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A aprendizagem significativa e os mapas conceituais

A técnica do mapeamento conceitual está fortemente relacionada à teoria

da aprendizagem significativa de David Ausubel. Foi desenvolvida pelo professor

norte-americano Joseph D. Novak da Universidade de Cornell, na década de 1970.

Os mapas conceituais (MCs) são diagramas que indicam relações entre conceitos,

ou entre palavras que usamos para representar conceitos. (PEÑA, et al., 2005;

OKADA, 2008; MOREIRA, 2006b, 2010, 2011b).

Segundo Moreira (2010, p. 17), “A estreita relação entre mapas

conceituais e aprendizagem significativa vem do fato de que logo após seu

aparecimento essa estratégia revelou ter alto potencial de negociação, construção e

aquisição de significados”.

O termo conceito foi definido por Ausubel et al., 1980) citado por Faria

(2005, p.3) como “objetos, eventos, situações ou propriedades que possuem

atributos criteriais comuns, e que são designados por algum signo ou símbolo,

tipicamente uma palavra com significado genérico”.

De acordo com Peña, (2005, p. 45) “As palavras-de-ligação servem para

unir os conceitos e indicar o tipo de relação existente entre eles”.

A utilização de conceitos e palavras de ligação forma proposições que

mostram as relações existentes entre os conceitos percebidos por um indivíduo,

exteriorizando o conhecimento. (ARAÚJO et al., 2002; CAÑAS et al., 2000). A

proposição, “[...] constitui-se de dois ou mais termos conceituais (conceitos) unidos

por palavras (palavras-de-ligação) para formar uma unidade semântica. É a menor

unidade semântica que tem valor de verdade, pois se afirma ou nega algo de um

conceito”. (PEÑA, 2005, p. 45).

De acordo com Moreira (2006b, p.10), “Os mapas conceituais devem ser

entendidos como diagramas bidimensionais que procuram mostrar relações

hierárquicas entre conceitos de um corpo de conhecimento e que derivam sua

existência da própria estrutura conceitual desse corpo de conhecimento”.

Embora normalmente tenham uma organização hierárquica e, muitas

vezes, incluam setas, tais diagramas não devem ser confundidos

com organogramas ou diagramas de fluxo, pois não implicam

sequências, direcionalidade, nem hierarquias organizacionais ou de

poder. Mapas conceituais são diagramas de significados, de relações

significativas, de hierarquias conceituais. (MOREIRA, 2011b, p. 123).

Segundo Moreira (2006a), neste modelo os conceitos mais gerais e

inclusivos aparecem na parte superior do mapa. Prosseguindo, de cima para baixo

no eixo vertical, outros conceitos aparecem em ordem descendente de generalidade

e inclusividade até que, na base do mapa, chega-se aos conceitos mais específicos,

passando pelos conceitos intermediários. Na base do mapa, também podem

aparecer exemplos. A figura 1 mostra um modelo simplificado desta ideia básica,

apresentado por Moreira (2006a, p.11; 2006b, p. 47).

Figura 1: Modelo para mapeamento conceitual segundo a teoria de Ausubel. (MOREIRA,

2006a, p. 11; 2006b, p. 47).

O modelo propõe uma hierarquia vertical, de cima para baixo,

indicando relações de subordinação entre conceitos. Conceitos que

englobam outros conceitos aparecem no topo, conceitos que são

englobados por vários outros aparecem na base do mapa. Conceitos

com aproximadamente o mesmo nível de generalidade e

inclusividade aparecem na mesma posição vertical. (MOREIRA,

2006a, p. 11; 2006b, p. 47).

Os mapas conceituais, como um sistema hierárquico, são apenas um

modelo, não possuem necessariamente uma hierarquia única. Por outro lado,

sempre deve ficar claro, no mapa, quais conceitos contextualmente são mais

Os conceitos normalmente aparecem dentro de caixas, enquanto que as

relações entre os conceitos são especificadas através de palavras-de-ligação que

unem os conceitos, formando as proposições, que representam as unidades

fundamentais do conhecimento.

Para construção de um mapa conceitual Moreira (2006a, p. 90; 2006b, p.

43; 2010, p. 30-31; 2011b, p. 141-142), sugere, em suas publicações, uma

sequência de passos a serem seguidos, mostrados a seguir:

1. Identifique os conceitos-chave do conteúdo que vai mapear e

ponha-os em uma lista. Limite entre seis e dez o número de

conceitos.

2. Ordene os conceitos, colocando o(s) mais geral(is), mais

inclusivo(s), no topo do mapa e, gradualmente, vá agregando os

demais até completar o diagrama de acordo com o princípio da

diferenciação progressiva. Algumas vezes é difícil identificar os

conceitos mais gerais, mais inclusivos; neste caso é útil analisar o

contexto no qual os conceitos estão sendo considerados ou ter

uma ideia da situação em que tais conceitos devem ser

ordenados.

3. Se o mapa se refere, por exemplo, a um parágrafo de um texto, o

número de conceitos fica limitado pelo próprio parágrafo. Se o

mapa incorporara também seu conhecimento sobre o assunto,

além do contido no texto, conceitos mais específicos podem ser

incluídos no mapa.

4. Conecte os conceitos com linhas e rotule essas linhas com uma

ou mais palavras-chave que explicitem a relação entre os

conceitos. Os conceitos e as palavras-chave devem formar uma

proposição que expresse o significado da relação.

5. Setas podem ser usadas quando se quer dar um sentido a uma

relação. No entanto, o uso de muitas setas acaba por transformar

o mapa conceitual em um diagrama de fluxo.

6. Evite palavras que apenas indiquem relações triviais entre os

conceitos. Busque relações horizontais e cruzadas.

