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PRAZER CAPÍTULO 4 DESENVOLVIMENTO PROJETUAL

CAPÍTULO 5 CONCLUSÕES E PERSPETIVAS FUTURAS

3.1. A IMPORTÂNCIA DA ALIMENTAÇÃO HUMANA

O elo de união das pessoas ao alimento, tem sofrido diversas transformações ao longo dos anos. Os paradigmas de consumo variam segundo culturas, políticas, meios para a produção e condições económicas de cada região, de cada país (Pekkanivew, 1975).

A fast-food e os alimentos processados são dois grandes responsáveis por diversos e

sérios problemas da sociedade, estão especialmente na origem da obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e ainda, segundo estudos, no progresso de cancros. São alimentos que devido à sua atração, enquanto opções de consumo, impulsionam muitos dos consumidores a ingeri-los, sem muitas vezes terem noção das regras de controle. Porém, estes têm elevados valores calóricos, além da escassa falta de nutrientes benéficos ao organismo humano (Cadario, 2016;

Schlosser, 2002; Tannahill, 1988).

A motivação e a autoconsciência alimentar são fatores determinantes na maneira como se educa cada sujeito a lidar com cada alimento. Por outro lado, a escolha de uma alimentação saudável, não passa apenas e exclusivamente pelos conhecimentos nutricionais, torna-se necessário que os indivíduos sintam prazer com o sabor da comida. É portanto crucial, que se entendam as escolhas alimentares das pessoas, e por conseguinte, o modo de como se pode trabalhar os comportamentos e hábitos na relação entre o alimento e a saúde física e psicológica do ser humano (Kim, Yousef & Khadre, 2003; Levenson, 1994).

A macrobiótica originalmente derivou de uma antiga filosofia oriental de vida. Foi trazida e adaptada para a cultura ocidental pelo filósofo japonês George Ohsawa (Ohsawa, 1965/2004). A alimentação aconselhada neste estilo de vida, é variável em conformidade com a condição física de cada indivíduo, o contexto geográfico em que está inserido, a estação do ano que no momento ocorre, e a(s) sua(s) atividades profissionais/ocupacionais. É de intuito desta filosofia, que as propostas das refeições sejam diversificadas, saudáveis e higiénicas, cujos alimentos são estruturados de acordo com energias que têm por nomes yin e yang (Kushi, 1978).

Ao longo dos anos, a macrobiótica ficou conhecida como uma filosofia curativa e preventiva. Todas as opções de recusa ou aceitação de alimentos são apoiados com estudos feitos pelos seus fundadores, e investigações que vão surgindo. A recomendação de se evitar o leite por exemplo, justifica-se pelas dificuldades existentes na digestão deste alimento, sobretudo, devido ao processamento da lactose, que inclui sinais de antibióticos e em muitos casos, demasiada gordura, assim como, pelo facto, de causar diversas alergias, e produzir mucosidades que dificultam a respiração (Kushi & Jannetta, 1991).

A investigação de várias áreas para se compreender o vínculo destas ligações é fundamental. Aumenta as possibilidades da presença de uma consciência que esteja apta para reconhecer o alimento, desde a escolha adequada deste, à consciência de como o organismo pode reagir, consoante aquilo que precisa para um bem-estar individual e social.

3.2. CENÁRIO DA ALIMENTAÇÃO

3.2.1. CULTURA ALIMENTAR

Ao longo da evolução histórica da alimentação mundial, verifica-se que a relação das pessoas com os hábitos alimentares, varia de acordo com a cultura e os recursos disponíveis. Os padrões de consumo alteram em diferentes partes do mundo, consoante as políticas, os meios para a produção e as condições económicas. A prática alimentícia de uma cultura começou por se construir pela disposição regional de alimentos. Posteriormente, verificou-se uma maior diversidade das hipóteses, devido ao contacto entre diferentes povos, que têm rotinas influenciadas por convicções e valores da própria cultura em que estão inseridos, como a religião, o clima, a situação económica, a localização geográfica, a tecnologia disponível, entre mais. Neste prosseguimento, os hábitos alimentares variam de país para país e de região para região, dentro do mesmo país (Medved, 1981; Pekkanivew, 1975).

A partir da década de 60, a alimentação como símbolo cultural, assumiu um papel de maior reconhecimento (Fischler, 1990/2001). A sociedade do consumo torna-se em peso a partir dos anos 60 e 70 a base do atual sistema económico, devido ao propósito da publicidade

desencadear necessidades de autoestima24, e desejo de experimentação, ao passo que importa

considerar aquilo que a cultura educa a gostar, ainda que na alimentação seja dos mais variados sabores, no entanto, os gostos variam consoante o que a cultura determina como aceitável (Lévi-Strauss, 1965, 1968).

