𝑃= 𝜋𝑔(2𝑁𝑖𝑔− 𝑔) 𝜋(𝑁 𝑔)2 = 𝜋𝑔 2(2𝑁𝑖− 1) 𝜋 𝑁2𝑔2 = 2𝑁𝑖− 1 𝑁2 (5.1)
Como exemplo ilustrativo, vamos considerar algumas árvores: Árvore com 1 anel:
𝑃= 2×1−1
12 =1 = 100% Árvore com 2 aneis:
1º anel: 𝑃 = 2𝑥1−1 22 = 14 =25% 2º anel: 𝑃 = 2𝑥2−1 22 = 34 =75%
Árvore com 10 aneis: 1º anel: 𝑃= 2𝑥1−1 102 = 1001 =1% 10º anel: 𝑃= 2𝑥10−1 102 =19% E, como deveria ser, os resultados somam 100%.
Sabemos, porém, que as árvores não depositam aneis de mesma espessura, mas que cada anel é ligeiramente mais fino que o anterior. Dessa maneira é preciso atualizar o modelo para levar em conta essa variação.
Vamos considerar então uma árvore que deposita aneis que diminuam conti-nuamente por um fator constante. Dessa maneira definimos:
𝑔1→ Espessura do primeiro anel 𝑔𝑖→ Espessura do anel 𝑁𝑖
𝛼→ Fator de diminuição (constante neste modelo) 𝑟𝑖→ Raio da árvore até o anel 𝑁𝑖
Assim, contando os aneis do centro para fora, temos 𝑔𝑖 = 𝑔1− 𝛼(𝑁𝑖− 1) De maneira que 𝑔1= 𝑔1 𝑔2= 𝑔1− 𝛼 𝑔3 = 𝑔1− 2𝛼 𝑔4 = 𝑔1− 3𝛼 . . . e 𝑟𝑖 = 𝑁𝑖 Õ 𝑗=1 𝑔𝑗
Mesmo ainda nos estágios iniciais, este modelo tem grande potencial para o tratamento de incertezas relacionadas aos carvões pelo efeito da madeira antiga. Sabendo-se de que árvore o carvão veio temos informações como o tempo de vida e diâmetro médio da mesma, então podemos tentar predizer o impacto disso no resultado final.
Capítulo 6
Conclusão
Em suma, devemos sempre atualizar os protocolos do laboratório quando for possível, seja por motivos de custo ou para adotar novas técnicas. A antracologia pode ser um aliado poderoso para projetos envolvendo incêndios, pois podem ser decisivos em se entender de maneira mais profunda os contextos em que os carvões estão inseridos.
Devido à pequena quantidade de amostras analisadas, os resultados ainda não são conclusivos, porém isto é um incentivo para futuras colaborações nacionais e internacionais, novas e recorrentes, o que é saudável e necessário para a manuten-ção de qualquer laboratório.
O que podemos concluir, porém, é que os resultados nos mostram que o nível de contaminações nos carvões de maneira geral (pelos menos nas áreas da Bacia Amazônica, mas possivelmente em outras regiões) são muito menores do que o esperado, logo temos a perspectiva de poder criar protocolos sem a presença de um tratamento químico tão agressivo, o que abre uma miríade de possibilidades para tratar carvões que não poderiam ser datados de outra maneira.
Além disso com uma elaboração mais desenvolvida do modelo matemático po-demos tentar programar um método iterativo de forma a simular cenários diferentes e ter resultados mais confiáveis, que possam ser integrados à outros programas de modelo deposicional já usados, o que impactará positivamente as datações futuras de carvão e nos dará precedente para a criação de modelos semelhantes para outras amostras, adaptadas às suas particularidades, é claro.
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