3.1 Contexto da Pesquisa
3.1.1 A Área de TD&E
O gerenciamento de TD&E da empresa é executado pela Diretoria de Gestão Corporativa, em consonância com as deliberações da Diretoria Colegiada, atuando de maneira uniforme através de ações corporativas.
A educação corporativa segue as diretrizes traçadas pelo Plano Diretor de Educação - PDE. Esse plano é elaborado pela área de educação, a partir de necessidades identificadas no plano estratégico.
A empresa tem maioria acionária estatal e enfrentou em 1989 mudanças significativas no cenário nacional que apontava para a decisão do governo em desestatizar empresas e promover demissão incentivada de empregados. Isso levou a organização a tomar a decisão de adquirir no mercado pacotes de ações educacionais que preparassem os empregados para ocupar postos de trabalho dentro ou fora da organização.
Devido à interrupção do programa de desestatização, a organização voltou a se estruturar para proporcionar aos empregados ações de educação, voltadas prioritariamente à atualização de conhecimentos e à modernização dos processos. Além disso, o novo modelo do setor elétrico, implementado pelo Ministério das Minas e Energia, alterou a regra de funcionamento dos agentes do setor elétrico e condicionou a receita à capacidade operativa. Esses dois elementos do contexto impuseram novas diretrizes para as ações educacionais.
O novo direcionamento provocou mudança de paradigma. Da gestão de pessoas para gestão de competências. A partir dessa nova demanda foi estruturado, em 2000 o processo de treinamento, desenvolvimento e educação dos empregados da empresa.
Em 2001, objetivando contornar as dificuldades de uniformização de ações, decorrentes da alta capilaridade (presença em nove estados da federação) foi lançado o programa de educação à distância, favorecendo o acesso de mais pessoas ao ensino, sem a dependência do lugar e respeitando o tempo disponível e o ritmo de sua clientela.
Em 2002, foi implantada a universidade corporativa, fundamentada em dois pilares: a educação continuada e a gestão do conhecimento.
O foco principal da universidade, definida no Plano de Diretor de Educação - PDE, da empresa, é a consolidação de uma cultura de aprendizagem, no atendimento de necessidades de aprimoramento das nove competências da organização. Essas competências, intrínsecas aos processos da empresa, acrescidas da necessidade de desenvolver as lideranças internas, foram transformadas em 9 (nove) Escolas de Excelência da Universidade Corporativa, quais sejam: 1 - Mercados no Setor de Energia; 2 - Regulação do Setor de Energia; 3 - Responsabilidade Social e Meio Ambiente; 4 - Excelência Organizacional; 5 - Gestão de Pessoas; 6 - Geração de Energia; 7 - Transmissão de Energia; 8 - Telecomunicação; 9 - Liderança.
As competências organizacionais são desdobradas em objetivos de aprendizagem e tem como finalidade o alinhamento das ações educacionais com o fortalecimento das competências.
As diretrizes da organização para TD&E são: 1 - Assegurar a capacitação permanente dos empregados e a transmissão dos conhecimentos para expansão dos sistemas elétricos, a comercialização de energia elétrica, o sistema de gestão, a adaptação ao novo modelo do setor elétrico, a participação e a gestão de responsabilidade social; 2 - Atender as necessidades específicas dos processos das áreas; 3 - Priorizar as ações de capacitação para os empregados aprovados em concurso público; 4 - Utilizar recursos tecnológicos próprios na consolidação da Universidade Corporativa; 5 - Promover ações educacionais que contribuam para integração, continuidade e otimização dos processos empresariais visando a excelência na gestão; 6 - Ofertar ações educacionais que contribuam para o aprimoramento da gestão de custos da empresa; 7-Implementar ações educacionais para os programas corporativos da organização.
As diretrizes, os objetivos e as metas do PDE abrangem três tipos de ações educacionais:
1. Ações Educacionais Corporativas - destinadas a atender ao Plano Estratégico desenvolvendo competências comuns a todas as unidades da empresa.
2. Eventos Educacionais - promovem a participação de seus colaboradores na condição de autores e apresentadores de trabalhos,
coordenadores e membros de comissões, além do envolvimento de técnicos nas áreas de conhecimento de interesse da empresa.
3. Ações para Migração e Melhoria dos Sistemas Computacionais - capacitam e atualizam conhecimentos, habilidades e competências profissionais.
O PDE objetiva fornecer aos colaboradores da empresa as competências para atender os objetivos estratégicos, indicadores e metas definidos no Plano Estratégico da empresa nas quatro perspectivas de análise vislumbradas.
A análise do Plano de Diretor de Educação - PDE, realizado durante o período 2004 a 2006, demonstra a forma como a organização direcionou os esforços de capacitação baseados nas necessidades apresentadas pelas áreas.
Em 2004, a escola Estratégia, Qualidade e Excelência Organizacional foi a mais beneficiada com ações de TD&E com 35% (trinta a cinco por cento) das ações. Em seguida as escolas de Responsabilidade Social, Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional Sustentável com 17%( dezessete por cento) e da escola Gestão de Pessoas e da Saúde Integral com 16% (dezesseis por cento). A escola Engenharia e Tecnologia de Transmissão de Energia com 16% (dezesseis por cento), da escola Engenharia e Tecnologia da Geração de Energia 5% (cinco por cento), da escola Engenharia e Tecnologia da Comercialização de Telecomunicação com 5% (cinco por cento), da escola Mercados, Negócios, Alianças e Parcerias no Setor de Energia 2% (dois por cento), a escola Liderança com 2% (dois por cento) e, finalmente, a escola Regulação e Ambiente Institucional no Setor de Energia 2%(dois por cento).
Em 2005, novamente a escola mais beneficiada foi a de Estratégia, Qualidade e Excelência Organizacional com 32% (trinta e dois por cento), seguida das escolas de Gestão de Pessoas e Saúde Integral com 24% (vinte e quatro por cento), da escola Engenharia e Tecnologia de Transmissão de Energia com 16% (dezesseis por cento), da escola Engenharia e Tecnologia da Geração de Energia 9% (nove por cento), da escola Responsabilidade Social, Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional Sustentável e da escola de Engenharia e Tecnologia da Comercialização de Telecomunicação 3% (três por cento), Regulação e Ambiente Institucional no Setor de Energia, Mercados, Negócios,
Alianças e Parcerias no Setor de Energia 3% (três por cento) e finalmente a escola Liderança 1% (um por cento).
Em 2006, a organização redefiniu a classificação das escolas de competência, com base nas novas exigências do contexto e no seu esforço para acompanhar essas novas exigências. A Escola de Suporte foi a mais beneficiada com 75,41% do investimento, seguida da Escola Social com 9,84%, depois dessa a Escola Empresarial com 8,20%, com igual percentual de investimento estão as Escolas Finalística e Institucional.
O curso de Reciclagem de Operadores de Sistema - ROSI, objeto do presente estudo, foi classificado nas perspectivas Cliente Mercado e Pessoas, na escola Transmissão de Energia. Foi ofertado para atender a necessidade de atualizar conhecimentos de profissionais admitidos no cargo de Operadores de Sistemas Elétricos de Potência de modo a enfrentar as exigências de novas regras do contexto nacional do setor elétrico. O programa se propôs a fornecer ferramental básico para compreensão e participação no processo de transformação, relacionando aspectos operativos com as normas técnicas, procedimentos de rede vigentes, regras dos órgãos de regulação, fiscalização, política de fornecimento definida pela empresa e se constituiu, na percepção dos gestores, em importante ação para busca de melhorias de desempenho necessária ao alcance de objetivos empresariais.