P ARTE III – A PRESENTAÇÃO /C ONTEXTUALIZAÇÃO E A PRESENTAÇÃO DE RESULTADOS
N ÍVEL DE ENVOLVIMENTO DAS E SCOLAS /AE FACE AO PEM
O nível de envolvimento das Escolas/AE face ao PEM é diferenciado, diz V1. Algumas escolas afetam pessoas para articular o PEM com a autarquia, outras não o fazem.
Muitas escolas envolvem-se ativamente, afetam representantes para articular os diferentes eixos do PEM com a equipa da autarquia. (V1.41)
Outras escolas não investem tanto no PEM. (V1.42)
Diz-nos E1, que a CM estabeleceu um contrato de prestação de serviços de informática que estabeleceu com uma escola do Município Alfa para garantir reparação de computadores às escolas do 1º ciclo. A escola resolveu um grande problema que a autarquia tinha, nessa área. A escola apresentou essa proposta e a CM aceitou. Considera que foi uma ideia inovadora e que resultou muito bem, uma mais-valia para a escola e para a CM.
Nós tínhamos, não há município nenhum a fazer isto. Nós nunca mais, custa caro, tem de ser financiado, tem de ser pago. Nós nunca mais tivemos problema nenhum nos nossos primeiros ciclos. De imediato, avaria um computador e de imediato, eles todos têm o contacto da equipa da Escola, é com eles que ligam e
a nós só nos apresentam os gastos de alguma peça que seja preciso substituir. Isto deu à autarquia uma facilidade, porque não imagina, computadores obsoletos, que muitas vezes só era preciso ligar a ficha a ficha não estava ligada... o computador não trabalha, depois querem que se enviem estes elementos, não temos computadores à altura. Nunca mais tivemos isto, ou têm mas é para essa equipa e essa equipa vai e vê o que está a acontecer (...). (E1.108)
Ouvidos os Diretores, relativamente ao nível de envolvimento e comprometimento das Escolas/AE face ao PEM, a posição é bastante crítica e sentem-se pouco ou nada comprometidos.
Comprometimento não há nenhum. (D1.60)
O / A diretor(a) D2, considera o PEM uma interferência não pretendida. Diz ainda que pela proximidade que têm com a autarquia vêm-se na obrigação de participar em algumas atividades do PEM num sentido de reciprocidade, mas acha que o PEM não deve ser isso. Quanto à definição a nível dos documentos para os NEE, indisciplina, etc., solicitada pela CM, vê isso como uma interferência. São pequenos sinais de interferências à vida interna da escola de que não parece gostar.
Até conheço uma série de atividades... O que eu entendo que é o nosso sentimento em relação a qualquer PEM, seja este ou outro qualquer, acho que fazer aquilo que já centenas de atividades fazem, acho que não precisamos disso. E porquê? Porque é uma interferência. (D2.18)
Há fundações, organizações, outras CM, o próprio ME, tem um conjunto de iniciativas e projetos e que envolvem as Escolas. O que eu acho é que o PEM, se for mais disso, não precisamos disso para nada, já é mais interferência. Com uma agravante, se é nosso, sentimos alguma obrigação de participar, mas efetivamente é uma interferência. (D2.19)
E são estas coisas, são pequenos sinais, mas que são terríveis – não precisamos disto. (D2.44)
Nós envolvemo-nos porque achamos que nos devemos envolver, tal como a CM se envolve connosco. O comprometimento é nesse plano. (...) Porque a CM também se envolve connosco e nós também nos envolvemos para as atividades,
faz todo o sentido que colaboremos com eles, porque nós também pedimos o envolvimento da CM para trabalhar connosco. (D2.51)
O / A diretor(a) D1 considera o PEM inútil, porque não foi elaborado pelos responsáveis de Educação e comenta-o assim – “como fazer coisas muito boas, da pior maneira!”, (D1.50). Acrescenta que só a curiosidade de ver se a informação relativa à sua escola levará os professores a lê-lo e se encontrarem um erro que seja, cai por terra. Reconhece que poderia ser um documento estruturante e muito bom.
Esse documento (PEM) só se torna útil quando for elaborado com a responsabilidade dos responsáveis de Educação. (D1.47)
É tão natural que não serve para nada!... Nem vou perder tempo a estar a ler um documento a não ser por mera curiosidade – “Vou lá ver se fala da minha escola e o que é que diz da minha escola, a ver se está direito.” Quando muito, os professores das Escolas farão isso. “Ahhh está errado, então está a dizer que temos 1500 alunos, nós só temos 500 alunos, como é que é?” E vão encontrar os defeitos daquilo e automaticamente aquilo cai por terra, um documento que podia ser estruturante e muito bom. [A: Foi esclarecedor] Ou seja, ou como fazer, ponha lá uma frasezinha no seu trabalho -“Ou, como fazer coisas muito boas, da pior maneira”. (D1.50)
O / A diretor(a) D4 afirma que há um grande desconhecimento do PEM na escola e que apenas um número muito pequeno de pessoas o consultou para construção de documentos estruturantes da escola (PE).
