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A cidade coroada: A

Princesa do Sertão e desejos

de sentir-se moderna

CAPÍTULO I - A CIDADE COROADA: A PRINCESA DO SERTÃO E O DESEJO DE SENTIR-SE MODERNA

As transformações das cidades, ao longo do processo histórico, tornam-se um ponto interessante para compreensão da dinâmica de crescimento existente da própria cidade. Nesse compasso, os homens e mulheres se tornam agentes importantes para compreensão dessas mudanças, visto serem elas os elementos que compõem as lacunas que preenchem a narrativa das evidências e situações referentes à história dos centros urbanos.

Caxias não se diferencia das demais cidades do Brasil, principalmente, no contexto da primeira República do país. Nesse processo, podemos identificar uma produção historiográfica local refletindo como essas transformações estavam ocorrendo na cidade, pois apontam como esse município buscou vivenciar as transformações significativas constituídas que ocorriam em muitos espaços.

Assim um dos primeiros trabalhos, que ativa reflexões sobre como a Princesa do Sertão se reveste de um tecido de modernidade, é o trabalho da historiadora econômica Cléudia Menezes Graça Teixeira, Ciclo de desenvolvimento da Indústria Têxtil em Caxias-Ma, cuja pesquisa evidencia as transformações ocorridas na cidade no plano econômico da urbe, redirecionando a noção de crescimento pela ótica do movimento das fábricas. Nesse ponto, vamos perceber a projeção de figuras masculinas que se envolveram nesse propósito a fim de agregar uma imagem de cidade moderna e próspera.

Por exemplo, a dissertação de mestrado Entre a tradição e a modernidade: a belle époque caxiense Práticas fabris, reordenamento urbano e padrões culturais no final do século XIX, da historiadora Jordania Maria Pessoa, problematiza os elementos que conduziram as mudanças estruturais em Caxias, principalmente, em relação à maneira desses homens e mulheres se relacionar com a cidade. Nesse compasso, a cidade com o título de Princesa do Sertão se agarrava a possibilidade de viver os ares da modernidade exaltados no começo da Primeira República.

Outro trabalho que traduz as mudanças da cidade de Caxias, nesse limiar da República, é a pesquisa do historiador Isaac Gonçalves Souza, intitulada A cidade de cristal: identidade e evasão na cultura local de Caxias, cujo o autor demonstra de que forma os discursos produzidos acerca da urbe traduziam a cidade como centro de crescimento, onde os homens assumiam a cena como autores principais, representando

a imagem da cidade moderna que, por sua vez, intercalava em suas práticas elementos de uma cultura cujo o tempo já havia sido vivido e experienciado, porém cristalizado em memórias e discursos.

Desse modo, ao pensar o tempo das chegadas das fábricas, a cidade se envolve de um status de modernidade, os homens, figuras entendidas como os roteiristas dessa macha, trazem à Caxias o tempo das fábricas, a cidade fabril, cuja dinâmica da economia se articula agora pelos efeitos causados a partir dos barulhos das máquinas produtoras de tecidos em grandes escalas.

Nesse sentido, vamos identificar que a cidade, sob a ótica fabril, ganhou notoriedade no campo econômico com a inserção das fábricas. O sociólogo José Ribamar Caldeira (1998), que mapeia no Estado do Maranhão como ocorre a implantação das fábricas, considera em seus estudos como a cidade com a experiência fabril trouxe, naquele contexto, para os quadros econômicos do estado um expressivo movimento no aumento das rendas, ocasionando incomodo à capital que havia tido uma experiência frustrada quanto à tentativa de incorporar a realidade fabrilista no cotidiano dos ludovicenses.

Nessa perspectiva, a cidade e os homens se transformam. Caxias é moldada aos princípios idealizadores de homens como Francisco Dias Carneiro, que reforça as iniciativas para trazer as primeiras fábricas à cidade. Nesse contexto, a busca pelo crescimento projeta a representação da imagem daqueles que estavam imbuídos de alcançar tal ideal, pois esses homens se tornariam modelos de masculinidades para os demais caxienses, pelo fato dessas medidas serem consideradas proativas e recheadas de ações ditas e compreendidas como heroicas pelo restante da população, em especial aos sujeitos dos segmentos abastados80. Um exemplo dessa perspectiva acerca da

representação da figura de Dias Carneiro, o Jornal do Commercio aponta:

Um homem houve em cujo seio se atearam as sagradas chamas do

80 Os grupos sociais dominantes, por meio da produção de discursos sobre essa nova masculinidade,

procuravam estar em consonância com o modelo burguês de sociedade que se buscava instaurar, isto é, impor a toda sociedade um modelo considerado universal de homem, mantendo as hierarquias sociais. Os formuladores dos discursos procuram fazer legitimar sua dominação na sociedade apresentando-se como dotados das características mais próximas ao modelo que pretendem hegemonizar, enquanto que os grupos sociais subalternizados aparecem como portadores de práticas e atitudes que necessitariam ser corrigidas. MACHADO, Vanderlei. O espaço público como palco de atuação masculina: a construção de um modelo burguês de masculinidade em Desterro (1850-1884). Dissertação (Mestrado em História) - Curso de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 1999, p. 16.

patriotismo. […]‘Esse homem como uma das maiores alavancas da indústria caxiense’ tomou a seus ombros a mais pesada mas também a mais gloriosa missão. Francisco Dias Carneiro […] Acordou com a idéia feliz de arrancar a sua terra do abismo [...] para com denodo e civismo atirá-la a um outro abismo – o da prosperidade. O gérmen fecundo produziu o que vemos hoje: o progresso da terra dos dois Dias.81

Percebe-se que a masculinidade do homem púbico cintilava sob a ótica dos feitos realizados no espaço da cidade. Nessa via de compreensão, a imprensa apresentava dizeres que corporificavam uma imagem do homem modelo, cujas medidas no cenário social foram empenhadas em promover o desenvolvimento da urbe sertaneja.

Pensando acerca desta questão, Vanderlei Machado (1999) aponta:

Paralelo à instauração de uma esfera pública burguesa, podemos perceber a busca pela construção de um modelo de masculinidade pautado em ideais burgueses. Por meio da imprensa, foram divulgados uma série de discursos formulados pelos próprios homens, os quais tendiam a reproduzir um modelo de comportamento masculino coadunado com uma ideologia burguesa que se espalhava [...].82

Pensando na economia da época, a cidade de Caxias, na ausência das ações dos homens, pois de maneira geral em todas as realidades do país, naquele contexto, o mundo do trabalho é entendido como o mundo dos homens. Nesse caso, voltando à ideia da representação da imagem de Dias Carneiro, o Jornal de Caxias menciona que “[…] Dias Carneiro era como são os propagandistas de sua têmpera. Quando estava possuído de [...] alguma convicção […] era desta que ia lhe enchendo a alma, transbordava inundando e arrastando aquelles que o ouviam ou liam.”83

Principalmente, por se tratar de um espaço que foi instituído como masculino, visto os indivíduos considerarem o homem com habilidades para criar estratégias de articulação, para congregar a efetivação de ações que proporcionassem o desenvolvimento do espaço em que eles estão inseridos. Em vista dessa questão, notamos os caxienses experimentarem, na cena social, o desejo de apresentar comportamentos condizentes com essa nova realidade fabril, pois com condições

81 Jornal Commercio de Caxias. 15 de agosto .1891 p. 01

82 MACHADO, Vanderlei. O espaço público como palco de atuação masculina: a construção de um

modelo burguês de masculinidade em Desterro (1850-1884). Dissertação (Mestrado em História) - Curso de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 1999, p. 10.

econômicas novos habitus se faziam necessários.

A realidade fabril não motiva apenas a criação de habitus modernos, mas também faz se tornar mais expressivo o protagonismo masculino na cena social. Os homens caxienses começam a se tornar atores no campo da segurança; o comércio, principal fonte de movimentação econômica da cidade, vigorava como um dos espaços onde a imagem masculina toma conta da paisagem social. Nessa perspectiva, os homens eram colocados na “[...] esfera das atividades lucrativas” que possibilitassem “ao homem o cumprimento de seu papel de provedor e que o colocassem no cerne do desenvolvimento econômico do Brasil.”84

Em relação ao comércio da cidade, podemos perceber que os comerciantes eram vistos como outro segmento masculinizado em Caxias, uma vez que, assim como os homens do mundo das fábricas, tinham relevância para o desenvolvimento da cidade. Vanderlei Machado (2009) coloca que o comércio local se tornava importante, por esse grupo proporcionar a venda de produtos de diversos lugares do país, como também da Europa e, nesse ínterim, “encontrava nos profissionais liberais, comerciantes e funcionários públicos os principais consumidores. ”85

Os filhos da Princesa do Sertão, entre homens e mulheres, traduziam a partir das suas práticas o sentimento de vivenciar esse chamado tempo de modernização no espaço da cidade. Os homens, nesse caso, seriam os agentes desse movimento, sendo traduzido pela ótica da chegada das Indústrias têxteis, consideradas como símbolos de crescimento e modernidade. Machado, analisando essas práticas, considera que:

Passou-se a exigir dos homens que atuavam no espaço público, tais como: os comerciantes, os profissionais liberais e os funcionários públicos, como buscaremos demonstrar, um nome reconhecido como honrado e de boa reputação. Para alcançar tal status, o homem deveria ser, entre outras coisas, identificado como provedor da família e alguém que garantisse o pagamento de suas dívidas.86

84LOPES, A. de P. C. Relações de Gênero e Profissão Docente: a escola como uma arte feminina. In:

LIMA, F. O. A. et al. (Org.). História da Educação e Práticas Pedagógicas. Parnaíba: SIEART, 2008. p. 77.

