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A AVALIAÇÃO DO COMPONENTE CURRICULAR CIÊNCIAS NA RMEC

2 A AVALIAÇÃO DO RENDIMENTO ESCOLAR DA EDUCAÇÃO BÁSICA

2.2 A AVALIAÇÃO DO COMPONENTE CURRICULAR CIÊNCIAS NA RMEC

Com a intenção de saber como estava ocorrendo o processo de ensino e aprendizagem de outros componentes dentro da própria instituição, no ano de 2010 os componentes curriculares: História, Geografia e Ciências também passaram a ser avaliados.

As avaliações do rendimento escolar das disciplinas de História, Geografia e Ciências, no ano de 2010 ocorreram em duas etapas, sendo uma avaliação no 1° e outra no 2° semestre. Os responsáveis pela realização desse processo foram os professores de cada área dos componentes curriculares da própria SMEC, que elaboraram as primeiras avaliações. Juntamente com a avaliação, foram elaborados os próprios critérios de avaliação, aplicação e de correção. A ideia inicial do modelo de avaliação era um recorte dos conteúdos mais relevantes trabalhados em cada ano de escolarização.

Com os resultados e as discussões sobre todo o processo, no ano de 2012, após três resultados insatisfatórios, houve uma mobilização das equipes locais, para estruturação de uma comissão, foram convidados professores de cada área dos núcleos de educação a participar de todo esse processo de elaboração das avaliações. Assim foi formada uma comissão contendo gestores e educadores da RMEC, com o objetivo de discutir todas as etapas estruturantes dessa Avaliação do rendimento escolar da SMEC. Na sequência foram estabelecidas as etapas, a reestruturação de várias questões, a elaboração de alguns dos critérios de avaliações, pertinentes a cada ano de escolarização e a contextualização.

Segundo Salamunes (2011) o objetivo das avaliações da RMEC sempre foi criar “uma avaliação que viesse a compor aspectos de aprendizagem. No entanto, algumas escolas visualizavam essa avaliação, como uma competição, que seguiria o modelo de ranqueamento das avaliações em âmbito nacional, como o SAEB.”

Os objetivos, por trás da criação destas avaliações, segundo Salamunes (2011)

era criar estratégias que remodelassem o perfil do rendimento não satisfatório obtido

nas avaliações do INEP e também pensar as próprias diretrizes municipais. Segundo

a autora, na elaboração desse instrumento de avaliação, se fez um recorte de

conteúdos ensinados para uma determinada série, exatamente o que eles tinham

estudado naquele ano, o que ajudaria a rever o próprio programa de conteúdo da

RMEC.

A tabela abaixo mostra as evoluções destas avaliações da RMEC e se os resultados iniciais apresentados pelos alunos na Avaliação do Rendimento Escolar do componente curricular Ciências foram considerados abaixo do esperado. No ano de 2010 foram feitas duas avaliações, sendo que o resultado do 1° semestre não foi satisfatório. No segundo semestre, se repetiu essa avaliação com os mesmos conteúdos, sendo alterada apenas a estrutura da questão, deflagrou-se mais uma vez índices baixos, mostrando que os estudantes apresentavam as mesmas dificuldades, isto é, conhecimentos do senso comum.

A TABELA 2 a seguir mostra o número de alunos que participaram das Avaliações do Rendimento Escolar da RMEC, nas quatro versões de aplicação dos exames. Sendo que 2010 compreende o primeiro ano da realização da Avaliação do componente curricular Ciências. A TABELA 3 os números de alunos que realizaram a avaliação por disciplina.

TABELA 2: No. DE ALUNOS QUE REALIZARAM A AVALIAÇÃO DA SMEC ENTRE 2007 E 2012 Ano/ Série/

TABELA 3: ALUNOS QUE REALIZARAM A AVALIAÇÃO DA RMEC POR ÁREA DE

287.979 alunos realizaram os testes aplicados (LOPES, 2010).

O foco inicial das avaliações, como já dissemos, foram os componentes curriculares: Língua Portuguesa e Matemática. Uma das razões era a própria centralidade que estas disciplinas ocupavam no currículo desta etapa do ensino Fundamental e o fato delas estarem sendo avaliadas a nível nacional, pela Prova Brasil. No caso do ensino de Ciências que começou a ser avaliado em 2010 o número total de alunos que fizeram a avaliação chegou a 349 923 alunos segundo dados da da acessória técnica SMEC (TABELA 2).

Como visto anteriormente, a decisão de fazer estas avaliações além de

uma necessidade do próprio sistema de educação municipal, no sentido de verificar o

alcance do seu processo educacional, fazia parte de uma exigência do governo

federal que recomenda que cada instituição de ensino direcionasse seus instrumentos de avaliação (SALAMUNES, 2011).

No ano desta primeira avaliação do componente curricular Ciências foram distribuídos os cadernos pedagógicos que contemplavam o tema da avaliação e avaliação em larga escala, inclusive explicitando os critérios das avaliações do Componente Curricular Ciências, com intuito de esclarecer os educadores a respeito dos conceitos teóricos e metodológicos que envolvem a avaliação.

No entanto, mesmo após a publicação destes cadernos, da correção das provas e dos seminários de discussão dos resultados dos quais participaram os gestores e os profissionais da educação os alunos ainda apresentavam muitas dificuldades. A defasagem em Ciências mostrava que o conteúdo do componente não estava sendo trabalhado de forma adequada, pois os estudantes apresentavam aprendizagens apenas do senso comum, uma ideia simplista dos conteúdos de história, geografia e ciências. Um das possíveis razões seria a dificuldade dos próprios professores em educar cientificamente, além do que os conteúdos de Português e Matemática eram mais cobrados, inclusive na Prova Brasil. Desta forma uma série de mudanças foram implantadas na rede visando contribuir para o letramento científico nestas séries iniciais, entre elas destacamos a contratação de professores para lecionarem especificamente o componente curricular Ciências e a criação de espaços próprios (laboratórios) para contemplar aulas experimentais em algumas escolas.

Atualmente um novo sistema de avaliação está sendo posto em prática, o SIMARE - Sistema Municipal de Avaliação do Rendimento Escolar de Curitiba e em sua primeira realização em novembro de 2014, foram avaliados os conteúdos de História, Ciências e Geografia. O que pode ser visto como uma conquista em termos de valorização destas disciplinas. Pela primeira vez a avaliação não começa pelos componentes curriculares de Matemática e Português.

Observamos ao longo deste capítulo que as avaliações realizadas em Curitiba

pela SMEC não se alinham às políticas nacionais de avaliação em larga escala,

embora tenham sido motivadas por estas. Ademais, no caso das avaliações

realizadas na RMEC, podemos observar que os dados quantitativos originaram

mudanças ou tentativas de mudanças qualitativas. Os resultados do rendimento dos

alunos motivaram ações pedagógicas sobre o que deve ser almejado quando se

pensa na função prática das avaliações em larga escala, seja em âmbito nacional,

como em âmbito mais restrito, como no caso das avaliações da Rede Municipal de Curitiba.

Com a implantação do novo sistema de avaliação, novas possibilidades de inferências educacionais surgem e novas possibilidades de pesquisas s e delineiam.

Como nosso trabalho está centrado nas impressões e significados da Avaliação

do Rendimento Escolar, especificamente sobre o Componente Curricular Ciências,

pelos gestores e educadores ligados à Rede Municipal de Curitiba, a seguir,

explicitamos como ocorreu nossa pesquisa de campo e posteriormente a

organização da constituição dos dados dos contextos apresentados por categorias e

subcategorias.