[o PEM] A maior parte das pessoas não conhece. Tirando a equipa do pedagógico que fez o nosso PE que foi consultar, baseou-se nos princípios do PEM, tirando a equipa não me parece que seja do conhecimento das escolas todas. (D4.26).
Ao ser elaborado (o PEE), foi consultado, mesmo para ver o que se pretendia para o Concelho Alfa, quais eram as politicas educativas subjacentes. (D4.30)
Para o / a diretor(a) D3, o envolvimento com o PEM é ténue. Afirma que na direção tentam envolver os professores para estas atividades, mas que eles
não se sentem motivados para isso, sentem que o comprometimento da escola é com o PAA.
Qual o nível de comprometimento das Escolas face ao PEM? é muito ténue. (...) sempre que for exequível nós teremos no nosso Plano de Atividades algumas atividades, este ano tivemos uma ou duas. (D3.40)
Nós procuramos envolver... Os professores não se sentem motivados para isso. (D3.45)
Nós funcionamos com o nosso Projeto Educativo, corporizado no Projeto de Atividades. Nós desenhamos o nosso Plano de Atividades e até o nosso plano de formação estribado no nosso PE nas áreas prioritárias de intervenção que estão bem desenhadas no nosso PE (...). (D3.42)
D3 acrescenta ainda que a escola não foi implicada na construção do PEM e como tal não se sente responsável por ele. Diz ser uma falácia, pela forma que foi construído. Expressa ter vontade que a autarquia aposte na educação e que se consiga articular o transporte dos alunos às ações que a CM propõe às escolas.
Isto é tudo uma falácia, uma falácia autêntica. Para já é uma falácia, quando eles vierem dar a conhecer, nós construímos assim, assim e assim, com esta finalidade, isto pode ser... acham que é exequível e que responde? Então aí estamos implicados, poderemos estar implicados e se tem alguma coisa a ver e se pode entroncar no nosso PE, agora isto, não passa duma falácia. (D3.43)
É preciso que se aposte na Educação, é preciso que o/a Sr. / Sra. Vereador(a) crie um autocarro e que diga assim, este mês os alunos desta Escola vão ali e vamos mostrar... Eu com os [associação social] fiz o percurso todo do Município Alfa, (...) podíamos dar a conhecer. Eles têm que inscrever isto no PEM. Eles têm que inscrever as atividades que nós temos no nosso projeto de atividades, eles também têm de as ter inscritas, ao menos uma ou duas por Agrupamento no Plano de Atividades deles. Só assim é que faz sentido, não é? E aqui colmatamos muita coisa. (D3.49)
O / A diretor(a) D2 lembra que a CM tem um histórico de boa relação com as escolas, sempre que a autarquia marca uma reunião, ninguém falta e mostra algum receio que isso termine com a descentralização (2015).
há essa cultura e portanto acho que mantemos sempre essa relação, essa boa relação. Só para teres uma ideia, quando marcam reuniões com Diretores vai toda a gente, não falta ninguém. (D2.52)
achamos importante esta participação conjunta que é culpa da CM (culpa, no bom sentido) porque de facto foi criando esta cultura com anos e também do sentir das pessoas que estão nas Escolas que acham que de facto a Autarquia tem um papel fundamental no nosso trabalho. Nessa relação continuamos e acho que é aí que deve continuar a existir. Quando entrar o decreto vai ser um problema. (D2.53)
Existe um comprometimento vinculativo, entre as pessoas, diz ainda D2.
A prática é que tem havido um comprometimento vinculativo, das pessoas. Acho, embora possa haver um sentimento, às vezes falha qualquer coisa, naturalmente, mas existe esse comprometimento sim. (D2.54)
As Escolas nem sempre respondem aos inquéritos que a CM envia, mesmo quando é de avaliação de atividades do PEM.
Ainda agora o / a [Diretor(a) da Educação] mandou um mail a ver do PEM, perguntou-me isso qual foi o impacto das atividades, mas eu nem sequer lhe respondi, ele sabe “Qual foi o impacto e quais foram as atividades que nós utilizamos...". (D3.46)
Estava a ver se tinha aqui a Avaliação do PEM a que de facto não respondi. Acabei por não responder. Se participou nesta e naquela atividade e porquê. Exatamente caí naquela coisa que te expliquei à bocadinho. Não participei, porque não. Devia ter respondido, mas foi passando, foi passando. (D2.55)
D1, expressa o receio das escolas já com autonomia que, pelo PEM, possam estagnar ou sentir-se paradas à espera da evolução de outras mais atrasadas.
