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Âmbitos temporal, material e espacial de aplicação

3. REGIME JURÍDICO DO TRANSPORTE MULTIMODAL

3.1 O direito interno do transporte multimodal nos

3.2.2 O transporte multimodal no direito do Mercosul

3.2.2.1 A disciplina jurídica do Acordo Parcial para a

3.2.2.1.1 Âmbitos temporal, material e espacial de aplicação

No aspecto temporal e material, o art. 6º de ambos Acordos estabelecem que a responsabilidade do OTM engloba o período correspondente desde o momento que recebe as mercadorias sob sua custódia até o momento que as entrega no destino convencionado.

Mais especificamente, o art. 1º, incisos j) e k) do Acordo do Mercosul, e os correspondentes do Acordo de Ministros, definem tais questões.

De acordo com tais normas, os Acordos se aplicam desde:

a) que o OTM recebe as mercadorias sob sua custódia, vale dizer, desde que se coloque fisicamente as mercadorias em seu poder, aceitando transportá-las até o destino;

b) que as entrega em seu destino, vale dizer, até que se coloquem as mercadorias à disposição efetiva e material do consignatário, segundo o contrato de transporte multimodal ou as leis, usos e costumes;

Tais normas estão relacionadas com o âmbito temporal e material de aplicação dos Acordos, vale dizer, desde quando e em quais situações se aplicam.

Por sua vez, a aplicabilidade no tempo de ambos Acordos coincide com o período de responsabilidade do operador de transporte multimodal.

Esse se compromete a um conjunto de obrigações diversas que, além de incluir, obrigatoriamente, o transporte por mais de um modo de transporte, inclui etapas de transporte propriamente dito, etapas de armazenamento, tarefas de consolidação, entre outras.

Assim, todo esse período de responsabilidade do OTM fica regulador pelos Acordos.

Ficam coincidindo o âmbito de aplicação temporal dessas normas com o período de responsabilidade do operador.

O art. 2º do Acordo do Mercosul estabeleceu o âmbito de aplicação espacial, ou seja, o âmbito territorial no qual ficará o transporte regulado pelas normas de tal Acordo.

Para tanto, para que resulte na aplicação do Acordo do Mercosul, é necessário:

a) que o lugar estipulado no contrato de transporte multimodal para que o operador tome as mercadorias sob sua custodia esteja situado em um Estado-parte do Acordo, ou

b) que o lugar estipulado no contrato de transporte multimodal para que o operador tenha entregado as mercadorias esteja situado em um Estado que seja parte do Acordo.

A redação do artigo com a conjunção alternativa “ou” indica que o Acordo do Mercosul aplicar-se-á tanto se apresenta a situação descrita no inciso a) como se apresenta a situação descrita no inciso b).

Em tais conjunturas, o Acordo aplicar-se-á a transportes cujo lugar de destino seja um Estado-parte do Mercosul, qualquer que seja sua origem.

Entretanto, o Acordo aplicar-se-á, ademais, a relações de transporte cujo lugar de origem previsto no contrato seja um Estado-parte do Mercosul, qualquer que seja seu destino.

Resumidamente, o Acordo se aplica:

a) a um transporte proveniente de e com destino a países que sejam parte do Acordo;

b) a um transporte com origem em um país que não seja parte do Acordo do Mercosul e cujo destino seja um país parte dele; e

c) a um transporte proveniente de um Estado-parte do Mercosul, mas cujo destino seja um país que não seja Estado-parte do mesmo, como no caso de Estados associados, entre outros.

Contudo, cabe mencionar que não se tem levado em conta a regra de conexão elementar de direito internacional privado dos contratos, segundo a qual o contrato é regido pela lei do lugar de constituição das obrigações, tal como na Lei de Introdução ao Código Civil brasileira de 1942 (LICC/1942).55

Diante disso, na ótica do direito internacional privado brasileiro, resulta possível aplicar o Acordo do Mercosul aos transportes multimodais originados em um Estado que seja parte e cujo lugar de destino não seja um Estado-parte do Acordo.

Assim é porque, em função do direito internacional privado brasileiro, aplica-se a lei do lugar de constituição da obrigação e essa lei será o Acordo do Mercosul.

Contrariamente, se aos contratos originados em países que não sejam parte do Acordo, mas destinados a países que sejam parte dele, aplica-se a eles a lei do lugar de constituição também. Em tal situação, não se aplicará o Acordo por não estar vigente no lugar de cumprimento ou execução.

Resumidamente, cabe considerar como mais razoável a solução pela qual o Acordo se aplica a transportes cujos lugares de origem e de destino sejam em Estados-parte do Mercosul.

O art. 2º do Acordo de Ministros de 1996 estabelece uma solução análoga, determinando que seja aplicável quando os pontos de origem e de destino estejam situados em Estados-membros do Acordo.

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A questão apresentada leva em consideração as normas de direito internacional privado brasileiro. Todavia, no âmbito do Mercosul ainda não existe harmonização dos sistemas jurídicos de direito internacional privado o que leva a crer que a solução para esse caso não seria tão simples. O direito internacional privado argentino, contrariamente à disposição do brasileiro, entende ser aplicável ao contrato de transporte a lei de execução do contrato ou a lei do lugar de cumprimento de sua obrigação mais característica.

Ademais, dispõe ainda que também será aplicável aos transportes unimodais quando faça remessa expressamente ao Acordo, o que parece ser sem propósito porque se tratam de normas voltadas à multimodalidade e não à unimodalidade.

Além disso, para que o Acordo do Mercosul seja aplicável, requer-se, além das questões já analisadas:

a) que, no documento de transporte multimodal, inclua-se uma remissão ao Acordo do Mercosul, indicando-se “Acordo de Transporte Multimodal Internacional – Mercosul –“. Essa exigência do art. 4º é injustiçada porque resulta suficiente exigir que os pontos de origem ou destino se encontrem em Estados-partes mercosulistas. Ademais, deixou-se liberada a aplicabilidade do Acordo à vontade do operador que, normalmente, redige e manda imprimir os documentos de transporte multimodal. Consequentemente, se o operador não estiver interessado na aplicação do Acordo, simplesmente, nada mencionaria sobre o Acordo e esse, por conseguinte, não se aplicaria. É razoável presumir que ao OTM será apropriado mencionar o Acordo porque, assim, beneficiar-se-á de suas causas de exclusão de responsabilidade e ademais poderá limitar sua responsabilidade, sendo injustificável que, finalmente, sua aplicação fique submetida à vontade de uma das partes. Essa exigência transforma o Acordo do Mercosul em um instrumento pouco apropriado para o alcance de uma harmonização normativa do transporte multimodal. O Acordo de Ministros de 1996, ao contrário, não exige a existência de uma referência expressa para tornar aplicável tal Acordo.

b) que o OTM se encontre inscrito no Registro de Operadores como o exige o art. 25; e

c) que o OTM tenha subscrito um seguro de responsabilidade civil como o exige o art. 30.

Se considerarmos que, para que se aplique o Acordo do Mercosul, o OTM dever estar inscrito em Registro do OTMs (art. 4º, último parágrafo) e que, para estar inscrito, requer-se um seguro de responsabilidade civil; por

transitividade lógica, para que se aplique o Acordo do Mercosul, é necessário que o OTM conta com um seguro de responsabilidade civil.

O Acordo de Ministros de 1996 estabelece no seu art. 45 como única sanção à falta de inscrição do OTM em registro competente, a perda do benefício da limitação de responsabilidade civil estabelecido no Acordo.