RESULTADOS E DISCUSSÃO Apresentando os estudos
3. EM BUSCA DE UM REFERENCIAL TEÓRICO: A TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS (TRS)
3.6 A APLICABILIDADE DA TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES
SOCIAIS NA PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO EM
ENFERMAGEM E EM SAÚDE
A Teoria das Representações Sociais, nas últimas décadas, tem sido empregada em vários campos do conhecimento, além da psicologia social, tais como educação, comunicação, tecnologia, saúde (saúde coletiva, enfermagem, medicina, odontologia), entre outros. Sua apropriação na área da saúde tem sido destacada, em razão de abordar os fenômenos de natureza sociocultural, relativos à vida social dos grupos, expressa por valores, noções e regras sociais que regem as relações dos sujeitos com o mundo e com os outros, orientando e organizando as suas condutas/comportamentos e as comunicações sociais. (Fonte?)
Oliveira (2011, p. 589) afirma que ―especialmente em estudos nos quais importe ter acesso ao conhecimento social que orienta as práticas de um dado grupo social quanto a problemas de saúde‖. Ainda segundo Jodelet (2011), os estudos brasileiros utilizam a Teoria das Representações Sociais para melhor conhecimento de sua realidade social e intervenção sobre ela.
Rummler e Spínola (2005), realizaram análise de trabalhos empíricos da área de saúde editados entre 2002 e 2004, e verificaram que, de 46 periódicos nacionais indexados da área da saúde, 45 artigos de pesquisa focalizavam representações sociais, fundamentando-se na teoria das representações sociais, ressaltando que a área da Enfermagem e da Saúde Pública/Coletiva foram as que mais utilizaram publicações baseadas nessa teoria. A presença de profissionais e pesquisadores vinculados a essas áreas destaca a articulação entre aspectos acerca do conhecimento oriundo da saúde com as ciências sociais.
Camargo, Wachelke e Aguiar (2007) realizaram um estudo sobre o desenvolvimento metodológico das pesquisas sobre representações sociais em jornadas internacionais, tendo constatado que no período de 1998 a 2005, em uma das dimensões analisadas, a área de aplicação, a saúde aparece com um crescimento importante. O estudo das representações sociais em saúde veio mostrar que o processo saúde/doença é permeado de elementos culturais, sociais e econômicos, sendo compreendido e vivenciado diferentemente pelos vários atores que dele participam a partir de suas realidades cotidianas.
As representações sociais possuem um papel fundamental na dinâmica das relações sociais e nas práticas, permitindo ao indivíduo ou
ao grupo dar sentido e compreender a realidade através de seu próprio sistema referencial.
No campo da saúde,
O estudo das representações sociais em saúde mostra que o processo saúde/doença é permeado de elementos biológicos, psicológicos, sociais, culturais, e econômicos; sendo compreendido e vivenciado diferentemente pelos vários atores que dele participam a partir de suas realidades cotidianas. Nesse sentido, ao considerar que as representações sociais não se formam como conceitos isolados, mas articulados em rede e interdependentes, pode-se inferir que as representações de saúde e doença interagem para determinar concepções específicas de necessidades humanas e de saúde (STHULER; CAMARGO, p.70-1, 2011)
Padilha, Silva e Coelho (2007) desenvolveram estudo com o objetivo de identificar a utilização do referencial da TRS em Teses e Dissertações de três Programas de Pós-Graduação em Enfermagem: Universidade Federal de Santa Catarina; Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto e Universidade Federal do Rio de Janeiro, no período de 1995 a 2005. Em seus resultados foram identificados um total de 21 Teses e 25 Dissertações que utilizaram como referencial teórico as representações sociais, evidenciando o interesse da enfermagem brasileira por este referencial em pesquisas na área.
A realização de pesquisas em enfermagem com o referencial teórico das RS, conforme as autoras, constitui-se em uma realidade no Brasil, haja vista o número expressivo de teses e dissertações que o vêm utilizando, especialmente no Curso de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro/Escola de Enfermagem Anna Nery que tem ampla e reconhecida experiência nessa abordagem de pesquisa (PADILHA; SILVA; COELHO, 2007).
Ainda, segundo essas autoras, o número de estudos desenvolvidos na enfermagem pode atestar a sua aplicabilidade como um referencial teórico para a investigação de fenômenos que implicam em uma complexidade psicossocial e, por conseguinte tem facilitado a compreensão destes processos. Assim, destacam que o conhecimento produzido pelas RS, por refletir o conhecimento cotidiano, o senso comum, permite redimensionar este conhecimento para reinterpretar e
replanejar as ações tanto na prática assistencial como na prática acadêmica (PADILHA; SILVA; COELHO, 2007).
Conforme Nascimento-Schulze e Camargo (2000), os estudos sobre RS, dependendo do interesse da pesquisa, podem se dividir entre duas orientações principais: a primeira, que procura compreensão dos processos geradores e mantenedores do conhecimento compartilhado, e a segunda, que busca a estrutura organizativa deste conhecimento, podendo ocorrer de forma simultânea dentro de uma mesma pesquisa ou separadamente.
A área das doenças crônicas, devido ao seu caráter permanente, com mudanças no cotidiano e nas relações das pessoas, torna-se um vasto campo para elaboração de representações sociais.
Segundo Lopez (2004), os diversos estudos sobre as doenças crônicas podem agrupar-se em duas perspectivas: o ponto de vista da abordagem tradicional sobre os sujeitos doentes; e o outro ponto de vista que ressalta a vivência da doença e da pessoa como sujeito, que tem que viver todos os dias de sua vida com a doença e a atenção que precisa dar a ela. Esse segundo ponto de vista leva em conta a subjetividade e os significados que a pessoa e a família atribuem à doença, elementos que estão ausentes nos estudos tradicionais das doenças crônicas.
Ainda segundo essa autora, para compreender a experiência de uma doença faz-se necessário explorar o seu significado considerando a organização social do contexto de quem sofre, assim como suas estratégias de enfrentamento, as explicações que as pessoas desenvolvem sobre sua situação, porque tudo isso leva a influir na forma de atenção (LOPEZ, 2004).
4. PERCURSO METODOLÓGICO
Este capítulo está estruturado de maneira a explicar o conjunto de procedimentos metodológicos organizados, a partir do objetivo traçado, que auxiliaram na investigação do problema apresentado pela presente tese. Apresentam-se os passos adotados neste estudo, tendo em conta o método, a abordagem, os instrumentos de coleta de dados, de análise e interpretação dos resultados.