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4 – ÁREA DE ESTUDO

No documento brunodejesusfernandes (páginas 54-71)

A Bacia Hidrográfica do Córrego Tapera compreende uma sub-bacia na margem esquerda do Rio Paraibuna, localizada no perímetro urbano do município de Juiz de Fora (Figura 7).

O Município de Juiz de Fora encontra-se na porção média a baixa da bacia do Rio Paraibuna, pertencente à bacia do rio Paraíba do Sul. Está localizado na região Sudeste do Brasil, na região da Zona da Mata de Minas Gerais. Localiza-se a aproximadamente 200 km da cidade do Rio de Janeiro através da rodovia BR 040 e a 262 Km de Belo Horizonte, capital do estado.

Figura 7: Localização da Bacia do Córrego Tapera em Juiz de Fora, no âmbito regional e sul-ameri- cano.

A Bacia Hidrográfica do Córrego Tapera: Aspectos Territoriais e Evolução Histórica

Localizada na porção nordeste de Juiz de Fora, a bacia hidrográfica do córrego Tapera (BHCT) ocupa uma área de aproximadamente 5 km2 e abrange os bairros

Parque Guarani, Vale dos Bandeirantes, Vivendas da Serra, Quintas da Avenida, Bom Clima, Jardim Eldorado, Nossa Senhora das Graças e Santa Terezinha, onde residem cerca de 25 mil pessoas (Figura 8).

De acordo com o PDL (Plano de Desenvolvimento Local) da região Nordeste, após a abertura do Caminho Novo, que se limitou à margem esquerda do rio Paraibuna, o rei de Portugal permitiu o uso das terras para finalidade agrícola. A origem da região remonta à antiga sesmaria concedida ao Alcaide-Mor Tomé Corrêa Vasques, no início do século XVIII. Estas terras eram localizadas onde hoje estão os bairros Santa Terezinha, Bandeirantes e Granjas Betânia. Junto ao Córrego Tapera, nas proximidades da hoje Rua Alencar Tristão, foi construída a Alcaidemoria, em 1712, também conhecida como Fazenda Tapera que dá nome a bacia hidrográfica em estudo hoje tombada pelo patrimônio municipal. Topografia e disposição geográfica distintas determinaram ocupação diferenciada das regiões conhecidas como Tapera Alta e Tapera de Baixo.

Segundo a Prefeitura de Juiz de Fora (2015), em 1708, a Alcaide-Mor do Fisco e do Mays, da cidade do Rio de Janeiro, Tomé Corrêa Vasquez recebeu uma sesma- ria, onde hoje se localizam os bairros Santa Terezinha, Bandeirantes e Granjas Betâ- nia, por ocasião do seu casamento com a filha de Garcia Rodrigues Paes, Antônia Teresa Maria Paes. Antes da legalização da concessão da sesmaria, em torno de 1700, Tomé Corrêa havia contratado Pedro Durval para construção de uma casa, onde aquele residiu até sua morte. Esta casa (Figura 8) é a residência e mais antiga repartição pública de Juiz de Fora e de toda essa região do Estado, residência essa onde Tomé Corrêa Vasquez desempenhou a função de Alcaide-Mor; encarregado que estava de arrecadar, fiscalizar a renda devida à Fazenda Pública.

Após sua morte, a sede da casa, denominada Fazenda do Alcaide-Mor, da Ta- pera ou Alcaidemoria foi adquirida pela família Vidal que nela residiu de 1756 a 1764, pelos Tostes em 1879 e finalmente pela família Tristão em 1883 (PJF, 2015).

Figura 8: Fazenda da Tapera / Bairro Santa Terezinha / Rua Alencar Tristão, nº 360. Casa mais antiga da cidade (Arquivo Ramon Brandão, 2015).

Ainda de acordo com dados da Prefeitura de Juiz de Fora (2015), a fazenda passou à família de Custódio da Silveira Tristão, devido ao casamento de Custódio da Silveira Tristão com Josefina, cabendo a um de seus filhos, Cícero Tristão, o direito sobre a sede da fazenda como herança, que a doou em testamento à Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, por não possuir descendentes diretos. Após a morte de Cícero Tristão em 1954, a Fazenda do Alcaide-Mor passou a pertencer à Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, impondo como condições para efetivação da doação que Santa Casa mantivesse a casa como a recebeu; preservando assim o patrimônio histórico de Juiz de Fora e instalar no mesmo um serviço de assistência às crianças desamparadas e aos velhos doentes. Sabendo das condições impostas no testamento de Cícero, a Associação Feminina de Prevenção e Combate ao Câncer - ASCOMCER inaugurou na antiga fazenda o Instituto Dr. Cícero Tristão com o objetivo de amparar velhos desprovidos de recursos, que lá funcionou por dezoito anos.

