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A BASE ECONÔMICADA SOCIEDADE

No documento Sociologia (páginas 56-59)

Como já vimos, durante muito tempo, as tentativas de explicar a sociedade foram influenciadas pela Filosofia e pela religião. Já no século XIX, o pensador Karl Marx (1818-1883) chamou a atenção para a importância das condições materiais de existência na formação das sociedades. Agora, abordaremos as formas de organização econômica que estão na base da sociedade.

Bens Serviços

– são todas as coisas materiais produzidas para satisfazer as necessidades das pessoas.

– são todas as atividades econômicas voltadas para a satisfação de necessidades e que não estão relacionadas diretamente à produção de bens. Não existe serviço sem a existência de bens. Em qualquer atividade econômica, bens e serviços estão interligados. Um depende do outro para que o sistema econômico funcione.

Para estudar uma sociedade, é preciso analisar as relações materiais que a caracterizam: “o modo de produção da vida material condiciona o processo, em geral, da vida social, política e espiritual” (MARX, citado por COSTA, 2005, p. 111). É a forma de produzir e distribuir a produção que faz com que uma sociedade se organize em todos os outros aspectos.

Toda atividade humana que resulte em bens ou serviços é considerada trabalho. Estabeleça a relação entre estratificação social e mobilidade social.

O que você entendeu por classe social?

Pesquise dados que possibilitem formar uma idéia sobre a estratificação social no Brasil, hoje.

Você já enfrentou uma situação em que se conformou com as limitações impostas? Ela se configurou no trabalho, na escola, na família ou na comunidade? Ou uma outra situação em que você não se conformou e “quebrou” as regras? O que é mais fácil? Conformar-se ou rebelar-se? Por quê?

Os bens e serviços resultam da transformação de recursos da natureza em objetos úteis à vida humana. E isso só acontece por meio do trabalho nos processos de produção.

O indivíduo sozinho não é capaz de produzir tudo o que necessita; coletivamente, as pessoas participam da vida econômica, tendo como principais atividades a produção, a distribuição e o consumo de bens e serviços.

Para resolver as suas necessidades básicas, o ser humano vai se apropriando da natureza, estabelecendo relações com outros seres humanos, pensando sobre a sua vida e criando novas e novas necessidades.

O processo de trabalho é composto pelos seguintes elementos: o ser humano;

o conhecimento;

a natureza (matéria-prima);

os instrumentos (máquinas, ferramentas, etc.).

Foi através do processo de trabalho que a humanidade construiu tudo o que existe na sociedade.

Todo trabalho resulta da combinação de dois tipos de atividade: a manual e a intelectual. O que varia é a proporção com que esses dois aspectos entram no processo de produção.

Todo processo de trabalho ou processo produtivo combina o trabalho com os meios de produção, que estão presentes tanto na produção artesanal como nas atividades de uma indústria moderna. Juntando o trabalho aos meios de

produção, temos as forças produtivas, que foram se alterando ao longo da história.

Até meados do século XVIII, a produção era feita com o uso de instrumentos simples, acionados por força humana, por tração animal e pela energia da água ou do vento.

Com a Revolução Industrial ( séc. XVIII), foram desenvolvidas novas máquinas, passou- se a usar o vapor (carvão) como fonte de energia e, mais tarde, a eletricidade e o petróleo.

Alteraram-se os meios de produção e também as técnicas de trabalho; houve, assim, uma profunda mudança nas forças produtivas.

No processo produtivo, as pessoas dependem umas das outras para obter os resultados pretendidos. Assim, para produzir os bens e serviços de que necessitam, os indivíduos estabelecem relações entre si, as quais chamamos de relações de produção.

O trabalho é, necessariamente, um ato social, isto é, o trabalho, como força produtiva, é social.

As relações de produção mais importantes são aquelas que se estabelecem entre os donos dos meios de produção e os trabalhadores. E são estas relações que organizam e definem a sociedade.

