As ações do plano piloto que podem ser desenvolvidas em curto prazo, levando-se em consideração que a segurança biológica (manejo de todos os riscos bióticos e abióticos associados) envolve a agricultura, pecuária, fl orestas, espécies invasoras exóticas, sanidade animal e vegetal, biossabotagem, agrossabotagem, “bioburla” e segurança e qualidade dos alimentos, são apresentadas na Tabela 1.
Tabela 1. Ações do plano piloto para a segurança biológica na Amazônia.
No Gargalos Impactos
1 Planos de contingência para pragas e doenças
Agilidade na tomada de decisão para reduzir os riscos de dispersão de pragas e doenças
2 Sistema em rede de consulta para pragas e doenças presentes e ausentes na Amazônia
Dinamização do processo de inspeção, vigilância, fi scalização sanitária e contribuição para projetos estratégicos de pesquisa técnico- científi ca e inovação tecnológica 3 Desenvolvimento de
metodologia de amostragem em portos e aeroportos de entrada na Amazônia
Diminuição dos riscos de entrada de pragas e doenças na Amazônia
4 Desenvolvimento de metodologia de amostragem e monitoramento de pragas e doenças
Estabelecimento da rastreabilidade de pragas e doenças em
consonância com o mercado nacional e internacional 5 Métodos de diagnósticos para
a detecção e identifi cação de pragas e doenças
Desenvolvimento, otimização e harmonização de metodologias efi cientes de diagnóstico de pragas e doenças
6 Quantifi cação de impactos para pragas e doenças: econômico, social, ambiental, nível de dano e nível de tolerância
Fornecimento de subsídios para tomada de decisão e adoção de estratégias para avaliação dos possíveis impactos causados por pragas e doenças presentes e ausentes na Amazônia 7 Mapeamento geográfi co de
pragas e doenças
Determinação da área de
distribuição, progressão, dispersão ou possível estabelecimento na Amazônia
8 Desenvolvimento de um Sistema Integrado de Informações de Análise de Risco de Pragas (ARP)
Integração de bancos de dados gerados para a elaboração de novas ARPs
9 Comunicação de riscos Dinamização da transferência de informação e tecnologia em segurança biológica
10 Levantamentos sobre as exigências de países importadores quanto à sanidade e outras qualidades de produtos para a factibilidade das
exportações amazônicas
Estabelecimento de medidas prévias para evitar devoluções de produtos exportados pela Amazônia e incremento da capacidade e visibilidade da região nesse sentido 11 Levantamentos proativos sobre
a ocorrência de condicionantes biológicos em países
exportadores de produtos para a Amazônia
Estabelecimento de medidas sanitárias e quarentenárias para evitar a introdução de EIEs na Amazônia, que possam causar danos à agricultura, pecuária e fl orestas
Considerações
Na Amazônia é primordial a implantação e desenvolvimento de ações e esforços sobre segurança biológica da agricultura, pecuária, fl orestas e meio ambiente, principalmente considerando a sua grande dimensão territorial e os 11,3 mil km de fronteiras com os demais países
amazônicos vizinhos.
Nesse contexto, a segurança alimentar e nutricional é um importante tema da segurança biológica, especialmente no sentido de obter alimentos livres dos perigos físicos, químicos e biológicos para assegurar o consumo interno sadio e para a exportação de produtos sem as barreiras técnicas ou não-alfandegárias.
No estabelecimento de um plano estratégico inteligente de vigilância é relevante o fortalecimento institucional para o desenvolvimento de P&D e CT&I, considerando o envolvimento e articulação das instituições públicas e privadas que atuam direta ou indiretamente em proveito da grande hiléia.
