• Nenhum resultado encontrado

A Associação de Maricultura e Beneficiamento de Algas de Pitangui – a AMBAP, situa-se a pouco mais de 25 quilômetros da Capital do Rio Grande do Norte, no distrito de Pitangui, pertencente ao Município de Extremoz, no litoral norte do Estado, conforme ilustra a Figura 2.

Figura 2: Localização do Município de Extremoz Fonte: IBGE, 2018.

De acordo com os dados coletados pelo IBGE (2018), o Município de Extremoz integra a Região Metropolitana de Natal e possui uma população estimada de 28.331 pessoas. O salário médio mensal dos trabalhadores formais em 2015 era de dois salários mínimos, o pessoal ocupado no mesmo período correspondia a 2.852 pessoas, o equivalente a 10,4% da população. Aqueles com rendimento nominal mensal per capita de até meio salário mínimo perfaziam à época um total de 43,2% da população.

Dotado de grande diversidade litorânea, Extremoz constitui-se de um destino possuidor de uma notável riqueza cultural e rico também em atividades turísticas, que se valem das belezas naturais locais, como praias, dunas, lagoas,

manguezais e uma mata atlântica preservada. É nesse ambiente que se insere a Praia de Pitangui.

Partindo de Natal, os principais acessos à Praia de Pitangui se dão via centro urbano, pela Ponte de Igapó, seguindo pela BR-101, ou via litoral, pela Ponte Newton Navarro, seguindo pela estrada de Genipabu ou pela Avenida Moema Tinoco, convergindo na BR-101.

Figura 3: Mapa de distância da Capital e acessos à Praia de Pitangui Fonte: Google Maps, 2018.

A praia de Pitangui é vista como uma das mais belas praias do litoral norte do Estado, constituindo-se como destino turístico em potencial. Segundo o site da Prefeitura de Extremoz (2018), Pitangui é uma das mais movimentadas praias de Extremoz, especialmente no verão, quando costuma receber vários turistas durante a alta temporada. Dotada de um mar tranquilo e águas transparentes, tem características próprias que a tornam muito convidativa para o banho. As Figuras 4 a 10 apresentam parte das belezas naturais do local.

Figura 4: Vista da Praia de Pitangui Fonte: Acervo pessoal.

Figura 5: Embarcações em Pitangui Fonte: Acervo pessoal.

Figura 6: Pôr do Sol visto das Dunas douradas Fonte: Acervo pessoal.

Figura 7: Cachoeirinha de Pitangui Fonte: Acervo pessoal.

Figura 8: Formações rochosas da Cachoeirinha Fonte: Acervo pessoal.

Figura 9: Figueira antiga à beira-mar Fonte: Acervo pessoal.

Figura 10: Travessia sobre o Rio Pratagi Fonte: Internet1, 2018.

A Lagoa de Pitangui, conforme mostra a Figura 11, é outro ambiente onde o visitante pode encontrar tranquilidade e contato com a natureza. Com tais atributos, a atividade turística constitui uma fonte de trabalho e renda para uma parcela da população local, como os motoristas de bugre, guias de passeios, proprietários e funcionários de pousadas e restaurantes, etc.

Figura 11: Vista aérea da Lagoa de Pitangui Fonte: Internet2, 2018.

1 Disponível em: <http://www.praiasdenatal.com.br/praia-de-pitangui/>. Acesso em: 12 mai. 2018. 2 Disponível em: <http://www.praiasdenatal.com.br/lagoa-de-pitangui/>. Acesso em: 12 mai. 2018.

Todavia, em que se pese a potencialidade turística do local, a pesca local continua sustentando boa parcela da população nativa, uma vez que a Praia de Pitangui é caraterizada por um contexto onde o ‘viver do mar’ ainda ocupa espaço significativo na vida das famílias, seja de maneira direta ou indireta, mantendo, dessa forma, uma notável ligação econômica e cultural da população nativa com as atividades pesqueiras, bem como “valores e práticas sociais, que vão perpassar as relações cotidianas da organização social, marcando a identidade sociocultural local” (KNOX; JOFFER, 2010, p. 2).

Dentre essas atividades, destaca-se a “catação de algas”, que se constitui de um trabalho tradicional, cuja existência de sua prática data do início dos anos de 1980, de acordo com os relatos dos moradores locais mais antigos, e que durante muito tempo não foi organizada de maneira institucional.

Desde o início, a catação de algas na localidade foi desempenhada por mulheres, muitas vezes acompanhadas de seus filhos menores, na beira-mar e nos recifes, pois, como se observa até hoje na realidade do local, as mulheres não participavam da pesca em alto-mar, e encontravam nessa prática um meio de complementar a renda familiar. O trabalho era extenuante e árduo, exigindo das catadoras uma grande resistência ao sol e aos frequentes machucados causados pelos rochedos em suas mãos e pés. Algumas se arriscavam mergulhando nos rochedos na base da apneia para assim coletarem algas mais limpas, no intuito de reduzirem o tempo que levariam ao sol, sobre as pedras, para separá-las das sujidades (KNOX, 2007).

