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Se os conflitos militares interferiram na dimensão doméstica civil norte-americana, como visto no primeiro capítulo, na dimensão militar elas alcançaram o clímax147. Nos Estados Unidos foram grandes estimuladores de modernizações e reformas na instituição em função da crescente demanda por novos recursos humanos, novos equipamentos e nova estrutura física. Já no Brasil, os conflitos militares foram responsáveis pela tomada de consciência sobre os problemas e as necessidades de se modernizar a força militar. Mesmo sendo uma revolta popular, o conflito de Canudos (1896-1897), por exemplo, evidenciou o despreparo profissional do efetivo e a frágil logística (transporte e comunicação) do Exército brasileiro. A conscientização sobre esses problemas gerou uma série de ações de modernização nas décadas vindouras como: (i) a construção da Villa Militar em 1908; (ii) os esforços para a reforma de estabelecimentos de ensino militar; (iii) a realização de um programa de construção de quartéis, nos anos vinte; e (iv) a crescente troca cultural com militares alemães e franceses148, entre outras ações149.

147 As principais mudanças estruturais nos órgãos responsáveis pelas obras militares norte-

americanas deram-se nos períodos de guerra. Relembrando que, em 1917, uma reforma estrutural no Quartermaster Corps provocou a transferência de responsabilidades de construção para uma agência independente: o Cantonment Division ou Construction Division. No seu interior, criou-se o Comitê de Construção Emergencial – Committee on Emergency Construction (US ARMY CORPS, 1997). Outra reforma deu-se em 1941, quando o Quartermaster Corps foi extinto e as suas atividades transferidas para a responsabilidade exclusiva do Corps of Engineers (cuja existência é contemporânea ao primeiro e compartilhava a mesma função, o que gerava uma série de conflitos de atuação e responsabilidades entre os dois órgãos).

148 Inicialmente, as trocas se estabeleceram com o envio de oficiais para servirem arregimentados no

Exército alemão por dois anos entre 1906 e 1912 (cada turma em um respectivo ano: 1906, 1908 e 1910). Esses jovens oficiais – apelidados como Jovens Turcos – formavam um corpo de ideias modernizadoras na corporação que reverberaram na reabertura da Escola do Realengo em 1911 (CARVALHO, 2006). Entre 1908 e nos anos seguintes, Hermes da Fonseca seguiu visitando as instalações militares na Alemanha e na França (McCANN, 2007). Durante a Primeira Guerra, militares brasileiros acompanharam militares franceses, mas o acordo de cooperação entre os Exércitos do Brasil e da França foram firmados apenas em 1919. Não esquecer, ainda, das trocas comerciais de compra e venda de produtos bélicos entre os brasileiros e os europeus acima citados.

149 Outra modernização relevante foi a implementação do serviço militar obrigatório em 1908,

estritamente relacionado com a crescente onda de nacionalismo no país. Segundo Kuhlmann (2001), o intuito desta lei foi oferecer uma “ideia de Pátria aos cidadãos, finalidade mais ideológica que de Defesa”, além de se tratar de uma oportunidade para captar uma juventude mais capacitada, preparar fisicamente o jovem para o trabalho futuro e “educar os filhos de imigrantes, com tendências anarquistas” (KUHLMANN, 2001, p.17; p.65). Devido à ineficácia do então modelo de convocação do serviço militar, outro decreto revisou o tempo de serviço reduzindo-o ao máximo de 18 meses e mínimo de 4 em 1920 (BELLINTANI, 2009). Ainda conforme Kuhlmann (2001), a lei do sorteio foi substituída pela lei do serviço militar obrigatório em 1934, tornando-se mais restritiva em 1939. O serviço militar andava pari passu com o clima de nacionalismo que o país vivenciava e que era propagado por uma classe média emergente, composta por multifacetados setores sociais – profissionais liberais, industriais, intelectuais e um grupo de oficiais –, os quais buscavam encabeçar uma nova ordem política no país e eram impulsionados pelas ideias filosóficas evolucionistas e

