• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO II – REVISÃO TEÓRICA

2.3. C RIAÇÃO DE V ALOR P ERCEPTÍVEL ATRAVÉS DE A TRIBUTOS S INGULARES

2.3.1. Transmitindo Sinais e Idéias para Criar Vantagem Competitiva

2.3.1.2. Ícones Distintos como Selos Distintivos de Valor

A pesquisa Brasil em Símbolos (PROENÇA DE GOUVÊA, 2005) se preocupou também em medir – com os ícones apresentados na embalagem de um produto indeterminado – a aprazibilidade dos dezesseis diferentes signos de brasilidade.

Estes foram avaliados utilizando uma escala Likert de nove pontos – de (1) muito desagradável a (9) muito agradável – pela qual se apurou preferência absoluta do consumidor brasileiro pela Bandeira Nacional, havendo grande descrédito para outros símbolos oficiais. O resumo da análise destes ícones é apresentado a seguir.

1º Lugar – Bandeira do Brasil (BBr): com nota média geral 7.26, foi bem avaliada por todos

e só não obteve a primazia nos indivíduos sem estudo, nos que nasceram no estado do Amazonas (2º lugar nestes) e naqueles de até 14 anos (3º lugar). Nestes perfis, sua avaliação foi inferior na ordem de 11,6%, 8,6% e 5,6%, respectivamente. Por outro lado, sua melhor avaliação foi para os nascidos em Roraima (+12,5%) e entre pardos e mulatos (+1,4%).

2º Lugar – O melhor do Brasil é o Brasileiro (MBB): com nota geral média 6.45, foi o mais

bem avaliado por aqueles indivíduos de até 14 anos, sem estudo ou nascidos no Amazonas. Mas, foi apenas o 3º colocado nos brasileiros de origem oriental e naqueles com elevado nível educacional. E, ainda pior, sequer esteve entre os três primeiros dentre os indígenas, assim como nas faixas etárias superiores a 27 anos e nas classes sociais extremas (A e E).

3º Lugar – Empresa 100% Brasileira (E%B): Avaliado com média de 6.33, este selo foi o

segundo melhor qualificado pelos indivíduos com ensino superior ou pós-graduação, assim como para aqueles nas faixas etárias superiores a 27 anos ou originários da Região Sul. Mas, não esteve entre os 3 primeiros para mulheres, menores de 26 anos (exceto faixa de 15 a 18), classe C, sem estudo, e indivíduos negros, pardos, mulatos e orientais.

4º Lugar – Orgulho de Ser Brasileiro (OSB): com média 6.32, esta declaração quase

empatou na 3ª colocação. Obteve melhor avaliação entre brasileiros negros (+10,3%) e menores de 14 anos (+10,0%), assim como nos estados do Centro-Oeste e Nordeste, especialmente MT (+12,7%), MA (+11,2%) e PI (+10,6%). Inversamente, foi pior avaliado por aqueles com mais de 40 anos (-7,6%), pós-graduados (-5,5%), e pelos nascidos no Pará (-12,0%) ou exterior (-7,6%).

5º Lugar – Empresa Nacional – Gerando Empregos para os Brasileiros (GEB): este apelo

“econômico” recebeu 6.09 de avaliação média, sendo o 2º colocado na percepção dos Orientais e dos nascidos no exterior. Destacou-se positivamente entre brasileiros negros (+8,0%) e menores de 14 anos (+5,3%). O slogan foi pior percebido por aqueles sem estudo (- 6,1%) e em algumas Unidades da Federação, como ES (-13,1%), PB (-9,7%), MT (-9,0%) e RR (-5,6%).

6º Lugar – Mapa do Brasil (MAP): o apelo “geográfico” obteve 5.99 de média nacional. Foi o

terceiro melhor avaliado para os brasileiros do Amapá (+8,5%) e aqueles com idade superior a 40 anos (+4,5%). O mesmo apelo não obteve êxito para a faixa etária de 27 a 30 anos (-5,2%) ou para os orientais (-5,0%), tendo ainda pior impacto para os nascidos no exterior (-8,5%) ou nos estados da PB (-12,2%), AM (-7,8%) e ES (- 6,3%).

7º Lugar – Marca Brasil (MBr): Esta marca, idealizada para simbolizar o Brasil junto ao

público externo, não obteve junto ao público doméstico o sucesso pretendido externamente, conforme demonstra a avaliação de 5.92. Os extremos estão em dois estados, no Amapá foi o terceiro pior estímulo avaliado (-20,6%) e no Espírito Santo foi o terceiro melhor ícone (+4,6%), agradando nacionalmente também os jovens de 15 a 18 anos (+8,6%) e pessoas com escolaridade fundamental (+8,1%).

8º Lugar – Produto do Brasil (PdB): Aproximando-se mais da nota indiferente, obteve 5.49

de nota média. Foi o estímulo que recebeu a pior avaliação para os indivíduos sem estudo (-8,06%), assim como para aqueles nascidos no Amazonas (-25,6%). Esteve entre os três apelos pior avaliados em outros Estados: DF e AC (2º pior) e RR (3º pior). Todavia, a avaliação foi superior nos nascidos em Rondônia (+10,4%) e na faixa de 31 a 40 anos (+5,8%).

9º Lugar – Valor Brasil (VBr): O apelo – criado pelo autor e incluído para análise teste – não

foi bem sucedido, obtendo 5.48 de média. Esteve entre as três piores notas nos indivíduos com mais de 40 anos ou com ensino superior, além dos nascidos em Rondônia, Sergipe e no exterior. Contudo, foram mais bem sensibilizados: os menores de 14 anos (+23,4%), os que possuem até o ensino fundamental (+16,8%), os negros (+14,2%) e os membros da classe E (+5,7%).