Após a catação, as algas colhidas eram armazenadas em sacos e transportadas pelas catadoras para seus lares, onde havia uma área livre preparada para um novo processo de limpeza e deixar secando ao sol. No final desse processo, segundo Knox (2007), as algas secas eram novamente ensacadas e vendidas a um preço muito baixo para um comprador que as revendia para indústrias situadas fora do Estado, interessadas em extrair seu substrato para ser utilizado na fabricação de vários alimentos.

Notadamente, a catação de algas foi a prática que antecedeu o desenvolvimento da maricultura em Pitangui, pois foi nesse contexto no qual as condições de trabalho eram difíceis e o retorno financeiro era baixo que, em 2007, foi criada a AMP (Associação de Maricultura de Pitangui). A AMP se tornou, no ano

de 2010, na Associação de Maricultura e Beneficiamento de Algas de Pitangui – a AMBAP, tendo como objetivos principais o desenvolvimento de tecnologias de beneficiamento das algas, a capacitação do grupo, a realização de estudos de viabilidade de comercialização de cosméticos, produtos de limpeza e até mesmo produtos alimentícios, derivados do processo de beneficiamento (KNOX, 2007).

Ao se verificar a possibilidade de geração de renda a partir da realização das atividades afetas à maricultura, é possível reconhecer o papel de ferramenta social da iniciativa, uma vez que essa é capaz de possibilitar a redução do êxodo local e do nível de desemprego, indo além na valorização do papel feminino, tanto na geração de renda quanto na participação da organização comunitária (KNOX; JOFFER, 2010).

De acordo com a atual Vice-Presidente da AMBAP, inicialmente, o trabalho desenvolvido pelas maricultoras em Pitangui consistia basicamente na catação de algas, que eram vendidas para outros Estados, por intermédio de atravessadores. É, então, a partir da criação da associação que surge a expectativa de alcançar um produto com maior valor agregado, dando origem à produção de alimentos com substratos da alga e cosméticos artesanais. Os cosméticos artesanais levam principalmente a macroalga Gracilaria birdiae em sua composição, da qual se extrai o ágar, usado normalmente na forma de gel ou emulsificante, e plantas encontradas na região como o Guajiru, a Salsa da praia ou a Xanana (vide Figura 12).

Figura 12: Macroalga Gracilaria birdiae e plantas locais utilizadas na fabricação de cosméticos Fonte: AMBAP, 2018.

Guajiru

Salsa da praia

Depois de percebida a potencialidade local para o cultivo dessa macroalga, deu-se início ao cultivo através de um sistema de produção sustentável, visando minimizar os impactos ao meio ambiente, permitindo assim a recuperação dos estoques naturais. Insta salientar que em uma região onde o “viver do mar” ainda ocupa espaço significativo na vida das famílias, a AMBAP tem mostrado importância não só no resgate cultural e no fortalecimento da relação do homem com o mar, mas também no tocante à preservação ambiental.

Segundo a Vice-Presidente da AMBAP, os locais de cultivo são inicialmente dotados de pouca vida marinha e, sendo as algas ocupantes da base da cadeia alimentar, as balsas de cultivo também se tornam fontes de vida, por servirem de alimento para outras espécies de organismos marinhos como peixes, camarão e lagosta, possibilitando a formação do que pode ser classificado como um policultivo associado.

O preparo dos módulos de produção, o plantio e a colheita das algas são feitos pelas maricultoras, contando eventualmente com a ajuda dos alunos da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), conforme se observa na Figura 13.

Figura 13: Maricultoras preparando os módulos de produção Fonte: AMBAP, 2018.

Os alunos da EAJ também auxiliam na montagem da balsa flutuante, que agrupa os módulos de produção, preparados pelas maricultoras utilizando redes em formato tubular, conforme se observa nas Figuras 14 e 15.

Figura 14: Alunos da EAJ auxiliando na montagem da balsa para os módulos aquáticos Fonte: AMBAP, 2018.

Figura 15: Alunos da EAJ auxiliando na montagem da balsa flutuante contendo os módulos Fonte: AMBAP, 2018.

Com o uso de uma catraia a motor, tipo de embarcação comumente utilizada na região, as maricultoras e os alunos da EAJ realizam o cultivo das algas mar adentro, a cerca de 100 metros de distância da orla, conforme apresentado nas Figuras 16 e 17.

Figura 16: Instalação da balsa no mar Fonte: AMBAP, 2018.

Figura 17: Módulos de plantio instalados Fonte: AMBAP, 2018.

Após um período de 30 a 45 dias no mar, as algas atingem o estágio de crescimento desejado, podendo pesar até 400 kg, o que as torna adequadas para a coleta.

Documentos relacionados