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Índice de Efetividade da Gestão Municipal

1. INTRODUÇÃO

2.2 PLANEJAMENTO ORÇAMENTÁRIO

2.7.1 Índice de Efetividade da Gestão Municipal

O IEGM é um indicador relativamente novo, que se relaciona com a gestão e com os efeitos das políticas públicas. Ele foi elaborado pela primeira vez tendo como base o exercício de 2015. Inicialmente, contou com a participação dos municípios de 22 estados e do Distrito Federal. Ficaram de fora: PA, PE, MT, e o PR (objeto desse estudo). O Estado do Paraná aderiu ao sistema apenas em 2016.

O IEGM é elaborado pelo Instituto Rui Barbosa (IRB) tendo como objetivo fornecer um diagnóstico completo da gestão municipal do Brasil. O instituto disponibilizou aos Tribunais de Contas a metodologia para apurar os índices que compõem o IEGM. Uma ferramenta com sete dimensões e 143 quesitos para mensurar os serviços públicos e a efetividade das políticas públicas, medindo a qualidade dos gastos públicos e dos investimentos realizados. Conforme o IRB, os resultados possibilitarão:

a aferição de resultados, correção de rumos, reavaliação de prioridades e consolidação do planejamento, favorecendo o controle social ao evidenciar a correspondência entre as ações dos governos municipais e as exigências da sociedade (INSTITUTO RUI BARBOSA, 2016, p. 3).

Esse índice foi elaborado inicialmente pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e posteriormente foi adotado pelos demais tribunais de contas, podendo ser utilizado como um instrumento de análise das contas públicas (ibidem).

Segundo Castro e Carvalho (2017), com as mudanças no papel do Estado, a busca por maior eficiência, eficácia e efetividade, levou os Tribunais de Contas a incorporar técnicas de controle gerencial que contemplassem a análise da eficiência, eficácia e efetividade na atuação dos governos.

O IEGM procura medir a qualidade dos gastos e o alcance dos objetivos estratégicos, com relatórios das áreas sensíveis para o planejamento público.

O IEGM Brasil permite observar os meios utilizados pelos municípios jurisdicionados no exercício de suas atividades. Estes devem ser disponibilizados em tempo útil, nas quantidades e qualidades adequadas e ao melhor preço (economia), de modo a entender a melhor relação entre os meios utilizados e os resultados obtidos (eficiência), visando ao alcance dos objetivos específicos fixados no planejamento público (eficácia) (INSTITUTO RUI BARBOSA, 2016, p. 7).

O índice considera informações: “dados governamentais e outras fontes oficiais de informação; dados oriundos de sistemas automatizados de apoio à fiscalização; informações levantadas a partir de questionários preenchidos pelas prefeituras Municipais” (ibidem, p.8).

Para Castro e Carvalho (2017, p. 57), o IEGM busca “condensar e aferir dados das administrações municipais” deixando de avaliar apenas a conformidade das ações governamentais e iniciando a mensuração e divulgação da sua efetividade.

O IEGM é composto por dimensões de execução do orçamento público, ou índices temáticos: educação; saúde, planejamento; gestão fiscal; meio ambiente; cidades protegidas e governança em tecnologia da informação que avaliam o resultado das ações efetuadas pelas gestões municipais em cada uma das dimensões, que serão apresentadas todas de acordo com os dados do Instituto Rui Barbosa (2016), na sequência.

A dimensão da educação gerou o indicador i-educ, que reúne informações sobre: avaliação escolar, planejamento de vagas, atuação do Conselho Municipal de Educação, problemas de infraestrutura, merenda escolar, situação e qualificação de professores, quantitativo de vagas, material e uniforme escolares” (ibidem, p. 9).

A dimensão da saúde gerou o indicador i-saúde, que reúne informações das quais se destacam:

Atenção Básica, Cobertura e ação do Programa Saúde da Família, atuação do Conselho Municipal da Saúde, assiduidade dos médicos, atendimento à população para tratamento de doenças como a tuberculose e prevenção de doenças como a dengue, controle de estoque de insumos, cobertura das campanhas de vacinação e de orientação à população (ibidem, p. 9).

A dimensão do planejamento gerou o indicador i-planejamento, que confronta o planejado com o executado, procurando identificar a coerência das metas alcançadas com os recursos utilizados e entre os resultados que foram alcançados com os reflexos nos indicadores dos programas.

A dimensão fiscal gerou o indicador i-fiscal, que analisa a aplicação dos recursos vinculados, a transparência da gestão e o respeito aos limites da LRF.

A dimensão ambiental gerou o indicador i-amb, que possui informações sobre resíduos sólidos, sobre saneamento básico, sobre educação ambiental, sobre estrutura ambiental e sobre o conselho ambiental.

A dimensão cidades gerou o indicador i-cidade, que mede a proteção aos cidadãos contra possíveis eventos de sinistros ou desastres, com informações sobre a identificação de riscos e plano de contingência.

E, por fim, a dimensão governança em tecnologia da informação gerou o indicador i-Gov TI, com dados sobre as políticas de uso de informática, sobre segurança da informação, sobre a capacitação do quadro de pessoal dos municípios e a transparência.

O IEGM consolida2 e apresenta seus resultados em cinco faixas, conforme

tabela abaixo:

Quadro 03 – Faixas de classificação do IEGM Nota Faixa Critério

A Altamente efetiva IEGM com pelo menos 90% da nota máxima e, no mínimo, 5 índices componentes com nota A B+ Muito efetiva IEGM entre 75,0% e 89,9% da nota máxima B Efetiva IEGM entre 60,0% e 74,9% da nota máxima C+ Em fase de

adequação

IEGM entre 50,0% e 59,9% da nota máxima

C Baixo nível de adequação

IEGM menor que 50%

Fonte: INSTITUTO RUI BARBOSA (2016, p. 1)

O índice apresenta algumas particularidades: se o município não atingir os 25% de aplicação para a educação, exigidos pela CF/88 será rebaixado para a faixa inferior; o município será rebaixado para a faixa C, a mais baixa, se não observar o art. 29-A da CF/88, que trata da despesa do poder legislativo municipal. Essa regra enfatiza a necessidade de o ente observar as disposições legais e, quando não o faz,

2 Pesos dos índices que compõem o IEGM: 20% i-fiscal; 20% i-planejamento; 20% i-saúde; 20% i-educ; 10% i-amb; 5% i-cidade; 5% i-gov ti (TCEPR (2017, p. 11).

ele entra em uma faixa que considera que existe uma necessidade de readequação nos investimentos daquela área.

O IEGM não ranqueia os municípios, pois não tem como objetivo a competição e sim a compreensão da gestão municipal e a promoção de mudanças na atitude dos gestores (CASTRO; CARVALHO, 2017).

O índice foi elaborado com a ideia de que possa ser utilizado para ser comparado a outros índices:

O IEGM Brasil foi construído para ser uma ferramenta de auxílio à fiscalização e ao controle social. Entretanto, o foco na infraestrutura e na efetividade permite o seu cruzamento com outros índices finalísticos, cujos resultados são afetados diretamente pelas políticas públicas aplicadas nos municípios, como o IDHM, o IVS e o IDEB (INSTITUTO RUI BARBOSA, 2016, p. 18).

Infelizmente, como esse índice foi adotado recentemente, não existem muitas informações sobre os seus usos ou de estudos que o considerem, principalmente no que se refere ao Estado do Paraná que só aderiu ao sistema em 2016.

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