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2. Os caminhos da Política de Saúde no Brasil

3.2 Do conteúdo teórico as respectivas práticas

3.2.5 A ação profissional do assistente social com vistas ao

Quando questionados sobre a importância do Controle Social e sua relação com a construção da integralidade tivemos as seguintes pontuações dos entrevistados:

“eu acho que é o compromisso de toda a sociedade, sociedade civil organizada, dos gestores, usuários e trabalhadores da área da saúde de lutar, buscar, participar dos conselhos de saúde que se efetiva a integralidade de fato. Sabemos que o controle social do sistema de saúde é um princípio e uma garantia constitucional regulamentada pela Lei Orgânica de Saúde.

propósitos com a defesa da participação das ações de saúde às necessidades da população. Entendo que os profissionais de saúde devem facilitar e estimular a população a exercer o seu direito de participar da definição das políticas públicas do setor. Eu participei como titular e como suplente também, nos Conselhos de Saúde e de Assistência Social representando o NUCRESS (Núcleo de Assistentes Sociais) vinculado ao CRESS. No Conselho de Saúde há uma diferenciação que é por segmento (gestor – prestador de Serviços – usuários e trabalhadores da área). No meu caso eu representava os trabalhadores da área e foi uma experiência muito rica, sobretudo no Conselho de Saúde, onde percebemos a grandeza do controle social. Hoje estou no Conselho do Comad (Conselho Municipal Anti- drogas), onde também tem uma proposta inovadora e os conselheiros participam efetivamente das comissões. Estou na comissão de estudos e projetos, até no ano passado fizemos oficinas com os adolescentes do CEMSE, que são infratores e estão internos. E esse ano, infelizmente, não pudemos fazer. Percebo que a participação da comunidade ainda é pequena, a participação efetiva, porque no meu entender participar não é 'derrubar o barraco' porque não tem médico no posto de saúde. Hoje as comunidades estão se organizando em torno dos Conselhos Locais de Saúde, porque tem alguém do conselho de saúde fomentando essa discussão. Mas, se tivesse assistentes sociais em todas as unidades de Saúde da Família as ações neste sentido seriam bem mais fortalecidas – esses Conselhos Locais de Saúde seriam mais fortalecidos. […] quando a comunidade entende que os profissionais de saúde estão a favor dela e não contra ela, as coisas acontecem” (SUJEITO E).

“a participação da comunidade é mínima. Há um Conselho Local em fase de reestruturação. As alternativas de enfrentamento ainda são as

convencionais. A comunidade recorre às farmácias, Centro de Atenção à Saúde, ou Ministério Público para aquisição de medicamentos ou outros suprimentos de que carecem no tratamento das doenças. […] Já participei de reuniões de Conselho Local de Saúde, mas deixei de participar quando houve mudança de gestão” (SUJEITO C).

“na Comunidade foi tentado manter o Conselho Local da Saúde , mas não houve interesse. Hoje, eles (a comunidade) procuram a Ouvidoria Municipal. Tenho participado de Conferências Municipais da Criança e do Adolescente, Conferência Estadual de Saúde, Conselho da Mulher, Conselho da Criança e do Adolescente” (SUJEITO F).

“a participação da comunidade se, dá nos momentos mais críticos, quando convocada de forma organizada e com objetivos claros. Mas, no dia- a -dia ela ainda é frágil , não há uma participação constante - o controle social ainda precisa ser construído para que a integralidade se efetive. No momento não estou em nenhum conselho, mas já atuei por duas gestões, tanto no Conselho Municipal da Saúde como no Conselho Estadual da Saúde. Fiz parte como membro integrante do Cress e por uma gestão também fiz parte do Conselho Municipal da Assistência Social. Em ambos os casos representava nosso conselho, o CRESS” (SUJEITO G).

“em 2004 existia o Conselho Local de Saúde na comunidade que atendo, eram sempre feitas reuniões mensais, mas com o passar do tempo ele foi extinguido – os representantes da comunidade até participavam dos assuntos referentes a saúde, mas sempre havia interesse do usuário, por exemplo: Eventos de Diabéticos e Hipertensos - quando eles têm a doença eles 'até participam', participam também quando sabem que vai haver entrega de lanches” (SUJEITO A).

“participo de reuniões mensais promovidas pela Secretaria de Assistência Social em específico no Departamento do Idoso. Participo também de reuniões no centro Municipal da Mulher, reuniões com a diretoria da Associação dos Moradores” (SUJEITO D).

