultando em 1.658 cm em Porto Velho. As cotas indicadas no gráfico são valores associados a uma referência de nível local e arbitrária, válida para a régua linimétrica da estação. As curvas envoltórias representam os valores máximos, mínimos, e de 10% e 90% de

permanência para os valores de cotas já ocorridos em cada dia do ano. Os valores associados à permanência de 10% ou 90% são os valores acima dos quais as cotas observadas estiveram em 10% ou 90% do tempo do histórico de dados. A zona de atenção para o período de cheia corresponde à faixa entre 10% de permanência e o valor máximo já ocorrido. Para o período de vazante, a zona de atenção corresponde à faixa entre 90% de permanência no histórico e o valor mínimo já ocorrido. Os dados hidrológicos utilizados neste boletim são provenientes da rede hidrometeorológica de responsabilidade da ANA, operada pelo Serviço Geológico do Brasil, e os dados de climatologia foram fornecidos pelo Sistema de Proteção da Amazônia - SIPAM.

Os pontos amostrais referentes ao monitoramento das espécies de mercúrio na bacia do rio Mutum Paraná e Bolsão Lateral do Mutum nos diferentes períodos de enchente (19/11/08), cheia (15/03/09), vazante (15/06/2009) e seca (26/08/09) apresentam expressiva variação de volume de águas, característica da bacia do rio Madeira (FIGURAS 10 a 28).

Figura 10: Foto da confluência do rio Mutum Paraná com o rio Madeira. Data: 15/03/2009

Figura 11: Foto do ponto de amostragem 01, no rio Mutum Paraná, próximo a

confluência com o rio Madeira. Coordenadas: W 64° 55' 17.5''; S 09° 36' 21.7''. Data: 15/03/2009 (águas altas).

Figura 12: Foto do ponto de amostragem 01, no rio Mutum Paraná, próximo a

confluência com o rio Madeira. Coordenadas: W 64° 55' 17.5''; S 09° 36' 21.7''. Data: 26/11/2008 (águas baixas).

Figura 13: Foto do ponto de amostragem 2, situado na confluência da vazante do Bolsão

Lateral do Mutum com o rio Mutum Paraná. Coordenadas: W 64° 55' 53.5''; S 09° 36' 43.6''. Data: 15/03/2009 (águas altas).

Figura 14: Foto do ponto de amostragem 2, situado na confluência da vazante do Bolsão

Lateral do Mutum com o rio Mutum Paraná. Coordenadas: W 64° 55' 53.5''; S 09° 36' 43.6''. Data: 26/11/2008 (águas baixas).

Figura 15: Foto do ponto de amostragem 3, situado na confluência do rio Mutum Paraná

com o igarapé Cirilo. Coordenadas: W 64° 56' 30.5''; S 09°39' 40.9''. Data: 15/03/2009 (águas altas).

Figura 16: Foto do ponto de amostragem 3, situado na confluência do rio Mutum Paraná

com o igarapé Cirilo. Coordenadas: W 64° 56' 30.5''; S 09°39' 40.9''. Data: 26/11/2008 (águas baixas).

Figura 17: Foto do ponto de amostragem 4, situado na confluência dos rios Mutum

Paraná (direita) e Cotia (esquerda). Coordenadas: W 64° 58' 46.3''; S 09° 40' 34.8''. Data: 15/03/2009 (águas altas).

Figura 18: Foto do ponto de amostragem 4, situado na confluência dos rios Mutum

Paraná (direita) e Cotia (esquerda). Coordenadas: W 64° 58' 46.3''; S 09° 40' 34.8''. Data: 26/11/2008 (águas baixas).

Figura 19: Foto do ponto de amostragem 5, situado no rio Mutum Paraná a montante da

confluência com o rio Cotia. Coordenadas: W 65° 06' 11.6''; S 09° 43' 11.1''. Data: 15/03/2009 (águas altas).

Figura 20: Foto do ponto de amostragem 5, situado no rio Mutum Paraná a montante da

confluência com o rio Cotia. Coordenadas: W 65° 06' 11.6''; S 09° 43' 11.1''. Data: 26/11/2008 (águas baixas).