Terezinha, nasceram também os bairros: Nossa Senhora das Graças, Bom Clima, Quintas da Avenida, e Vale dos Bandeirantes.

Mais próximos ao rio Paraibuna, na BHCT, espremidos entre a Mata do Krambeck e as altas vertentes que a separam da bacia do córrego Matirumbide, os bairros Santa Terezinha, Eldorado, Nossa Senhora das Graças, Bom Clima, Quintas da Avenida e Vale dos Bandeirantes experimentaram urbanização mais intensa, principalmente os dois primeiros. Santa Terezinha, em particular, conta com forte comércio e número significativo de empresas dos setores de indústria e serviços.

Os Bairros Manoel Honório, Santa Terezinha e seu entorno apresentam uma ocupação mais antiga, ao passo que na vertente do Bairro Grama, ao longo da MG- 353, o fenômeno é mais recente. Até meados da década de 60, os limites da mancha urbana não ultrapassavam a Garganta do Dilermando.

No Bairro Vale dos Bandeirantes foram implantados, ao longo dos anos 70, diversos conjuntos habitacionais destinados à população menos favorecida economicamente. Tais assentamentos trouxeram consigo a infraestrutura e impulsionaram a ocupação local, que hoje se apresenta muito intensa e com poucas áreas desocupadas. Sua configuração física é marcada por lotes de dimensões convencionais (10x25m), edificações de, no máximo três pavimentos e muitas residências unifamiliares. Sua população é constituída por camadas de renda média e baixa.

5 – METODOLOGIA

5.1 - Inventário Ambiental (Base Cartográfica Digital)

O inventário é o levantamento das condições ambientais vigentes na extensão da Bacia Hidrográfica do Córrego Tapera. É composto por oito planos de informação, que consistem em um modelo digital do ambiente compreendendo a Base de Dados Geocodificados da Bacia Hidrográfica do Córrego Tapera. Os planos de informação são: uso, ocupação e cobertura da terra (1968), uso, ocupação e cobertura da terra (2007), litologia, lineamentos estruturais, morfologia, solos, hipsometria e declividade.

5.1.1 - Litologia

Para a elaboração do mapa de litologia, foi utilizada a base da COMIG/UFMG na escala 1:100.000. Neste foram compiladas as classes litológicas referentes a área de estudo. Este mapa orientou os trabalhos de campo, juntamente com a utilização de ortofotocartas na escala 1:10.000.

5.1.2 – Lineamentos Estruturais

O mapa de lineamentos estruturais teve por base o mapeamento do Projeto Sul de Minas do ano de 2002 e dados cedidos pela Prefeitura de Juiz de Fora, por meio da Defesa Civil (2010).

A estes foram acrescidos lineamentos extraídos de feições lineares de relevo a partir de imagens de relevo sombreado, com aplicação de iluminação artificial ao MDE nas declinações de 45º, 120º, e 360º, e elevação de 45º com exageros de relevo. Os valores de acréscimo na escala vertical da superfície em relação à escala horizontal variaram entre 2 a 20. Na etapa seguinte foi efetuada a interpretação dos MDTs, gerados pelas imagens do LIDAR para a área de estudo, onde foram extraídos os principais lineamentos estruturais e posteriormente aplicado à estatística e geração dos gráficos de rosetas

Para a confecção do mapa de lineamentos estruturais a bacia hidrográfica de estudo foi digitalizada em software ArcGIS para sobreposição em imagens de satélite e radar para extração dos principais lineamentos estruturais representativos de traços retilíneos do relevo, muitas vezes vinculados as zonas de cisalhamento.

intervalos de 10°, e o documento cartográfico foi digitalizado em Auto Cad.

5.1.3 – Solos

Para a confecção do mapa de solos na escala de 1:10.000 procedeu -se à busca de informações bibliográficas a respeito dos solos de ocorrência na área, geologia, geomorfologia que pudessem contribuir para um melhor conhecimento prévio. Ainda, durante esta etapa, procedeu-se à interpretação preliminar, com base nos mapas planialtimétricos e de classes de declive, para a identificação d e padrões fisiográficos.

Em cada unidade pedogeomorfológica homogênea foram selecionados pontos de observação e amostragem representativos de cada classe de declive, de maneira a se obter um padrão dos solos embasado no efeito do declive, da pedoforma das curvas de nível e do perfil da encosta.

