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4 ANÁLISE DOS RESULTADOS

4.4 ÍNDICE DE EVIDENCIAÇÃO DO RISCO OPERACIONAL POR TIPO DE

Para verificar se há divergências no nível de evidenciação quanto ao tipo de controle acionário dos bancos, foi calculado a mediana dos anos analisados e verificado quantas instituições bancárias da amostra estavam acima do índice de evidenciação, conforme descrito na Tabela 12.

Tabela 12 - Comparação índice de evidenciação por tipo de controle acionário

2014 2015 2016

Mediana 0,55 0,55 0,63

Estatal 75% 87% 50%

Privado 50% 58% 50%

Fonte: Dados da pesquisa (2017).

Em 2014, 12 instituições financeiras obtiveram o índice de evidenciação acima da mediana, que era de 0,55. Quanto ao tipo de controle acionário dessas 12 instituições, observou-se que 75% desses bancos são controlados pelo poder público, são eles: Banestes, Banco do Brasil, Banese, Banpará, Banrisul e o Banco de Brasília. E 50% das instituições que tem o controle acionário privado e estão acima da mediana são: Banco Bradesco, Mercantil do Brasil, Banco Patagônia, Pine, Santander Brasil e Santander Espanha.

Em 2015, 14 instituições financeiras obtiveram o índice de evidenciação do risco operacional acima da mediana que também foi de 0,55. Dessas 14 instituições, 87% tem as ações controladas pelo Estado, são elas: Banestes, Banco do Brasil, Banese, Banpará, Banrisul, o Banco de Brasília e o Banco Nordeste do Brasil. As

instituições que mais evidenciaram em 2015 e que têm o controle de suas ações privadas foram: Banco Bradesco, Mercantil do Brasil, Banco Patagônia, Pine, Banco Pan, Santander Espanha e o Banco Itaú. Percebe-se que em 2015, nos bancos “públicos” o Banco do Nordeste alcançou a mediana, ao contrário de 2014 e nos bancos “privados”, o Banco Pan também alcançou o nível de evidenciação entretanto, o Banco Santander estava abaixo da mediana e não fez parte.

Em 2016, a mediana do nível de evidenciação saltou de 0,55 dos anos anteriores para 0,63. Nesse ano, 10 bancos apenas, apresentaram o nível de evidenciação acima da mediana. Dessas 10 instituições, 50% são controladas pelo poder público, são elas: Banestes, Banco do Brasil, Banrisul e Banco de Brasília. Os 50% das instituições que conseguiram índice de evidenciação acima da mediana em 2016 e tem suas ações são de controle privado, são: Banco Bradesco, Mercantil do Brasil, Banco Pan, Pine, Santander Brasil e Santander Espanha.

Pode-se perceber que os bancos públicos que tiveram os índices de evidenciação acima da mediana nos três anos analisados foram o Banestes, o Banco do Brasil e o Banrisul. Já os bancos privados que também tiveram os índices de evidenciação acima da mediana foram o Banco Bradesco, Mercantil do Brasil, Banco Pine e o Santander Espanha.

Entretanto, os bancos que não alcançaram a mediana dos índices de evidenciação em nenhum dos anos analisados foram: Banco Amazônia (público), Banco ABC Brasil, BTG Pactual, Banco Indusval e o Paraná Banco.

Como o número de componentes da amostra é pequeno, não é possível concluir que o tipo do controle acionário influência no nível de divulgação das categorias analisadas, entretanto, verifica-se que, no geral, as empresas públicas, evidenciaram mais do que os bancos privados.

4.5 INDICE DE EVIDENCIAÇÃO DO RISCO OPERACIONAL POR SEGMENTO

Para averiguar se existe diferenças no nível de evidenciação quanto à aderência da Governança Corporativa ou não, foi calculado a mediana dos anos analisados e verificado quantas instituições bancárias da amostra estavam acima da mediana do índice de evidenciação, conforme descrito na Tabela 13. Considera-se a

mediana para o ano de 2014 e 2015 igual a 0,55 e a de 2016 igual a 0,63, conforme visto no item anterior.

