CAPÍTULO II – “ERA UM QUARTINHO, NOSSO NINHO DE AMOR”: AS
2.2. A aspereza da vida: O amor é caminho incerto
As mulheres dessa pesquisa, em sua maioria, possuem narrativas que falam de amor, destinos flechados pelo cupido que aprisiona. Mulheres que afirmaram que, por algum tempo, estiveram presas aos seus companheiros por amarem, razão que enfrentaram situações de desconforto, vergonha, medo. Mulheres que continuaram a visitar seus companheiros de forma íntima, durante o tempo em que eles estiveram presos, motivadas pelo sentimento de amor que acreditavam sentir por eles. Um destino que separava os corpos do convívio através dos muros e das grades, mas que unia os corações pelo amor. Um destino que Deleuze (1974, p. 02) chamou de
[...] um presente cósmico que envolve o universo: só os corpos existem no espaço e só o presente no tempo. Não há causas e efeitos entre os corpos: todos os corpos são causas, uns em relações aos outros, uns para os outros. A unidade das causas entre si, se chama destino, na extensão do presente cósmico.
O que uniu a vida de mulheres com seus companheiros? Seria o destino que reservava surpresas para as pessoas? O que seria o destino? Como entender esse magnetismo que unia e afastava pessoas? Seria possível dizer que tais indivíduos viveram experiências de encontro com o amor? De acordo com Octávio Paz (1994, p. 35), os amantes experimentam uma atração involuntária, e a partir disso, nasce um magnetismo secreto e poderoso, que ao mesmo tempo é uma escolha, em que os poderes objetivos e os subjetivos, o destino e a liberdade se cruzam no amor. Neste sentido, o território do amor é um espaço imantado pelo encontro de duas pessoas. Historicamente, várias pessoas acreditam que o destino foi o responsável por unir corpos e sentimentos, como revela Rosa:
[...] a gente continuava transando gotoso [...] Mudou assim [...] porque a gente se dava muito bem na cama, eu achava que a gente ia ficar morando
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muito tempo junto, e ele sempre diz, ele fala assim - Rosa, tu já imaginou nós dois bem velhinho? Só que eu nunca amei ele, ficava só por transar. Se fosse para nós transar no escuro ou só transar tava ótimo, mas eu fui colocar ele dentro de casa. Eu não o amava, era só atração sexual [...] era só transar.
Rosa é uma dessas mulheres que já teve vários amantes - foi casada duas vezes e seu companheiro foi o último amante. Moravam juntos, quando ele foi preso. Segundo a entrevistada,
[...] hoje em dia depois que ele está preso, sei lá, eu fico olhando, meu Deus do céu, pelo amor de Deus [...] se ele descobrir que eu vou deixar ele, que eu vou trair ele, porque eu vou. Eu não vou ficar com uma pessoa que eu não amo, desse jeito nenhum.
Há uma insistência em afirmar que faltava amor para suportar o afastamento, a ausência do companheiro. A fala de Rosa negava que o amava com a mesma intensidade de outros amores que já teve. No entanto, continuava com ele. Tinha desejo, faltava amor. Sobre esse último sentimento, Octávio Paz (1994, p. 34) afirmou que:
[...] o amor é atração por um a única pessoa. Por um corpo e uma alma. O amor é escolha, o erotismo, a aceitação. Sem erotismo, sem forma visível que entra pelos sentidos-não há amor, mas este atravessa o corpo desejado e procura a alma no corpo e na alma o corpo a pessoa inteira.
Entretanto, nos caminhos do amor que levaram Rosa ao seu companheiro, há entraves que dificultaram o encontro de “corpo e alma”, pela falta de erotismo e desejo: “Eu não sinto prazer na cadeia”. Daí a insatisfação, a falta de completude entre os dois. Ela já se preparava para um novo amor, outra história. Ela se impunha como uma mulher aventureira, tinha por característica a busca pela felicidade e dos prazeres que poderão vir com o amor, enquanto ele está em desvantagem, a prisão lhe tirou a liberdade para viver outros amores. As posições se inverteram, antes da prisão ela temia as ameaças de separação. Assim, a interlocutora descreveu:
[...] ele falava pra mim, no dia que tu me perder, tu vai ver. Eu tinha medo da gente se separar, como ele é muito bonito, eu tinha medo de uma coisa, de eu não arrumar outra pessoa [...] Assim, porque a idade passa, eu já tô com trinta e dois anos [...] eu tenho muito medo e ele é jovem.
