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Dentre as variáveis que podem exercer influência, tanto positiva quanto negativa, sobre o desempenho esportivo podem ser destacadas as variáveis psicológicas. A psicologia do esporte, como disciplina da psicologia, busca empreender estudos científicos acerca do comportamento dentro do âmbito do movimento humano, em termos de atividades físicas e desportivas. Reúne, portanto, preocupações científicas acerca das influências recíprocas e moderadoras de processos psicológicos e fisiológicos no desempenho de praticantes de atividades físicas e atletas, assim como suas repercussões na saúde e bem estar (Weinberg & Gould, 2011).

O surgimento da psicologia do esporte está atrelado ao próprio surgimento da psicologia, devido a seu embasamento filosófico e aos questionamentos originários da Grécia antiga sobre a percepção e a função motora (Jarvis, 2006; Vieira, Vissoci, Oliveira, & Vieira, 2010). Entretanto, seu início formal data do fim do século XIX a partir do estudo de Norman Triplett (1898) sobre a facilitação social no esporte (Weinberg & Gould, 2011). A partir deste estudo os pesquisadores começaram a ter interesse em outros aspectos psicológicos dentro do esporte e também na aprendizagem de habilidades motoras.

Com elevada frequência, o atleta é submetido a circunstâncias potencialmente estressoras que exigem constante gerenciamento de suas respostas emocionais. Situações que mobilizam cargas emocionais, interpretadas como negativas podem levar a uma diminuição da atividade cortical, especificamente no córtex pré-frontal. Essa diminuição pode afetar o desempenho, visto que provoca alterações nas funções cognitivas e, consequentemente, na precisão das respostas motoras (Matos, Takase, Lopes, & Teixeira, 2014). Nesse sentido, pesquisas têm sido realizadas a fim de compreender a relação entre o desempenho esportivo e variáveis psicológicas como estresse e ansiedade (Allawy, 2013; Nicolas, Martinent, & Campo, 2014).

A ansiedade é caracterizada, de acordo com as teorias gerais em psicologia, como uma emoção antecipatória que apresenta objeto difuso e intensidade superior ao perigo real dos estímulos, cujo objetivo é preparar o sujeito para a ação. Envolve a ativação do organismo e sentimentos de tensão, apreensão e nervosismo (Davidoff, 2001). Estudos pertencentes ao corpo de conhecimentos da psicologia esportiva

corroboram essa definição e a utilizam para designar a ansiedade no contexto das competições (Martens et al., 1990; Patel et al., 2010; Weinberg & Gould, 2011). Entretanto, alguns dos estudos mais recentes sobre ansiedade não trazem a definição operacional do construto, o que dificulta a verificação de um panorama geral sobre as definições mais utilizadas atualmente (Mabweazara, Andrews, & Leach, 2014; Neil, Wilson, Mellalieu, Hanton, & Taylor, 2012).

Apesar das definições entre os diferentes autores apresentarem aspectos semelhantes, há opiniões divergentes sobre a natureza dos efeitos produzidos pela ansiedade. Os efeitos negativos são os mais descritos e discutidos na literatura em relação aos positivos, que apresentam a ansiedade como um mecanismo de defesa adaptativo. Ao levar em consideração unicamente os aspectos mal adaptativos sobre o construto, pode-se incorrer em uma simplificação teórica excessiva (Cheng et al., 2009).

A ansiedade, como mecanismo de defesa, promove a interpretação de sinais de advertência que objetivam preparar o indivíduo para exibir a resposta mais adequada à situação, o que pode vir a auxiliar o aumento da motivação e do foco, a depender da intensidade e direção dos sintomas (Cheng et al., 2009; Ohman, 2000). Jones (1995) leva em consideração não só a intensidade, mas a direção da ansiedade, ou seja, a interpretação que o indivíduo tem de seus próprios sintomas. Interpretações positivas dos sintomas podem levar a uma visão da ansiedade como facilitadora do desempenho esportivo, enquanto as negativas podem se relacionar com uma visão debilitante.