Figura 21: Foto do ponto de amostragem 6, situado no rio Cotia a montante da

confluência do rio Mutum Paraná. Coordenadas: W 64° 57' 32.8''; S 09° 45' 11.8''. Data: 15/03/2009 (águas altas).

]

Figura 22: Foto do ponto de amostragem 6, situado no rio Cotia a montante da

confluência com o rio Mutum Paraná. Coordenadas: W 64° 57' 32.8''; S 09° 45' 11.8''. Data: 26/08/2009 (águas baixas).

Figura 23: Foto do ponto de amostragem 7, situado na margem direita do Bolsão Lateral

do rio Mutum Paraná. Coordenadas: W 64° 56' 31.7''; S 09° 36' 59.4''. Data: 15/03/2009 (águas altas).

Figura 24: Foto do ponto de amostragem 7, situado na margem direita do Bolsão Lateral

do rio Mutum Paraná. Coordenadas: W 64° 56' 31.7''; S 09° 36' 59.4''. Data: 26/08/2009 (águas baixas).

Figura 25: Foto do ponto de amostragem 8, situado no bolsão Lateral do rio Mutum

Paraná. Coordenadas: W 64° 57' 07.9''; S 09° 37' 09.4''. Data: 15/03/2009 (águas altas).

Figura 26: Foto do ponto de amostragem 8, situado no bolsão Lateral do rio Mutum

Figura 27: Foto do ponto de amostragem 9, situado na margem esquerda do Bolsão

Lateral do rio Mutum Paraná. Coordenadas: W 64° 57'03.0''; S 09° 37' 26.1''. Data: 15/03/2009 (águas altas).

Foto do ponto de amostragem 9, situado na margem esquerda do Bolsão Lateral

do rio Mutum Paraná. Coordenadas: W 64° 57'03.0''; S 09° 37' 26.1''. Data: 19/11/2008 (águas baixas).

Figura 28: Foto do ponto de amostragem 9, situado na margem esquerda do Bolsão

Lateral do rio Mutum Paraná. Coordenadas: W 64° 57'03.0''; S 09° 37' 26.1''. Data: 19/11/2008 (águas baixas).

No período de águas altas, o rio Mutum Paraná tem sido utilizado por garimpeiros de ouro para realizarem a manutenção de suas balsas e dragas desde o auge da exploração do ouro na região entre as décadas de 70 e 90.

As FIGURAS 28 e 29 mostram a presença de dragas e sucatas das dragas no local utilizado como refúgio no período de cheia e local de manutenção dos equipamentos.

Figura 29: Manutenção de balsas e dragas no rio Mutum Paraná. Data: 15/03/2009

(águas altas).

Figura 30: Material das balsas e dragas no rio Mutum Paraná. Data: 26/08/2009 (águas

Os resultados dos parâmetros físicos e químicos determinados “in loco” nas campanhas de amostragem na bacia do rio Mutum Paraná nos período de enchente, cheia, vazante e seca estão apresentados nas TABELAS de 2 a 5.

Tabela 2: Resultados dos parâmetros físicos e químicos dos pontos amostrados na bacia

do rio Mutum Paraná e Bolsão Lateral do Mutum Paraná no período de enchente (19/11/2008).

Ponto pH O.D.a Turbidezb Condutividadec Temperaturad

1 5,44 5,0 26,6 11,48 27,3 2 5,33 2,4 40,1 12,62 28,4 3 5,62 4,7 37,3 11,62 26,2 4 5,15 4,2 28,6 12,35 26,4 5 5,25 4,2 18,9 6,13 26,3 6 5,7 4,6 37,4 13,27 26,3 M rio* 5,4+0,2 4,2+0,9 31,5+8,2 11,2+2,6 26,8+0,9 7 5,34 3,1 3,1 3,27 31,1 8 5,52 3,2 2,9 3,23 31,4 9 5,43 3,2 3,1 3,31 30,9 M Bolsão* 4,9+0,2 3,2+0,1 3,0+0,1 3,3+0,1 31,1+0,2

Legenda: a = mg L-1; b = NTU; c = µS cm-1; d = oC; O.D. = oxigênio dissolvido (mg L-1);* = média e desvio padrão; ** = valor excluído da média.

