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2.1 O CONTEXTO: AS CIDADES E SEU PLANEJAMENTO

2.1.3 O idoso na sociedade

2.1.3.2 A acessibilidade e o direito dos idosos perante a lei

O homem deve encontrar os meios, conforme suas necessidades, de integrar-se ao ambiente, para que possa corresponder o seu direito de ir e vir, sem obstáculos que dificultem seu trajeto e configurem em ganho de qualidade de vida. Com esse entendimento, a acessibilidade destaca-se com uma necessidade que deve se fazer presente nos mais diversos setores, indo desde aos sistemas da tecnologia de informação e transportes até os meios físicos dos lugares que facilitem a locomoção e seus equipamentos, com atenção especial ao segmento dos idosos, sendo este o enfoque do trabalho.

No Brasil, existe a Lei número 10.098, também conhecida como Lei de Acessibilidade, que visa estabelecer normas e critérios básicos para o acolhimento de todas as pessoas portadoras de algum tipo de deficiência e/ou que apresentem mobilidade reduzida. Esta lei contempla no artigo quarto a seguinte afirmativa: ''as vias públicas, os parques e os demais espaços de uso público existentes, assim como as respectivas instalações de serviços e mobiliários urbanos deverão ser adaptados, obedecendo-se uma ordem de prioridade que vise à maior eficiência das modificações, no sentido de promover a mais ampla acessibilidade às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida''. Para complementar, em seu

parágrafo único se vai além, dizendo que: ''os parques de diversões, públicos e privados, devem adaptar, no mínimo, 5% (cinco por cento) de cada brinquedo e equipamento e identificá-lo para possibilitar sua utilização por pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, tanto quanto tecnicamente possível''.

Pode-se dizer então que, em concordância com estas leis, que as pessoas com mobilidade reduzida (não apenas deficientes, mas também os idosos que têm certa capacidade motora reduzida em suas tarefas diárias) possuem também direitos, já que a lei refere-se a todos os espaços públicos que devem estar adaptados, de forma a proporcionar conforto e bem-estar aos portadores de deficiência e mobilidade reduzida, inclusive os de ''maior idade''.

Conforme o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03), estabeleceram-se regras que objetivam preservar e regular os direitos assegurados pelos cidadãos brasileiros com idade igual ou acima de 60 anos. Dele, destacam-se os seguintes artigos:

Art. 1º É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.

Art. 2º O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral que trata esta Lei, assegurando-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.

Tratando-se de habitação, a legislação brasileira é clara em referir-se à implantação de equipamentos urbanos comunitários voltados ao idoso (Art. 38, II); portanto, os idosos têm direito ao lazer e a meios públicos, tais como praças e equipamentos, para seu melhor bem- estar. Ainda para os cidadãos idosos, a norma também estabelece, em seu artigo 41, a obrigatoriedade e critérios estabelecidos para assegurar vagas de estacionamento específicas para pessoas idosas:

Art. 41. É assegurada a reserva, para os idosos, nos termos da lei local, de 5% (cinco por cento) das vagas nos estacionamentos públicos e privados, as quais deverão ser posicionadas de forma a garantir a melhor comodidade ao idoso.

Essas disposições foram conferidas pelas Leis 10.098/00, que confere direito aos portadores de deficiência ou mobilidade reduzida, na qual poderiam, também, ser encaixados idosos com tais características. Posteriormente, entrou em vigor a lei 10.741/03, mais especifica aos direitos dos cidadãos com idade igual ou superior a 60 anos, abrangendo uma parcela de idosos que apresentam ou não algum tipo de dificuldade especial.

Neste cenário, o equipamento urbano ou o mobiliário deve ter como parâmetro principal a ergonomia e dados antropométricos inclusivos, além de inovação da estética, proporcionando interatividade e conforto ao usuário, neste caso, o público acima de 65 anos. Para isso, deve ser levado em consideração também os materiais pelos quais são feitos, considerando a sustentabilidade, a segurança e sua distribuição no espaço, não fazendo barreiras à passagem de pedestres nas áreas de circulação.

É sabido que o idoso possui algumas necessidades mais específicas que estão ligadas a certas limitações individuais, tanto motoras como visuais, agravadas de forma natural pela idade; porém, contudo, tal segmento vem sendo, de certa forma, auxiliado e regulamentado por leis e normas vigentes. Cita-se como exemplo a NBR 90506, cujo objetivo é o do garantir a acessibilidade que, porém, pode vir a ser complementadas através do uso de criatividade e de estudos mais aprofundados.

Atualmente, vem ganhando destaque nas cidades as academias ao ar livre, que tem como característica, além dos exercícios, promover a interação social, que são bons estímulos à saúde do idoso; porém, a repetição em série de equipamentos com uma mesma forma, utilizados de maneira replicada, consequência da industrialização, conferiu certa homogeneidade visual em diferentes lugares. A seguir figura demonstrativa de idoso rumo a seus direitos conforme a Lei nº 10.741/2003.

Figura 5 – Idoso Rumo a Acessibilidade Brasileira.

Fonte: www.adital.com.br/arquivos/estatuto-do-idoso-f.jpg/. Acesso em: 02 mai.2016.

6 É uma norma extensa que define aspectos relacionados às condições de acessibilidade no meio urbano. Estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construções, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade (inclusão), indicando especificações que visam proporcionar à maior quantidade possível de pessoas independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade a utilização segura do ambiente ou equipamento.

Para Lefebvre (1991), não é necessário um exame muito atento das cidades modernas, das periferias urbanas e das novas construções, para constatar que tudo se parece muito. A dissociação, mais ou menos artificial, entre aquilo que chamamos de “arquitetura” e o que se denomina “urbanismo”, isto é, entre o “micro” e o “macro”, não contribuiu para o incremento da diversidade na morfologia urbana. Ao contrário, o repetitivo substituiu a unicidade, o factual e o sofisticado prevaleceram sobre o espontâneo e o natural e o produto sobre a produção. Esses espaços repetitivos resultam de gestos e atitudes também repetitivos, transformando os espaços urbanos em produtos homogêneos que podem ser vendidos ou comprados. Não há nenhuma diferença entre eles a não ser a quantidade de moeda neles empregada, dominando a repetição e a quantificação.As constatações de Lefebvre (1991) ressaltam a falta de uma exploração mais aprofundada no que se refere às identidades urbanas, sendo que essas “identidades”, segundo Serpa (2014), constroem-se sempre a partir do reconhecimento de uma alteridade. Isso, no entanto, só pode acontecer onde há interação, transações, relações ou contatos entre grupos diferentes.

A acessibilidade sob o ponto de vista material é, portanto, imprescindível, e deve garantir o direito de acesso aos idosos e todos os demais dentro dos espaços públicos; porém, ela pode ser entendida dentro de um conceito mais amplo em que se inclui também uma identidade urbana. Esta identidade está vinculada com uma identidade social que, segundo Serpa (2014), é determinada pelo “capital escolar” e pelos modos de consumo local. Tais afirmações, então, ampliam o conceito da acessibilidade nos espaços públicos das cidades contemporâneas, acrescentando um novo paradigma a ser incluído no processo de planejamento.

Dentro deste contexto social, os idosos posicionam-se como um grupo diversificado e que ocupam todas as classes sociais, com diferentes índices de escolaridade e cujo papel na sociedadeserá discutido mais adiante.