As áreas não visitadas, ou não amostradas, foram mapeadas pelo critério de analogia de padrões fisiográficos semelhantes, observados na análise cartográfica e nas observações de campo.

5.1.4 - Morfologia

O mapa morfológico foi criado a partir do levantamento topográfico por LIDAR, gerado pela empresa ESTEIO S/A no ano 2007, com 1 metro de resolução, adequa- dos para trabalhos na escala de 1:5000.

5.1.5 – Hipsometria

Dados compilados a partir do IBGE (2010), das curvas de nível e base da prefeitura de Juiz de Fora, utilizando-se o modelo topográfico de perfilhamento à Laser - o Light Detection and Ranging (LiDAR), referenciado no Sistema UTM SIRGAS 2000/23S e interpolado com resolução espacial de 1m x 1m.

5.1.6 - Declividade

O mapa de declividade foi gerado a partir da ferramenta do ArcGIS “Spatial Analyst/Superfície/Declividade”, utilizando-se o modelo topográfico de perfilhamento à Laser - LiDAR no intervalo de coordenadas 668992/670603E e 7595805/7597441N, sistema UTM (Universal Transverso de Mercator), referenciado no Sistema SIRGAS

2000 e interpolado com resolução espacial de 1m x 1m.

As classes foram definidas em intervalos manuais após a criação do modelo de declividade, foram utilizados os seguintes intervalos:< 6%; 6 –15%; 15 - 30%; 30 - 45%; 45 – 75%; 75 - 100%.

5.1.7 - Uso, ocupação e cobertura da terra (1968)

Na elaboração do Mapa de Uso e Cobertura da Terra na Bacia do Córrego Tapera foi utilizado o levantamento aerofotogramétrico de setembro de 1968, realizado pela empresa LASA – Engenharia e Prospecções S.A na escala de 1:5000. Todo este material foi cedido pela Prefeitura de Juiz de Fora. Este mapa foi criado a partir da análise das imagens na área compreendida pela Bacia do Córrego Tapera.

Para a determinação das classes de cobertura e uso da terra foi utilizado como referência o Manual de Uso da Terra, (IBGE, 2006), buscando priorizar a necessidade do conhecimento das áreas já ocupadas, principalmente as áreas edificadas, uma vez que são nessas áreas onde podem se localizar os maiores danos em caso de ocorrência de escorregamentos e, constituindo-se assim, as possíveis áreas de risco. Para execução do mapeamento de cobertura e uso foi utilizado o software ArcGis.

Com relação as classes adotadas para o mapa uso, ocupação e cobertura da terra de 1968, temos: área edificada, área de cultivo, capoeira, curso d’água, Floresta Estacional Semidecidual, gramíneas e solo exposto.

5.1.8 - Uso, ocupação e cobertura da terra (2007)

Na elaboração do Mapa de Uso e Cobertura da Terra na Bacia do Córrego Tapera foi utilizado o levantamento aerofotogramétrico de 2007, realizado pela ESTEIO S.A., com resolução de 1 metro por pixel e levantamento topográfico por LIDAR (Light Detection and Ranging), também com 1 metro de resolução, adequados para trabalhos na escala de 1:2000. Este material foi cedido pela Defesa Civil/PJF. Este mapa foi criado a partir da análise das imagens aéreas juntamente com visitas a campo, para conferências e algumas atualizações na área compreendida pela Bacia do Córrego Tapera.

Para a elaboração das cartas de uso e ocupação da terra e cobertura vegetal de 2007 foram feitas classificações manuais do mosaico de imagens das áreas da BHCT a partir dos levantamentos aerofogramétricos dos anos de 1968 e 2007. Cabe

ressaltar que toda a base cartográfica digital foi reprojetada no sistema de referência SIRGAS 2000/23S.

O processo de vetorização das classes foi feito manualmente – através da ferramenta “edição de polígonos” do software de geoprocessamento ArcGIS, tal procedimento foi utilizado devido a possível ocorrência de erros e problemas na geração das classes do mapa, caso fosse feito de forma automatizada.

Para a determinação das classes de cobertura e uso da terra foi utilizado como referência o Manual de Uso da Terra, (IBGE, 2006). Diante da utilização do mosaico de imagens, foram definidas as seguintes classes de uso e ocupação da terra: áreas edificadas, que representam os locais com consolidação da ocupação urbana; área de cultivo, que constituem pequenas plantações de cultivo familiar; gramíneas, áreas que compuseram cobertura vegetal arbórea pretérita, mas, que devido ao uso extensivo, deram lugar à agricultura e pecuária; vegetação mista (capoeira), composta por vegetação de porte médio (rasteira, arbustiva e arbórea espaçada); Floresta Estacional Semidecidual (vegetação arbórea), a qual é oriunda da Mata Atlântica, além de solo exposto e cursos d’água.

