4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.4. AÇÕES DE MITIGAÇÃO DO RISCO DAS ESPÉCIES-PROBLEMA
Com o objetivo de mitigar o risco representado pelas espécies-problemas identificadas, na Tabela 13 são apresentadas diretrizes para a implementação de ações de controle que poderão ser adotadas pelo administrador do aeródromo.
Ações iniciais de controle devem estar relacionadas ao controle ou eliminação dos focos atrativos, que tem por objetivo de reduzir a possibilidade de fixação de espécies da fauna na área do aeroporto, tornando-o menos atraente ou até mesmo inacessível à fauna. Esse controle deve se estender à ASA e garantir que empreendimentos e outros potenciais focos atrativos não representem, de fato, um chamariz para a fauna, especialmente a avifauna.
Toda ação que possa reduzir, excluir ou suprimir alimentos, locais de abrigo ou propícios para reprodução poderá resultar na eliminação proporcional de fauna no sítio aeroportuário, fazendo com que as aves se desloquem para outra região. Para controle dos focos atrativos são propostos métodos de controle da fauna indiretos e diretos, conforme detalhado a seguir. Vale ressaltar que todas as ações aqui previstas que demandam intervenção direta no ambiente ou nas espécies de aves deverão passar por aprovação prévia do órgão ambiental competente, mediante apresentação de estudos comprobatórios do risco associado.
4.4.1. Métodos Indiretos
Os métodos indiretos estão relacionados ao manejo do ambiente e controle de oferta de alimentos, abrigo e água para a fauna, bem como o estabelecimento de barreiras físicas que dificultam o seu acesso às áreas operacionais do aeroporto.
Manejo da cobertura vegetal: O gramado do aeroporto deverá ser mantido em altura de até
10 cm, tornando-o menos propício à instalação de aves, principalmente Quero-quero. Atenção deve ser dada aos horários de corte de grama, uma vez que esta atividade provém grande disponibilidade de insetos e pequenos artrópodes como fonte de alimento para aves como o próprio Quero-quero e o Carcará. O corte deve ser seguido pela coleta de aparas.
75
Controle de áreas alagadas: Áreas com potencial de acúmulo de água, como sistemas de
drenagem, devem passar por periódicas verificações e manutenções, a fim de se evitar deposição de materiais que propiciem tal acúmulo. Açudes e outros corpos hídricos na área do aeroporto devem ser monitorados constantemente, a fim de se avaliar o real potencial de atração da avifauna pela disponibilidade de água e alimentos.
Controle da oferta de alimentos: Cupinzeiros e formigueiros existentes na área do aeroporto devem ser tratados e ações de monitoramento devem ser implementadas com objetivo de se controlar o avanço de colônias. Outros animais que podem ser considerados como fauna atrativa, como serpentes, devem ser imediatamente recolhidos da área do aeroporto e transferidos para áreas onde não impliquem na atração de fauna para o sítio aeroportuário. Em épocas do ano que ocorram acúmulo de insetos mortos ou quase mortos na área do pátio de aeronaves e estacionamento de veículos, estes deverão ser recolhidos e destinados em locais que não atraiam aves insetívoras para a área do aeroporto. Carcaças de animais devem ser enterradas logo que avistadas e identificadas. Árvores frutíferas, à semelhança dos corpos hídricos, deverão ser monitoradas constantemente para se avaliar o real potencial atrativo que, caso se confirme, deverão ser cortadas.
Controle do uso do solo no entorno do aeroporto: O uso no solo no entorno do aeroporto
deve ser controlado pelos municípios, através do Plano Diretor Municipal. Entretanto, conforme Portaria 692/GC3/2017, é obrigação do operador do aeródromo notificar empreendimentos atrativos da fauna e, posteriormente, comunicar ao órgão ambiental competente sobre tal notificação. Dessa forma, o administrador do aeródromo deverá notificar os empreendimentos identificados como potenciais atrativos de fauna, bem como as prefeituras que possuam locais inadequados para disposição de resíduos sólidos. Em seguidas, tais notificações deverão ser comunicadas à SUPRAM – Zona da Mata, a fim de que esta superintendência tome as medidas cabíveis de fiscalização e licenciamento ambiental de empreendimentos atrativos de fauna na ASA o aeroporto. Um efetivo controle do uso do solo no entorno do aeroporto, garantirá o controle de espécies como o Urubu-de- cabeça-preta, a Garça-vaqueira, o Periquitão-maracanã, a Maracanã-verdadeira e a Rolinha- roxa.
Implementação de uma Comissão de Gerenciamento do Risco da Fauna: Tendo em vista
que a responsabilidade pelo gerenciamento do risco da fauna em aeródromos é compartilhada entre operador do aeródromo, prefeituras, órgãos ambientais e demais
76
membros identificados no Plano de Gerenciamento do Risco da Fauna do aeródromo, a criação de uma comissão com a participação de todos os envolvidos garantirá maior sinergia na implementação de ações de controle e, assim, maior eficácia do processo de gerenciamento.
4.4.2. Métodos Diretos
Métodos diretos são aqueles que implicam na intervenção direta sobre as espécies de aves no aeroporto para controle da presença das mesmas na área do Aeroporto Presidente Itamar Franco, seja por coleta e destruição de ninhos, ou por translocação de espécimes. Para este aeroporto não foi identificada a necessidade de abata de aves, tendo em vista que a concentração de espécimes identificadas estão sempre associadas a focos atrativos que podem ser controlados.
Utilização de técnicas de afugentamento: Atualmente, existe uma grande variedade de projéteis que são utilizados para espantar aves. Tais dispositivos podem, além de emitir sons, lançar fumaça e flashes de luzes que, conjuntamente, terminam por afugentar os animais. É recomendada a utilização de fogos de artifício caso haja aglomerações de aves, principalmente urubus, próximo a áreas de manobra em horários de pousos e decolagens. Em outros horários esta prática deve ser evitada a fim de não se caracterizar como uma rotina e tal técnica deixar de ser eficiente no afugentamento de espécies.
Coleta e destruição de ninhos: Os ninhos encontrados dentro do sítio aeroportuário que
estejam em fase de construção serão destruídos, evitando a instalação das aves adultas na área do aeroporto. Os ovos encontrados deverão ser coletados, deixando apenas um para que se complete o ciclo reprodutivo e evitar a repostura. Essa técnica se mostra muito eficaz para o controle de populações de Quero-quero.
Captura e translocação de aves: Para os casos em que as técnicas de manejo indiretas e de
afugentamento não surtam efeito, afastando a ave das áreas de manobras de aeronaves, deverão ser adotadas medidas de captura e translocação das aves para regiões onde não
77
ofereçam risco à aviação. Essa técnica poderá ser executada sobre espécimes intimamente associadas ao ambiente do aeroporto, como o Quero-quero, o Carcará e a Seriema.