Como podemos inferir à respeito do que foi explicitado até então, a missão da artilharia na defesa da costa e do litoral é impedir a atuação de forças navais na área costeira e litorânea que executam quaisquer tarefas do poder naval.
Devido à obsolescência dos meios de artilharia de costa, a não visualização imediata de uma provável ameaça naval e necessidade de priorização de outros meios de emprego militar em detrimento dos recursos alocados à defesa nacional, as unidades de artilharia de costa vieram, progressivamente, sendo extintas no âmbito do Exército Brasileiro.
Apesar da não existência de OM de artilharia de costa, a defesa da costa e do litoral, no Brasil, doutrinariamente, é realizada por meio do emprego dual da artilharia de campanha.
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Assim sendo, a artilharia de campanha pode ser empregada em suas missões tradicionais ou na defesa da costa e do litoral.
a. Possibilidades
1) Deslocar rapidamente os fogos de suas armas em largura e profundidade, sem a necessidade de mudança de posição.
2) Emassar seus tiros sobre um ou mais alvos.
3) Bater simultaneamente diversos alvos, com rapidez e precisão.
4) Deslocar-se com rapidez por seus próprios meios.
5) Possuir mobilidade tática compatível com a ameaça naval.
6) Combinar diversos tipos de material para o cumprimento de uma determinada missão.
7) Montar o sistema de controle e alerta da Art na Def Cos e estabelecer as comunicações diretamente com os centros de controle da Força Naval amiga e o centro de operações táticas da força terrestre.
8) Realizar tiros precisos sem ajustagem.
9) Realizar a vigilância de área marítima, utilizando-se dos radares de vigilância de suas unidades e subunidades.
10) Realizar a busca, detecção, identificação, acompanhamento e engajamento de alvos navais.
11) Empregar diversos tipos de munição, capacitando-se a atuar contra alvos navais e terrestres, quando for o caso.
12) Realizar tiros sobre alvos desenfiados.
13) Destruir alvo-ponto.
14) Executar tanto o tiro direto como o indireto.
15) Atuar, ininterruptamente, sob quaisquer condições de tempo, visibilidade e ambiente de Guerra Eletrônica (GE).
16) Coordenar seu emprego, seus fogos e a utilização dos espaço aéreo e área marítima com a Força Aérea e a Força Naval, respectivamente. (BRASIL, 2013, p. 5-3).
Aslimitações são:
1) Vulnerável à ação aérea do inimigo e operações especiais.
2) Dificuldade de realizar a defesa aproximada de suas posições.
3) Exige um planejamento detalhado para as atividades logísticas, tendo em vista o elevado consumo de munição e combustível e a grande dependência de manutenção especializada.
4) Dificuldade de coordenação, controle das defesas e de manutenção do sigilo, quando operando em ambiente de GE, face ao largo emprego de sensores eletrônicos e de sistemas de comunicações rádio.
5) Existência de um alcance mínimo de emprego para os mísseis, em função da impossibilidade de guiamento pleno no início da trajetória, e para os foguetes, devido à sua trajetória balística vertical.
6) Exige detalhado planejamento de autodefesa. (BRASIL, 2013, p. 5-4).
Para adequada compreensão do emprego da artilharia, e consequentemente a melhor execução da sua missão, convém ao militar interessado conhecer as suas possibilidades e limitações naquele ambiente operacional, listados acima.
Para executar a missão da artilharia na defesa da costa e do litoral e realizar a sua coordenação, de acordo com o ME A-6: Artilharia na Defesa Costeira, a mesma deverá conter a seguinte estrutura:
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b) Sistema de armas;
c) Sistema de comunicações; e d) Sistema apoio logístico.