O processo de modernização institucional do Exército foi reforçado por acontecimentos históricos posteriores, como a Primeira Guerra Mundial150 (McCANN, 2007). Segundo Smith (2004), o Brasil não atuou diretamente na Primeira Guerra, mas foi um importante fornecedor de matérias-primas e recursos minerais151. Além disso, o Exército brasileiro enviou para a França alguns oficiais para observarem as táticas militares em ação152, o que interferiu na adoção de novas técnicas de combate, novos equipamentos e armamentos, além da tomada de consciência sobre a importância de se criar uma indústria bélica no país. Com a derrota da Alemanha e a vitória da França os intercâmbios militares transferiram-se do primeiro para o segundo, por meio de uma cooperação internacional com uma Missão Militar Francesa (MMF), a partir de 1919 – atuando até 1940, de acordo com Bellintani (2009). A MMF foi contratada em caráter consultivo para promover a profissionalização da instituição, por meio da organização de escolas de treinamento, da melhoria da capacidade de gestão, da reformulação de regulamentos, implantação de um sistema de promoções e a criação de unidades táticas (CARVALHO, 2006; McCANN, 2007). Apesar da supremacia de relações militares com a França, McCann (2007) identificou

positivistas que os inspiravam desde meados do século XIX. Segundo Moreira (2004, p.31), “Positivism advocated the achievement of a new stage in human evolution through the promotion of technical education and science under the direction of a strong state”. Diante dessa crença do progresso tecnológico e científico, a filosofia positivista propagou as ideias relativas ao novo, à necessidade de reformar, regenerar e civilizar a sociedade brasileira, além daquelas relacionadas à ruptura ou à revolução para se criar uma nova condição (HERSCHMANN e PEREIRA, 1994). O Exército foi um importante meio de divulgação dessa filosofia, sobretudo nas escolas militares, onde foi incorporada no ensino, formando militares intelectualizados (“bacharéis fardado”) – o que gerou uma cisão na instituição: o grupo dos bacharéis de farda versus o grupo composto por oficiais mais velhos e ex-combatentes (CARVALHO, 2006). Essa nova formação militar, por sua vez, atraiu um maior público para a carreira, conforme identificado por McCann (2007). A filosofia positivista foi, portanto, um elo de conexão que uniu dois grupos heterogêneos – de um lado os militares e de outro os civis – em torno de um objetivo em comum: a aspiração pela mudança do regime político vigente. No meio civil, merece destaque o papel assumido por Olavo Bilac que, a partir de 1915, passou a defender a obrigatoriedade do recrutamento e atuou na promoção dessa empreitada através da Liga de Defesa Nacional, criada em 1916 – motivo pelo qual se tornou o Patrono do Serviço Militar do Exército. Além disso, uma elite artística passou a divulgar as ideias nacionalistas, em 1922, com a Semana de Arte Moderna. Em suma, o clima de modernização e de busca por eficiência era evidente não apenas no interior da corporação militar, mas também fora dela.

150 Segundo McCann (2007, p.215), “A Primeira Guerra Mundial aguçou nas elites brasileiras a

consciência das fraquezas de seu país, mas não se formou de imediato um consenso sobre a linha de ação adequada”.

151 Durante a Primeira Guerra Mundial, o Brasil cortou relações com a Alemanha e chegou a se

preparar para atuar na fronteira de combate, mas não efetivou a ação devido à assinatura do armistício ter se dado antes do envio das suas tropas (SMITH, 2004).

152 Esta informação foi baseada no seguinte trecho: “During World War I, Brazilian officers were sent

to Europe to observe European armies and to note what lessons could be brought to improve the Brazilian forces. These officers were embedded in French units and when they came back from the war, they thought the victorious French Army should be used as model for the development of the Brazilian Army” (BRASIL, apud PENTEADO, 2006, p.36).

episódios que manifestaram troca de interesses entre os militares brasileiros e norte- americanos antes mesmo da Segunda Guerra Mundial, quando os laços entre o Brasil e os Estados Unidos se fortaleceram153.

Enfim, é neste contexto que emergiu o debate sobre a construção de casas para os militares, enquanto um incentivo à carreira militar – mais adiante se verá que a quantidade de unidades por cada vila militar era muito reduzida, atendendo a um pequeno número de membros da corporação, portanto, a oferta de moradias não se justificava exclusivamente enquanto um incentivo, mas talvez enquanto questão de ordem logística ou outras razões ainda não identificadas. Em 1919, o Gen. Maurice Gamelin – chefe da Missão Militar Francesa no Brasil – sugeriu a construção de casas pelo Estado brasileiro para alojamento dos oficiais e suas famílias enquanto medida contra os problemas enfrentados pelo baixo recrutamento do serviço militar (BELLINTANI, 2009).

