10.48 O facto de os países terem níveis de preços e moedas diferentes representa um desafio para as comparações interespaciais de preços e volumes. As taxas de câmbio nominais não são fatores de conversão adequados neste tipo de comparações, porque não refletem as diferenças no nível de preços de forma adequada nem são suficientemente estáveis ao longo do tempo.
10.49 Recorre-se, em vez disso, a paridades de poder de compra (PPC). A PPC é definida como o número de unidades da moeda do país B que são necessárias no país B para comprar a mesma quantidade de bens e serviços que uma unidade da moeda do país A comprará no país A. A PPC pode interpretar-se como a taxa de câmbio de uma moeda artificial geralmente designada como padrão de poder de compra (PPS). Se forem convertidas no padrão de poder de compra as despesas dos países A e B expressas em moeda nacional, os valores resultantes são expressos ao mesmo nível de preços e na mesma moeda, o que permite uma comparação válida dos volumes.
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10.50 As PPC relativas a bens e serviços mercantis baseiam-se em inquéritos aos preços
internacionais. Estes inquéritos aos preços são efetuados em simultâneo em todos os países participantes com base numa amostra de produtos comum. Os elementos constituintes da amostra são claramente especificados em termos das suas características técnicas, bem como de outras variáveis que se considera influenciarem o preço, tais como os custos de instalação e as condições de venda. Embora se dê prioridade à comparabilidade dos elementos constituintes da amostra, esta deve, no entanto, ser ponderada em relação à sua representatividade nos mercados nacionais. A amostra de produtos deve, idealmente, representar de forma equitativa todos os países participantes.
10.51 No que respeita aos serviços não mercantis, as comparações interespaciais deparam com o mesmo problema que as comparações intertemporais, uma vez que não existem preços de mercado em qualquer destas dimensões. Tradicionalmente, tem-se aplicado uma
abordagem com base nos fatores de produção (ou com base nos custos dos fatores de produção), partindo do pressuposto de que a produção corresponde à soma dos fatores de produção. Esta abordagem, que implica, direta ou indiretamente, comparações em volume dos fatores de produção, não toma, porém, em consideração as diferenças de
produtividade. Por este motivo, tal como ocorre com as comparações intertemporais, são preferíveis métodos que privilegiam quer a medição direta da produção quer os preços de produção utilizados posteriormente para a deflação da despesa, pelo menos no que respeita a serviços de educação e de saúde.
10.52 No cálculo das PPC aplicam-se os mesmos tipos de fórmulas de índices utilizados no cálculo dos índices temporais. Num contexto bilateral que envolva dois países, A e B, cada país pode ser utilizado como ponderação. Na perspetiva do país A, pode ser calculado um índice do tipo Laspeyres com ponderação do país A, bem como um índice do tipo Paasche utilizando ponderações do país B. No entanto, se as duas economias forem estruturalmente diferentes, o desvio entre estes dois índices pode ser bastante significativo e os resultados finais seriam extraordinariamente influenciados pela escolha do índice. Por conseguinte, para comparações binárias, é preferível aplicar uma média dos dois, ou seja, um índice Fisher.
10.53 Não estão habitualmente disponíveis ponderações numéricas explícitas ao nível de cada elemento da amostragem. Por esse motivo, é aplicada uma forma de ponderação implícita, baseada na perceção, por cada país, de um determinado elemento como representativo, ou não, do padrão de consumo doméstico. O mais baixo nível de agregação de elementos para o qual existem ponderações numéricas é designado como nível das rubricas elementares (RE).
10.54 Transitividade implica que a PPC direta entre os países A e C é igual à PPC indireta obtida por multiplicação da PPC direta entre os países A e B (ou qualquer outro país terceiro) e a PPC direta entre os países B e C. As PPC de Fisher utilizadas ao nível RE para este fim não são transitivas, mas permitem obter um conjunto de PPC transitivos semelhantes aos índices de Fisher originais, utilizando os critérios dos mínimos quadrados para este fim. A aplicação da chamada fórmula de Éltetö-Köves-Szulc (EKS) minimiza os desvios entre os índices de Fisher originais e produz um conjunto completo de PPC transitivas ao nível RE.
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10.55 As PPC transitivas resultantes para todos os países e todas as RE são, no seu conjunto, agregadas até ao nível do PIB total utilizando como ponderação as despesas das contas nacionais. As PPC agregadas ao nível do PIB ou de qualquer outra categoria podem ser aplicadas, por exemplo, no cálculo das despesas reais e dos índices de volume espaciais. Uma PPC dividida pela taxa de câmbio nominal entre dois países produz um índice de nível de preços (INP) que pode ser utilizado nas análises dos níveis de preços comparativos dos países.
10.56 Nos termos do Regulamento (CE) n.º 1445/20071, a Comissão Europeia (Eurostat) é responsável pelo cálculo das PPC para os Estados-Membros. Na prática, estes cálculos das PPC estão incluídos num programa de PPC mais lato coordenado conjuntamente pelo Eurostat e a OCDE. O manual metodológico sobre paridades de poder de compra2
elaborado pelo Eurostat e a OCDE descreve os métodos exaustivos utilizados no programa.
1 Regulamento (CE) n.º 1445/2007 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 11 de dezembro de 2007, que estabelece regras comuns para o fornecimento de informação de base sobre Paridades de Poder de Compra e para o respetivo cálculo e divulgação (JO L 336
de 20.12.2007, p. 1).
2 Eurostat – OCDE, Eurostat-OECD Methodological Manual on Purchasing Power Parities, 2006 (disponível em: http://epp.eurostat.ec.europa.eu).