Ora vamos imaginar a minha Escola. Nós temos uma Escola altamente informatizada, com ambiente diferente, com objetivos diferentes. O PEM de Alfa para a Informática - nós vamos ter quiosques para controle de acessos e ponto. Mas nós estamos léguas à frente. Mas o PEM significa que as Escolas têm de estar todas dentro do mesmo projeto, e se o projeto é fazer isso, então a AE/E A pára, anda para trás um bocadinho, para ficarmos todos ao mesmo nível. E se calhar, [A: acho que ninguém quereria...] ninguém quereria. (D1.62)
As realidades de cada uma das Escolas fazem com elas sejam diferentes que usem estratégias diferentes de acordo com o público com que trabalham. Um PEM teria que existir, beber muito de todos, criar algo, o que existia de comum – e o que existia de comum tinha de estar lá plasmado, que é o que acontece (...). (D1.63)
Os Conselhos Gerais sentem pouco ou nenhum envolvimento/ comprometimento das AE/E face ao PEM,
Acho que não existe. (CG1.15)
O nível de envolvimento de zero a dez eu diria que dois ou três. Porque não nos chega muito dele. (CG3.19)
Mas na totalidade das estratégias e atividades que estão explicitadas no PEM, no envolvimento é muito fraco, face ao que lá está. As coisas não chegam, não são devidamente divulgadas dentro da Comunidade Educativa. (CG3.21)
Agora oficialmente, tu estares numa reunião e saberes que estás a tratar do PEM, não tenho nenhuma. (CG2.38)
Pela Direção, o CG3 tomou conhecimento da atividade P1 e a escola envolveu- se muito nessa atividade, mas sente que não chega muita informação.
Como não nos chega muito dele ou nos chegam realmente estratégias do Município como é esta do P1, aí sim, a Escola sim, envolveu-se, na aplicação do P1. Aí de zero a dez envolveu-se dez. (CG3.20)
Apesar de ter dois elementos da autarquia no CG3, a informação não chega e critica o Município por isso, solicitando que deve começar a usar mais interlocutores para além do / da diretor(a) para envolver a escola.
O Município tem de começar a compreender que os Diretores não são a Escola. E que está centrada numa pessoa muita coisa e que às vezes se torna complicado fazer disseminação na Escola de tudo isso. Parece-me que está em tempo, se o Município quiser realmente por em prática as estratégias assinaladas e explicitadas tem de envolver os diferentes órgãos da escola. [A: sim, e têm um lugar privilegiado que é o CG] Têm o assento no CG. [A: eu pensei que isso fosse feito] Não, não é. Não nesta Escola. Nas outras não sei. [A: mas têm sempre um representante da autarquia?] Dois. [A: dois
representantes?] Dois. (CG3.22)
CG4 e CG2, expressam que direta ou indiretamente existe subjacente o PEM e que por isso direta ou indiretamente colaboram em atividades da CM.
Desta chamada que agora ocorreu, foi uma parceria com o Município. Na verdade existe uma cooperação uma estreita, mesmo muito estreita, cooperação entre a Escola e a autarquia em tudo o que envolve a educação (...). (CG4.13)
Partindo do princípio que o meu agrupamento está a dar resposta ao PEM, eu estarei a trabalhar para o PEM. Estou envolvida. [A: sempre indiretamente...] Sempre indiretamente. (CG2.37)
Nas minhas reuniões ordinárias em que eles estão, eu penso que as intervenções que a autarquia vai fazendo e aquilo que ele leva dos nosso contributos tem em conta o que está no PEM, penso eu. (CG2.38.a)
Relativamente aos Professores a afirmação deixada para resposta, no inquérito foi, “As escolas estão envolvidas e comprometidas com o PEM”.
Fig. 16 – As escolas estão envolvidas e comprometidas com o PEM (3.5)
Conforme podemos observar, a maior parte dos professores responde que “Não”, 50,9%, contra um “sim” sem expressão, 3,5%. Apenas parcialmente 17,5% e os restantes 28,1% recaem em Não sabe/Não responde.
Não parece haver grande comprometimento da parte dos Professores, nestas escolas, para com o PEM.
Na nossa procura constante de evidências quando regressámos à autarquia perguntámos a E2 da forma como/se era feita a monitorização do PEM. O que foi dito é que não há documentos e é realizado caso a caso de forma informal. Sobre a base de dados com os resultados do sucesso/insucesso, foi-nos dito que a CM atualiza esses dados e que os refere em reuniões de trabalho com as Direções e/ou CG. Não está disponível para consulta pelas escolas ainda –
esperam ficar pronta a plataforma que o MEC irá disponibilizar. Sobre a base de dados com o numero de alunos por ano de escolaridade/AE/E a autarquia tem acesso aos dados mas não menciona a sua disponibilização às escolas, pensamos mesmo que não é realizada. Quando há informação importante a disponibilizar ou a receber às/das escolas fazem-no via mail/ofício/reuniões de trabalho e/ou CG. Não havendo documentos de suporte estamos em crer que qualquer informação que seja passada desta forma é volátil e de utilidade reduzida.