5.1.9 – Análise comparativa do uso, ocupação e cobertura vegetal entre os anos de 1968 e 2007

A fim de interpretar e analisar a evolução temporal do uso, ocupação e cobertura vegetal entre os anos de 1968 e 2007 foi utilizado o procedimento de monitoria.

Para a realização da monitoria foi necessário o levantamento das alterações ambientais de uso, ocupação e cobertura vegetal ocorridas na BHCT nos anos citados acima.

Cabe ressaltar que Xavier-da-Silva (2001) elucida que a conceituação da monitoria simples consiste na “definição de alterações de localização e extensão de características ambientais determinadas, ao longo de um período definido”.

5.1.10 – A Legislação para uso e ocupação do solo

Para que fosse compreendido se o uso e ocupação do solo na Bacia Hidrográfica do Córrego Tapera cumpria ou não às exigências da legislação federal e municipal, recorreu-se à Lei federal nº 6766 (BRASIL, 1979), e em âmbito local a lei municipal nº 6908 (JUIZ DE FORA, 1986). Em geral, possuem vários pontos

semelhantes, isso porque a Lei municipal foi baseada na lei federal, porém o município possui algumas especificidades. Portanto, a Lei nº 6766 (BRASIL, op cit., Cap I, art. 3º, parágrafo único) coloca os seguintes itens de restrição ao parcelamento:

“Não será permitido o parcelamento do solo:

I - em terrenos alagadiços e sujeitos a inundações, antes de tomadas as providências para assegurar o escoamento das águas;

Il - em terrenos que tenham sido aterrados com material nocivo à saúde pública, sem que sejam previamente saneados;

III - em terrenos com declividade igual ou superior a 30% (trinta por cento), salvo se atendidas exigências específicas das autoridades competentes;

IV - em terrenos onde as condições geológicas não aconselham a edificação;

V - em áreas de preservação ecológica ou naquelas onde a poluição impeça condições sanitárias suportáveis, até a sua correção”.

A Lei municipal nº 6908 (JUIZ DE FORA, op. cit., Cap. II, Sec I, art. 6º) acrescenta ainda os seguintes itens:

“Nenhuma modalidade de parcelamento do solo será permitida em: VI - áreas contendo matas ou florestas, sem prévia manifestação favorável das autoridades competentes;

VII - áreas com reservas naturais que o Poder Público tenha interesse em sua defesa e proteção;

VIII - área de beleza natural paisagística de interesse público”.

5.1.11 – Mapeamento das cicatrizes de escorregamento:

A metodologia utilizada para identificação e mapeamento das cicatrizes de escorregamento pautou-se na realização de trabalhos de campo com o auxílio de GPS, de cartas topográficas e de imagens correspondentes ao levantamento aerofotogramétrico de 2007, além da utilização de técnicas de fotointerpretação.

Após identificação e localização das cicatrizes de escorregamento, as mesmas foram vetorizadas e georreferenciadas através do sistema de referência Sirgas 2000 e sistema de Coordenadas UTM, para posterior edição e montagem do plano de informação correspondente. A dificuldade em visualizar as cicatrizes identificadas em campo na imagem referente ao ano de 2007 fez com que fosse repensada a delimitação de suas áreas de abrangência, visto que as delimitas poderiam comprometer a precisão buscada nesta pesquisa.

5.2 – Assinatura Ambiental

O procedimento de assinatura ambiental, segundo Marino (2008), são procedi- mentos que permitem identificar a ocorrência conjunta de variáveis, através de plani- metrias dirigidas. Desta forma, podem ser conhecidas todas as características ambi- entais de um fenômeno, ou área escolhida, contidas nos planos de informação, rele- vantes ao estudo.

Com o objetivo de conhecer a ocorrência dos escorregamentos na BHCT, foi feito previamente um inventário ambiental com os seguintes mapas temáticos: uso, ocupação e cobertura vegetal (1968 e 2007), litologia, lineamentos estruturais, declividade, hipsometria, morfologia e solos.

A partir desta base de dados foram selecionados os mapas a serem utilizados no procedimento de assinatura, incluindo o mapa de cicatrizes de escorregamento, com a finalidade de gerar os relatórios de cada mapa.

Além de expressar as características em percentual, o relatório também indica o correspondente em pixels. Os percentuais são expressos em relação a área demarcada e também em relação a todo o mapa para que o pesquisador possa realizar uma comparação da área assinada com a área total.