Esse vai e vem da vida, amores, lutas cotidianas, muitos caminhos sem chegadas, enfraqueceram os corpos e deixaram cicatrizes nas almas. Almas que alquebradas vão se tornando insensíveis ao apelo do amor. O amor convidando para o encontro de corpos e as
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almas se afastando. Os corpos, apenas corpos perambulando, mendigando o sopro da vida, vida, mas que vida? A vida de desencontros, a vida de pessoas que se separam por um instante. Instantes que se tornam dias, anos, comparados à rotina do cotidiano. Um sentimento que altera os roteiros das vidas.
O tempo para Rosa e seu companheiro foi o tempo presente, o tempo que seu companheiro saiu sem despedir-se, sem um até logo, tempo que deixou cicatriz na alma de Rosa e foi aos poucos tirando o colorido da paixão. Foi necessário que esta criasse forças para o primeiro encontro. Na delegacia, ela narrou:
[...] no dia que ele foi preso eu vi meu filho chorando, ele falou, mãe é com aquele cara que a senhora mora? [...] e eu criando força, pra mim chegar na delegacia. Pra mim olhar para ele tive que inventar uma mentira pra entrar lá dentro da delegacia pra mim ver ele, mas meu filho acabou descobrindo, ele tem dezesseis anos, como é que eu ia olhar pra um cara que morava com ele e estava preso. Gosto dele, é uma pessoa boa. Eu sei que ele não tem culpa do que está acontecendo.
Ela precisava dizer para si e para os outros, precisava acreditar na perda da felicidade que acabara de chegar em sua vida.
Há sempre a suspeita - mesmo que apaziguada e inativa por algum tempo- de que se esteja vivendo uma mentira ou um equívoco, de que algo de importância crucial foi esquecido, perdido negligenciado, permanecendo não ensaiado e inexplorado; de que não se cumpriu uma obrigação vital para o eu autentico da própria pessoa, ou de que algumas oportunidades de felicidade de um tipo desconhecido, completamente diferentes do que se vivenciou antes, ainda não foram aproveitadas e tendem a se perder para sempre se continuarem desconsideradas (BAUMAN, 2004, p. 73).
A partir daquele momento, um mundo novo se abriu a sua frente. Precisava começar a trilhar um caminho, e, assim o fez, mas precisou mentir para seu filho, porque a prisão do seu companheiro também lhe deixou confusa, as informações eram parcas. Enquanto mulher, se submetia a estar naquele lugar porque gostava do seu companheiro. Pouco falou para os outros e para si. Dizia-se pouco por razões diversas, ora para silenciar sobre o que não se quer falar, talvez as palavras monossilábicas fossem a melhor forma de calar ou de não permitir que se falasse mais daquele momento vivido.
Certas coisas marcam as histórias das pessoas. Marcas que nem sempre deixam cicatrizes timbradas nos corpos, marcas que muitas vezes atravessam o tangível e se alojam na alma e, quiçá, não seja esse um dos motivos do afastamento do amor ou da paixão como Rosa descreve: “[...] eu dei amor, eu dei carinho, coloquei ele dentro de casa, eu fazia tudo
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certinho, aí ele acha que isso é amor, transar, ele acha que isso é amor. Mas isso não é amor, isso e atração sexual, eu falei para ele”. Contudo, nessas circunstâncias, não é possível limitar ou diferenciar paixão, amor, sexo. É o que afirma Octávio Paz (1994, p. 15):
Sexo, erotismo e amor são aspectos do mesmo fenômeno, manifestações do que chamamos de vida. O mais antigo dos três, o mais amplo e básico, é o sexo. É a fonte primordial. O erotismo e o amor são formas derivadas do instinto sexual, cristalizações, sublimações, perversões e convulsões que transformam a sexualidade e a tornam, muitas vezes incognoscível.