85 MACHADO, Vanderlei. Entre Apolo e Dionísio: a imprensa e a divulgação de um modelo de

masculinidade urbana em Florianópolis (1889-1930). Tese (Doutorado em História) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2007, p.16.

86 MACHADO, Vanderlei. Entre Apolo e Dionísio: a imprensa e a divulgação de um modelo de

masculinidade urbana em Florianópolis (1889-1930). Tese (Doutorado em História) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2007, p.10.

Por isso, a imagem projetada, pelos jornais, acerca de Caxias, tinha como confeccionadores os homens das elites, como também os homens dos segmentos populares, visto que a imprensa traduzia a luz das suas percepções que a cidade de Caxias detinha essas características para a expansão dessas cenas no mundo de trabalho. Em termos econômicos, a cidade no final do século XIX, constitui a sua primeira fábrica, a Industrial Caxiense inaugurada em 1888, que se destinaria a fabricar tecidos, conseguindo em seus primeiros três anos de funcionamento bons rendimentos diante da realidade industrial do país naquele momento. De acordo com Coutinho (2005)

A força de uma ideia longamente alimentada e o destemo dos diretores da Industrial Caxiense superaram aqueles obstáculos naturais a empreendimento de tal vulto e, assim, a fábrica foi inaugurada em 1883. Sua produção inicial foi totalmente absorvida pelos mercados consumidores e os pedidos já se faziam por conta do que seria produzido futuramente. Logo no primeiro semestre ficou constatado que a empresa não iria à barrocada. E decorrido, os três primeiros anos de seu funcionamento, houve sensível ampliação do parque industrial para atender à demanda que de boa se tornara excelente.87

Diante dos efeitos positivos, que foram sentidos com a primeira experiência fabril dos industriais caxienses, os homens de negócio, tanto da capital São Luís quanto da cidade de Codó, esta última circunvizinha de Caxias, movimentam-se em anos posteriores para que se iniciassem as instalações das suas primeiras fábricas. Em relação às fábricas existentes em Caxias, estas foram instaladas: no bairro Ponte, a denominada “Industrial Caxiense”, fundada em 1888; no Centro da Cidade, a Manufatura Companhia União Caxiense, fundada em 188988; sendo a maior delas a Sanharó, no

bairro Trezidela. Segundo Coutinho,

[...] configuram como os primeiros industriais caxienses, os idealizadores do projeto fabril, José Ferreira Guimarães, Custódio Alves dos Santos, Segisnando Aurélio de Moura, Manuel das Chagas Pereira de Brito, Nuno Cândido de Almeida, Bernardo Pinto Sobrinho, como o naturalizado Francisco Dias Carneiro, que por sua vez, movimentou as ideias que foram assim elementares para construção das primeiras fabricas em Caxias89.

87 COUTINHO, 2005, op. cit., pp. 295-296.

88 Para Albuquerque, “a atividade têxtil teve seu apogeu na Segunda Guerra Mundial, quando os Estados

Unidos passaram a importar produtos brasileiros”. ALBUQUERQUE, Antonio José B. de. Memórias de

Caxias: cada rua, sua história. Edição e Produção Câmara Municipal de Caxias, 1992, p. 58.

Jordania Maria Pessoa (2009) ressalta que a nova mentalidade que emerge no final do século XIX, sobre o processo de industrialização, foi entendida como via para o progresso, como também para a construção de novas fábricas na cidade como, a Companhia Industrial Agrícola, a Usina Agrícola Caxiense, a Companhia para exploração da linha telegráfica, além de um empreendimento para a distribuição de água, com a Companhia das águas. Estas indústrias deram à cidade de Caxias uma realidade fabril que, por sua vez, configurou um novo momento na economia da cidade.90

Segundo Cesar Augusto Marques (1970) e Milson Coutinho (2005), assim como outros pesquisadores, quando fazem referência à história de Caxias, apontam em suas análises que, ao longo do seu processo de formação como um núcleo urbano, a mesma sempre se apresentou com expressivo contingente populacional. Marques, por exemplo, aponta que, em 1896, a população da cidade era de aproximadamente 30.000 mil habitantes e em1920, já era um núcleo urbano de 50. 316 pessoas.