5.3 – Avaliação Ambiental

Este módulo metodológico corresponde às avaliações ambientais diretas e complexas, ou seja, a integração de dados. As avaliações ambientais diretas resultaram no mapa de probabilidade de ocorrências de escorregamentos; já as avaliações complexas resultaram nos mapas de risco a escorregamento de 1968 e no mapa de risco a escorregamento de 2007, como podemos observar na árvore de decisão (figura 9).

Segundo XAVIER-DA-SILVA (2001), o mapeamento de uma avaliação é uma expressão territorial da estimativa feita, prevendo, portanto, o que ocorrerá, onde, em que extensão e próximo a que.

Este procedimento teve caráter analítico , ou seja, procurou-se obter conheci- mento científico de determinadas características ambientais, e caráter empírico, ou seja, também procurou-se adquirir conhecimento através das assinaturas, o que con- tribuiu para a definição das características ambientais que influenciaram, por meio da probabilidade de ocorrência de cada classe componente dos Planos de Informação para auxiliar a determinação de pesos e notas que foram fornecidos aos parâmetros e respectivas classes.

Para XAVIER-DA-SILVA e CARVALHO FILHO (1993), a Avaliação Ambiental permite com eficiência estimar a importância de cada parâmetro, para a ocorrência do evento, sendo que para cada Situação Ambiental são selecionados os principais pa- râmetros, representados pelos Cartogramas Digitais Básicos da Base de Dados. O procedimento para realização das avaliações passa necessariamente por uma atribui- ção de pesos e notas aos diferentes planos de informação e respectivas categorias envolvidas, conforme o grau de significância com relação à situação analisada.

5.3.1 – Avaliações Ambientais Diretas

Neste caso, as Avaliações Ambientais diretas foram processadas diretamente dos Cartogramas Digitais Básicos (Inventário Ambiental ou Base de Dados Geocodi- ficados), obtendo-se o mapa de probabilidade de ocorrência de escorregamentos, re- presentadas pelos Cartogramas Digitais Classificatórios Simples.

Os cartogramas digitais básicos envolvidos no cruzamento foram: solos, decli- vidade, morfologia, litologia e lineamentos estruturais.

Para dar embasamento científico ao cruzamento dos cartogramas e o resul- tado, ou seja, o mapa de probabilidade de ocorrência de escorregamentos foi aplicado o método Delphi ou a consulta direta a especialistas (experts).

É importante destacar que foi pensado cada item de modo isolado, pois a rela- ção entre uma característica e outra será construída pela aplicação do modelo, que necessariamente cruza todos os componentes.

Contudo, o procedimento constou da análise do plano de informação de um modo geral, e não de certas áreas definidas nos mapas. A escolha de áreas específi- cas no mapa para estudar a relação entre variáveis e assim atribuir pesos, que são a hierarquia de participação de cada uma no resultado final, foi um procedimento bas- tante eficaz.

Desta forma, o procedimento para realização das avaliações passa necessari- amente por uma atribuição de pesos e notas aos diferentes planos de informação e respectivas categorias envolvidas, conforme o grau de significância com relação à situação analisada. O somatório dos pesos aplicados aos parâmetros não deverá ex- ceder a 100%, ou seja, variando de 0 a 100%, de acordo com sua intensidade de participação.

Aplicando-se então, a técnica de Apoio à Decisão, foram efetuadas as análises dos parâmetros ambientais selecionados segundo o seu grau de importância com re- lação aos dois fatos estudado e gerados Cartogramas Digitais Classificatórios com as categorias expostas através de notas de 1 a 9, sendo que quanto mais próximo de 9, maior a probabilidade de ocorrência de escorregamentos ou do risco.

A seguir são discutidas as Considerações Ambientais Específicas dos seguin- tes Parâmetros Influenciadores:

LITOLOGIA – Peso 10%

A atribuição de peso 10% para a litologia se deve ao fato do mapeamento lito- lógico da área de estudo estar em escala de pouco detalhe 1:100.000, enquanto os outros mapeamentos estão em escala de grande detalhamento (1:10.000). Cabe res- saltar que para adaptar o mapa litológico as escalas de trabalho dos outros mapas foram necessárias inúmeras idas a campo para verificar os tipos de rocha mais co- mum na BHCT.

Com relação às notas dadas a cada classe litológica, estas foram influ- enciadas pelo o número de cicatrizes de escorregamento em cada classe litológica para assim dar as notas. Desta forma, as notas para cada classe foram:

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