A investigação acerca do mantimento humano é fundamental para se perceber o desenvolvimento da sociedade. A análise da alimentação individual, regional, nacional ou mundial, é necessária para se criar soluções relativas a problemáticas envolventes à alimentação, nomeadamente, a nível do ambiente, e em particular, da saúde humana. Dependendo do guia cultural de um determinado indivíduo, o alimento poderá ser entendido como uma maneira de saciar a fome, ou como um elemento de prazer e uma oportunidade de socializar com outros indivíduos (Medved, 1981; Pekkanivew, 1975).

A alimentação é um fator essencial na rotina diária das pessoas de toda a humanidade (Perls, 1947/1992). É uma necessidade básica para a sobrevivência. Maslow (1943), concebeu uma pirâmide hierárquica motivacional das necessidades humanas, na qual, distinguia cinco necessidades: fisiológicas, de segurança, sociais, de autoestima e de autorrealização (Figura 16). As necessidades fisiológicas são entendidas como as mais importantes para a existência e preservação da espécie, visto que, se resumem naquilo que o ser humano necessita para a sua sobrevivência (e.g. alimentação). Os diversos sentidos fisiológicos (e.g. visão, audição, tato, paladar, olfato), são um pilar nesta relação, sendo mesmo o ponto de partida para desencadear os comportamentos necessários para as ações que permitem a sustentação (Maslow, 1943).

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Nível que implica que a estima seja o desejo humano de ser aceite e valorizado por si e pelos outros. Este querer, está orientado para a realização de algo (e.g. atenção, apreciação, competência, status, reconhecimento, importância, e a necessidade de sentir que os outros confiam em si), (Maslow, 1943).

Figura 16. Necessidades de Maslow. Fonte: Adaptado de Jerome, 2013, p.41.

Nos países desenvolvidos existe uma enorme oferta de alimentos, no entanto, sob o ponto de vista nutricional, nem sempre esta oferta favorece um prática alimentar adequada à saúde humana. Cada vez mais, a comida tem despertado preocupações de saúde, por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS), em relação ao panorama dos alimentos que o ser humano normalmente ingere (Rothman, 1997). A sociedade contemporânea e o desenvolvimento e aparecimento de novas tecnologias, têm causado diariamente um ritmo acelerado nas pessoas. Neste contexto, criam-se e adaptam-se hábitos alimentares, constrangidos às exigências das tarefas a realizar, consoante a profissão prescrevida de cada indivíduo. Esta problemática, não só influência no desequilíbrio das horas a que o organismo necessita de alimento, como no tipo de alimentos ingeridos. A alimentação é deste modo, posta grande parte das vezes, como a última prioridade na vida diária das pessoas (Perls, 1947/1992).

3.2.2. O IMPACTO DA FAST-FOOD E DOS ALIMENTOS PROCESSADOS NA OBESIDADE, DIABETES E CANCRO

Adentro de uma oportunidade de aceitação de novas ideias de negócio que garantissem êxito comercial, e que respondesse às necessidades temporais dos indivíduos, nasceu um

conceito diferente da tradicional restauração, chamado de fast-food, cujo desejo de consumo

conciliava com o interesse de acesso ao local deste negócio, embelezado de publicidade e anúncios que atraíam o olhar humano, e sobretudo, que fascinava por se constar um serviço de preços baixos. Velozmente, esta descoberta expandiu-se e despertou o interesse de pessoas de diferentes classes sociais, numa nova perspetiva, que permitisse associar a refeição à marca.

Com este crescimento, e o aumento de notoriedade acompanhado de um preço bastante acessível, iniciou-se um contemporâneo movimento alimentar a nível mundial (Schlosser, 2002; Tannahill, 1988).

A alimentação fast-food surgiu na Europa, no final da década de 1970, e desenvolveu-se

rapidamente na década seguinte. Em Portugal, o primeiro McDonald´s abriu em 1991, em

Cascais, e no ano seguinte abriu o primeiro McDrive em Setúbal. O elevado sucesso da

fast-food, na globalidade, não cativa somente pelos custos relativamente baixos, flexibilidade dos horários, ou facilidade e rapidez de consumo, mas também, pela experiência sentida através de sabores que recorrem à gordura e ao sal. Os indivíduos sentem-se impulsivos por este tipo de consumo, sem normas com o controlo alimentar (Schlosser, 2002; Tannahill, 1988).

