2.3 Perspectiva econômica: Inflação e reajustamento
2.3.2 Índice de Reajustamento por grupos de serviços do DNIT
um índice geral ou setorial, a recomposição ocorre com base na variação dos custos
unitários específicos das planilhas. (MENDES, apud BORGES, 2013).
após é aplicada a fórmula de Laspeyres, onde o denominador (base) está a soma dos valores de todos os itens no período anterior, e no numerador o valor dos itens com a mesma quantidade do período anterior, mas com o preço do período atual:
Equação 1 – Índice de Laspeyres
onde:
I t,0 = Índice de Laspeyres entre os períodos t e 0;
p it = preço do item i no período t;
q i0 =quantidade do item i no período 0;
p i0 =preço do item i no período 0;
q i0 = quantidade do item i no período 0.
No entanto, essa fórmula possui caráter apenas didático e conceitual, visto que a fórmula efetivamente utilizada é uma variação baseada no “Laspeyres encadeada de base móvel”. Nesse método, o índice é construído em cadeia. Por exemplo, o índice da base original até o período 3 é construído com 3 índices, entre os períodos 0 e 1, 1 e 2 e 2 e 3.
Segundo a Instrução de Serviço/DG/DNIT nº 03/2017, os índices de reajustamento devem ser utilizados “em todos os contratos de obras ou serviços que contenham cláusulas de reajustamento”.
A fórmula utilizada para a aplicação final dos índices de reajustamento consta da Instrução de Serviço/DG/DNIT nº 03/2017, a qual foi a mesma fórmula aplicada para o presente trabalho.
Equação 2 – Fórmula de reajustamento DNIT R = (I i – I 0 )/ I 0 * V
onde:
R = reajustamento
I i = índice de preço do mês atual
I 0 = índice de preço do mês base
V = valor a ser reajustado
Quadro 1 – Índices de Reajustamento disponíveis conforme o período
1994 a
2000
2001 a
2004 2005 2006 a 2008 2009
2010 a 2016
2017
Base do índice de preços ago/94 dez/00 dez/00 dez/00 dez/00 dez/00 dez/00
Terraplenagem X x x x x x x
OAE (obras de arte especiais) X x x x x x x
Pavimentação X x x x x x x
Consultoria X x x x x x x
IGP-DI X x x x x x x
Drenagem x x x x x x
Sinalização horizontal x x x x x x
Pavimento concreto/ Cimento Portland x x x x x x
Conservação Rodoviária x x x x x x
Ligantes betuminosos x x x x x x
Asfalto diluído x x x x x
CAP (cimento asfáltico de petróleo) x x x x x
Emulsões x x x x x
Sinalização vertical x x x x x
Ferro e aço – derivados x
OAE (sem aço) x x x
Vergalhões e arames de aço ao
carbono x x x
Produtos siderúrgicos x x x
Produtos de aço galvanizado x x x
Índice Nacional da Construção Civil x x
Administração local x
Mobilização e desmobilização x
Obras complementares e meio
ambiente x
Fonte: http://www.dnit.gov.br/custos-e-pagamentos/indices-de-reajustamentos-de-obras/indices-de-reajustamentos-de-obras-rodoviario.
Quadro 2 - Composição da cesta de alguns dos índices de reajustamento
Pavimentação Terraplenagem Obras de Artes Especiais Aquecedor de fluido térmico Caminhão basculante Aço CA-50
Caminhão basculante Caminhão basculante para rocha
Aparelho de apoio de neoprene Caminhão com carroceria de
madeira
Caminhão carroceria madeira Armador Caminhão distribuidor de
asfalto
Caminhão tanque Bainha metálica
Caminhão tanque Carregadeira de pneus Bate estacas à gravidade Carregadora de pneus Compressor de ar Betoneira
Distribuidor de agregados autopropulsado
Dinamite Brita
Distribuidor de agregados rebocável
Encarregado de pavimentação Caminhão basculante Encarregado de pavimentação Encarregado de turma Caminhão com carroceria de
madeira Encarregado de turma Escavadeira hidráulica com
esteira
Câmpanula de ar comprimido Escavadeira hidráulica com
esteira
Espoleta elétrica Carpinteiro
Filler calcário Fios de ligação Carregadeira de pneus
Grade de disco Girica Cimento Portland
Grupo gerador Grade de disco Compensado plastificado
Motoniveladora Marteleiro Compressor de Ar
Motorista Motoscraper Cordoalha
Óleo diesel Motoniveladora Encarregado de turma Operador de equipamento Óleo diesel Escavadeira com dragline Operador de usina de asfalto Operador de usina de asfalto Grupo Gerador
Operador de usina de brita Operário Óleo diesel Pedra britada Perfuratriz manual Operador Rolo compactador de pneus
autopropulsado
Rolo pé-de-carneiro auto propelido
Operário Rolo pé-de-carneiro
autopropulsado
Série de brocas Pedreiro Rolo tandem vibratório
autopropulsado
Trator de esteira com lâmina e escarificador
Servente
Servente Trator de esteiras com lâmina Tábua de pinho de 1ª Tanque estocagem de asfalto Trator de esteiras com lâmina
Trator de esteiras com lâmina Trator de pneus
Trator de esteiras com lâmina
Trator de pneus
Usina de Asfalto
Usina de pré-misturadora a frio
Usina misturadora de solos
Vassoura mecânica rebocável
Vibro acabadora de asfalto
Fonte: FGV/IBRE.