Tabela 3: Resultados dos parâmetros físicos e químicos dos pontos amostrados na bacia

do rio Mutum Paraná e Bolsão Lateral do Mutum Paraná no período de cheia (15/03/2009).

Ponto pH O.D.a Turbidezb Condutividadec Temperaturad

1 5,05 6,4 77,8 9,2 25,7 2 4,76 4,1** 12,6** 10,3 25,4 3 5,06 6,2 87,3 9,6 23,6 4 5,08 6,1 71,6 9,4 23,7 5 4,97 5,9 66,7 7,3 24,1 6 5,05 5,8 81,1 9,2 23,7 M rio* 5,00+0,1 6,1+0,2 76,9+8,0 9,1+1,0 24,4+0,9 7 5,06 4,6 3,1 10,1 27,4 8 4,79 4,3 2,9 10,6 27,2 9 4,77 4,4 3,1 10,7 26,8 M Bolsão* 4,9+0,2 4,4 +0,1 3,0+0,1 10,5+0,3 27,1+0,3

Legenda:a = mg L-1; b = NTU; c = µS cm-1; d = oC; O.D. = oxigênio dissolvido (mg L-1);* = média e desvio padrão; ** = valor excluído da média.

Tabela 4: Resultados dos parâmetros físicos e químicos dos pontos amostrados na bacia

do rio Mutum Paraná e Bolsão Lateral do Mutum Paraná no período de vazante (15/06/2009).

Ponto pH O.D.a Turbidezb Condutividadec Temperaturad

1 5,10 6,7 21,3 9,2 24,3 2 4,36 3,1** 6,4** 7,5 25,9 3 5,00 6,2 21,4 8,7 24,2 4 5,00 6,4 19,6 9,2 24,2 5 4,86 6,0 15,6 6,2 24,3 6 5,15 5,9 18,3 9,2 24,1 M rio* 4,91+0,3 6,2+0,3 19,2+2,0 8,3+1,1 24,5+0,6 7 4,46 4,8 3,3 10,1 27,8 8 4,37 4,5 3,0 10,6 27,6 9 4,30 4,6 3,0 10,7 26,8 M Bolsão* 4,4+0,07 4,6 +0,1 3,1+0,1 10,5+0,3 27,7+0,1 Legenda:a = mg L-1; b = NTU; c = µS cm-1; d = oC; O.D. = oxigênio dissolvido (mg L-1);* = média e desvio padrão; ** = valor excluído da média.

Tabela 5: Resultados dos parâmetros físicos e químicos dos pontos amostrados na bacia

do rio Mutum Paraná e Bolsão Lateral do Mutum Paraná no período de seca (26/08/2009).

Ponto pH O.D.a Turbidezb Condutividadec Temperaturad

1 5,15 6,1 16,9 8,2 27,3 2 4,13 4,1** 16,4** 7,5 25,8 3 5,10 6,2 19,3 7,6 26,1 4 5,21 6,3 18,8 7,3 26,7 5 4,82 6,0 17,4 6,7 25,6 6 5,15 6,4 18,7 8,4 26,1 M rio* 4,93+0,4 6,2+0,1 18,2+0,9 7,6+0,6 26,3+0,6 7 4,16 4,7 3,0 9,3 29,8 8 4,00 4,6 3,0 9,6 30,3 9 4,20 4,7 3,0 10,1 30,1 M Bolsão* 4,1+0,09 4,7 +0,05 3,0+0,0 9,7+0,3 30,1+0,2

Legenda:a = mg L-1; b = NTU; c = µS cm-1; d = oC; O.D. = oxigênio dissolvido (mg L-1);* = média e desvio padrão; ** = valor excluído da média.