Além da contratação da consultoria francesa, o então Ministro de Guerra, João Pandiá Calógeras154, colocou em prática um projeto de expansão das estruturas militares nos primeiros anos da década de 1920, por intermédio de um programa de construção de quartéis que deveria ser concluído a tempo das comemorações do Centenário155. Embora a intenção de se realizar um “plano geral de construções e melhoramentos de quartéis” vigorasse desde 1907156, a ação só foi efetivamente concretizada quando Calógeras

153 “Essas olhadelas para os Estados Unidos não se tornariam um flerte sério antes da década de

1930, mas mostram que os oficiais brasileiros não eram cegamente pró-franceses ou pró-germânicos: estavam procurando os melhores métodos” (McCANN, 2007, p.262).

154 Conforme Meucci (2009), Calógeras foi o primeiro civil no comando do Exército brasileiro e

assumiu o Ministério da Guerra entre 1919 e 1922, durante a presidência de Epitácio da Silva Pessoa.

155 Ao relatar a empreitada, Simonsen (1931) afirmou que a necessidade de executar com rapidez as

obras estava em consonância com a pretensão do Governo de que “uma das fórmas de commemoração do Centenário de nossa independencia consistisse na inauguração do maior numero de casernas” (ibid, 1931, p.44). Outros motivos que justificaram a agilidade na execução das obras foram: (i) a urgência de uma infraestrutura adequada para a realização do serviço militar obrigatório, já em curso e; (ii) a preocupação da paralisação das obras diante de uma mudança governamental – o que não ocorreu.

156 Em 1907, o presidente da República, Afonso Pena, proferiu um discurso na 2ª Seção da 6ª

Legislatura, mencionando a importância de modernizar a força: “Sua idéia, face ao estado degradado em que muitos quartéis encontravam-se à época, era apresentar um plano geral de construções e melhoramentos de quartéis que, uma vez aprovado pelo Congresso, poderia ser realizado progressivamente, mediante verbas consignadas anualmente nos orçamentos” (BRASIL apud EXÉRCITO, [s.d], p.6-7).

contratou a empresa Companhia Construtora de Santos (CCS/1912-1940), sob a presidência de Roberto Simonsen157, em 1921.

As condições físicas dos quartéis naquele momento eram deficientes em quantidade e qualidade, apresentando uma série de problemas sanitários (SIMONSEN, 1931; EXÉRCITO, [s.d]). McCann (2007) acrescentou que alguns quartéis ocupavam propriedades alugadas, como as unidades de Curitiba; outras bases aguardavam verba para poder construir seus quartéis, como acontecia em Recife. Urgia, portanto, a criação de condições físicas apropriadas já que “a ausência de uma infra-estrutura militar adequada colocava em risco não apenas a proteção militar, mas a saúde, o civismo, a disciplina” (MEUCCI, 2009, p.9). Sendo assim, o programa procurava abrigar adequadamente o efetivo que se ampliava a cada ano com o serviço militar. Ressalta-se que se as condições dos quartéis eram deficitárias, a questão da moradia acompanhava tal problemática. Apesar da já existente Villa Militar no Rio de Janeiro, que consistia em um privilégio para poucos158, “a maioria dos oficiais residia modestamente, muitos em hotéis baratos”, enquanto outros oficiais viviam à margem da classe média, segundo McCann (2007, p.312-313).

À princípio, Calógeras contratou a CCS para construir apenas três quartéis – em Pirassununga-SP, Campo Grande-MT e Joinville-SC –, mas logo esse número se ampliou para um total de 53 obras em 36 localidades159, executadas entre 1921 a 1925. Do universo contratado, 49 obras foram concluídas entre quartéis convencionais (em alvenaria), quartéis

157 Formado engenheiro civil em 1909, na Escola Politécnica de São Paulo, Simonsen atuou como

técnico de sua área de formação, mas também como político (deputado federal e senador da República). Era intelectual, conhecedor de outros campos disciplinares, sobretudo da histórica econômica do Brasil, tendo sido professor da Escola Livre de Sociologia Política de São Paulo. No entanto foi como industrial e empreendedor que sua atuação teve maior destaque, participando, inclusive, da fundação de diversas instituições entre as décadas de 1910 e 1940. Mais detalhes, ver Carone (1971); Villela (2007). Ademais, Simonsen desempenhou importante papel na sociedade brasileira por meio da difusão dos princípios da Administração Científica do trabalho. Ele foi classificado como uma das 70 personalidades do mundo a compor o Golden Book of Management: A Historical Record of the Life and Work of Seventy Pioneers, publicado por Urwick em 1956. Também estava sintonizado com a aplicação dos princípios tayloristas e fordistas na construção civil, de modo que, em 1912, importou dos Estados Unidos um modelo de casa em cimento, concebido e patenteado por Thomas Edison (FREITAS, 2011), para a construção “em série e por processo ‘maquinizado’” de um conjunto residencial em Santos – a Vila Economizadora, conhecida como “Casas Ford” (ibid, 2005, p.112).