3 METODOLOGIA
A fim de atender ao objetivo do trabalho, qual seja, permitir a comparação da evolução dos preços do Sicro com a dos índices de reajustamento, optou-se por utilizar orçamentos completos e ajustados do DNIT visando reproduzir condições reais de contratos típicos.
A pesquisa se restringiu a apenas um pequeno grupo – 10 orçamentos – por não ter sido possível automatizar as cotações do Sicro 2 .
Sabe-se que praticamente a totalidade ou grande parte dos orçamentos contratados pelo DNIT possuem um percentual de composições que não advém do Sicro. Para os objetivos da pesquisa, houve necessidade de dar a essas composições algum tipo de tratamento, conforme será explicado.
A pesquisa encontra-se dividida em três grupos, sendo dois do Sicro 2 e um, composto de um único orçamento, do novo Sicro. Em ambos os grupos, foram utilizados os mesmos orçamentos. No entanto, trata-se de sistemas diferentes e inclusive os códigos, as composições, as produtividades e o tratamento de custos diretos e indiretos são diferentes. Portanto, as técnicas utilizadas para ajuste dos orçamentos foram diferenciadas.
Dentre as possíveis fontes de orçamentos de obras para o presente trabalho, optou-se por utilizar as planilhas de serviços e de resumo do contrato do sistema SIAC. Isso acabou por restringir a pesquisa a contratos da Lei 8666/1993.
Isso porque há uma diferença fundamental entre as medições de um contrato com base na Lei 8666/1993 e de um contrato RDC: no primeiro usualmente a medição ocorre por serviço unitário, enquanto no segundo, ocorre de maneira agrupada.
A consequência disso é que no sistema SIAC não é possível obter os serviços individualizados no caso do RDC, tendo em vista que eles são expostos em grandes grupos de medição como “terraplenagem do km x ao km y” ou
2
O sistema SAO desenvolvido no TCU permita a obtenção das cotações para um determinado orçamento a
partir dos códigos SICRO, mas verificou-se que essa obtenção ocorre de maneira imprecisa, resultado em
valores menores do que os do SICRO, tendo em vista o uso de apenas duas casas decimais ao invés de quatro
para os insumos (equipamentos, mão de obra e materiais) nas composições do SAO. Seria uma forma de
automatizar as cotações para essa pesquisa, no entanto, devido a isso, não foi possível utilizá-lo. O fato foi
relatado à equipe gestora do sistema.
“mesoestrutura do viaduto z”. Assim, o sistema SIAC não poderia servir de fonte de obtenção de orçamentos de RDC para os fins dessa pesquisa.
Some-se a isso o fato de que para o RDC há maior dificuldade de fácil obtenção de orçamentos, pois eles não constam dos editais, além de não constarem do sistema SIAC, como mencionado. No entanto, analisando-se alguns orçamentos referenciais de RDC, observa-se a ampla semelhança de serviços com os utilizados para os orçamentos da Lei 8666/1993. E não poderia ser de outra forma, já que o sistema de referência continua o mesmo. A partir dessa conclusão, entendeu-se ser suficiente utilizar apenas os orçamentos de contratos sob a égide da Lei 8666/1993 obtidos a partir do SIAC para a presente pesquisa.
Portanto, após o tratamento dos orçamentos (baseado, essencialmente, em substituições e exclusões), realizado separadamente em cada grupo (Sicro 2 e novo Sicro), foi gerado o produto de orçamentos 100% baseados em códigos do Sicro. Após isso, foram buscadas nas tabelas Sicro os valores dos serviços a fim de gerar valores de orçamento para várias datas.
Os mesmos serviços foram reunidos conforme os diversos grupos, por exemplo, terraplenagem, drenagem, cimento Portland, etc., e então foram aplicados os índices de reajustamento, o que possibilitou a comparação do Sicro com os índices de reajustamento para orçamentos completos.
Foram utilizados 10 orçamentos, escolhidos aleatoriamente, mas de forma que atendessem à necessidade de variação de localização, tipo de contrato e período. Foram utilizados os seguintes tipos de orçamento: 2 de construção, 1 de remanescente de construção, 2 de duplicação/restauração, 3 de adequação/restauração/melhoramentos, 1 de manutenção (programa Crema) e 1 de conservação e recuperação (programa Pato).