Cada sociedade tem uma forma própria de produção, o seu modo de produção, conceito já estudado por nós.

Esse modo de produção é constituído por fatores dinâmicos, que estão em constante mudança. As forças produtivas se modificam com o desenvolvimento dos métodos de trabalho, com o avanço tecnológico e científico, e as relações de trabalho também estão sujeitas às mudanças.

O que caracteriza o modo de produção capitalista são as relações assalariadas de produção e a propriedade privada dos meios de produção. O

desenvolvimento da produção é movido pelo desejo do lucro.

O ser humano começa a trabalhar para suprir suas necessidades básicas, mas, dentro da sociedade capitalista, a produção não dá vazão às necessidades. Isso é o que Marx chama de contradição, que nada mais é do que a não-resolução das necessidades humanas mesmo tendo condições para fazê-lo. São problemas que a humanidade não resolveu desde que o homem começou a dominar o planeta.

As relações internacionais de produção capitalista, no decorrer de quase cinco séculos de expansão, se alteraram, tornando todos os países produtores e consumidores dos mesmos produtos. Não podemos mais dividir o mundo em nações “civilizadas” e “primitivas”, como nas primeiras análises sociológicas. Atualmente, o pensamento sociológico cria não só novas perspectivas para a análise das relações sociais, como também outros conceitos para identificar os processos que passam a ocorrer nas diversas nações do mundo.

Intensificam-se os estudos sobre as nações subdesenvolvidas. A

internacionalização do capitalismo atinge hoje quase todo o planeta, seja pela expansão das empresas multinacionais, seja pelo processo de informatização, seja pela abertura das economias nacionais ao mercado internacional, ou ainda pela ação do capital financeiro.

Atualmente, grandes mudanças vêm ocorrendo na natureza e na organização do trabalho, e tudo indica que estas ganharão ainda mais importância no futuro. Apesar disso, para muitas pessoas, o trabalho remunerado continua sendo o modo fundamental de gerar os recursos necessários para manter uma vida diversificada (GIDDENS, [200-]).

Por que é um desafio conciliar o trabalho e a família, e o que pode ser feito para vencer esse desafio?

SABER M

A totalidade dessas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade. Essa estrutura é a base real sobre a qual se levanta uma

superestrutura jurídica e política, e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência.

O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e espiritual. Ou seja, não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência. Em determinada etapa de seu desenvolvimento, as forças produtivas entram em contradição com as relações de produção existentes. Essas relações – o regime de propriedade, por exemplo -, que antes eram formas de

desenvolvimento das forças produtivas, transforma-se em seu maior obstáculo. Sobrevém, então, uma época de revolução social.

Mas uma formação social nunca desaparece antes que estejam

desenvolvidas todas as suas forças produtivas. E novas relações de produção mais adiantadas não substituem as antigas, antes que suas condições materiais de existência tenham sido geradas no próprio seio da velha sociedade.

Em grandes traços, podem ser caracterizados como épocas progressivas da formação econômica da humanidade os modos de produção asiático, antigo, feudal e burguês moderno (MARX, 1978, p. 129-130).

Marx e os Modos de Produção

Na produção social da própria vida, os homens estabelecem relações determinadas, necessárias e independentes de sua vontade. Essas relações de produção correspondem a uma determinada etapa de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais.

Com suas formulações teóricas acerca da vida social, principalmente a análise da sociedade capitalista e de sua superação, Karl Marx provocou um impacto nos meios intelectuais. Sua obra serve de inspiração àqueles envolvidos com a ação política. Com suas idéias iluministas, acreditava que a razão era a construção de uma sociedade justa para os homens. O desenvolvimento tecnológico a as

revoluções políticas de sua época inspiraram sua crença no progresso em direção à liberdade. A complexidade e a extensão de sua obra provocam interpretações controversas. A seguir, busca-se apresentar o pensamento marxista, seus

fundamentos conceituais e metodológicos.

O PROCESSO DE TRABALHO E

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