7. Exemplos podem ser agregados ao mapa, embaixo dos conceitos

correspondentes. Em geral, os exemplos ficam na parte inferior

do mapa;

8. Geralmente, o primeiro intento de mapa tem simetria pobre e

alguns conceitos ou grupos de conceitos acabam mal situados

em relação a outros que estão mais relacionados. Neste caso, é

útil reconstruir o mapa.

9. Talvez neste ponto você já comece a imaginar outras maneiras

de fazer o mapa. Lembre-se que não há um único modo de traçar

um mapa conceitual. À medida que muda sua compreensão

sobre as relações entre os conceitos, ou à medida que você

aprende, seu mapa também muda. Um mapa conceitual é um

instrumento dinâmico, refletindo a compreensão de quem o faz no

momento em que o faz.

10. Compartilhe seu mapa com colegas e examine os mapas deles.

Pergunte o que significam as relações, questione a localização de

certos conceitos, a inclusão de alguns que não lhe parecem

importantes a omissão de outros que você julga fundamentais. O

mapa conceitual é bom instrumento para compartilhar, trocar e

“negociar” significados.

Na atualidade, existem softwares para construção de mapas conceituais

que trazem grandes contribuições no processo de organização e construção de

sentidos e significados.

De acordo com Okada, (2008, p. 48) alguns são gratuitos, encontrados

para download e podem ser instalados facilmente.

Dentre os softwares mais utilizados destacamos o Cmap Tools que foi

desenvolvido pelo IHMC – University of West Florida, sob a supervisão do Dr.

Alberto J. Cañas. É umsoftware que permite construir, navegar, compartilhar mapas

conceituais de forma individual ou colaborativa. Utiliza a tecnologia Java, podendo

ser executado em várias plataformas. É encontrado no site: http://

cmap.ihmc.us/download/. E o Nestor Web Cartographer, que foi desenvolvido no

Centro de Pesquisa Nacional Científica em Lyon-França por Romain Zeiliger. Com

ele, é possível elaborar mapas conceituais, mapas mentais e mapas web.

A quantidade inassimilável, atualização constante e diversidade de

dados mostram que dominar um assunto não é mais deter todas as

informações, mas sim, saber onde e como encontrá-las, organizá-las,

articulá-las e aprender o significado. Neste sentido, a ideia de

mapear a informação implica traçar rotas, selecionar e articular o que

é relevante. Ou seja, “mapear” significa saber trilhar na maré imensa

de informações (OKADA, 2008, p. 48).

O uso dos MCs é bastante amplo e pode ser utilizado nas mais distintas

áreas, tendo diferentes finalidades, como instrumentos de ensino e/ ou de

aprendizagem, na avaliação, na organização, na análise e planejamento do currículo

e na representação de conhecimento. No entanto, “em cada um desses usos, os

mapas podem ser sempre interpretados como instrumentos para negociar

significados”. (MOREIRA, 2006b, p. 48).

No ensino podem ser usados para as relações hierárquicas entre

conceitos que estão sendo ensinados em uma aula, em uma unidade de estudo, ou

de um curso inteiro, representar a organização conceitual de uma disciplina, de parte

de uma disciplina, na análise de um livro, de um artigo, de um experimento de

laboratório, da estrutura cognitiva de um indivíduo sobre um assunto, de uma obra

ou de outra fonte ou área de conhecimento qualquer, a fim de tornar adequado para

a instrução os conhecimentos neles contidos.

Como uma ferramenta de aprendizagem, o mapa conceitual é útil para o

estudante, por exemplo, para fazer anotações, resolver problemas, planejar o estudo

e/ou a redação de grandes relatórios, preparar-se para avaliações e identificar a

integração dos tópicos. Para os professores, os mapas conceituais podem

constituir-se como instrumentos poderosos e auxiliares em suas tarefas rotineiras, tais como:

ensinar um novo tópico, reforçar a compreensão, verificar a aprendizagem e

identificar conceitos mal compreendidos e como um puro instrumento de avaliação.

“Contudo, contrariamente a textos e outros materiais instrucionais, mapas

conceituais não dispensam explicações do professor. A natureza idiossincrática do

mapa conceitual, dada por quem faz o mapa, torna necessária que o professor guie

o aluno pelo mapa quando o utiliza como recurso didático”. (BOGDEN, 1977 citado

por MOREIRA, 2006a, p. 49; 2006b, p. 16).

Tanto os mapas conceituais usados pelos professores como recurso

didático como os mapas feitos pelos alunos em uma avaliação têm componentes

idiossincráticos, ou seja, não existe um “Mapa conceitual correto”. Naturalmente, o

professor ao ensinar tem a intenção de fazer com que o aluno adquira certos

significados que são aceitos no contexto da matéria de ensino, que são

compartilhados por certa comunidade de usuários. O ensino busca fazer com que o

aluno venha também a compartilhar estes significados.

Entendendo a estrutura cognitiva de um indivíduo, em certa área do

conhecimento, como o conteúdo e a organização conceitual de suas ideias nessa

área, mapas conceituais podem ser usados como instrumentos para representar a

estrutura cognitiva do aprendiz. Sendo assim, mapas conceituais serão úteis não só

como auxiliares na determinação do conhecimento prévio do aluno, mas também

para investigar mudanças em sua estrutura cognitiva durante a instrução. Dessa

forma é possível, inclusive, obtermos informações que podem servir como Feedback

para o ensino e o currículo.

Nesta perspectiva, este trabalho apresenta uma proposta de ensino, com

o uso do mapa conceitual e do diagrama V, que apresentamos a seguir, para tentar

minimizar as dificuldades enfrentadas pelos estudantes da disciplina de metodologia

científica dos cursos de graduação e de pós-graduação lato sensu da Universidade