10º Lugar – Indústria Brasileira (IBr): A informação de uso obrigatório em embalagens de

produtos fabricados no Brasil obteve apenas 5.42 na nota ponderada. Esteve entre os três piores apelos avaliados naqueles com até o ensino fundamental ou sem estudo (-6,6%), para negros (-3,1%) e para os nascidos nos estados de AM, AP, MA, RN (respectivamente, -20,3%, -14,4%, -3,5% e -0,9%). Sua melhor avaliação foi nos naturais de RO (+12,7%).

11º Lugar – Made in Brazil (MiB): Em língua estrangeira, o apelo de procedência foi ainda

pior avaliado, auferindo 5.36 de média. Aparece entre os três piores apelos em todas as faixas menores de 22 anos, para mulheres, indivíduos com ensino médio ou fundamental, membros da classe C ou nascidos em diversos estados (AC, AP, AL, BA, CE, PI, MG, ES, RJ e MT). Porém, o apelo foi o terceiro melhor avaliado para os nascidos no exterior.

12º Lugar – Faixa Verde-Amarela (FVA): Este clássico símbolo cromático recebeu 5.33 de

nota. Embora tenha sido o 3º melhor apelo no estado de Roraima (+26,6%) e sido mais bem avaliado pelos maiores de 40 anos (+9,6%) e indivíduos com ensino fundamental (+6,2%). Figurou entre os três piores para a classe E, os sem estudo, os de origem oriental ou africana, os menores de 14 (ou entre 23 e 26 anos), e os nascidos na BA, PB, PI, MT e DF.

13º Lugar – Selo da República (SRr): Obteve 5.31 de nota média. Encontra suas melhores

avaliações (+9,4%) na faixa etária de 15 a 18 e naqueles com nível de escolaridade fundamental. Todavia, figura entre as três piores referências para aqueles com idade de 31 a 40 anos, os membros da classe D, os de origem oriental e os nascidos no exterior. Nos estados é mais bem avaliado no AP, RN e MA, e pior avaliado em TO, MS e PR.

14º Lugar – Marca do Governo (MGv): A marca do Governo Lula foi também medida com

5.31 de nota. Embora esteja como a 3ª pior avaliação geral, obteve uma percepção não tão ruim para os sem estudo (+15,1%) ou com ensino fundamental (+5,5%), os negros (+7,2%), os com até 14 anos (+6,4%) ou de 15 a 18 anos (+5,1%), além dos estados do PI (+15,4%), BA e AM (+10,7%), RO (+10,0%) e AP (+9,2%).

15º Lugar – “Sou brasileiro e não desisto nunca” (SbN): a penúltima colocada, que recebeu

nota 4.97, foi a primeira a ficar abaixo da média indiferente. Obteve, contudo, simpatia maior para os menores de 14 anos (+27,8%), os sem estudo (+24,5%) ou com ensino fundamental (+16,7%), os negros (+15,1%) e também nas classes inferiores D (+5,8%) e E (+5,0%). Nos estados não foi tão mal no PI (+28,4%), MA (+17,5%), RN e RO (ambos com +10,9%).

16º Lugar – Brasão de Armas (BAr): A pior avaliação ficou para este símbolo oficial

brasileiro, com meros 4.78 de avaliação média. Foi ainda pior avaliado nas faixas etárias entre 23 e 40 anos, assim como naqueles com ensino superior ou pós-graduação, tendo atingido nota 4.22 neste último, que só perde na pesquisa para a nota 3.22 atribuída neste mesmo símbolo por aqueles nascidos no exterior. Até no DF recebeu nota 4.47.

O registro destas informações se presta a auxiliar a decisão de escolha do símbolo nacional a ser agregado ao produto como selo distintivo, haja vista que a opção tende a variar conforme o público-alvo de interesse da empresa.

Ainda a mesma pesquisa (PROENÇA DE GOUVÊA, 2005), em uma outra abordagem subseqüente, utilizou-se das mesmas imagens simbólicas em uma outra medição. Os 16 (dezesseis) diferentes apelos foram apresentados, desta vez todos juntos, juntamente com a informação de que as caixas continham o mesmo produto, sendo solicitado que o respondente escolhesse três delas. O Gráfico 1 traz os resultados obtidos nesta avaliação com estímulo comercial.

Gráfico 1 – Resultado da Escolha de 3 Embalagens Simbólicas entre 16 Possíveis

Fonte: Pesquisa Brasil em Símbolos (deste autor, relatório em elaboração).

Esta pergunta voltou a revelar a superioridade do uso da Bandeira Nacional, não apenas como símbolo afetivo, mas como objeto de desejo. Assim como a bandeira manteve a liderança, não houve alteração nos três primeiros lugares.

Contudo, a análise da mudança de posições entre as diferentes abordagens sugere que a afetividade não se reverte em desejo nos seguintes casos: Mapa do Brasil (-6 colocações), Orgulho de Ser Brasileiro (-4), Gerando Empregos (-4), Marca Brasil (-3) e Produto do Brasil (-3). Já outros apelos tiveram mais sucesso comercial que afetivo: Marca do Governo Lula (+7 colocações), Made in Brazil (+6), Valor Brasil (+5) e Indústria Brasileira (+4).

Pela proibição do uso da Bandeira Nacional na embalagem de produtos, a alternativa imediata de se utilizar as cores nacionais foi estudada com maior profundidade no sub-item que segue.

Documentos relacionados