158 Naquele momento, morar na Villa Militar significava habitar uma residência confortável, dentro dos

padrões considerados higiênicos e salubres e, acima de tudo, imbuído de status social, com edificações à imagem e semelhança da classe dirigente. Significava, ainda, morar a baixo custo – já que o aluguel era quase simbólico.

159 Entre os estados de São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio

desmontáveis160 e outros equipamentos específicos às atividades militares161, uma vez que a revolta Tenentista da década de 1920162 afetou particularmente o andamento dos trabalhos da Companhia Construtora de Santos em fins de 1924 (fig. 3.01–3.03).

A Companhia Construtora de Santos (CCS/1912-1940) era uma empresa comprometida com um método racional de produção, motivo pelo qual teve forte impacto na formação de uma mentalidade racional no país163. Com base nos princípios tayloristas e fordistas de produção, a construção dos quartéis se baseou na “organização de padrões” e na “determinação das installações typos para os serviços sanitários, abastecimento d’agua, luz e exgoto, cozinhas e lavanderias, baias, picadeiros e depósitos” (SIMONSEN, 1931, p.45) (fig. 3.04). A organização de padrões para Simonsen estava mais relacionada com o uso de materiais de construção de dimensões padronizadas como, por exemplo, a “organisação de padrões de esquadrias, de accôrdo com a natureza dos pavilhões e os climas e zonas em que iam ser construídos” (ibid, 1931, p.45). Com isso, Simonsen parece sugerir a ideia de regionalização do processo de construção, prática que se tornará lugar comum na produção de residências militares nos anos sessenta. Ademais, a Companhia adotou a noção de que: “construindo grande quantidade de quarteis identicos a um só tempo, pode esta Companhia ‘standardizar’ as construcções, organizando assim uma verdadeira ‘fabricação industrial’ de quarteis em série” (SIMONSEN, 1931, p.91). Em suma, um método que fosse eficiente e econômico para a produção em escala territorial.

Apesar da tentativa de se empreender um processo de estandardização – sendo o

standard uma ideia ainda bastante incipiente na realidade brasileira daquele contexto164 – os projetos urbanos dos quartéis não foram estandardizados (fig. 3.05–3.07). Prevaleceu uma

160 Segundo Simonsen (1931, p.72), os quartéis do “typo desmontável” foram construídos “para as

zonas das fronteiras e de difficil accesso” e, por essa razão, necessitavam de um sistema de construção mais adequado diante das dificuldades de transporte pela localização inóspita. Em relação ao sistema construtivo, os pavilhões deste tipo foram padronizados em função da dimensão da tesoura metálica (12m de vão e do tipo “Milliken”), que era construída a partir da importação de materiais norte-americanos, segundo o autor. Esta ação pode ser considerada uma interface das relações entre o Brasil e os Estados Unidos, estimulada por um civil que estava atento ao progresso tecnológico de construção norte-americano.

161 Em menor número também foram construídos hospitais militares, arsenal, depósito de material

bélico, intendência, arquibancada do Campo dos Affonsos (na área adjacente à Villa Militar do Rio de Janeiro), entre outras obras.

162 A revolta Tenentista (1922; 1924) foi resultado do descontentamento de um grupo de militares com

a conjuntura política nacional e as condições da própria corporação.

163 Ver Meucci (2009) a esse respeito. Antes, faz-se necessário esclarecer que a racionalização da

construção não é necessariamente a industrialização, mas tentativas de aumentar a capacidade e a qualidade produtiva (para maiores informações, ver Koury, 2005).

diversidade de traçados, formas de implantação e de disposição dos pavilhões que dependeram das características físicas do local, assegurando uma economia de construção e conforto ambiental para o conjunto edificado, haja vista que a direção dos ventos foi considerada na organização do layout urbano, segundo Simonsen (1931). Com isso, o engenheiro dizia se contrapor ao “typo official” de quartel tradicionalmente adotado, o “pateo rectangular” – é provável que fosse semelhante ao tradicional foursquare shape adotado no Exército norte-americano entre 1866 e 1917165 (fig. 3.05). Para McCann (2007, p.334), os

quartéis “assemelham-se na aparência, mas não há duas idênticas, graças à arte dos arquitetos de Simonsen que projetaram cada uma para sua localização específica”.

