172 às necessidades terapêuticas de autocuidado (Orem, 2001; Silva, 2012).
“…durante o dia promovíamos o autocuidado, durantes os turnos, planeava delegando na assistente técnica levando várias vezes o senhor à casa de banho…”NM16
“…Então tem sido a nossa grande luta com ela, é o estimular…”NM17
“…Vim aqui mostrar uns exames que fiz. A Dra. também me assustou”. Já li aquilo que me deu, mas não consigo fazer tudo!”…”NUSF5
“…temos que ensinar as pessoas a conviver também com estes problemas…”FG1 “…Aconselhou não se levantar se necessitasse de ir ao WC tocasse à campainha … não fosse desequilibrar-se e cair…”OC15
“…Quando estamos nesta situação o apoio é muito melhor…”E3 “…Havia alguém para me ouvir, atender, ajudar…”E1
“…Sentimos segurança…”E2
“…Ajudou-me a entender que foi um problema, não para ficar mas se eu seguir as orientações poderei viver com isto…”E4
“…Os alertas ajudam muito…mesmo quando vamos tomar banho…não se esqueça de levar o pijama…pode sempre chamar se precisar de alguma coisa…coloque a tolha no chão para não escorregar…”E8
“…Tem sido importante porque me sinto melhor…com confiança…”E10 “…Ajuda-nos a superar certas coisas…muitas vezes esclarece-nos…”E12
O apoio sentido pela pessoa revela que muitas das intervenções de enfermagem apesar de terem na sua essência a missão de ajudar, são percecionadas como um incentivo, um estímulo, uma explicação, um reforço e uma orientação que a ajudam na tomada de decisões tendo em conta um estilo de vida saudável.
“…Apoio ao bem-estar…eles queriam ajudar-me…tenha cuidado com isto…com aquilo…”E1
“…Lembra-se porque ainda hoje sabe que está assim por causa dos seus cuidados (enfermagem)…”E4
“…Apoio é meio medicamento…”E8
“…Cumprir com a sua missão…o médico vê a pessoa, não sabe o que se passa…o enfermeiro vê tudo…é importante…”E10
“…O enfermeiro estando interessado tem respeito pelo doente…”E13 “…Ter mais informação sobre os problemas da pessoa…”E16
Por estes motivos iniciamos pela intervenção apoiar a pessoa nas necessidades, sendo visível que promove a capacidade de análise, interpretação e decisão para ações e comportamentos de autocuidado que possam colmatar as necessidades terapêuticas de autocuidado, ou seja, capacitando-a enquanto agente de
173 teórico que mobilizamos, a teoria dos sistemas, mais especificamente a de apoio e educação vem dar sentido a esta constatação, pela dimensão da educação para a saúde em que esta intervenção se centra (Orem, 2001; Sousa Carvalho, 2007). Para além do apoio surge uma outra intervenção proporcionar a satisfação das
necessidades que vem complementar a anterior. A satisfação das necessidades
terapêuticas de autocuidado pelo enfermeiro é essencial para que haja por parte da pessoa uma recuperação e um equilíbrio face à situação que a desencadeou. Podemos integrar nesta discussão o fato de existirem centrados na pessoa fatores condicionantes básicos que a estão a influenciar e que não lhe permitem ser agente de autocuidado e a conduzem a uma situação de rutura. A satisfação destas necessidades centra-se essencialmente na promoção e capacitação da pessoa para poder ela própria satisfazê-las, neste caso relacionadas com a gestão dos diferentes regimes terapêuticos em situação de doença cardiovascular.
Como constatamos as intervenções integradas na capacitação para o autocuidado centravam-se essencialmente no âmbito do ensino, validação, treino, estabelecimento de metas e o elogio enquanto estímulo e reforço positivo para o comportamento de autocuidado. Torna-se assim imperativo que quando falamos de resultados os possamos avaliar tendo em conta as intervenções implementadas e quais os resultados para a pessoa.
