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A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E A RESPONSABILIDADE DO ESTADO

A responsabilidade objetiva do Estado está prevista no § 6º do art. 37 da Constituição Federal:

Art. 37, § 6º – As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o respon- sável nos casos de dolo ou culpa (BRASIL, 1988).

A Constituição confere aos agentes públicos o mesmo tratamen- to dado aos órgãos públicos e às entidades privadas incumbidas de pres- tar serviços públicos no que tange à obrigação da reparação de dano causado a terceiros (BRASIL, 1988). O novo Código Civil, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, também consagra a responsabilidade objetiva do Estado e a responsabilidade subjetiva do agente público.

Art. 43 – As pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nes- sa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito re- gressivo contra os causadores do dano, se houve, por parte destes, culpa ou dolo (BRASIL, 2002).

Consignada a redação dos principais dispositivos legais, é ine- gável a responsabilidade civil do Estado sempre que haja um dano cau- sado a terceiros, por intermédio dos atos de seus agentes públicos.

Sobre as causas excludentes e atenuantes da responsabilidade, Di Pietro (2005, p. 568) classifica como força maior e a culpa da vítima:

Força maior é acontecimento imprevisível, inevitável e estra- nho à vontade das partes, como uma tempestade, um terre- moto, um raio. Não sendo imputável à Administração, não pode incidir a responsabilidade do Estado; não há nexo de causalidade entre o dano e o comportamento da Administra- ção. [...] Quando houver culpa da vítima, há que se distinguir se é culpa exclusiva ou concorrente com a do poder público; no primeiro caso, o Estado não responde; no segundo, ate- nua-se a sua responsabilidade, que se reparte com a vítima.

A autora esclarece que, mesmo existindo força maior, a respon- sabilidade do Estado poderá existir se houver omissão, ou seja, quando, pela inércia do Estado, este poderia impedir o dano (DI PIETRO, 2005). A responsabilidade do agente público evoluiu com o advento do Estado de Direito na busca do bom funcionamento da máquina administrativa e do serviço público.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Do apanhado teórico, conclui-se que Estado e governo não se confundem. Há uma diferença substancial entre os dois institutos. O pri- meiro, marcado pelo traço da perenidade, representa os valores funda- mentais que regem essa coletividade, enquanto que o segundo, tran- sitório, representa os interesses partidários daqueles que alcançam o exercício do poder por tempo determinado.

Também se verificou que governo tampouco se confunde com o Poder Executivo, visto que esse poder é composto pelo governo (direcio- namento político, exercício do poder) e pela Administração Pública, que é o aparelhamento técnico responsável pela execução das ações.

O cerne da função administrativa, que caracteriza a Adminis- tração Pública, difere basicamente da função política (Governo) porque,

em primeiro lugar, diz respeito ao dia a dia da gestão do Estado e, em segundo, porque não cria direito, mas apenas o executa, sendo, sempre, hierarquicamente inferior às funções políticas.

Importante ter em conta que não é possível elaborar, sobre a função administrativa, um conceito que pudesse ser aceito amplamente em todos os países democráticos. Esta tem a particularidade de respeitar as conjunturas históricas, econômicas e sociais de cada povo, de modo que as instituições que a representam são moldadas para cada Estado.

É também por meio da função administrativa que o Estado se relaciona com os cidadãos. Faz parte do conjunto de prerrogativas dessa função a aplicação da lei e dos regulamentos que organizam o mercado e a sociedade civil.

Entre as atividades que competem à Administração Pública, en- contram-se o serviço público, a intervenção do Estado no domínio eco- nômico e social e as limitações à liberdade e à propriedade, para citar as mais importantes.

Deve-se, ainda, ter em conta que a atuação da Administração Pública deverá sempre ser regida pelos princípios inscritos no art. 37 da Constituição Federal, baseada no princípio norteador da legalidade, que molduram a atuação do administrador.

No entanto, cumpre considerar que todos os princípios devem ser observados, pois o agente público deve agir com eficiência, não se restrin- gindo ao mero cumprimento da lei, mas também fazendo-o com presteza, perfeição e economicidade, buscando sempre os resultados que atendam ao interesse público. Agindo dessa forma, o agente público contribuirá para que o Estado atenda à sua finalidade: promover o bem comum.

No tocante ao Terceiro Setor, entende-se que é uma forma ino- vadora, que pode ser aproveitado na gestão pública, por meio da des- centralização das atividades àquelas entidades, sob o controle do Esta- do, por meio do cumprimento de metas, com o objetivo de enfrentar as causas coletivas em parceira com o poder público. A análise do tema acentuou ainda mais a importância desta atuação conjunta no combate aos desequilíbrios sociais e, igualmente, na busca pela eficiência e eficá- cia da gestão pública.

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André Carlos Paludo