Por outro lado, a ideia de “fabricação industrial de quartéis em série” pode ser identificada nos projetos arquitetônicos, sobretudo dos pavilhões de Administração, em que sobressaiu a repetição de elementos estéticos, produzindo uma unidade arquitetônica entre os variados projetos urbanos espraiados ao longo do território (fig. 3.08–3.10). A escolha por um código formal de composição inspirada nos ditames clássicos, com elementos do Art Déco, e imbuídos de poucos ornamentos pode ser explicada pelo anseio em reduzir os custos de construção com decoração mas, ao mesmo tempo, oferecer uma representação com um grau de monumentalidade, simbolizando o papel da instituição militar naquele momento166. É curioso perceber esta escolha projetual haja vista que Simonsen fosse conhecedor da arquitetura racionalista na Europa – em especial, os princípios da Werkbund alemã (SEGAWA, 2010). Em 1922, junto com Jayme Teixeira da Silva Telles, era um dos 11

165 A forma urbana dos agrupamentos militares nos Estados Unidos nas duas primeiras fases (1866-

1890; 1890-1917) “had followed grid-like patterns and the buildings ‘were arranged in monotonous rows close together, with little privacy… utterly unattractive’” (FORD apud US ARMY CORPS, 1997, p.54). Em outras palavras, tratava-se de um layout predominantemente retangular (foursquare layout), tendo o campo de desfile (parade) como centralidade do aquartelamento e gerando uma espacialidade repetitiva e monótona. Para maiores informações, ver US Army Corps (1997).

166 Os edifícios construídos em alvenaria apresentavam uma configuração bastante tradicional. A

partir da análise iconográfica das obras apresentadas no livro de Simonsen (1931), os quartéis eram compostos por pavilhões de um a dois pavimentos, em formato retangular e com cobertura predominantemente dividida em quatro águas. A fachada dos pavilhões de administração, em geral, era concebida seguindo ditames de composição mais clássica, como a simetria, a centralidade e a uniforme distribuição das esquadrias. Além disso, possuíam outros elementos de inspiração clássica que também eram empregados nos edifícios reconhecidos como Art Déco, como as colunas justapostas às alvenarias, frontões triangulares, elementos geometrizantes em alto ou baixo relevo. Pela semelhança formal dessas edificações, pode-se dizer que foram construídas quase como um modelo, reproduzido em série nas diversas localidades do país, marcando a arquitetura dos quartéis daquele momento. No entanto variavam de dimensões a depender do local e da importância da unidade que se destinava, conforme explicado por Simonsen (1931). Vale ressaltar que se notou uma uniformidade arquitetônica entre os pavilhões, apesar das particularidades de alguns em virtude das funções específicas que desempenhavam como é o caso das baias (para os animais), dos depósitos (os de material bélico, por exemplo), do pavilhão de ginástica, dentre outros.

assinantes exclusivos da Revista L’Esprit Nouveau, editada por Le Corbusier e Amédée Ozenfant entre 1920 e 1925, segundo identificado por Segawa (2010).

É interessante perceber o envolvimento de Simonsen com arquitetos como Gregori Warchavchik, Rino Levi e Jayme Teixeira da Silva Telles, todos contratados pela CCS167. Lira (2007) acredita que a formação desses arquitetos despertou o interesse de Simonsen que “vinha defendendo a importação de técnicos estrangeiros para cargos de comando em suas empresas: ‘moços de sólido preparo’, capazes de assentar o trabalho em ‘bases verdadeiramente científicas’168 e, por conseguinte, romper com o ‘predomínio absoluto de mestres-de-obras’”169 a fim de garantir a racionalização da produção, conforme defendia (ibid, 2007, p.154). O período de atuação de Warchavchik na Construtora coincidiu com o período em que a empresa participou da construção dos quartéis para o Exército, no entanto não há referência nominal a ele; apenas o registro de atuação de outros dois arquitetos, também de nacionalidade estrangeira, Philibert Schomblood170 e Jules Mosbeux, os quais trabalhavam no Escritório Central, localizado em São Paulo. Segundo Lira (2007), Warchavchik permaneceu no anonimato enquanto arquiteto da CCS, “tal a complexidade da