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2. A Educação Ambiental

3.2. Instrumentos de recolha de dados

3.2.3 A análise estatística: objectivos e procedimentos

Um dos maiores desafios, talvez o mais aliciante, com que se defronta esta investigação, é o de tentar descobrir algumas representações ocultas no amontoado de dados que se recolheram, procurando assim interpretar o que os professores do 1.º Ciclo de um agrupamento vertical de escolas do concelho da Póvoa de Lanhoso, faziam e fazem no âmbito da influência do conhecimento e do uso dos Percurso Pedestres na Educação Ambiental pelos professores no processo de ensino e de aprendizagem.

Além disso, temos a preocupação de apresentar os resultados do estudo de forma clara e concisa, de modo a facilitar a sua leitura. No caso dos dados recolhidos através dos questionários, proceder-se-á a uma análise estatística, procedendo ao cálculo da distribuição de frequência. A distribuição de frequência é um procedimento utilizado neste tipo de estudos e situações, uma vez que os dados podem ser agrupados também em categorias onde a distribuição das frequências é um processo que permite através do

8 Foram recolhidos diversos documentos para o estudo (projecto curricular do agrupamento/turma, regimento de conselho de

docentes, actas de conselhos de docentes, legislação, documentos de registo avaliativo, regulamento interno, plano anual de actividades, projecto educativo, entre outros) e não obstante a sua progressiva e faseada recolha, reconhecemos a sua função orientadora para o primeiro conhecimento formal do contexto organizacional observado.

valor da percentagem, verificar a maior ou menor ocorrência da cada categoria, o que permite ajuizar acerca da preponderância com que casa um ocorre nos sujeitos participantes no estudo (Morgado, 1998).

Para o programa estatístico dos dados e respectivas análises recorreremos ao programa Excel 11.0 (Office 2003). Começaremos por organizar os dados, agrupando- os em categorias/dimensões umas definidas à priori e outras à posteriori, apresentando- os em tabelas, quadros e gráficos, sendo que, a cada categoria, está associado o respectivo número e/ou percentagem de ocorrência. Os dados das tabelas e gráficos serão organizados através de gráficos de formatos idênticos (de barras e cilíndricos) ao longo da interpretação quantitativa de análise.

Face ao reconhecimento da relativa e aparente simplicidade dos processos de recolha e tratamento de dados aplicados na recolha de informação, a principal preocupação incide sobre o conseguir um nível suficiente de saturação de dados e um grau desejável de exaustividade de tal maneira que o volume de informação, recolhido de maneiras diversas e proveniente de fontes diversas, possa gerar as interpretações e as inferências capazes de responder à questão de partida e objectivos da investigação. Neste processo, há a necessidade de recorrer à triangulação de dados, de fontes e de métodos para se tentar encontrar o sentido e a coerência dos discursos e corroborar elementos obtidos a partir das pistas distintas.

3.2.4 A análise de conteúdo: objectivo e procedimentos

Consideramos que a maior parte dos dados obtidos são de natureza qualitativa, recolhidos através do inquérito (questões abertas) e análise documental. A análise de conteúdo enquanto “conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens” (Bardin, 2004: 38), revela-se como um procedimento adequado, permitindo “compreender criticamente o sentido das comunicações, o seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas” (Chizzotti, 1991: 98) subjacentes nas opiniões transmitidas pelos professores do 1.º CEB do AEGS, relativamente ao conhecimento e uso dos Percursos Pedestres. Assim, o conteúdo das questões abertas do questionário será objecto de uma análise de conteúdo, já que esta técnica constitui um recurso eficaz para a sistematização da informação recolhida.

A opção pela análise de conteúdo justifica-se pela natureza dos dados e pela crença apoiada em Chizziotti (1991: 98) que considera que a análise de conteúdo é “um

método de tratamento e análise de informações contidas em textos ou de qualquer comunicação reduzida a um texto ou documento”. Como se está na presença de informações que é necessário interpretar, é importante, usar a análise de conteúdo para tentar interpretar as mensagens dos participantes no estudo, pois apesar de usarem diferentes rótulos para as suas categorias ou diferentes nomes para os critérios de classificação, poderão estar a referir-se a um mesmo assunto.

A análise de conteúdo é uma técnica de investigação que “permite a descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação” (Vala, 2003: 103). Porém, é preciso ter em atenção que “o material sujeito à análise de conteúdo é concebido como o resultado de uma rede complexa de condições de produção, cabendo ao analista construir um modelo capaz de permitir inferências sobre uma ou várias condições de produção” (Vala, 2003: 104). Assim, a análise de conteúdo aparece como um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objectivos de descrições do conteúdo das mensagens (Bardin, 2004).

Nesta perspectiva, a análise de conteúdo, como refere Vala (2003: 108-109), “Pressupõe o seguinte tipo de operações mínimas:

- Delimitação dos objectivos e definição de um quadro de referência teórico orientador da pesquisa;

- Constituição de um corpus; - Definição de categorias;

- Definição de unidades de análise (…); - A quantificação;

(…) Pressupõe a elaboração de um conjunto de procedimentos que permitam assegurar a sua fidedignidade e validade”.

Uma vez analisadas as questões abertas e os documentos neste estudo, procederemos ao levantamento da informação contida nos corpura, optando-se pela categorização que segundo Bardin (2004), serve para organizar o procedimento de análise, à priori e à posteriori de acordo com Vala (2003). Ou seja, a definição de objectivos que se pretendem com este estudo através dos instrumentos de recolha de dados acima referidos, permite a formulação de um sistema de categorias que posteriormente será alvo de reformulações. Definidas as categorias, verificaremos se são boas ou más, (Bardin, 2004) e procuraremos assegurar a sua exaustividade e exclusividade, tentando garantir que todas as unidades de registo pertençam a uma determinada e adequada categoria.

Face ao acima referido, a análise de conteúdo, que consiste essencialmente num trabalho de sistematização dos conteúdos do discurso de modo a torná-los analisáveis, envolve procedimentos relativamente complexos, constando de várias fases (Almeida & Pinto, 1990), que abarcam a determinação de categorias e de unidades de análise, para reunir características do fenómeno, permitindo analisar e examinar sistemas de valores, representações e aspirações dos actores, reacções a factos ou acontecimentos, sentimentos, ou mesmo atitudes face a fenómenos determinados (Quivy & Campenhoudt, 1992: 227). Sendo assim, é possível fazer-se inferências que ajudem a compreender a natureza dos processos analisados.