Tabela 13 - Comparação índice evidenciação por governança corporativa

2014 2015 2016

Mediana 0,55 0,55 0,63

Sim 55% 64% 55%

Não 67% 67% 36%

Fonte: Dados da pesquisa (2017).

Observa-se que em 2014, das 12 instituições financeiras que estão acima da mediana do nível de evidenciação, 67% não adotaram nenhum segmento da Governança Corporativa, são elas: Banestes, Banese, Banpará, Mercantil do Brasil, Santander Brasil e o Banco de Brasília. E 55% dos bancos que adotaram a Governança Corporativa, são: Banco Bradesco (N1), Banco do Brasil (NM), Banrisul (N1), Banco Patagônia (DR3), Banco Pine (N2) e Banco Santander Brasil (D R3).

Nota-se que no ano de 2015, houve 13 instituições com o índice de evidenciação acima da mediana de 0,55. Dessas, 67% não fazem parte de nenhum segmento de Governança Corporativa da Bolsa de Valores, são elas: Banestes, Banpará, Mercantil do brasil, Nordeste do Brasil e o Banco de Brasília. E 64% dos bancos ficaram acima da mediana no ano de 2015 e que adotam algum tipo de governança foram: Banco Bradesco (N1), Banco do Brasil (NM), Banrisul (N1), Banco Patagônia (DR3), Banco Pine (N2) e Banco Santander Brasil (DR3) e o banco Pan (N1).

No ano de 2016, houve uma diminuição no número de instituições, apenas metade da amostra ficou acima da mediana. Dessas, 55% adotaram algum tipo de governança corporativa e 36% das instituições não tem governança corporativa.

Fica evidente, nesse caso, que as instituições que têm melhores índices de evidenciação são adeptas à algum segmento de governança corporativa da BM&FBOVESPA. Verifica-se, portanto, similaridades nos resultados encontrados nos estudos de Costa, Goldner e Galdi (2007) que ao investigar os fatores que influenciam o disclosure dos maiores bancos nacionais concluíram que há relação positiva entre os níveis de governança corporativa adotadas pelos bancos e os níveis de evidenciação.

Pode-se observar, ainda, conforme demonstrado em estudos como os de Alves e Cherobim (2009) e Di Beneditto e Silva (2008) ainda é baixo o nível de

evidenciação do risco operacional de grande parte das instituições financeiras que operam com carteira comercial e possuem suas ações negociadas na BM&FBovespa no tocante às recomendações do Basileia II.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este capítulo apresenta as considerações finais e recomendações para futuras pesquisas. O objetivo geral do trabalho foi analisar o nível de evidenciação do risco operacional dos bancos que operam com carteira comercial e estão listados na BM&FBOVESPA, nos períodos de 31 de dezembro de 2014, 31 de dezembro de 2015 e 31 de dezembro de 2016. O estudo, caracterizado como descritivo e de natureza predominantemente qualitativa, utilizou-se da análise de conteúdo dos relatórios divulgados pelos 20 bancos componentes da amostra, para identificar os níveis de divulgação no período especificado. Para atingir o objetivo geral, buscou-se atender os objetivos específicos, descritos a seguir.

O primeiro objetivo específico foi de identificar quais eram as instituições financeiras listadas na BM&FBOVESPA e que operam com carteira comercial, este objetivo foi atingindo, conforme descrito no capítulo 4, no Quadro 8, estão expostos todos os bancos componentes da amostra, têm-se como informações complementares desses bancos, o total de ativo, o segmento à qual pertencem na bolsa de valores e também o controle acionário. Verificou-se que dos 20 bancos, quanto ao segmento, 11 deles aderiram à algum nível de governança corporativo, e em relação ao controle acionário, 8 deles são classificados como bancos “públicos” e os outros 12 são bancos “privados”.