A fala de Leticia enfatiza que desses sentimentos, o mais importante e duradouro é o amor e, por isso, mais importante que os outros, mesmo estando presente no relacionamento vivido por ela antes do companheiro estar preso. Ainda sobre esse sentimento que causa tantas discussões, Zygmunt Bauman (2004, p. 25) afirma que se o desejo quer consumir, o amor quer possuir. Enquanto a realização do desejo coincide com a aniquilação de seu objeto, o amor cresce com a aquisição desse e se realiza na sua durabilidade. Se o desejo se autodestrói, o amor se atopeta. Desejo e amor encontram-se em campos opostos. O amor é uma rede lançada sobre a eternidade, o desejo é um estratagema para livrar-se da faina de tecer redes. Fiéis à sua natureza, o amor se empenharia em perpetuar o desejo, enquanto este se esquivaria aos grilhões do amor.
O alto valor atribuído ao amor está presente em vários momentos da fala de Leticia como uma força superior, mas não era esse sentimento que mantinha ligada ao seu companheiro: “[...] tu é novo, bonito, eu sinto atração, gosto de transar contigo. Mas não sinto aquele amor que vem de dentro [...] tu faz os meus gostos na cama, pronto é isso que acontece entre a gente. Amar é diferente”. Ela sublima o ato sexual, em detrimento do amor. Entretanto, Zygmunt Bauman (2004, p. 71) pontua que o encontro sexual pode ser isolado dos demais propósitos da vida, ou será nele que vai (tender a, ganhar espaço para) esparramar-se pelo resto da existência, saturando-a e transformando-a? Para as mulheres desse estudo, não.
A vida delas ganharam outros significados com a prisão de seus companheiros e o encontro amoroso ganhou outro sentido. Rosa seguiu afirmando: “[...] eu acho aquele negócio é tão chato você tá lá dentro de um quarto, você [...] eu nunca senti nada dentro de um presídio. Ele falava tu gostou? Tu acha o quê? Que eu gosto do que aqui? Eu não gosto de nada. Não sinto prazer lá, não”. O cenário preparado para o encontro amoroso se tornava hostil para essa mulher, não há desejo de vivê-lo em situação adversa. Um ato vez em quando desejado por um, realizado por obrigação por outro. Um tempo curto. Um tempo seco. Um tempo que acaba. Um tempo que passo a problematizar.
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2.3 “Vida louca, vida breve”: acabou o tempo!
O tempo para o amor num espaço hermético como a prisão e o espaço para o encontro amoroso, para algumas mulheres tem seus encantos. O lugar do amor foi descrito pelas interlocutoras num dado momento como o espaço para o “tchaca-tchaca”. O lugar da intimidade. O lugar do controle: o amor e o sexo limitados, vigiados, com hora para começar e terminar. Vejamos a narrativa de Tulipa:
[...] era um lugar bem pequeninho, mas era como se tivesse dentro de uma pousada. Eu me sentia bem. Ninguém ficava vendo ou brechando, nada disso era um quartinho, já tinha um colchãozinho [...] ele botava na pedra lá, e a gente ficava deitado.
A entrevistada se refere ao lugar com certo carinho. Acompanhei sua fala com atenção: o seu rosto expressava uma certa nostalgia, ao se referir ao tempo que viveu com seu companheiro e manteve um relacionamento dentro da Cadeia.
Há trabalhos a respeito de mulheres que mantém relacionamentos com homens apenados, a exemplo de Adriano Zago (2011, p.38). Algumas dessas mulheres conheceram os companheiros nos presídios ou foram apresentadas por parentes. Nesses casos, há uma discussão a respeito do que levaria essas mulheres ao interesse por homens apenados, e, em alguns casos, isso se atribui a certo fetiche de tais mulheres nesse tipo de envolvimento dentro de um espaço tão adverso, como expressa Fernanda Bassani (2017, p. 273): “A estabilização do veículo afetivo no (e a partir do), território carcerário abre margem para o enfoque fetichista da prisão, que pode significar erotização para a mulher por sua sensação de poder e controle”.
As falas das mulheres dessa pesquisa não sinalizam para erotização ou algum fetiche com relação ao encontro no ambiente carcerário. Elas silenciam. Limitam o que dizem a respeito do prazer ou orgasmo, algumas dizem que sentem como se estivessem em casa, outras que não sentem prazer, devido acharem o ambiente hostil. Entretanto, a sensação de poder sobre os corpos dos companheiros esteve presente na fala de algumas das entrevistadas, a exemplo de Jasmim: “[...] agora, ele preso, não vai fazer nada de errado, enquanto tiver ali, vai depender de mim, por isso vou dar um castigo, tem que fazer o que eu quero”.