Acompanhando este ritmo, os alimentos processados, comercialmente sedutores enquanto opções de consumo, têm um elevado valor calórico e superior ao que deveria ser ingerido. Estas comidas, são um malefício para a saúde, aumentam o risco de determinados problemas de saúde, particularmente, da obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares. Por outro lado, dada a falta de nutrientes favoráveis ao organismo, será ainda mais prejudicial para indivíduos que sofrem de insuficiência alimentar, por estes serem mais sensíveis aos

mecanismos de defesas do seu corpo25 (Cadario, 2016).

Schilder (1935) definiu pela primeira vez, o conceito de imagem corporal, como sendo uma representação que os indivíduos criam mentalmente relativa ao corpo e ao modo como é entendido pela sociedade, podendo esta representação ser modificada com o passar dos tempos e segundo eventuais situações que se possam suceder (Schilder, 1935).

Num período em que se assiste a um parecer e uma conduta excessivos na mente e ação humana, cuja imagem muitas vezes passada por determinados serviços da sociedade, acerca da existência e permanência de um corpo elegante, considerado “perfeito”, assiste-se em simultâneo, ao predomínio da obesidade, nomeadamente, no mundo ocidental. Esta doença é peculiarmente perceptível nos Estados Unidos da América (Levenstein, 1988,1993). Os americanos comem cerca de dois terços de calorias dos alimentos preparados em casa. Entre os fatores associados aos comportamentos alimentares saudáveis, o mais importante, baseia-se numa boa seleção de alimentos e de os ter presentes no domicílio. Se os alimentos são facilmente acessíveis aos membros da família, a frequência das refeições familiares, e os próprios consumos dos pais e as suas práticas, são passados mais facilmente para os filhos (Burgess-Champoux et al., 2009; Contento, 2011; Cullen et al., 2003; Fulkerson et al., 2008).

25 O sistema imunológico detém de diversas camadas com mecanismos de regulação e defesa, espalhados em vários níveis, como acontece em diferentes casos: a pele que protege contra eventuais invasores, sejam estes maléficos ou não; as partículas que se encontram nos pelos e mucosas nasais e a retirada de elementos através da tosse e dos espirros, que permitem que o sistema respiratório ajude na manutenção dos antígenos, que são as substâncias que entram no organismo e conseguem iniciar uma resposta imune; os fluídos como a saliva, o suor e as lágrimas, que possuem enzimas como a lisozima que é uma proteína que destrói a camada que protege muitas bactérias; os ácidos estomacais que eliminam uma grande parte dos micoorganismos ingeridos juntamente com a comida e a água; o pH e a temperatura corporal que podem apresentar condições de vida desfavoráveis para alguns microorganismos; entre outros (Janeway & Travers, 1996; Rensberger, 1996).

A obesidade é um problema de saúde pública, estima-se que leva de 112.000 a 300.000 mortes a cada ano, em todo o mundo (Flegal et al.,2005), impossibilitando ainda, a fruição de uma vida saudável, arrasta expetativas de um espírito humano livre e feliz, para desalentos de incapacidades dependentes e desgostosas. Esta enfermidade ocorre porque é facultado ao organismo demasiada quantidade de comida diariamente, que não é apropriada às necessidades corporais dos indivíduos. Nesta dimensão, a gordura, o açúcar e o sal, são os principais ingredientes ingeridos para a sua ocorrência. São elementos que se encontram facilmente nas prateleiras dos supermercados, nas máquinas de vending ou no comércio de fast-food (Moreira, 2005).

O tratamento e acompanhamento da obesidade, passam pela prevenção e pela aplicação de habilidades de atividade precoce. A remodelação dos hábitos de vida, nomeadamente, os cuidados de uma alimentação saudável e um conveniente exercício físico, são os alicerces da diretriz para esta transformação nas rotinas diárias, cujas mudanças, sobretudo alimentares, tornam-se essenciais para a presença de saúde física e psicológica, no percurso diário de cada indivíduo, desde o ambiente domiciliário ao posto de trabalho (Moreira, 2005), para mais, os hábitos não saudáveis, adquiridos durante a infância e a juventude, tendem a estabelecer costumes diários, que poderão levar os sujeitos a sentir mais dificuldades em adotar estratégias saudáveis, expondo maior riscos de doenças, e implantando características desapropriadas às fases de crescimento e desenvolvimento humano (Jessor, 1991).