A percepção de controle que o esportista tem sobre a situação, segundo Jones (1995), é fundamental para determinar se a ansiedade será debilitante ou facilitadora. Assim, um atleta que sabe que, apesar dos sintomas, conseguirá lidar com a situação e cumprir seus objetivos, tende a realizar uma interpretação facilitadora. As habilidades psicológicas que auxiliam esse tipo de percepção podem ser desenvolvidas em treinamento, logo, os atletas podem ser ensinados a identificar a ansiedade e seus sintomas de forma positiva (Weinberg & Gould, 2011).

Os sintomas característicos em estados de ansiedade estão ligados principalmente às alterações nos padrões de ativação e aos pensamentos intrusivos que ocorrem em relação à prática esportiva competitiva. Com base em sua natureza, os sintomas são categorizados em cognitivos e somáticos. A ansiedade cognitiva agrega sob seu domínio todos os sintomas da ordem do pensamento como apreensões, expectativas gerais

acerca da obtenção de sucesso e/ou possível falha, autoavaliações de cunho negativo, análise minuciosa das ações motoras, dificuldade de seguir instruções, irritabilidade, esquecimentos, indecisão, quebra de concentração, entre outros (Palazzolo & Arnaud, 2013; Stoeber, Otto, Pescheck, Becker, & Stoll, 2007).

A dimensão somática agrega as manifestações de sinais que se expressam fisicamente através da ativação. Podem ocorrer sintomas advindos da musculatura involuntária, como também relacionados à musculatura voluntária. São sintomas característicos da dimensão somática o suor frio, aumento da frequência cardíaca, aumento da pressão sanguínea, respiração rápida e superficial, náusea, diarreia, perda de apetite, insônia, tensão muscular, tremores, e etc. (Patel et al., 2010; Cheng et al., 2011).

A ativação por si só não representa uma reação agradável ou desagradável, de acordo com a natureza do evento. A valência pode ser designada de acordo com a presença de emoções associadas e ao controle que o atleta percebe ter sobre a situação, elementos que dão um sentido ao nível de excitação fisiológica (Tsopani, Dallas, & Skordilis, 2011; Weinberg & Gould, 2011). O nível de ativação requisitada para atingir um melhor desempenho depende também da natureza do esporte, ou seja, a relação entre ativação e desempenho não é linear. Modalidades que necessitam de maior acurácia, como tiro esportivo, tiro com arco, bilhar, entre outros, precisam de menores níveis de ativação para alcançar um bom desempenho, quando em comparação com esportes que requisitam maior força física e velocidade (Clemente, Couceiro, Rocha, & Mendes, 2011).

Os motivos para o surgimento da ansiedade podem residir em diversos pontos, sejam eles situacionais ou de personalidade. A importância da competição e as incertezas quanto a um bom desempenho podem se tornar fontes de ansiedade. Competições de alto nível para o atleta, a presença de rivais de maior ou igual qualificação, a presença de dores ou lesões, entre outros fatores situacionais, podem levar ao surgimento da ansiedade. Aspectos da personalidade podem determinar a forma como o indivíduo vivenciará as situações e se as interpretará como ansiogênicas (Weinberg & Gould, 2011).

As definições operacionais da ansiedade se configuram como a base para o entendimento do construto e das características que o representam. Ao longo do tempo, as definições sofreram modificações e possibilitaram novas formas de conceber o fenômeno, ou seja, suas diferenças representam também o desenvolvimento do construto ao

longo do tempo e uma busca por sua estabilidade. As diversas teorias e modelos existentes surgem da mudança na forma como o construto é concebido ao longo do tempo, considerando os avanços científicos sobre sua compreensão. Há também a complementação do conhecimento com a abordagem de diferentes ângulos, sem necessariamente realizar uma quebra com os modelos já formalizados.

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