É possível perceber como há uma imposição por parte da mulher que faz suas exigências e ameaças de punição se não for cumprida. Desta forma, ela impõe o seu querer.
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Como os encontros eram breves e havia a necessidade de aproveitarem juntos, não havia tempo a perder: “[...] a gente tinha que dividir o tempo de conversar, o tempo para falar da vida, do amor da gente e de fazer sexo, tudo tinha que ser muito ligeiro”, afirmou Jasmim.
O tempo fracionado para o encontro também limitava e reduzia os riscos de encontros insatisfatórios, daí a necessidade de aproveitar a disponibilidade existente, abrindo a possibilidade das vivências de momentos agradáveis. Assim, Violeta descreveu:
[...] enquanto eu estava lá, até que não me preocupava, o difícil era quando saía, para enfrentar o povo aqui de fora, eu imaginava que todo mundo tava pensando no que eu tinha feito, o que ia fazer no dia que ia fazer visita íntima. É uma coisa muito ruim mesmo.
Nesse sentido, é possível vislumbrar que a mulher é lançada a um mundo que não escolheu para si e, para viver nessa nova existência, exige-se dela uma nova adaptação, que muitas vezes não ocorre: “[...] no dia que eu ia fazer a visita, à noite, eu já ficava pensando, como ia ser, já não dormia direito, nunca me acostumei com isso, e olha que foram oito meses. Por isso não vou mais lá, me separei”, relatou Jasmim. Como se observa, a exigência de vivência compartilhada no espaço prisional causou a sua separação. Gilles Lipovetsky (2010, p. 160) enxerga as relações na forma do casal como algo cada vez menos eterno ou estável: “Hoje em dia, os elementos do casal querem-se autônomos. Os casais separam-se e são cada vez mais frequentes as separações por iniciativa da mulher, a separação dá-se, na maioria dos casos, por decisão da mulher”.
Algumas mulheres dessa pesquisa terminaram seus relacionamentos indecisas sobre essa decisão. Tulipa foi um desses casos: “[...] eu o amava demais, mas sabia que esse tipo de vida não servia para mim, sabia que ele não ia deixar o crime, terminei, mesmo com medo, arranjei outro”. A sua insatisfação para com o companheiro advém do tipo de vida que ele levava e que ela não queria compartilhar. A aventura do amor, em muitas situações, requer de quem participa, alguns elementos para continuar existindo. A insegurança motivada pela prisão do companheiro fragiliza e torna vulnerável a relação. Segundo Zygmunt Bauman (2004, p. 31), “[...] quando a insegurança sobe a bordo, perde-se a confiança, a ponderação e a estabilidade da navegação. Chocar-se contra uma dessas rochas afundaria até mesmo uma boa embarcação com tripulação qualificada”. Assim é a relação entre mulher e apenado, uma embarcação em meio a aguas turbulentas. O tempo do amor no universo carcerário é o tempo de um instante, como uma nuvem passageira. Não
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há noites ou luar para celebração - quando a noite chega, os casais já estão separados pelos muros, que os limita o tempo de viver juntos o amor.
2.4 “O ciúme e o medo de tomarem o que é meu”: sentimentos que
aprisionam
Era uma noite fria de quinta-feira do mês de fevereiro. Provavelmente, os ventos uivavam pelas frestas nas celas dos prisioneiros. Tomado pela saudade, pelo medo da perda e por certo ciúme, um dos prisioneiros pegou um pedaço de papel e com uma caneta tentou materializar na escrita as afetividades que gritavam no silêncio do seu interior. Com uma caneta de tinta azul, escreveu:
Rezo por você e sua todos os dias. Também fiquei sabendo que sua mãe está rezando por mim agradeço muito a ela por essa força ae. Muda de vida você tão nova tá numa vida dessa. É mais quem sou eu pra te dar esses conselhos e boa sorte na tua vida e quem sabe que algum dia as pedras se batem. Mando um abraço para vocês todos ai e fiquem com Deus que aqui estou com ele firme e forte. Aé nunca esqueça onde você for você levar minha marca. Valeu tchau.