Após a obtenção da planilha de serviços do sistema SIAC/DNIT, foi
verificada a correspondência da descrição do serviço com a descrição do Sicro. Em
caso de correspondência perfeita, houve a inserção do código. Em caso de
correspondência aproximada, houve a substituição pelo código aproximado. Para
haver a substituição, um requisito fundamental foi a igualdade de unidade de
medida. Em caso de ausência de semelhança com os códigos disponíveis no Sicro,
o item foi eliminado da análise. Eventualmente, algum item foi retirado por não ter cotação para todos os meses necessários.
Portanto o ajuste dos orçamentos ocorreu por meio de duas técnicas:
substituição e exclusão. Os orçamentos utilizados, bem como os itens retirados e os itens substituídos constam dos Apêndices deste trabalho.
Não foram consultadas as composições das empresas nem foram desenvolvidas quaisquer composições de custos. Assim, praticamente toda a análise decorreu do nome da descrição do serviço constante do SIAC e da planilha contratual. Em algumas situações, a composição do Sicro era analisada para dirimir eventuais dúvidas. Não foram tratadas as distâncias médias de transporte dos orçamentos utilizados, tendo em vista que daria um trabalho excessivo realizar 500 composições apenas para o primeiro grupo, considerando a estimativa de 10 itens para 10 orçamentos e 5 períodos.
Dessa forma foram feitas duas importantes parametrizações, uma em relação ao transporte de materiais no grupo de pavimentação, e outra em relação às parcelas incidentes sobre o valor tabelado de materiais betuminosos.
Em relação ao primeiro caso, foi inserido, a título de transporte, a estimativa de 40 a 50% da soma do valor dos itens de pavimentação que têm transporte em suas composições, descontando disso eventuais valores de transporte já constando isoladamente nos orçamentos. Esse parâmetro surgiu da observação de alguns editais e já inclui a variação em função do BDI.
A outra parametrização inserida diz respeito às parcelas incidentes sobre o valor cotado de materiais betuminosos (CAP, emulsão e asfalto diluído). Nesse caso, foram acrescidos 40% a fim de representar os impostos (Pis-Pasep, Cofins, ICMS) e o BDI.
Essas simplificações, na forma de parametrizações, serviram para facilitar o trabalho, que envolveu inúmeras consultas de cotações. Caso fosse necessário ainda ajustar uma grande quantidade de composições, o trabalho possivelmente se tornaria inviável em um prazo razoável.
Já em relação aos valores de transporte de materiais betuminosos e de
mobilização, desmobilização, canteiros e assemelhados, todos foram retirados dos
orçamentos. No primeiro caso, porque se tratam de valores inertes para fins de
comparação, já que sua única forma de variação de preço é por meio dos índices de reajustamento e das respectivas equações, bastante estáveis no tempo.
Em relação à mobilização/desmobilização e administração local, em grande medida trata-se de construções corrigidas pelo INCC e, dessa forma, também se optou por deixar fora da análise, além da problemática de ser um valor genérico e amplo sem ter havido acesso à sua composição.
Além do Sicro, foi fonte de cotação a ANP (Agência Nacional do Petróleo), para obtenção das cotações de materiais betuminosos. Quando não havia a cotação para a unidade da federação, foi utilizada a cotação da região.
Nos períodos em que há divulgação de valores com e sem desoneração de tributos, foram utilizados valores sem desoneração.
Os demais aspectos metodológicos da pesquisa serão explicados separadamente conforme o grupo, Sicro 2 ou novo Sicro.
Os orçamentos ajustados são aproximados a um orçamento real de obra e não há garantia de que os serviços substituídos tenham gerado um conjunto de aplicabilidade técnica satisfatória, visto que o objetivo da pesquisa é reproduzir condições reais aproximadas e não exatas de custos rodoviários.
Destaque-se que optou-se pela utilização de orçamentos completos e
não apenas pelas faixa A ou A e B numa curva ABC de orçamentos com o intuito de
obter maior precisão e também porque com as técnicas de substituição de itens fora
do Sicro por itens disponíveis no Sicro houve alteração substancial de valor em
algumas vezes, como por exemplo no caso do reforço do subleito com rachão que
ao ser alterado pela composição de reforço de subleito do Sicro deixou de constituir
o item de maior valor do orçamento, passando para a 12ª posição no orçamento
ajustado; e de 9,41% do valor no orçamento real para 3,14% do valor do orçamento
ajustado. Questões semelhantes aconteceram com outros itens.
No documento
Sistemas referenciais de custos rodoviários federais : evolução histórica e métodos de reajuste
(páginas 50-58)