CAPÍTULO 3 | Docentes da Sequência de Comunicação Visual
3.2 Élide Monzéglio (19/04/1927 – 21/05/2006)
3.2.1 Influências e formação acadêmica
Élide Monzéglio formou-se artista plástica pela Escola de Belas Artes de São Paulo, com habilitação em Dese- nho e Pintura. Durante a década de 1950, fez diversos cursos relacionados: “História da Arte”, no Museu de Ar- te Moderna de São Paulo; “Estética”, com o Professor Campiglia, no Centro Acadêmico de Belas Artes; “Plásti- ca e composição”, com o Professor Caetano Fraccaroli. No início dos anos 1950, Monzéglio trabalhou como de- senhista técnico-científica em uma clínica ortóptica, onde fez um curso intitulado “Conhecimentos de Ótica e Fisiologia da Percepção”. Segundo o depoimento de uma ex-aluna (Damiani, 2012) próxima a Monzéglio, es- se trabalho influenciou seus estudos posteriores relaci-
Nos anos 1960, Monzéglio cursou disciplinas de pós-graduação na FAU USP (“Metadesign” e “Introdução à Teoria da Comunicação”) e fez um curso ministrado por Umberto Eco, intitulado “Comunicação de Massas”. Em 1973, defendeu seu doutorado “Interpretação do significado módulo/cor” na FAU USP e, em 1979, apresentou sua livre-docência “Espaço/Cor, unidade de comunicação”, também na FAU USP. Rea- lizou dois pós-doutorados, um na Facoltà de Architettura na Politecnico de Torino e outro no Istituto di Psi- cologia na Università degli studi di Roma la Sapienza.
3.2.2 Docência na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
A primeira indicação para que Élide Monzéglio fosse contratada pela FAU USP foi feita em 1956, pelo professor Zenon Lotufo, para que exercesse o cargo de Instrutor na disciplina “Desenho Arquitetônico”, parte da cadeira n. 16, “Composição de Arquitetura. Pequenas Composições I. Desenho Arquitetônico. Plástica I”. Por motivo desconhecido, esse processo foi indeferido9. Em 1958, nova indicação foi feita pelo Professor Ernest Mange, regente da cadeira n. 21, “Desenho Artístico”, e, em agosto do mesmo ano, Monzéglio foi contratada para o cargo de Assistente10. Com a Reforma do Ensino na FAU USP, Monzéglio manteve-se vinculada a Mange, ministrando a primeira disciplina da Sequência de Comunicação Visu- al11. Monzéglio ministraria “Comunicação Visual I” até 1970, quando a disciplina mudou de denomina- ção para “Expressão e Representação I”. Monzéglio ministrou disciplinas na graduação da FAU USP até sua aposentadoria, em 1997. Durante esse período, participou de diversos Conselhos na Faculdade e foi Vice-Diretora da FAU USP por duas vezes. Após sua aposentadoria, continuou em atividade como orien- tadora de mestrados e doutorados e docente no Programa de Pós-Graduação da FAU USP até 2006.
3.2.3 Ideias e didática como docente
Segundo Monzéglio (1993:64), o ensino de desenho na FAU USP objetivava preparar o aluno para que ti- vesse um primeiro contato com o desenho e pudesse dominar sua linguagem, sabendo relacionar a ex- pressão artística ao desenho técnico:
A intenção do ensino do desenho e arte era a de dar ao estudante os subsídios do domínio do traço, os instrumentos, os materiais, as técnicas de expressão e representações artísticas, próprias de formas e espaços arquitetônicos, e de elementos que são componentes e participantes de ambientações externas e internas de edifícios e edificações em geral.
A disciplina inicial da Sequência de Comunicação Visual tinha um caráter introdutório: passar ao aluno um vocabulário visual, a sintaxe da imagem. Para a professora, ao estudar a estrutura de algo, o aluno podia entender sua construção. Na visão de Monzéglio12, a Sequência de Comunicação Visual tinha a responsabilidade de desenvolver a capacidade sensível dos alunos, de percepção e de representação ob- jetiva dessa percepção sensível do arquiteto, habilitando-o ao uso das diferentes técnicas e linguagens
9 Processo RUSP 6579/56.
10 Processo RUSP 7924/58.
11 Segundo depoimentos de ex-alunos e da ex-professora Renina Katz, os registros oficiais de contrato não se refletiam direta-
mente dentro de sala de aula, de modo que, mesmo que fosse Assistente, Monzéglio tinha em sala de aula, o mesmo status que Mange.
Nos anos 1960, Monzéglio cursou disciplinas de pós-graduação na FAU USP (“Metadesign” e “Introdução à Teoria da Comunicação”) e fez um curso ministrado por Umberto Eco, intitulado “Comunicação de Massas”. Em 1973, defendeu seu doutorado “Interpretação do significado módulo/cor” na FAU USP e, em 1979, apresentou sua livre-docência “Espaço/Cor, unidade de comunicação”, também na FAU USP. Rea- lizou dois pós-doutorados, um na Facoltà de Architettura na Politecnico de Torino e outro no Istituto di Psi- cologia na Università degli studi di Roma la Sapienza.
