Ana Maria Rita Milani (UFAL) e Marlene Grade (UFOP)
Palavras-chave: integração regional latino-americana, CEPAL, desenvolvimento
A integração regional latino-americana foi uma ideia que vem se configurando através da história desde o século XIX. No século XX, a integração regional estará relacionada à dimensão econômica e centrada no desenvolvimento. Na década de 1940, a CEPAL vai pensar a integração regional como um instrumento da industrialização que foi denominado de “velho re ionalismo”, conceito que vai mudando com o tempo passando pelo “re ionalismo aberto” e “re ionalismo pós-liberal”. Este arti o tem por objetivo apresentar uma análise a partir do velho regionalismo, que surge nas origens da CEPAL, na América Latina e sua evolução até os dias atuais salientando suas limitações para o desenvolvimento econômico. Observa-se na atualidade um ressurgir das ideias desenvolvimentista no plano político, no entanto, não é suficiente como para trabalhar um tema da complexidade da integração regional.
De América à Abya Yala. Semiótica da descolonização Armando de Melo Lisboa
Palavras-chave: descolonização, colonização
Dentro do amplo contexto epistemológico-político geocontinental, o trabalho discute a emergência do conceito de Abya Yala para designar o continente americano. Para tal, e considerando também o processo global de colonização-descolonização, faz um balanço das perspectivas pan-americanas, pan-latinas e pan-indígenas.
Lições da Crise para uma teoria da formação de blocos econômicos. E uma pitada de Teoria dos Jogos e de Geopolítica
Palavras-chave: crise, bloco econômico, geopolítica
Considerando-se que o MERCOSUL passa por um período que não é o de maior brilho em sua breve história, procurou-se reunir elementos de diversas fontes que pudessem apoiar e enriquecer uma discussão sobre integração Latino-Americana e, especificamente, sobre estratégias de formação e consolidação de blocos regionais. Trata-se de uma tentativa de colaborar com o que poderia ser referido como as ‘Teorias da Inte ração’, e com o melhoramento do projeto do MERCOSU . Para tal, de saída reuniram-se elementos relevantes captados nas repercussões da Crise iniciada em 2007/8, em países da União Europeia. Em seguida, fez-se uma breve incursão na Teoria dos Jogos para captar ferramentas de lógica, portanto não algébricas, em forma que já foi utilizada para o estudo de blocos regionais. Por fim, visita-se cautelosamente o mundo da Geopolítica, onde certamente encontram-se valiosas lições a serem aprendidas. A fusão destes pensamentos leva-nos a conclusão de que a consolidação do MERCOSUL não apenas é conveniente para o Brasil. É possivelmente indispensável como chave para abrir os caminhos para seu desenvolvimento.
Integração Latino-Americana: uma análise a partir das relações comerciais no âmbito do Mercosul
Gilca Garcia de Oliveira (UFBA) e Érica Imbirussú de Azevedo (UFBA)
Palavras-chave: América Latina, integração, MERCOSUL, relações comerciais
Este trabalho discute a integração latino-americana, principalmente, através de suas relações comerciais. Colocam-se em evidencia as economias que compõe o MERCOSUL: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai. Além, da interação com as principais economias parceiras: China, Estados Unidos e Europa. A verificação da constituição do processo de integração dos países que compõe a America latina, mais especificamente do MERCOSUL, se dá através das análises realizadas por Francisco de Oliveira (2006) e por Celso Furtado (2007). Uma avaliação quantitativa das relações comerciais foi feita por meio dos fluxos de importação e exportação do bloco econômico em relação às economias destacadas no período de 1995-2012. Desta forma, fica explicito o papel desta região no âmbito global, denotando a fragilidade e a vulnerabilidade desta, que reflete no processo de integração, tanto de forma mais ampla, se tratando da América Latina como um todo, quanto mais específica por meio do MERCOSUL.
A propósito de uma integração regional incompleta: uma análise do processo integrativo do Mercosul através dos fluxos de comércio entre 1992 e 2012
Kaio Glauber Vital da Costa (UFRJ)
Palavras-chave: MERCOSUL, integração regional
O objetivo do presente estudo é analisar a evolução do comércio exterior entre os países membros do MERCOSUL no período de 1992 a 2012. A literatura empírica sugere que a fragmentação dos processos produtivos possibilita a integração produtiva regional, interconectando os diversos países a partir da criação de especializações complementares e baseadas na criação de vantagens comparativas dinâmicas. Em primeiro lugar, procuramos localizar teoricamente a análise, definindo os conceitos e termos que foram utilizados ao longo do estudo. Em seguida, analisamos a evolução do comércio exterior dos países-membros do MERCOSUL segundo os estágios de produção, de modo a mostrarmos a como os países participam no atual contexto da fragmentação internacional da produção. A principal conclusão é que o modelo atual de integração regional do MERCOSUL reproduz as assimetrias encontradas na relação centro-periferia: os países mais frágeis do bloco, Paraguai e Uruguai, possuem déficits comerciais com os países mais dinâmicos, Argentina e Brasil,
ao mesmo tempo em que o padrão de inserção externa do bloco ocorre através do comércio de recursos naturais e/ou operações de montagem de bens finais.
Os projetos prioritários do Brasil na Iniciativa para a Integração da Infraestrutura da Região Sul-Americana (IIRSA)
Daniela Franco Cerqueira (UFF)
Palavras-chave: integração regional, Região Sul-Americana (IIRSA)
O presente texto visa caracterizar os objetivos que impulsionam a participação do Brasil na construção da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura da Região Sul-Americana (IIRSA). Além disso, pretende delinear os possíveis desdobramentos da consecução de tal integração no desenvolvimento do país e da América do Sul. Para tal, faz-se uma análise dos pressupostos que balizam a construção da IIRSA e uma breve caracterização das inversões que contam com a participação brasileira. Em seguida, mostra-se o papel que a IIRSA cumpre nos projetos governamentais de desenvolvimento e na dinâmica atual da acumulação capitalista. Por fim, ressaltamos os limites da nova estratégia para contribuir no processo de desenvolvimento econômico do Brasil e da América do Sul.