Dentro de uma visão holística e considerando os pontos abordados, aponta-se como imprescindível para o sucesso da segurança biológica na Amazônia a adequação dos seguintes aspectos: a) criar o Comitê Regional de Sanidade Animal e Vegetal da Amazônia; b) oferecer cursos e workshops de aprimoramento constante sobre ARP para a formação de técnicos analistas de riscos na região, considerando principalmente a sanidade animal e vegetal, além da segurança alimentar e nutricional; c) oferecer oportunidades para a capacitação contínua de pessoal sobre o Programa nacional de proteção ao conhecimento, coordenado pela Abin, incluindo os benefícios ao conhecimento tradicional associado; d) incluir o tema de segurança biológica em modernas redes de informação que atuam na Amazônia, no sentido de fortalecer a articulação regional, promover o desenvolvimento de projetos complementares e favorecer a percepção pública sobre a importância do tema para a região; e) elaborar e desenvolver o plano estratégico inteligente de vigilância para a segurança biológica da agricultura, pecuária, fl orestas e meio
ambiente na Amazônia, com a participação das instituições ligadas ao tema, atuantes na região; f) balancear as equipes de pesquisadores e outros profi ssionais atuantes em prol da segurança biológica na Amazônia, especialmente em sanidade animal e vegetal; g) atrair fontes de fi nanciamento para o desenvolvimento de estudos, projetos e outras atividades em segurança biológica na Amazônia; h) promover a articulação entre pesquisadores que atuam na Amazônia para o desenvolvimento de atividades de P&D e CT&I em segurança biológica de maneira integrada; i) articular esforços e ações em segurança biológica entre o Brasil e países vizinhos na grande hiléia, visando ao fortalecimento regional.
O controle ou erradicação de EIE deve constituir um dos principais objetivos dentro do novo paradigma da bioglobalização, buscando alcançar objetivos maiores, tais como, a conservação e utilização sustentável da biodiversidade e conseqüentemente a segurança
biológica dos recursos biológicos e genéticos, agronegócio, proteção da saúde humana e prevenção de perdas socioeconômicas e ambientais. Elementos dentro destes objetivos devem incluir a restauração do habitat, reintrodução das espécies nativas e preservação de
ecossistemas ainda não-perturbados, permitindo a sucessão natural em termos de razão e tempo e o estabelecimento do uso sustentável dos ecossistemas para a população local, regional e até mesmo nacional. Em termos de segurança do agronegócio, a aplicação do sistema de segurança biológica é fator primordial para assegurar o pleno sucesso do empreendimento. Considerando a articulação regional entre os países da América Latina e Caribe, a complementaridade de ações e esforços entre os mesmos nesse sentido tem caráter estratégico e de segurança nacional e regional, o que fortalecerá sobremaneira a soberania dos países na Região Amazônica, a mais importante em termos de biodiversidade e recursos genéticos do planeta.
Referências
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VALOIS, A. C. C. Benefícios e estratégias de utilização sustentável da
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VALOIS, A. C. C.; OLIVEIRA, M. R. V. Segurança biológica para o agronegócio.
Introdução
As normas internacionais de medidas fi tossanitárias (Nimfs) são consideradas como padrões, diretrizes e recomendações nas quais se baseia a aplicação de medidas fi tossanitárias adotadas pelas partes contratantes da Convenção Internacional para a Proteção dos Vegetais (FAO, 2007).
Para compreender melhor o que são as Nimfs e o que elas representam para o Brasil e comunidade internacional é necessário entender primeiro todo o arcabouço legal existente no âmbito internacional. Além disso, é importante compreender como e por que esse arcabouço se estruturou e evoluiu ao longo dos tempos. Atualmente, vários organismos
internacionais estão atuando dentro das defi nições e do princípio de rede sistêmica, tendo como foco geral a proteção das plantas, a saúde humana e animal e o meio ambiente, formando uma estrutura geralmente denominada de “rede internacional de segurança biológica”. A rede internacional de segurança biológica pode ser descrita
resumidamente como sendo composta por organismos internacionais, seus acordos ou programas, todos interligados e com foco na proteção de áreas da saúde humana e animal, agricultura e alimentação, meio ambiente e comércio internacional.