O sistema de controle e alerta possui as seguintes ressalvas:
a. Missão
Realizar a vigilância da área marítima sob sua responsabilidade, receber e difundir o alerta de aproximação de vetores, bem como acionar, controlar e coordenar a artilharia na Def Cos.
b. Constituição
O sistema de controle e alerta da artilharia na Def Cos é constituído pelos centros de operações de artilharia costeiros (COACos), pelos radares de vigilância, pelos postos de vigilância e meios de vigilância das outras Forças (F Nav e F Ae).
(BRASIL, 2013, p. 5-5)
Figura 8 – Estrutura do COACos
Fonte: ME A-6: Artilharia na Defesa Costeira, 2013, p 5-5
De acordo com o ME A-6: Artilharia na Defesa Costeira, o sistema de armas utilizado para neutralizar os alvos necessários são os mesmos que a artilharia de campanha dispõe, uma vez que o emprego é dual.
No caso do presente estudo, verificamos o sistema ASTROS 2020, que, quanto ao tipo classifica-se em artilharia de mísseis e foguetes. Quanto ao transporte classifica-se em autopropulsado (AP) e tem o seu alcance classificado como curto alcance.
Segundo o ME A-6: Artilharia na Defesa Costeira, o sistema de comunicações tem por finalidade interligar os meios de alerta aos COACos, bem como os mesmos aos escalões superiores e subordinados, a outros centros de operações e aos sistemas de armas, e também assegurar as comunicações necessárias ao comando e controle.
O comando e o controle é imprescindível para o êxito da missão da artilharia da defesa da costa e do litoral, devendo ser de conhecimento de todos os militares envolvidos neste
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ambiente, inclusive os operadores do sistema ASTROS. Verifiquemos suas generalidades:
f. Na coordenação podem ser destacados dois aspectos: a coordenação do emprego e a coordenação de fogos. A coordenação do emprego visa a determinar qual o meio (meio terrestre, meio aéreo ou meio naval) que, numa determinada situação, é o mais eficiente e econômico para bater um alvo naval. A coordenação de fogos destina-se a garantir a liberdade de ação para os meios disponíveis e, ao mesmo tempo, segurança para aeronaves, navios e tropas amigas.
g. Os fogos da artilharia podem ser coordenados ou controlados pela utilização de medidas de coordenação ou pelo estabelecimento do controle operacional. (BRASIL, 2013, 5-8)
As medidas de coordenação da defesa da costa pela artilharia de campanha, artilharia naval e apoio de fogo aéreo, necessárias para facilitar a condução das operações, são apresentadas à seguir:
e. A coordenação do uso do espaço aéreo e área marítima adicionados ao controle e coordenação dos fogos de artilharia na Def Cos são efetivados através de uma série de medidas, tais como:
1) Setor de Responsabilidade da Defesa Costeira (SRDC);
2) Corredor de Segurança Marítimo;
3) Área Costeira de Fogo Livre (ACFL);
4) Área Costeira de Fogo Proibido (ACFP);
5) Espaço Aéreo Restrito (EAR);
6) Zona de Operações Prioritárias (ZOP);
7) Estado de Ação; e
8) Estado de Alerta. (BRASIL, 2013, p. 5-11).
Convém ressaltar os conceitos de estado de ação e estado de alerta, presentes na IP 31-10, p. 6-16:
Guardando total similitude com a artilharia antiaérea, o estado de ação regula o grau de liberdade no desencadeamento dos fogos pela Art Cos , podendo ser:
(1) fogo livre - que permite os disparos sobre quaisquer navios não identificados como amigos;
(2) fogo restrito - que restringe os fogos somente sobre os navios identificados como inimigos; e
(3) fogo interdito - que só autoriza a autodefesa.
l. Semelhante ao que ocorre na artilharia antiaérea, o estado de alerta corresponde ao grau de ameaça representado pela FT Anf, em função de sua proximidade do litoral, e podem ser:
(1) alerta vermelho - o ataque é iminente; (2) alerta amarelo - o ataque é provável; e (3) alerta branco - o ataque é improvável.