A bacia hidrográfica do rio Madeira tem uma área total de aproximadamente 1,47 milhões de km2, o que representa cerca de 23% da Bacia Amazônica, sendo aproximadamente o dobro do tamanho de qualquer outra bacia tributária, e abrangendo parcialmente os territórios da Bolívia (40%), Brasil (50%) e do Peru

MÉDIA DO pH POR FASES HIDROLÓGICAS 4,91 4,93 5,40 5,00 4,90 4,40 4,10 4,90 4,00 4,10 4,20 4,30 4,40 4,50 4,60 4,70 4,80 4,90 5,00 5,10 5,20 5,30 5,40 5,50 5,60

CHEIA VAZANTE SECA ENCHENTE

FASES HIDROLÓGICAS

pH M rio* pH M Bolsão*

pH

(10%). Em território brasileiro, estende-se pelos Estados de Mato Grosso, Rondônia, Acre e Amazonas, sendo delimitada a leste pela bacia do rio Tapajós e a oeste pela bacia do rio Purus, ambos afluentes do rio Amazonas. A flutuação média anual da água do rio varia na faixa de 10,8 a 12,4 metros. A variação entre o pico de água alta e água baixa é de aproximadamente 15,4 a 21,8 metros (GOULDING et al., 2003). O regime hidrológico da bacia do rio Madeira é caracterizado por um período de águas baixas, de julho a outubro, e um período de águas altas, de fevereiro a maio, sendo as vazões mínimas do ano com maior freqüência em setembro e as máximas de março a abril. Portanto, as fases de enchente, cheia, vazante e seca ocorrem, de maneira geral, nos meses de janeiro, abril, junho e outubro, respectivamente.

Os valores médio de pH dos pontos amostrados na bacia do rio Mutum Paraná durante as estações hidrológicas foram de 4,93 a 5,0 entre os períodos de seca e cheia, enquanto que no Bolsão Lateral do Mutum foram de 4,1 a 4,9, sendo concordante com os valores de águas fracamente ácidas observadas na bacia do rio Madeira, e com o favorecimento de ambientes com menores valores de pH para sistemas lênticos (FIGURA 31).

MÉDIA DO OXIGÊNIO DISSOLVIDO POR FASES HIDROLÓGICAS 6,2 6,1 6,2 4,2 4,4 4,6 4,7 3,2 3,0 3,2 3,4 3,6 3,8 4,0 4,2 4,4 4,6 4,8 5,0 5,2 5,4 5,6 5,8 6,0 6,2 6,4

CHEIA VAZANTE SECA ENCHENTE

FASES HIDROLÓGICAS

O.D.ª

O.D.ª M rio* O.D.ª M Bolsão* Os resultados observados seguem a mesma tendência do rio Madeira, indicando maiores valores durante as fases de seca e enchente (6,8 - 7,3) e nos tributários (5,4 - 6,5), quando comparados aos valores observados nas fases de enchente e vazante, (6,1 - 7,0) e nos tributários (4,4 - 6,4). Referente ao efeito da acidez na metilação de mercúrio, segundo Fagerstrom & Jernelov (1972) a metilação decresce no sedimento com o aumento do pH, enquanto que Xun et al. (1987) indicam que baixos valores de pH podem diminuir a metilação de mercúrio. Portanto, o pH não é o único fator que regula a formação de metilmercúrio (ROCHA et al., 2000; ROCHA et al., 2003). Neste sentido também há controvérsias sobre a metilação do mercúrio em meio aeróbio ou anaeróbio (GUIMARÃES et al. 1998, 2000).

A média do teor de oxigênio dissolvido nos pontos amostrados ao longo da bacia do Mutum Paraná, apresenta valor de 6,2 mg L-1. (FIGURA 32).

Figura 32: Gráfico da média de oxigênio dissolvido por fases hidrológicas.