3.2.2 Docência na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
A primeira indicação para que Élide Monzéglio fosse contratada pela FAU USP foi feita em 1956, pelo professor Zenon Lotufo, para que exercesse o cargo de Instrutor na disciplina “Desenho Arquitetônico”, parte da cadeira n. 16, “Composição de Arquitetura. Pequenas Composições I. Desenho Arquitetônico. Plástica I”. Por motivo desconhecido, esse processo foi indeferido9. Em 1958, nova indicação foi feita pelo Professor Ernest Mange, regente da cadeira n. 21, “Desenho Artístico”, e, em agosto do mesmo ano, Monzéglio foi contratada para o cargo de Assistente10. Com a Reforma do Ensino na FAU USP, Monzéglio manteve-se vinculada a Mange, ministrando a primeira disciplina da Sequência de Comunicação Visu- al11. Monzéglio ministraria “Comunicação Visual I” até 1970, quando a disciplina mudou de denomina- ção para “Expressão e Representação I”. Monzéglio ministrou disciplinas na graduação da FAU USP até sua aposentadoria, em 1997. Durante esse período, participou de diversos Conselhos na Faculdade e foi Vice-Diretora da FAU USP por duas vezes. Após sua aposentadoria, continuou em atividade como orien- tadora de mestrados e doutorados e docente no Programa de Pós-Graduação da FAU USP até 2006.
3.2.3 Ideias e didática como docente
Segundo Monzéglio (1993:64), o ensino de desenho na FAU USP objetivava preparar o aluno para que ti- vesse um primeiro contato com o desenho e pudesse dominar sua linguagem, sabendo relacionar a ex- pressão artística ao desenho técnico:
A intenção do ensino do desenho e arte era a de dar ao estudante os subsídios do domínio do traço, os instrumentos, os materiais, as técnicas de expressão e representações artísticas, próprias de formas e espaços arquitetônicos, e de elementos que são componentes e participantes de ambientações externas e internas de edifícios e edificações em geral.
A disciplina inicial da Sequência de Comunicação Visual tinha um caráter introdutório: passar ao aluno um vocabulário visual, a sintaxe da imagem. Para a professora, ao estudar a estrutura de algo, o aluno podia entender sua construção. Na visão de Monzéglio12, a Sequência de Comunicação Visual tinha a responsabilidade de desenvolver a capacidade sensível dos alunos, de percepção e de representação ob- jetiva dessa percepção sensível do arquiteto, habilitando-o ao uso das diferentes técnicas e linguagens
9 Processo RUSP 6579/56.
10 Processo RUSP 7924/58.
11 Segundo depoimentos de ex-alunos e da ex-professora Renina Katz, os registros oficiais de contrato não se refletiam direta-
mente dentro de sala de aula, de modo que, mesmo que fosse Assistente, Monzéglio tinha em sala de aula, o mesmo status que Mange.
12 Depoimento ao entrevistador Leandro Giamas Iafigliola, em 2001, e reproduzido em Trabalho Final de Graduação da FAU USP.
disponíveis, fossem as técnicas tradicionais13, fossem os sistemas computadorizados ou, ainda, fotogra- fia e vídeo, que foram incorporados no decorrer dos anos. Mesmo assim, sua posição era de que os alu- nos precisavam ter a experiência com o papel e o lápis, já que, naquele momento, o computador ainda não permitia muitas liberdades de desenho:
(...)você estuda a estrutura de uma letra, você entende a construção do dese- nho, são dados importantíssimos assim como o desenvolvimento do traço, da sensibilidade, que o computador não permite pois ele é uma máquina, você não deve deixar de dominar esta máquina mas também não deve deixar de conhecer o que você vai poder dar a ela (à máquina) para ela ter dar uma resposta, pois eu acho que é uma formação incrível que não deveria ser des- considerada; porém, alguns arquitetos não entendem isso ou que entendem num ponto de vista setorizado, do que cada um deles tem como formação”.
A disciplina “Comunicação Visual I” era composta de diversos exercícios, muitos deles desenhos de ob- servação desenvolvidos no pátio da Faculdade da Vila Penteado. Segundo Carlos Zibel14, Élide Monzéglio preocupava-se em – mesmo sendo uma artista plástica – direcionar o ensino de suas disciplinas para a arquitetura, aplicando exercícios com temas ligados à cidade e favorecendo o desenvolvimento da visão do arquiteto.
Em depoimento15, Cláudio Tozzi relata que, quando foi aluno de Monzéglio, em 1964, havia – por parte da professora – preocupação em adequar o ensino ao caso de cada aluno. Os alunos com maior conhe- cimento podiam, por exemplo, escolher quais materiais utilizariam nos exercícios. Liberdade que se re- petiria nas aulas da Professora Renina Katz.