Tal como a obesidade, a diabetes também é um dos principais fatores de risco para a mortalidade em todo o mundo. Habitualmente, é originária do consumo excessivo de açúcar e gordura. Ainda que a maioria dos diabéticos necessitem de medicamentos, é relevante que tenham atenção à quantidade e género de alimentos consumidos. É importante que sigam uma dieta de baixa caloria e de alimentos nutritivos, para que disponham de uma adequada gestão

do organismo. Embora que os medicamentos como a insulina 26 , metformina 27 , e

tiazolidinedionas28, melhorem o controlo glicêmico, poderão estar ligados ao aumento de massa

corporal (peso), tensão arterial elevada, e mesmo dislipidemia29, sendo assim de fundamentar a

ponderação do papel da alimentação equilibrada (Hossain et al., 2015; Raymond & Lovell, 2015). Numa outra análise própria nesta abordagem, nota-se que ao longo dos tempos, a alimentação tem vindo a ser alvo de estudo na relação com o cancro, que emerge de múltiplos

fatores que podem atuar em simultâneo (Joyeux, 2015;Khayat, 2010).

26 A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas, que deixa que a glicose entre nas células, de maneira a ser convertida em energia. As pessoas diabéticas podem necessitar de injeções de insulina por diversas razões, como a de não produzirem insulina suficiente, não conseguirem usá-la adequadamente ou mesmo ambos os casos num único indivíduo (Shah, Joshi & Parmar, 1997).

27

A metformina é um antidiabético oral, muito utilizado no tratamento do diabetes tipo 2, para controlar a glicemia (glicose que circula pela corrente sanguínea), (Hermann et al., 1994; Nathan et al., 2009; Zolk, 2009).

28

As tiazolidinedionas são drogas utilizadas no tratamento do diabetes tipo 2, permitem a manutenção do controle glicémico, e normalmente, apresentam a um longo prazo melhores resultados, comparativamente a outras opções terapêuticas como a metformina (Kahn et al., 2006).

29 A dislipidemia pode ser definida como uma perturbação que se caracteriza pela existência excessiva ou anormal de colesterol e triglicérides no sangue. Esta anomalia, deve-se em muito, a hábitos alimentares incorretos,

nomeadamente ao consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas (Clayton & Stock, 2002). É importante que as pessoas saibam selecionar corretamente os alimentos e prepará-los, do mesmo modo que tenham a noção da quantidade que deve ser consumida e das alternativas para substituir uns alimentos por outros (Reiner et al., 2011).

Segundo a GLOBOCAN 2012, a carga global de cancros subiu para 14,1 milhões de novos casos e 8,2 milhões de mortes por cancro em 2012. Perante as estimativas, 14,1 de milhões de novos casos de cancro e 8,2 milhões de mortes relacionadas ao cancro ocorreram em 2012. Verifica-se segundo estas análises, um aumento significativo em relação a 2008, que contava com 12,7 milhões de situações e 7,6 milhões de mortes associadas a esta patologia. As estimativas de prevalência em 2012 revelaram a presença de 32,6 milhões de pessoas, com idade superior a 15 anos, que tinham um cancro diagnosticado nos últimos cinco anos. Os cancros diagnosticados e mais comuns em todo o mundo foram os do pulmão (1,8 milhões, 13,0% do total), mama (1,7 milhões, 11,9%), e colo-rectal (1,4 milhões, 9,7%). As causas mais frequentes de morte por cancro foram os cancros do pulmão (1,6 milhões, 19,4% do total), fígado (0,8 milhões, 9,1%), e estômago (0,7 milhões, 8,8%), (GLOBOCAN 2012; Forman & Bray, 2013).

Com base ainda nas estimativas GLOBOCAN 2012, prevê-se um enorme aumento de 19,3 milhões de novos casos de cancro, por ano até 2025, devido também, ao crescimento e envelhecimento da população em geral. No entanto, conjuntamente importa focar, que mais de metade de todos os cancros (56,8%) e de mortes por cancro (64,9%) em 2012, sucederam-se nas regiões menos desenvolvidas do mundo (GLOBOCAN 2012; Forman & Bray, 2013).

Contudo, ainda assim, na Europa verificou-se o aparecimento de 3,45 milhões de novos casos e 1,75 milhões de mortes por cancro em 2012. Os cancros mais comuns foram os cancros da mama (464.000 casos), seguido pelo colo-rectal (447.000), da próstata (417.000) e pulmão (410.000). Só estes quatro tipos de cancro representam metade da carga global de cancro na Europa. As causas mais comuns de morte por cancro, foram os cancros do pulmão (353.000 mortes), colo-rectal (215.000), mama (131.000) e estômago (107.000). Na União Europeia, o

número estimado de novos casos desta doença (excluindo os cancros de pele não-melanoma)30,

foram de aproximadamente 1,4 milhões nos homens e 1,2 milhões nas mulheres, e ainda, cerca de 707.000 homens e 555.000 mulheres que morreram de cancro no mesmo ano (EUCAN 2012; Ferlay et al., 2013).

