1 INTRODUÇÃO
2.9 A ACCONTABILITY COMO MEIO DE CONTROLE
A importância de encontrar os meios de controle no viés público aparecem no que traz Campos (1990) quando o mesmo identifica na accountability a essência, para certa interdependência. Para o autor, isso ocorre por meio da relação direta com a democracia, quando acontece o seguinte, a) Organização dos cidadãos para exercer o controle político do governo; b) Descentralização e transparência do aparato governamental e; c) Substituição de valores tradicionais por valores sociais emergentes.
Aliado a essas constatações, segue Campos (1990) observando que, a accountability no Brasil, somente poderia prosperar se, o povo se definisse como tutelado e o Estado como tutor. A identificação de que as instituições nacionais se apresentam como falhas e permite, a instigar através dos conceitos do autor, que se enfrente certa “pobreza política”. O que em si, se configura cada vez mais, como uma nação onde as organizações ainda prescindem serem mais forte e firmes em suas buscas pelos seus interesses maiores.
Neste sentido, Paul (1992, p. 1047) conceitua que, a accountability:
[...] significa manter indivíduos e organizações passíveis de serem responsabilizados pelo seu desempenho. Accountability pública se refere ao conjunto de abordagens, mecanismos e práticas usados pelos atores interessados em garantir um nível e um tipo desejados de desempenho dos serviços públicos.
Conforme Beretta (2007) parece ser importante destacar que, há uma grandiosidade substancial em admitir que, os impactos almejados junto à administração observada como gerencial, traduza um alto grau de accountability. Ou seja, aquela que é entendida como um processo de responsabilidade ou que se destaca através da intenção de ser prestadora de contas à sociedade. E conclui o autor, identificando que isso, ocorre pelas instituições públicas, que em suas determinações, se abrem a ligações referentes a anseios de governança e de governabilidade democrática.
Por outro lado, tende a ser fundamental observar que, diante da concepção da atual reforma administrativa, aspectos como, a governabilidade e a transparência, parecem depender de várias e relevantes dimensões políticas. A percepção de existência referente a atributos, onde a qualidade das instituições políticas seja intermediada por interesses e mecanismos de responsabilização, como a accountability, parece ser relevante. Já no que se refere a busca da sociedade e pela qualidade do contrato social, tende a evidenciar algumas
dimensões que, remetem ao sentido lato sensu, à reforma política visualizada como um aspecto essencial à reforma do Estado no Brasil (BRESSER PEREIRA, 1997).
Segundo Przeworski (1998, p. 61) os governos são, “[...] accountable se os cidadãos têm como saber se aqueles estão ou não estão atuando na defesa dos interesses públicos e podem lhes aplicar as sanções apropriadas”. O autor ainda concebe que, a partir dessa visão, postula-se que, “[...] os políticos que atuarem a favor dos interesses dos cidadãos sejam reeleitos e os que não o tenham feito percam as eleições”.
Para O’Donnell (1998), as democracias agem como políticas nacionais e permitem assegurar alguns mecanismos, tais como os tipos de accountability que aparecem a seguir.
Quadro 22 – Tipos de Accountability
TIPOS DE ACCONTABILITY DEFINIÇÕES
Accountability Vertical
A existência de eleições livres e regulares, bem como, a probabilidade na qual se veem os cidadãos, diante da possibilidade de expressarem suas opiniões e reivindicações, de modo livre.
Accountability Horizontal São mecanismos frágeis e como prova disso, citam-se os demasiados casos
de corrupção, como estão sendo amplamente divulgados ultimamente. Fonte: Adaptado de O’Donnel (1998).
O que aparece no quadro anterior tende a identificar os tipos de accountability. A maneira como se classifica, ou ainda como sendo processos ou mecanismos estritamente distintos. Conforme O’Donnell (1998) o tipo vertical, traz em suas considerações a determinação da existência de liberdade de expressões e reinvindicações. Enquanto que, no tipo horizontal, existem mecanismos frágeis, o que facilita assim, processos de corrupção, em várias formas e aspectos.
