4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.2. Química em Hogwarts
4.2.1 A Bordo do Expresso de Hogwarts
Foi a bordo do expresso de Hogwarts que Harry Potter fez amizade com Rony e Hermione e conheceu mais sobre o mundo bruxo. Assim, esse foi o nome escolhido para a primeira etapa da proposta. Inicialmente, o professor realizará um debate para descobrir o conhecimento dos estudantes sobre Harry Potter e Hogwarts: a escola de magia e bruxaria. Para tanto, pode-se fazer uso de alguns trechos do livro “Harry Potter e a pedra filosofal” para mediar a discussão, como, por exemplo:
ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS Diretor: Alvo Dumbledore (Ordem de Merlim, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos) Prezado Sr. Potter, Temos o prazer de informar que V. Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários. O ano letivo começa em 1º de setembro.
Aguardamos sua coruja até 31 de julho, no mais tardar. Atenciosamente, Minerva McGonagall Diretora Substituta” (ROWLING, 2000, p.49).
Ou ainda, [..] “ele não podia saber que, neste mesmo instante, havia pessoas se reunindo em segredo em todo o país que erguiam os copos e diziam com vozes abafadas: – A Harry Potter: o menino que sobreviveu!” (ROWLING, 2000, p. 20). Em sequência, para despertar o interesse dos alunos, o professor perguntará: Será que existe química em Hogwarts? É importante que o professor dê tempo para que os alunos se manifestem. Nesse diálogo, o professor pode organizar as temáticas apresentadas pelos alunos para a continuação do processo de mediação.
Logo após, antes de promover a discussão propriamente dita sobre a alquimia, que será iniciada na segunda etapa desta proposta, o docente explicará para a turma que encontrar um ponto de partida para o surgimento da química é algo indefinido, pois é preciso levar em consideração outras histórias da construção do conhecimento (CHASSOT, 1995). Contudo, na história do conhecimento químico, podemos incluir algumas descobertas, como a descoberta do sal e o domínio do fogo. Logo após, os discentes serão questionados: quem descobriu o fogo? Qual foi a importância dessa descoberta? A partir das respostas, o professor discutirá o conceito de combustão e que as transformações químicas, transformação de uma substância em outra sempre fascinaram a humanidade. A partir destas transformações surgiram processos que ajudaram a melhorar a vida das pessoas, como, por exemplo, a fabricação de utensílios de metal, obtidos por transformações realizadas pela metalurgia (VANIN, 1994).
Em seguida, o docente realizará uma atividade experimental demonstrativa investigativa. Segundo Silva, Machado e Tunes (2010), o aspecto positivo da utilização das atividades experimentais demonstrativas investigativas é que, enquanto o professor desenvolve seu plano de ensino, as mesmas podem ser inseridas nas aulas teóricas e “essa estratégia pode minimizar a desarticulação entre as aulas teóricas e aulas de laboratório, realizadas em horários distintos e sem nenhum planejamento comum” (p. 246).
Neste viés, essa atividade experimental pode ser conduzida na perspectiva de experiências abertas, no qual os fenômenos são observados pelos estudantes e eles, com orientação do docente, podem relacionar o que ocorreu com uma teoria já estudada (SILVA; MACHADO; TUNES, 2010). Dessa forma, a experiência utilizada será o fogo colorido experimento adaptado de Mateus (2001). O roteiro do
experimento com cada passo (vidrarias/reagentes, procedimento, pergunta que desperte o interesse dos alunos, observação macroscópica, interpretação microscópica e interface CTSA) pode ser conferido no Apêndice 1.
Uma forma de conduzir essa experiência demonstrativa investigativa, para alcançar resultados satisfatórios no processo de ensino-aprendizagem dos estudantes, “inicia-se pela formulação de uma pergunta que desperte a curiosidade e o interesse dos alunos” (SILVA; MACHADO. TUNES, 2010. p. 247).
De tal modo, o professor perguntará para a turma: É possível mudar a cor do fogo? Haverá tempo para os alunos, pensarem, construírem suas ideias e responderem. Em seguida, será realizado o experimento.
O passo seguinte, durante a realização do experimento, é a mediação de dois níveis do conhecimento químico: observação macroscópica e interpretação microscópica (SILVA; MACHADO; TUNES, 2010). A observação macroscópica consiste em descrever tudo aquilo que é observado, conforme o experimento é efetivado.
Após a descrição feita pelos alunos, o professor pode solicitar que os mesmos formulem suas próprias hipóteses para o fenômeno observado. Como, por exemplo:
Por que somente quando o fio de cobre com um pouco do PVC ao ser colocado na chama a mesma fica com uma coloração esverdeada?
Neste momento, é possível identificar as concepções prévias dos estudantes, o que permite o docente introduzir a interpretação microscópica, levando em consideração as ideias prévias dos discentes.
Na interpretação microscópica, o professor mediará o conteúdo teórico planejado, levando em consideração as concepções prévias dos alunos e ficando alerta àquelas que ficam distante do conhecimento científico. Neste sentido, o conteúdo será o modelo atômico de Bohr. Dessa forma, “o professor poderá, de forma dialógica, formular questões desafiadoras que possibilitem aos alunos exercitarem suas habilidades argumentativas, visando à reformulação de suas ideias prévias” (SILVA; MACHADO; TUNES, 2010, p. 247). Um exemplo de questão desafiadora é a seguinte: Como funcionam os fogos de artifícios? A explicação de seu funcionamento tem alguma ligação com o experimento?
Para contribuir na elaboração da pergunta, o professor apresentará o seguinte
trecho para os estudantes: “Harry apanhou a varinha. Sentiu um repentino calor nos dedos. Ergueu a varinha acima da cabeça, baixou-a cortando o ar empoeirado com um zunido, e uma torrente de faíscas douradas e vermelhas saíram da ponta como um fogo de artifício, atirando fagulhas luminosas que dançavam nas paredes”
(ROWLING, 2000, p. 77). Neste momento do livro, Harry está escolhendo sua varinha e, ao testar uma delas, acaba saindo faíscas como fogos de artifícios.
Outro aspecto que pode facilitar a compreensão dos alunos é a inserção de aspectos históricos relacionados à atividade experimental. Dessa forma, o professor pode apresentar para os alunos sobre a história da evolução dos modelos atômicos.
Após o esclarecimento das dúvidas dos alunos sobre essa parte, o professor realizará o fechamento da aula respondendo à pergunta feita inicialmente.
Neste cenário, pode ser incluída a interface-ciência-tecnologia-sociedade-ambiente (CTSA), com explicações sociais, culturais, políticas, tecnológicas e ambientais, relacionado ao experimento e parte da pergunta inicial. Neste momento, o docente pode mediar com a turma sobre os polímeros, e no caso, deste experimento, o PVC. Portanto, o experimento será conduzido seguindo esses passos sugeridos que conferem a atividade experimental demonstrativa um caráter investigativo.
Sendo assim, essa primeira etapa da proposta além de realizar um debate para descobrir o conhecimento dos estudantes sobre Harry Potter e Hogwarts, tem o objetivo de discutir sobre combustão, transformação química e sobre algumas descobertas que foram importantes para a história da construção do conhecimento químico. Além disso, mediar com os estudantes, através da atividade experimental, conceitos de química: modelo atômico de Bohr e polímeros.