O entrevistado G ao refletir sobre o Controle Social destaca uma ação pontual de mobilização, mas importante em que a participação comunitária se fez presente, atingindo os seus objetivos afirmando:

“quanto ao processo de mobilização, nesse caso específico da unidade, foi uma questão pontual, onde em um governo democrático, através da organização da comunidade e atuação no orçamento participativo, por três anos consecutivos se pautou na construção de uma unidade de saúde como a principal necessidade da comunidade naquele momento. Então a conquista garantiu a construção do prédio, que só ficou pronto dois meses após a mudança de governo. O novo governo tem uma visão empresarial e hospitalocêntrica da saúde e tentou então redirecionar a obra para abrigar um CAPS, sem ouvir a opinião da comunidade local. Nem sequer uma informação prévia e sem argumento que a justificasse. Então na época eu fazia parte do Conselho Municipal de Saúde e fui informada por outra colega, que era presidente do conselho e Assitente Social por sinal, que tal atitude seria tomada no dia seguinte por parte da gestão, no exato momento nós do conselho local estávamos reunidos, então quando dei a notícia eles decidiram imediatamente que não aceitariam a decisão do gestor e portanto a única maneira de evitar era chamando a comunidade para frente do prédio, bem como pessoas aliadas, religiosas e padres que haviam incentivado a participação deles antes e que prestam serviços na comunidade, todos foram chamados. Se organizaram dividindo

tarefas e indo as ruas avisar todo mundo. Como a notícia só chegou para nós 24hs antes, houve sugestão de que chamássemos um carro de som para poder avisar a comunidade toda, além de um grupo de agente comunitários de saúde que também foram às ruas e assim aconteceu, que o Secretário de Saúde mudou de ideia em menos de 24 horas e ainda negou para a imprensa que havia ordenado ao CAPS de se instalar nas dependências da nossa Unidade de Saúde, porque na frente da unidade juntamos aproximadamente 300 pessoas para aguardar esclarecimento do gestor e impedir a entrada de outro serviço que o qual tinham demandado. Foi uma experiência interessante, quanto a participação da equipe todos se envolveram, mas claro que nós buscamos fazer tarefas mais ocultas, a minha participação foi como a de todo mundo, talvez com dupla responsabilidade porque naquele momento eu atuei de forma profissional, mas principalmente de forma cidadã. A linha de frente quem assumiu foi o Conselho Local e eu fazia parte deste bem como alguns agentes comunitários de saúde, somado as Associações de Moradores. Desde então houve várias iniciativas no sentido formal burocrático de solicitação de melhorias, aumento do número de funcionários, melhora nas ruas, mas quase sempre os resultados ou não vem ou demoram muito... […] nessa época do governo anterior nós contávamos com uma coordenadoria dos Conselhos Locais, ou seja, havia uma pessoa liberada para articular os conselhos nas comunidades e contava ainda com duas estagiárias de Serviço Social o que facilitava o trabalho de organização. Nada disso existe mais uma vez que a atenção básica não é prioridade dessa gestão. Hoje a situação da estratégia Saúde da Família no município, eu diria que é "caótica", nada animadora. É uma questão de visão de mundo e opção política neste momento desfavorável tanto aos trabalhadores quanto aos que fazem uso dos

serviços” (SUJEITO G).

Apesar das colocações apresentadas pelos sujeitos da pesquisa e da importância dada ao tema do Controle Social, percebe-se um descompasso na prática cotidiana, pois a participação popular na definição e na luta por seus direitos ainda é pequena. O trabalho de mobilização realizado pelo assistente social e/ou pela equipe de saúde é quase inexistente. Na fala dos entrevistados constata-se o descomprometimento, sobretudo, da gestão atual com as ações que visam o controle social, a mobilização e a participação popular. Contrariamente essas práticas estão voltadas para a inserção dos usuários e trabalhadores de saúde nos espaços democráticos de controle social, seja através dos conselhos, das conferências e dos fóruns de saúde.

Nas palavras de Bravo e Souza (2009) se desconhece o conteúdo ídeo-político de suas intervenções nesses espaços. Modelo disso destaca-se as temáticas mais discutidas nas reuniões dos Conselhos que são: as denúncias, as reivindicações e a temática das conferências. Percebe-se assim que esses espaços são poucos propositivos, em que a política e o plano municipal de saúde caracterizam-se como temáticas menos discutidas.

Entende-se aí que necessidade do assistente social está diariamente ligada com a população, sejam através das visitas domiciliares, reuniões e palestras com intuito de incentivar a população a buscar formas de enfrentamento para suas necessidades de saúde, necessidades sociais, através dos serviços oferecidos pelo Estado e/ou dos recursos da própria comunidade. Além disso, os espaços dos Conselhos, enquanto controle social tem possibilitado ao assistente social o desenvolvimento de ações nos níveis de planejamento, assessoria, investigação, gestão, auditoria e avaliação dos serviços a fim de melhorar a qualidade dos serviços e buscando superar os impasses vividos na política de saúde. Caracterizam-se assim, como ações capazes de reverter sua atuação de executor terminal de políticas sociais.

Desde a Conferência de Alma Ata vem-se discutindo a importância não somente de políticas públicas saudáveis, mas também o fortalecimento dos serviços comunitários e o favorecimento da participação popular. A Carta de Otawa já destacava que a promoção da saúde começa justamente na participação efetiva e concreta da comunidade, em que se elegem as prioridades na tomada de decisões, *

na elaboração e desenvolvimento de estratégias para alcançar melhores níveis ou condições de saúde.

3.2.6 A importância do conhecimento para o