A oxigenação do rio Mutum Paraná segue a mesma tendência de sazonalidade do rio Madeira e tributários, com os níveis mais altos de oxigenação observados

durante as fases de águas altas, quando comparados com as fases de águas baixas, sendo observados valores médios durante o ciclo hidrológico no intervalo de 5 a 7 mg L-1. A média do teor de oxigênio dissolvido dos pontos amostrados no Bolsão Lateral do Mutum variou de 4,4 a 3,2 mg L-1, estando associado ao fato do Bolsão Lateral do Mutum ter sua circulação totalmente atrelada à variação de níveis do rio Madeira.

Os valores médios de turbidez dos pontos amostrados no Bolsão Lateral do Mutum (3 NTU) são aproximadamente 25 vezes menores quando comparados aos valores médios dos pontos amostrados ao logo da bacia do Mutum Paraná (77 NTU), sendo isso uma característica de sistema lêntico. Os valores de turbidez dos pontos amostrados ao longo da bacia do Mutum Paraná no período de águas altas (76 NTU) são aproximadamente 4 vezes maiores quando comparados ao período de águas baixas (18 NTU) (FIGURA 33).

FIGURA 33: Gráfico da média da turbidez por fases hidrológicas.

76,90 19,20 18,20 31,50 3,00 3,10 3,00 3,00 0,00 6,00 12,00 18,00 24,00 30,00 36,00 42,00 48,00 54,00 60,00 66,00 72,00 78,00

CHEIA VAZANTE SECA ENCHENTE

Turbidezb

FASES HIDROLÓGICAS

Turbidez.b M rio* Turbidezb M Bolsão*

Os valores de condutividade observados ao longo da bacia do rio Mutum Paraná apresentam considerável uniformidade e tendência decrescente da fase de águas altas (9,1 µS cm-1) para as águas baixas (7,6 µS cm-1) (FIGURA 34).

FIGURA 34: Gráfico da média da condutibilidade por fases hidrológicas.

Nos ambientes aquáticos da região Amazônica a temperatura apresenta comportamento homogêneo na massa de água, com variações pequenas na escala sazonal e espacial. Durante o monitoramento realizado, o comportamento sazonal da temperatura da água obedeceu a um padrão bem definido, com valores mais altos no verão, que na região se estende de novembro a março, abrangendo, portanto, as fases de enchente e cheia na bacia do rio Madeira. Os menores valores são observados nas fases de vazante e seca (maio a julho), que corresponde ao inverno, caracterizado inclusive pela ocorrência do fenômeno da “friagem” e o consequente resfriamento da coluna de água. O valor médio da temperatura no período de águas altas (24 oC), quando comparado ao valor médio da temperatura no período de águas baixas (26 oC), segue o comportamento sazonal característico da bacia do rio Madeira.

MÉDIA DO CONDUTIBILIDADE POR FASES HIDROLÓGICAS

8,30 11,20 9,10 7,60 3,30 9,70 10,50 10,50 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,00 10,00 11,00 12,00 13,00

CHEIA VAZANTE SECA ENCHENTE

FASES HIDROLÓGICAS Condutibilidadec

Condutividade M rio* Condutividade M Bolsão*

A temperatura média dos pontos amostrados no Bolsão Lateral do Mutum (27 - 30 oC) é aproximadamente 11% maior do que a temperatura média dos pontos amostrados ao longo da bacia do Mutum Paraná (24 - 26 oC), mais uma vez demonstrando características de sistema lêntico no Bolsão (FIGURA 35).

Figura 35: Gráfico da média da média da temperatura por fases hidrológicas.

A temperatura também exerce influência no processo de metilação do mercúrio, sendo observados resultados que sugerem a ocorrência de variações sazonais na produção de metilmercúrio, possibilitando inferir que a concentração de metilmercúrio em corpos aquáticos deva ser menor no inverno do que no verão (Wright & Hamilton,1982).

Os teores de mercúrio total (HgT) e metilmercúrio (HgMe) nas amostras de água superficial e sedimento coletados nos períodos de águas altas e baixas não obtiveram grandes variações nos períodos hidrológicos, portanto sendo apresentado apenas os valores mínimos e máximos na bacia do rio Mutum Paraná e no Bolsão Lateral do Mutum, estando, conforme a TABELA 6.