Diante de tais informações verificamos a vasta gama de conhecimentos e conceitos necessaries adquiridos pelos operadores do sistema ASTROS 2020 para a correta coordenação com as demais unidades de artilharia e forças amigas.
Paralelamente à missão citada acima verificamos as considerações referentes ao emprego do sistema ASTROS II na defesa da costa e do litoral:
(1) A defesa do litoral contra operações anfíbias não impõe alterações significativas no emprego da Bia LMF em operações defensivas, contudo exige preparo e treinamento para ser efetiva.
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(2) A artilharia de costa, dotada de meios capazes de impedir ou neutralizar uma ação no litoral, participa do alerta antecipado, por estar em permanente ligação com a Marinha, o que lhe permite acompanhar as informações sobre os movimentos inimigos em alto mar. Nas ações em terra, quando não há mais alvos navais compensadores, condições técnicas de emprego como Art Cos ou quando a ameaça terrestre torna-se alvo prioritário para a força, reforça os fogos de artilharia de campanha em missão eventual.
(3) Como toda operação defensiva, a Op C Dbq Anf deve ser encarada como transitória. O espírito ofensivo constitui a base para o sucesso, através da previsão e larga utilização das ações dinâmicas. Logo, as Bia LMF empregadas pela Art Cos deverão ficar em condições de reverter para a AD ou AEx em Aç Cj no prosseguimento das ações terrestres.
(4) A partir do dispositivo de expectativa adotado, tão logo esteja definida a área do objetivo anfíbio inimigo, o Cmdo da Art Cos ordenará à(s) sua(s) Bia LMF que se desloque(m) com presteza e ocupem as posições de espera ou de tiro selecionadas. (5) O escalão Bia A Cos LMF a princípio não é suficiente para assegurar a continuidade da defesa e não assegura, também, um volume de fogo suficiente sobre o alvo para obter uma probabilidade de acerto aceitável, além de acarretar ao Cmt SU dificuldade logística indesejável, no que concerne ao Sup Cl V (Mun), pelo elevadíssimo consumo de foguetes na operação. Assim, normalmente a Bia LMF na Def Cos estará enquadrada dentro dos GACos. (BRASIL, 1999, p 11-5)
Como pode ter sido observado, nas medidas de coordenação e controle referentes ao sistema ASTROS, não fazem referência às medidas elencadas na IP 31-10, p. 6-16 ME A-6: Artilharia na Defesa Costeira, p. 6-8.
2.5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Conforme explicitado no presente capítulo, verificamos a importância da defesa da costa e do litoral, as tarefas do poder naval, tipos de operações, princípios de emprego, fundamentos de emprego, possibilidades e limitações da artilharia na defesa da costa e do litoral, estrutura da artilharia na defesa da costa e do litoral e as medidas de coordenação e controle. Estas noções, atrelados ao profundo conhecimento do sistema ASTROS 2020 propiciarão o seu correto emprego na defesa da costa e do litoral.
Após a análise dos assuntos do capítulo, os quais encontram-se elencados no parágrafo anterior, e a atual situação do sistema ASTROS 2020, deparamo-nos com os seguintes questionamentos a serem debatidos no capítulo seguinte:
a) Os operadores do sistema ASTROS 2020, quadros de manutenção e oficiais do estado-maior que empregam o sistema conhecem os assuntos supracitados nos seus pormenores?
b) Há uma coordenação adequada entre o Exército, Marinha e Aeronáutica neste tipo de operação?
c) A literatura existente sobre a defesa da costa e do litoral é adequada/atualizada? d) Os meios de busca de alvos e análise de danos são adequados?
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e) Os operadores do sistema ASTROS 2020, quadros de manutenção e oficiais do estado-maior que empregam o sistema conhecem as medidas de coordenação e controle inerentes à defesa da costa e do litoral?
Os questionamentos elencados serão explicitados no capítulo subsequente à fim de saná-los adequadamente.