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2.2 Responsabilidade Social Corporativa

2.2.5 Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE

Atualmente a BM&FBOVESPA possui mais de vinte índices de ações, sendo o ISE um deles. Numa crescente, o ISE tem sido utilizado como uma ferramenta de comparação objetiva para o desempenho de empresas de capital aberto, que se destacam por alinharem-se aos preceitos da sustentabilidade e por adotarem práticas que contribuem para o desenvolvimento sustentável (BM&FBOVESPA, 2015).

Segundo BM&FBOVESPA (op. cit.), a metodología utilizada no índice promove a avaliação comparativa do desempenho das organizações sob diferentes aspectos, utilizando critérios de eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança. O questionário e o processo de seleção mostram-se, além de importantes como métrica, contribuintes no melhoramento da gestão da sustentabilidade nas organizações participantes.

O questionário é a base do processo de seleção das empresas que compõem a carteira do ISE. Desenvolvido pela equipe do GVces – Centro de Estudos em Sustentabilidade, o questionário é composto por sete dimensões, que avaliam diferentes aspectos da sustentabilidade:

• Dimensão Geral: compromissos com o desenvolvimento sustentável, alinhamento às boas práticas de sustentabilidade, transparência das informações corporativas e práticas de combate à corrupção.

• Dimensão Natureza do Produto: impactos pessoais e difusos dos produtos e serviços oferecidos pelas empresas, adoção do princípio da precaução e disponibilização de informações ao consumidor.

• Dimensão Governança Corporativa: relacionamento entre sócios, estrutura e gestão do Conselho de Administração, processos de auditoria e fiscalização, práticas relacionadas à conduta e conflito de interesses.

• Dimensões Econômico-Financeira, Ambiental e Social: políticas corporativas, gestão, desempenho e cumprimento legal.

• Dimensão Mudanças Climáticas: política corporativa, gestão, desempenho e nível de abertura das informações sobre o tema.

O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) foi estruturado, em 2005, pela BM&FBOVESPA, em conjunto com outras entidades, sendo o primeiro índice de sustentabilidade da América Latina. O índice tem o propósito de ser um benchmark de empresas que se destacam em promover boas práticas sustentáveis e possuem comprometimento com RSC e sustentabilidade empresarial. Portanto, trata-se de uma novidade no mercado brasileiro, sendo uma oportunidade de estudo.

O ISE, segundo a BM&FBOVESPA (2015), objetiva refletir o retorno de uma carteira teórica composta por ações de empresas brasileiras que promovam boas práticas e que tenham comprometimento reconhecido com a responsabilidade social e a sustentabilidade empresarial, de maneira que as firmas estariam mais preparadas para enfrentar riscos econômicos, sociais e ambientais.

Serão integradas à carteira do ISE as ações que, além de serem uma das 150 com maior negociação nos últimos 12 meses, atenderem, simultaneamente, aos seguintes critérios, conforme mostra a BM&FBOVESPA (2015): a) Ter participado das negociações em, pelo menos, 50% dos pregões realizados nos 12 meses anteriores ao início da reavaliação da carteira; b) Atender aos critérios de sustentabilidade determinados pelo Conselho Deliberativo, divididos nas seguintes dimensões: Geral, Natureza do produto, Governança Corporativa, Econômico-financeiro, Ambiental e Social.

Conforme mostra a BM&FBOVESPA (2015), deixará de compor o ISE a empresa que: a) Deixar de cumprir qualquer um dos critérios de inclusão; b) Durante o período vigente da carteira, entrar em regime de recuperação judicial ou falência; c) No caso de oferta pública, resultando em retirada de circulação de parcela significativa de ações do mercado; d) Durante a vigência da carteira, deixarem de cumprir algum critério que altere significativamente seus níveis de sustentabilidade e responsabilidade social; e) Suspensão de negociação da respectiva ação por mais de 50 dias.

Ashley (2002) diz que a empresa tem responsabilidade no equilíbrio dos diversos interesses das diversas partes interessadas no desempenho financeiro, ambiental e social da organização. A RSC requer que os objetivos dos stakeholders, dentro do conceito do TBL, sejam atendidos. Nesse aspecto, a teoria dos stakeholders

explica a adoração de práticas de RSC por parte das empresas, o que é um pré-requisito para a inclusão de uma organização em índices de sustentabilidade como o ISE. Esses indicadores tendem a selecionar para suas carteiras qualificadas o que há de melhor em termos de sustentabilidade.

Lankoski (2008) ressalta que, para a teoria dos stakeholders, existe uma relação entre práticas de RSC e desempenho financeiro. As práticas de sustentabilidade levam ao aumento do valor dos bens intangíveis da empresa. Considera-se que o ISE propicia aos agentes econômicos a possibilidade de identificar, no mercado brasileiro, as melhores empresas no que se refere à sustentabilidade. Dessa forma, é de se esperar como resultado das práticas de RSC uma valorização nos preços das ações integrantes desse índice. Essa valorização pode ser entendida como uma “recompensa da sustentabilidade” na negociação desses papeis.

Para Assaf Neto e Lima (2009, p. 141), a recompensa de mercado associada à sustentabilidade da empresa é consequência da percepção do conjunto de investidores que precificam as informações.

[…] o valor de mercado de uma ação é determinado, na prática, pela lei econômica da oferta e procura. Um maior interesse dos investidores em adquirir determinada ação reflete em um aumento no seu preço, ao contrário, uma oferta de venda mais elevada costuma promover uma desvalorização em seu preço de mercado.

Sob a abordagem da teoria dos stakeholders, a indicação ao mercado das empresas engajadas nas melhores práticas de sustentabilidade empresarial, por meio do ISE, tende a maximizar o valor de mercado das empresas nele listadas, pois os agentes econômicos têm à disposição uma série de informações alusivas às dimensões sociais e ambientais.

Artie e Nathwani (2012) destacam que analistas de mercado, investidores e acionistas consideram informações socioambientais, que impactam o DEF das empresas, relevantes para a tomada de decisão. O estudo feito por Machado, Machado e Corrar (2009) aponta o debate em pesquisas sobre desempenho social e desempenho financiero e, ao comparar o rendimento do ISE com os outros índices da BM&FBOVESPA, concluem que outros estudos ainda são necessários para se poder afirmar uma rentabilidade maior de empresas sustentáveis frente às demais, apesar de indícios apontatem para tal.