MÉDIA DA TEMPERATURA POR FASES HIDROLÓGICAS

24,50 26,80 26,30 24,40 27,10 27,70 30,10 31,10 23,00 24,00 25,00 26,00 27,00 28,00 29,00 30,00 31,00 32,00

CHEIA VAZANTE SECA ENCHENTE

FASES HIDROLÓGICAS

Temperaturad

Temperatura M rio* Temperatura M Bolsão*

Tabela 6: Resultados mínimos e máximos dos teores de mercúrio total (HgT) e

metilmercúrio (HgMe) em água superficial e sedimento de corrente nos pontos amostrados na bacia do rio Mutum Paraná e no Bolsão Lateral do Mutum Paraná nos período de enchente e cheia (19/11/08 - 15/03/2009), vazante e seca (15/06/2009 - 26/08/2009).

Ponto Água-HgT (ng L-1) Água-HgMe (ng L-1) Sedimento-HgT (µg Kg-1) Sedimento-HgMe (µg Kg-1)

1 < 4,2 < 0,3 277 – 400 0,55 – 0,69 2 < 4,2 < 0,3 221 – 260 1,19 – 1,12 3 < 4,2 < 0,3 107 – 340 0,65 – 1,42 4 < 4,2 < 0,3 109 –135 0,47 – 0,58 5 4,4 – 6,5 < 0,3 161 – 260 0,88 – 1,22 6 4,2 – 5,3 < 0,3 191 – 370 0,86 – 1,15 M rio* < 4,2 < 0,3 178+60 – 294+88 0,84+0,25 – 1,03+0,30 7 < 4,2 < 0,3 215 – 440 1,23 – 1,62 8 < 4,2 < 0,3 191 – 210 0,83 – 0,91 9 < 4,2 < 0,3 105 – 230 0,94 – 1,68 M Bolsão* < 4,2 < 0,3 170+47 – 293+100 1,00+0,2 – 1,40+0,35

O acompanhamento das concentrações de mercúrio na bacia hidrográfica do rio Madeira é um assunto que tem atraído as atenções de muitos pesquisadores nos últimos anos (MARTINELLI et al, 1988; MALM, 1997, MALM, 1998; LACERDA & PFEIFFER, 1992) devido à atividade garimpeira de ouro na região durante as décadas de 70 e 80. Bourgoin et al. (2000) mostraram que as concentrações de mercúrio total variaram nas águas ao longo da bacia do rio Madeira de 2,24 a 2,57 ng L-1 na região das águas glaciais do rio Zongo (“nascente” do Madeira), para 7,0 ng L-1 no trecho até Porto Velho e 9,49-10,86 ng L-1 até a confluência com o rio Amazonas. Lechler et al. (2000) estudaram as concentrações de mercúrio em solo, sedimento, água superficial e peixe ao longo de 900 km do rio Madeira, de Porto Velho a confluência com o rio Amazonas, sendo observados nas amostras de água valores de mercúrio total na faixa de 4 a 16 ng L-1.

A TABELA 7 mostra os valores descritos na literatura referentes a concentração de mercúrio total em água superficial da região Amazônica.

TABELA 7: Faixa de concentração de mercúrio total em água superficial da região

Amazônica. (Adaptado de Bisinoti et al. 2007)

Localização HgT( ng L-1) Referência

Confluência do dos Rios Madeira e Amazonas 10,8 Bourgoin et al. 2000

Rio Amazonas 11,3 Bonotto et al. 2003

Rio Madeira 7,0 Bourgoin et al. 2000

Rio Madeira 14,0 Lechler et al. 2000

Rio Madeira 24,6 Nriagu et al. 1992

Rio Madeira 22,2 Bonotto et al. 2003

Tapajós 2,8 Roulet et al. 1998

Tapajós 1,1 Roulet et al. 2000

Rio Negro (água escura) 4,5 Peleja et al. 2002

Bacia do Rio Negro (água branca) 4,5 Bisinoti et al. 2007

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