1 POLÍTICAS E GESTÃO PÚBLICAS
1.2 Conceitos de gestão e gestão pública
1.2.7 A Agenda 21 e sua relação com a gestão pública municipal 40
A Agenda 21 é um plano de ação para orientação de um novo padrão de desenvolvimento baseado na sustentabilidade ambiental, social e econômica, com abrangência tanto global quanto nacional e local. Esta agenda é composta de 40 capítulos que definem metas e ações, baseando-se em princípios gerais e valores pautados em uma nova maneira de conduzir as políticas públicas. Os planos e princípios desta agenda visam ao desenvolvimento local, fundamentado no equilíbrio ambiental, na justiça social e na qualidade de vida para todos os cidadãos (CAMARGO, 2004b).
O processo de construção da agenda mostra-se tão importante quanto os resultados, dado que associado ao primeiro encontra-se o aprendizado de elaborar políticas coletivamente, em uma aliança comunidade-governo, produzindo mudanças na cultura política atual e na qualidade de vida de um município, fortalecendo conseqüentemente a gestão ambiental. O antigo ditado, vigente neste novo modelo, é “melhor do que dar o peixe é ensinar a pescar” (CAMARGO, 2004b).
No Brasil, a Agenda 21 ainda se encontra nos estágios iniciais, dado que cada município deve executar sua agenda, e poucos são os municípios que já a aplicam. Um fato relevante e de amplo conhecimento, é a grande dificuldade encontrada pela grande maioria dos municípios brasileiros, que são de pequeno porte e incapazes de manter sua própria estrutura.
A Agenda 21, um pensamento transformado em ação global, e posteriormente transmutado em pensamento e ação local, é mais um exemplo, somando-se a muitos outros, mas que foi criado com a ousadia de tratar e propor diretamente, em um único documento de intenções, de assuntos como: o combate à pobreza; a mudança dos padrões de consumo; a dinâmica demográfica; a proteção e promoção da saúde humana; a proteção da atmosfera; o planejamento e gerenciamento de recursos terrestres; a proteção da qualidade dos recursos hídricos; o manejo de substâncias tóxicas e de resíduos perigosos; o manejo de resíduos sólidos e esgotos; dentre outros.
Conforme apresentado acima, dentro da temática ambiental, uma série de questões mostra-se urgente, na proposição de novas políticas e ações. A Agenda 21 trata de diversas destas questões.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) desenvolve diversas ações visando a sustentabilidade dos municípios e consequentemente do próprio país, sendo uma destas ações a Agenda 21. O Brasil já desenvolve a Agenda 21 Brasileira, construída a partir das diretrizes da Agenda 21 Global, e como resultado de uma vasta consulta à população brasileira. A Agenda 21 Brasileira foi entregue à sociedade no ano de 2002.
O MMA também possui ações para auxiliar no processo de implantação da Agenda 21 Local. Esta agenda nada mais é do que instrumento para planejamento de políticas públicas envolvendo a sociedade civil e o governo para consultas sobre os problemas ambientais, sociais e econômicos locais, visando a identificação e implementação de ações concretas para o desenvolvimento sustentável local. Para auxiliar neste processo o MMA publicou o Passo a passo da Agenda 21 Local, com a proposição de um roteiro organizado que engloba: a) a mobilização para sensibilização de governo e sociedade; b) a criação de um Fórum de Agenda 21 Local; c) a elaboração de um diagnóstico participativo; e d) a elaboração, implementação, monitoramento e avaliação de um plano local de desenvolvimento sustentável. Este guia para implantação da Agenda 21 Local foi elaborado no ano de 2005, em complementação ao documento “Construindo a Agenda 21 Local” elaborado em 2003. Em consonância a estas ações, o MMA criou também o Sistema Agenda 21, um banco de dados de gestão descentralizada que permite o compartilhamento de informações, para que o público possa ter conhecimento das experiências já desenvolvidas. Visando o fortalecimento desses processos de criação de Agenda 21, o MMA apóia desde 2001, através do Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA), a execução de 93 projetos de construção de Agenda 21 Local, com uma abrangência de 167 municípios brasileiros.
Em suma, a Agenda 21 faz parte do Plano Plurianual do Governo Federal 2008/2011, sendo que o desenvolvimento do Programa Agenda 21 é baseado na execução de três ações que visam a elaboração e implantação das Agendas 21 Locais, a formação continuada em Agenda 21 Local e o fomento a projetos de Agendas 21 Locais por meio do FNMA (MMA, 2005; MMA, 2009a).
Outro programa implantado pelo MMA é a Agenda Ambiental na
Administração Pública, a A3P. Com o objetivo de implantar a gestão socioambiental
sustentável das atividades administrativas e operacionais do governo, a A3P tem
a licitação sustentável, a qualidade de vida no trabalho e a sensibilização e
capacitação. Criada em 1999 pelo MMA, a A3P foi oficializada através da Portaria nº
510/2002. Este programa tem como diretriz a sensibilização dos gestores públicos para as questões socioambientais, estimulando os mesmos a incorporar princípios e critérios de gestão ambiental nas atividades administrativas, através da adoção de ações que promovam o uso racional dos recursos naturais e dos bens públicos, o manejo adequado e a diminuição do volume de resíduos gerados, ações de licitação sustentável/compras verdes e o processo de formação continuada dos servidores públicos (MMA, 2009b).
Atualmente a A3P vem sendo desenvolvida não somente pelo MMA, mas
também por diversos outros ministérios, governos estaduais e municipais, em uma demonstração de que os diversos princípios e diretrizes estabelecidos e aplicados através das ações governamentais também devem perpassar pela própria estrutura governamental.
2 HISTÓRICO DA TEMÁTICA AMBIENTAL
Para uma melhor compreensão da gestão pública ambiental é necessário apresentar não somente os conceitos básicos de política, políticas públicas e políticas ambientais expostos acima, mas também apresentar previamente um breve histórico da temática ambiental ao longo dos séculos, assim como da visão do homem sobre o ambiente, assunto tratado no capítulo a seguir.