Projecto curricular de Turma (PCT)
DEFINIÇÃO DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO DO PCT
6. Elementos constitutivos do PCE/A
6.9 A avaliação do PCE/A
A avaliação do PCE/A é complexa, exige um esforço enorme dos docentes que o construíram mas, também, da restante comunidade educativa, porque o projecto visa, em primeira instância, ser promotor do sucesso educativo de todos os alunos e, por este motivo, a todos diz respeito de igual forma.
Pacheco et al., (2002: 49) reflectem em torno desta problemática e interrogam-se em relação aos PCE/A:
“Que modalidade de avaliação faz sentido? É necessário um modelo de avaliação? Que objecto de avaliação é enunciado? Quem se responsabiliza pelo design da avaliação? Que referentes são formulados? Que instrumentos são utilizados? Quem elabora o relatório?”
A tutela não refere a obrigatoriedade da sua avaliação o que poderá originar uma atitude negligente por parte das escolas em o avaliar. Mas, sendo indispensável a definição de critérios de avaliação das aprendizagens, elemento fundamental do PCE/A, faz todo sentido que também se definam os critérios de avaliação dos projectos curriculares, por força de eles identificam a escola como unidade de formação.
Os docentes “têm um espaço consagrado na sua autonomia que nem sempre pretendem [ou não podem] assumir” Seria, porém, conveniente e numa perspectiva da assunção plena de uma profissionalidade docente efectiva, que os projectos fossem avaliados no seu produto mas, também, no decorrer do processo de construção e desenvolvimento. A avaliação do PCE/A “só tem interesse se for realizada numa perspectiva de melhoria constante das decisões” e “ganha relevo profissional se os professores sentirem a necessidade de proceder a uma auto-avaliação que lhes dê a oportunidade de reflectirem e questionarem as decisões tomadas” (Pacheco et al., 2002: 50-52). A sua avaliação externa pode responder a outras exigências, de carácter político, económico, social… que poderão distorcer a sua (re)construção.
Num quadro de autonomia que se pretende construída é desejável e necessário que se encontre um modelo de avaliação para os projectos escolares e em particular para o PCE/A. É imperioso que se desenvolvam “práticas de reflexão e de análise, individuais
e colectivas, que permitam a construção de projectos coerentes e significativos” mas, também, que se desenvolvam “competências de auto-avaliação, tanto nos professores como nos alunos, que permitam a uns e a outros, construir os seus próprios caminhos de mudança” (Leite et. al., 2001: 75). É este o procedimento de auto-avaliação que, segundo Alves (2001), faz da avaliação um dispositivo educativo formativo e formador, que deverá conter um documento onde se regista a “memória do projecto” para que se torne mais eficaz e promova a sua (re)estruturação.
Assim sendo, o PCE/A não será um documento reduzido a um mero formalismo burocrático. A avaliação do seu processo de construção e desenvolvimento terá como objectivo confirmar a sua utilidade e validade e introduzir no sistema as mudanças que se considerem necessárias.
A avaliação do PCE/A só faz sentido encarada como elemento regulador do processo educativo e no quadro do processo geral de avaliação da escola e dos docentes.
Avaliação do PCE/A: procedimentos
O conselho pedagógico promove nos conselhos de docentes e nos departamentos curriculares A reflexão e análise prévia das prioridades do PEE/A na escola/agrupamento
Levantamento dos problemas detectados
Ouvidos os conselhos de docentes e os departamentos curriculares, o conselho pedagógico Determina os aspectos prioritários que serão objecto de avaliação
Define os critérios de avaliação internos, relativamente a cada elemento constitutivo do PCE/A, em função da análise realizada
Uma comissão de coordenação pedagógica
Elabora os instrumentos de avaliação para a recolha de dados para a avaliação do PCE/A Procede ao tratamento de informação
Apresenta as conclusões
As conclusões são ratificadas no conselho pedagógico, que toma as decisões, no sentido de alterar, rectificar, excluir ou melhorar aspectos referentes à construção e desenvolvimento do PCE/A
Avaliação do PCE/A
Definir os critérios de avaliação para o PCE/A, nasce da necessidade de converter a avaliação num mecanismo de auto regulação do próprio projecto.
A análise do contexto onde a escola/ agrupamento está inserida coadjuvada com os objectivos definidos inicialmente, assim como a hipotética revisão no início de cada ano lectivo para a construção e desenvolvimento do PCE/A e os resultados obtidos e mudanças que se produziram no ano anterior, constituem o processo de avaliação inicial.
Neste sentido, o foco da avaliação do PCE/A deverá recair sobre os resultados finais em relação aos objectivos propostos.
A aplicação e desenvolvimento de cada elemento constitutivo do PCE/A deverá ser avaliado especificamente por cada interveniente directo na sua realização mas, também, genericamente pelos pares.
A quando da construção dos elementos constitutivos do projecto deverão ser definidos em simultâneo as formas de avaliação do seu desenvolvimento. Deverá haver particular cuidado na definição dos instrumentos e técnicas a utilizar, assim como nos critérios de avaliação a que se vai recorrer.
O processo de desenvolvimento do PCE/A deve ser sustentado em torno de uma avaliação com carácter formativo, reformulando-se a cada instante da sua aplicação. Deverá ser feita uma avaliação mais estruturada no final de cada ano com pendor sumativo para aferição de aspectos que só emergem num tempo mais dilatado. Definir os critérios de avaliação internos do PCE/A Do processo de desenvolvimento Dos elementos constitutivos
6.10 Divulgação
O último dos elementos constitutivos do PCE/A desenvolve-se em torno da necessidade inerente às sociedades modernas, das instituições públicas terem a obrigação de informarem e de divulgarem as actividades que desenvolvem.
No cumprimento deste pressuposto cumpre à escola a divulgação do processo de desenvolvimento do PCE/A, por ser do interesse de toda a comunidade educativa, que é parte integrante no processo, mas ainda do público em geral.
Consequentemente, cabe à escola, numa perspectiva de transparência e abertura à comunidade educativa, estabelecer os critérios da divulgação do PCE/A.
A tutela apenas estabelece a obrigatoriedade de divulgação dos critérios de avaliação para cada ciclo e ano de escolaridade, conforme está estabelecido na lei:
“o órgão de direcção executiva da escola deve garantir a divulgação dos critérios (…) junto dos diversos intervenientes, nomeadamente alunos e encarregados de educação” (N.º 15, do Desp. Nor. 30 /2001).
Cabe a cada escola/agrupamento encontrar a melhor forma de transmissão da informação à comunidade educativa entendida no seu sentido lato (docentes e não docentes, discentes, encarregados de educação, autarquia, e responsáveis pelos interesses económicos, culturais, sociais e religiosos e a todos que de alguma forma se relacionam com a escola), assim como, receber o “feed back” das suas opiniões para que possam ser equacionadas em futuras tomadas de decisão, por parte dos órgãos de gestão do estabelecimento de ensino.
Divulgação: procedimentos
• O Conselho Pedagógico define as formas de divulgação do PCE/A à comunidade educativa, ouvidos os conselhos de docentes e os departamentos curriculares.
Divulgação
Definir as formas de divulgação do PCE/A
Deverão ser estabelecidos os meios pelos quais se fará a divulgação do processo de construção e desenvolvimento e avaliação do PCE/A à comunidade educativa, de forma a permitir a obtenção da informação por parte de todos os interessados.