Beijos pra vocês todos aí. Com Deus no comando sempre. Saudades desse teu rosto lindo. Por não vai embora não linda. Amor infinito.
Fevereiro, 03/02/2017. Quinta-feira13.
O silêncio da noite, sinônimo de solidão, provocou nesse apenado o desejo de transpor em palavras sentimentos historicamente construídos e que faziam parte do seu cotidiano. Palavras que revelam a revolta de um amor intenso, mas não é vivido de forma plena. Um pedido de partida por reconhecer que sua companheira não merecia viver uma relação nessas circunstâncias, à mesma medida que pedia para que ela não o abandonasse. Expressões como “[...] não vai embora não linda”, revela o desejo/pedido para que sua amada não o deixasse na solidão. As afetividades são aquelas que moviam a vida dessas pessoas. Parecia ser mola propulsora para manter a permanência dos vínculos das mulheres com seus companheiros apenados e vice-versa. Emoções que direcionam a história da vida desses homens e mulheres.
No livro Uma história das emoções (2007, p. 14), Stuart Walton toma como referência a obra de Charles Darwin, Expressão das emoções nos homens e nos animais. Esta teoria se fundamenta a respeito da evolução e seleção natural, em que os seres humanos descendem de
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um ancestral comum. Nesse sentido, as emoções derivam dessa herança genética e mesmo sofrendo influência cultural, há uma essência imutável em relação à herança biológica. Assim, Stuart Walton (2007, p. 15), sugere que
Embora os muitos detalhes de uma vida cultural, da forma como nos vestimos, do que comemos e os tipos de cerimonia [...] possam variar imensamente na distância geográfica, todos ainda nascemos com as mesmas estruturas e todos estamos sujeitos, em momentos periódicos de nossa vida, ao fluxo descontrolado da atividade emocional.
Nesse sentido, essa teoria se fundamenta na herança biológica como resultado das manifestações emocionais nos humanos. Entretanto, acrescenta o autor que Darwin postulou emoções consideradas básicas de fácil interpretação como, felicidade, tristeza, raiva, medo, desgosto ou repulsa e surpresa. Essas emoções são perceptíveis nas expressões do corpo, são fisicamente percebidas.
O ciúme não está entre as emoções estudadas ou apresentadas por Darwin. Contudo, outros estudiosos acrescentaram o ciúme como emoção humana. Para Stuart Walton (2014, p. 16), o ciúme como emoção se aproxima de sentimentos como ódio e amor, sendo que esses últimos
[...] parecem ser ligas complexas de várias outras emoções, todas aumentando o estado composto do sentimento que sobrevive ao impacto inicia das próprias emoções. Ainda sobre amor e emoção. E é o conceito de um impacto inicial que deve ser decisivo quando passamos a definir o que exatamente são as emoções. Pode-se experimentar toda uma vida de amor não respondido, um estado que pode ser pautado regularmente por picos emocionais, e no entanto o amor não correspondido não é em si uma emoção, é mais uma atitude.
Na concepção do autor, a emoção é o estado instantâneo de manifestação, o agora, ou seja, os picos emocionais. Nesse sentido, a emoção é uma reação neurológica passageira e o estar amando, é uma atitude que poderá ter uma curta ou longa duração e ser acometida por picos emocionais momentâneos. Como pontua Stuart Walton (2014, p. 20), “[...] as emoções não são apenas aqueles surtos espasmódicos de sentimentos que surgem em resposta a estímulos externos. Elas são os alicerces sobre os quais repousa grande parte de nossa vida social e cultural, se não toda ela”.
Os estudos a respeito do ciúme são abordados no campo do conhecimento científico, numa vasta abordagem na área da Psicologia. Para Maria Costa (2009, p. 23), “[...] o ciúme evolui, como qualquer outra adaptação psicológica, em função de contingências específicas do mundo vivido por nossos ancestrais caçadores-coletores, sendo por esse motivo que ainda
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encontramos no design computacional de homens e mulheres de hoje”. Já para os defensores da teoria cognitiva, o ciúme é entendido como uma emoção discreta ou uma combinação de