Em termos de distribuição geográfica, relativa à existência de riscos de cancro, é de referir, que um determinado tipo desta doença, em particular, é mais abundante dependendo de país para país (Khayat, 2010).

“Quando olhamos para a distribuição geográfica dos riscos de cancro, cancro por cancro, ou país por país, não podemos deixar de nos surpreender com as incríveis diferenças, por vezes, existentes. Há muito mais cancros do intestino (do cólon) na Austrália e na Nova Zelândia do que em França ou em Itália. Há muito menos cancros do estômago na Alemanha do que no Japão ou no Uganda. Há uma diferença impressionante de risco de cancro da mama entre a Inglaterra e a Grécia. Os cancros de pele são mais frequentes em Israel do que na Irlanda.E podemos multiplicar exemplos como estes ao infinito!”

(Khayat, 2010, p.18).

30 A epiderme é a camada superior da pele. É constituída por células basais (planas) ou pavimentosas, de onde o cancro surge. No entanto, não aparece nos melanócitos, que são as células da pele que produzem pigmento, e que se situam na parte inferior da epiderme (Otley, 2001).

Os hábitos alimentares podem aumentar ou diminuir o risco da probabilidade de ter um cancro. O cancro cinge modificações no genoma que está transformado em várias zonas nas células cancerígenas. Esta doença ocorre de um desaparecimento de integridade do património genético, de uma das células, através do aparecimento de anomalias não reparadas ou mal reparadas, conduzidas por um ou mais dos genes que controlam ou regulam em tempo normal os fenómenos de distribuição celular, imprescindíveis à vida. A nutrigenómica ou genómica nutricional é a ciência que investiga a relação dos alimentos com os genes e o cancro (Corthésy-Theulaz, et al., 2005; Khayat, 2010; Trujillo, Davis & Milner, 2006; van Ommen & Stierum, 2002).

O estilo de vida tem vindo a ser considerado um agente crucial nas implicações da origem e progresso do cancro. A forma interventiva da nutrição, é cada vez mais valorizada para a prevenção nesta patologia. Muitos estudos conduzem os indivíduos ao consumo de vegetais, fruta, produtos de soja, e em contraste, determinam o privar de produtos lácteos, sal e carne, nomeadamente, a vermelha (Khayat, 2010).

“ (...) É verdade que existem diferenças genéticas entre as populações dos diferentes países e quem diz “genética” diz “susceptibilidade”. Certamente, agentes infecciosos cuja frequência de contaminação é maior aqui ou ali e que são potencialmente cancerígenos, podem explicar, também, esta ou aquela diferença. Mas, quando lemos os estudos que procuram esclarecer estes mistérios a que chamamos “epidemiológicos”, não podemos deixar de chegar à conclusão de que são os nossos comportamentos alimentares que desempenham um papel importante nessa história do cancro e que são os responsáveis por todas essas diferenças, de forma isolada ou associada a outros fatores de risco, maioritariamente ou, pelo contrário, por vezes de forma marginal e difícil de detetar. Mas a verdade é esta: os nossos comportamentos alimentares, em sentido lato, são efetivamente responsáveis por bom número de cancros que desenvolvemos!”

(Khayat, 2010, pp.18-19).

De forma geral, proporcionar bem-estar e manter uma boa saúde são os principais objetivos quando se pretende mudar os hábitos alimentares. Para esta alteração, emerge a preocupação em diferentes aspetos que os influenciam: escolha dos alimentos, tipos de cozimento, comensalidade, forma de comer e beber, quantidades alimentares ingeridas, entre mais. Importa assim, fomentar uma alimentação com benefícios, para uma mais-valia na prevenção de doenças, no combate de debilidades a que o indivíduo possa estar sujeito, bem como, na qualidade e prolongamento da vida humana, do mesmo modo, que deverá trazer privilégios imediatos de prazer, segurança e relaxamento, assim como, vantagens diretas: de curto prazo, no que respeita a digestão e a saciedade; de longo prazo, como a saúde e o bem-estar através do surgimento de hábitos alimentares apropriados e favoráveis à resistência do organismo humano e à comodidade psicológica do ser humano (Guillemin et al., 2016).

O processo de tomada de decisão, aquando um sujeito opta por comer alimentos processados, poderá passar pela impulsividade, dado que, muitos indivíduos valorizam prazeres imediatos, ao mesmo tempo que, desconsideram implicações futuras aliadas à relação do que comem, com a sua saúde. Por outro lado, estes alimentos são associados pelos consumidores a

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