Segundo Schedler (1999) o significado de accountability aparece ainda subexplorado. O autor complementa que, ao se identificar um mundo onde o destaque seja as instituições financeiras, os líderes de partidos, os ativistas de bases, os jornalistas e cientistas políticos, ao se aderir a causa da accountability pública, a tratam a partir de conceitos de significado muito evasivo. O que converge para a sensação de que existem várias fronteiras ainda indefinidas, tendo inclusive uma estrutura interna confusa.
E assim, Schedler (1999) completa que, a accountability se constrói sob três questões básicas, que são, a) informação; b) justificação e; c) punição. Para o autor, há que determinar que, a informação e a justificação, remetem a ideia de que existe uma obrigação por aqueles que têm mandatos públicos. E no que refere autor aduz que, isso tem a ver com a habilidade das agências, em aplicar as sanções que determinam a perda de poder, aos que vierem a violar as obrigações públicas.
Para autores como, Abrúcio (2006) e Grau (2006), a administração pública, de uma maneira geral, prescinde encontrar mecanismos e processos, para atender ao que determina ser o controle social. O que na concepção dos autores, ocorre com a accontability, especialmente quando os cidadãos conseguem perceber seja pela eleição, seja por ações de responsabilização, a importância dos controladores, tanto nas esferas políticas, quanto na esfera identificada pela produção de bens e de serviços privados e/ou públicos.
Já para o CLAD (2006) a accountability pode ser vista ao menos de duas formas distintas, ou como um valor político, e/ou também por intermédio de avaliação junto a administração pública e essas aparecem no quadro a seguir.
Quadro 23 – Valor Político e Formas de Avaliação da Accountability na Administração Pública ACCONTABILITY
VALOR POLÍTICO
O desenvolvimento da capacidade objetiva dos cidadãos em agir nos aspectos ligados a definição das metas coletivas identificadas para com a sociedade e;
A construção de mecanismos institucionais que venham a garantir o tão requerido, controle público que, em si, ocorre através das ações dos governantes ao longo do seu mandato.
FORMAS DE AVALIAÇÃO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Pelos controles clássicos; Pelo controle parlamentar;
Pela introdução lógica dos resultados; Pela competição administrada e;
Pelo controle social. O que se pode dessa forma identificar que, tais formas possam vir a indicar a preocupação administrativa, a partir dos mais diversos tipos de controle.
Fonte: Adaptado de CLAD (2006).
As formas distintas visualizadas no quadro anterior sugerem o que o CLAD (2006) determina como, maneiras diferentes de atribuir valor na esfera política, por intermédio de controles referentes aos cidadãos, junto aos seus governantes. Além de que, quando aborda a administração pública, tais controles apareçam interligados em diversas formas, todas elas indicadas ao viés público.
Conforme Powell (2007) outra maneira de visualizar esses controles, aparecem a partir da ideia da responsividade democrática. Ou seja, nas ações em que, os governantes sejam meros programadores de políticas cidadãs. Não que isso seja de todo, algo ruim, no entanto, o que os meios fundamentais da accountability, seja ela vertical e/ou horizontal, parecem querer buscar é o acolhimento das mais variadas instituições.
Em complementação a isso, Moreno et al. (2000) e Dahl (2005) observam que junto aos chamados “meandros” institucionais, ou seja, aqueles identificados com os regimes poliárquicos, ocorra a determinação do princípio da responsabilização. O mesmo princípio
assim estabelece que as premissas importantes junto à accountability, em muito se alinham com as dificuldades enfrentadas pela corrupção, vista como uma anomalia e que, a sua relação ocorre entre agentes, por meio de momentos e oportunidades (ALONSO & GARCIMARTÍN, 2011).
Portanto, após a observação referida nesse estudo, o que se possibilita compreender é que, o referencial teórico até aqui abordado, busca completar por meio de preceitos éticos e de responsabilidade, o que existe junto à administração pública e seus conceitos de GP. Baseados nesses conceitos, o ambiente ora pesquisado encontra sua importância, em termos locais, especialmente no que se completa como, a busca por uma gestão que pretende alcançar os melhores resultados.