O segundo objetivo específico foi identificar o nível de evidenciação do risco operacional do bancos componentes da amostra, baseando-se nas categorias e subcategorias contidas no Quadro 06, disposto no capitulo 3- as subcategorias foram adaptadas dos estudos de Alves e Cherobim (2009). Este objetivo foi alcançado de acordo com a Seção 4.2. Os resultados detalhados nas Tabelas de 1 a 10 indicam os percentuais e as quantidades de divulgação dos bancos para cada subcategoria associados às seguintes categorias: “Estratégias e Políticas”, “Estruturas e Organização da Função”, “Sistema de Reporte Interno”, “Ferramentas para Identificação e Avaliação do Risco”, “Técnicas para Diminuição do Risco”, “Abordagem para Avaliação de Capital”, “Encargo de Capital Regulamentar” e “Outras Informações”.

A análise por subcategorias permitiu identificar que as subcategorias mais evidencias pelos bancos, em todos os anos avaliados, foram: “Descrição dos objetivos

relacionados à gestão de riscos”, sendo divulgada, em média, por 95% das instituições financeiras. Em seguida, a subcategoria mais divulgada foi “Menção a ferramentas para identificar e avaliar o risco operacional”, este item foi divulgado, em média por 93,33% das instituições. Entretanto, a análise também permitiu averiguar a subcategoria menos evidenciada pelos bancos, que foi a “Menção a instrumentos para transferência do risco”, este item teve o percentual médio de divulgação pelos bancos de apenas 1,67%.

O terceiro objetivo foi comparar os índices de evidenciação do risco operacionais em bancos de controle público e privado. O alcance deste objetivo pode ser verificado na Subseção 4.4, para atingir esse objetivo foi considerado a mediana dos índices de evidenciação para os anos analisados, e concluiu-se que os bancos “públicos” divulgam mais as subcategorias analisadas do risco operacional do que os bancos “privados”.

O quarto objetivo foi comparar os índices de evidenciação do risco operacional dos bancos que possuem governança corporativa. Os resultados encontrados deste objetivo encontram-se na Subseção 4.5 deste trabalho. Para atingir esse objetivo foi considerado a mediana do índice de evidenciação e verificado quais são as instituições que mais evidenciaram as subcategorias. Esta análise permitiu identificar que as instituições financeiras que são adeptas a governança corporativa acabam evidenciando mais as subcategorias do risco operacional em seus relatórios.

O quinto objetivo foi analisar e comparar a evolução da evidenciação do risco operacional ao longo dos três períodos analisados, este objetivo foi atingido como pode ser visto ao longo do capítulo 4. Esta comparação permitiu identificar que a divulgação das subcategorias do risco operacional teve uma pequena evolução do ano de 2014 para o ano de 2015, pois em 2015 todos os bancos da amostra haviam divulgado a estrutura do gerenciamento do risco, atendendo o disposto da Resolução 3.380/2006. Entretanto, no ano de 2016 não houve evolução da divulgação, se comparado com o ano de 2015, pois dois bancos da amostra não haviam ainda divulgado até a data da coleta dos dados, o relatório contendo a estrutura do gerenciamento do risco. Verifica-se que a média de evidenciação por ano foi de 52% em 2014, 58% em 2015 e 56% em 2016.

O estabelecimento de padrões de disclosure pelo órgão regulador e supervisor é fundamental para assegurar o cumprimento das recomendações do

Acordo de Basileia II, além de possibilitar meios de comparação quanto ao nível de disclosure das instituições financeiras com relação aos riscos de suas atividades.

A análise do nível de evidenciação por subcategoria permitiu identificar que os níveis de evidenciação dos bancos com carteira comercial listados na BM&FBOVESPA apresentaram diferenças entre as subcategorias associadas a uma mesma categoria.

Os resultados aqui apresentados se referem apenas aos 20 bancos componentes da amostra e dos três anos analisados, assim, tais resultados devem ser interpretados considerando apenas o período e os bancos das informações aqui demonstradas.

Como sugestão para pesquisas futuras, análises que identifiquem a evidenciação de outros tipos de risco inerentes às atividades das instituições financeiras, tais como o risco de crédito e o de mercado. Poderia complementar os dados dessa pesquisa, estudos que estendessem a amostra para todos os bancos brasileiros, inclusive os bancos de crédito e os de desenvolvimento.

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