“…o nosso trabalho com ela tem sido promover o autocuidado e perceber que ela é capaz de fazer as coisas por ela…”NM17
“…tem ido todos os dias ao chuveiro, tem feito levante diário todos os dias, é uma senhora que no início do internamento não comia por mão própria, mas agora temos andado a estimular…”NM17
“…Foi ajustada a medicação e construído um esquema com as imagens das caixas dos medicamentos…”NUSF7
“…Ficou mesmo internado, para se fazer um controlo, visto que a medicação não resolvia, mas também com a alimentação assim também não resolvia de maneira nenhuma…”NM23
“…Depois os resultados…sou a favor da avaliação dos resultados…até porque…podemos demonstrar aquilo que fazemos…registando…é preciso traçar metas muito exigentes…ser concreto nalgumas coisas…temos forma de ver esses resultados…”FG1
“…Iniciou então os ensinos no âmbito da terapêutica, falando das prescrições de forma individual, mencionando o medicamento, a sua função, a dose, a frequência e que tipo de cuidados devia ter em atenção…”OC9
174
deixar de fumar…”OC9
“…Certos dias estava incapacitada, se não fossem eles não conseguia fazer desde a higiene à eliminação…”E2
“…O simples molhar a boca, a sede, só a atenção de molhar a boca é de extrema importância…”E7
“…As pequenas coisas que são tão importantes…”E9
“…Na medida em que a explicação que me davam para não poder era justificado pelo evitar de problemas e de acidentes…”E11
“…Havia sempre uma pergunta mesmo eu a conseguir…era muito bom…”E13
São estes relatos que permitem inferir que o enfermeiro no cuidado, apesar da pessoa demonstrar que é capaz, se preocupa em perceber quais as necessidades no sentido de as poder satisfazer ou apoiar estando a promover capacidades na pessoa que vão desde sentir-se capaz, saber que alguém se preocupa e se interessa e lhe promove a motivação, assim como desenvolve estratégias para manter o cuidado e a orientação dada pelo enfermeiro, que neste caso se traduz numa autogestão eficaz dos diferentes regimes terapêuticos. Consideramos, portanto, que proporcionar a satisfação das necessidades da pessoa conduz a uma autoconsciência das necessidades “self” como forma de se poder capacitar enquanto agente de autocuidado e ao mesmo tempo poder desenvolver comportamentos de autocuidado cuja tomada de decisão é uma gestão adequada dos diferentes regimes terapêuticos (Orem, 2001; Silva, 2012). Estamos então em condições de poder abordar uma das ações que contribui para os resultados esperados que quer o enfermeiro, quer a pessoa pretendem atingir, e que designamos de processo de transição. Associados a esta ação identificamos três intervenções de enfermagem que a enformam tendo em conta o tema em análise:
Validar com a pessoa as capacidades adquiridas Reforçar a informação dos cuidados
Reformular os cuidados para gerir melhor a situação de saúde doença
Num processo de cuidados em que não haja a possibilidade de validar com a pessoa aquilo que aprendeu e que integrou no seu dia-a-dia, de reforçar a informação que foi partilhada ao longo do mesmo, assim como, poder ocorrer sempre a possibilidade de reformular os cuidados no sentido de uma melhoria contínua da situação de saúde, toda esta análise não faria sentido conforme
175 doença cardiovascular.
Reforçando o que afirmamos, apresentamos uma tabela com a valorização por parte da pessoa das intervenções acima referenciadas:
A análise da tabela permite verificar que as três intervenções que enumeramos são importantes para a pessoa. Validamos que as mesmas promovem comportamentos de autocuidado identificados pela pessoa que os integra no dia-a-dia de forma a manter hábitos de vida saudáveis. Traduzem assim tomadas de decisão que a capacitam para a autogestão dos diferentes regimes terapêuticos.
Tabela nº 11 – Ação de enfermagem: Processo de transição Opções
Intervenções
NS/NR NI I MI
M DP Total N Fr % Fr % Fr % Fr %
Validar com a pessoa as
capacidades adquiridas 6 31,6 - - 9 47,4 4 21,1 1,56 1,199 19 Reforçar a informação dos
cuidados 9 47,4 - - 8 42,1 2 10,5 1,11 1,183 19
Reformular os cuidados para
gerir melhor a situação de saúde doença
9 47,4 - - 8 42,1 2 10,5 0,44 0,856 19 Legenda: NS/NR: Não sabe/Não responde; NI: Nada importante; I: Importante; MI: Muito importante; Fr: Frequência; %: Percentagem; M: Média; DP: Desvio padrão;
Podemos constatar que de acordo com o temos vindo a analisar surge mais uma vez nestas intervenções uma perceção por parte das pessoas, essencialmente ao nível do reforçar e reformular a informação e os cuidados que se prende com a conceção que têm de saúde e da forma como ainda interpretam os cuidados dos profissionais de saúde, isto é, consideram que o reforçar e o reformular os cuidados são uma necessidade que faz parte da sua função e, portanto, respondem com não sabe/não responde.
176 Em relação à intervenção validar com a pessoa as capacidades adquiridas focaliza-se essencialmente na avaliação dos resultados sensíveis aos cuidados de enfermagem, centrada naquilo que a pessoa demonstra e consegue pôr em prática em relação às atividades diárias mobilizando as aprendizagens, as informações, as habilidades que lhe foram transmitidas, demonstradas e com atividades de treino cujas metas atingidas revelam comportamentos de autocuidado e por conseguinte um processo de transição (Orem, 1995; Meleis, 1991).
“…quando o senhor foi para casa, o senhor já conseguia fazer muitas das vezes, não era sempre, mas várias vezes já solicitava o urinol para eliminar e isso viu- se um ganho…”NM16
“…ser capaz de voltar a casa dela e fazer a vida dela…uma vez que ela está mais capaz, mais competente, mais autónoma…”NM17
“…À data da alta a família e o utente apresentavam-se com competências adquiridas… maior tranquilidade em relação ao seu processo de saúde /doença…”NC10
“…Agora decorrido algum tempo, verifico algumas conquistas, como, não faltar às consultas, mudar alguns consumos na alimentação…”NUSF5
“…Em três meses este utente reduziu a hemoglobina glicada em 2%, diminuindo o risco de complicações pela diabetes em metade. O seu controle da hipocoagulação normalizou, bem como a tensão arterial…”NUSF7
“…a pessoa referiu que apesar de ter menos vontade para comer, faz as suas refeições e procura comer sempre legumes e poucos hidratos de carbono, coloca sempre apenas uma colher de arroz e o resto é salada ou legumes cozidos e um pouco de carne ou peixe. Comia sempre no intervalo das refeições e antes de ir para a cama…”OUSF6
“…Para ver se eu tinha percebido, se havia alguma pergunta que queria fazer…”E3
“…Peso/o exercício físico/porquê do aumento do peso/muito importante porque me faz manter os cuidados…”E2
0 10 20 30 40 50
Validar com a pessoa as capacidades adquiridas
Reforçar a informação dos cuidados
Reformular os cuidados para gerir melhor a situação de saúde
doença