Desse modo, segundo os dados fornecidos pelo censo realizado em 1900, a população da cidade era de 34.363 habitantes. Nesse compasso, a cidade possuía um número mais expressivo do que a própria capital que possuía apenas 29. 475 pessoas91.

Esses números são conflitantes e variam de acordo com as fontes. No ano de 1893, por exemplo, segundo dados do jornal Gazeta Caxiense, a população era de 40.000 pessoas. É necessário considerar que, dentro da ótica social das mudanças, o movimento de homens e mulheres era intenso em Caxias e o fluxo de idas e vindas para outros estados era constante. Essa realidade, conforme podemos identificar nos jornais, dava-se pelo movimento fabril que ancorava em terras caxienses, como também pelo fato da cidade ser uma porta de entrada e saída para outras regiões.

Segundo apontou o Jornal do Commercio, essas idas e vindas de Caxias para outros locais, como também as pessoas chegando de locais diversos para Caxias, aconteciam por muitos motivos, um desses seriam as problemáticas ocasionadas pela seca, pois como apontamos anteriormente, Caxias era uma porta de entrada e saída para outras regiões do Sertão, como também para quem se direcionava para o Norte do Brasil.

90PESSOA, Jordânia Maria. Entre a tradição e a modernidade: A Belle Époque Caxiense: Práticas fabris,

reordenamento urbano e padrões culturais no final do século XIX. Imperatriz: Ética. 2009, p. 54.

A nota explicitando esse caso se deu em 188892, em que o Jornal do

Commercio menciona a existência de uma leva de pessoas advindas das regiões mais secas, visto tais regiões não apresentarem condições de sobrevivência. Porém esse movimento migratório se torna mais visível, quando iniciam os trabalhos para construção da primeira têxtil caxiense. Além dessas questões, não se pode esquecer que a localização da região pertencente a Caxias não apresentava mão de obra suficiente para suprimir as necessidades nos trabalhos de construção do prédio da fábrica que necessitou de um grande número de homens para seu erguimento. E como a cidade não possuía contingente de homens para trabalharem nessas atividades muitos desses homens que chegaram fugidos da seca foram contratados inicialmente para tais serviços, depois muitos ficaram para os trabalhos na fábrica têxtil.93

Nesse sentido, um elemento importante para se compreender a construção dessa cidade, como também os aspectos que a fazem pensar em uma cidade moderna, seria as ações que foram realizadas pelos homens que moravam ou chegaram à cidade para trabalharem, principalmente, na construção de prédios que simbolizariam, sinais de modernidade. Para os jornais, muitas dessas realizações se constituíam, naquele contexto, na cidade, devido ao empenho dos “homens do negócio”. Um exemplo seria o que considerou o Jornal do Commercio, em relação às obras do Theatro Phenix, que estavam em bom andamento mediante ao “zelo e actividde do incansável negociante Sr. José Pereira Guimarães”94, que faziam-se perceber por quem passasse em frente ao

teatro, o “visível progresso as obras do nosso Phenix.”95 A imprensa tenta mostrar que

o crescimento de Caxias se passava pelo crivo e empenho das ações dos homens, principalmente, por quem se encontra dentro desse círculo de poder da sociedade como, nesse caso, os próprios comerciantes.

92 A nota referente a essa questão foi publicada em 13 de outubro de 1888, pelo Jornal do Commercio de

Caxias. “Começam a affluir para esta esta cidade familias, de emigrantes cearenses, que vem fugindo da secca que apareceo n’aquelle província. Em princípio desta semana entrou uma caravana numerosa, que esteve aboletada por algum tempo por baixo de arvores, retirando-se depois para o 3º districto. Constava de homens, mulheres e muitas creanças tangendo diversos animaes que conduziam cargas de malas. Além desses, consta nos que tem entrado outros grupos retirantes. Jornal do Commercio, 13 de outubro de 1888, nº 574, p. 03.

93 Nesse texto, estamos apresentando apenas elementos iniciais sobre questões voltadas para o mundo do

trabalho, mas no texto final da tese nos debruçaremos sobre a documentação da fábrica que, se encontra no Memorial da Balaiada, para verificarmos o número de homens contratados, como também as atividades desenvolvidas por eles no interior das têxteis caxienses.

94 Jornal do Commercio de Caxias, 05 de dezembro de 1891, nº. 710, p. 01 95 Jornal do Commercio de Caxias, 05 de dezembro de 1891, nº. 710, p. 01

Em outro momento, também podemos assinalar, nesse rol de construções apresentadas para corporificarem no cenário caxiense, os chamados símbolos de modernidade, a contratação de homens para desenvolverem atividades em Caxias. Por exemplo, podemos citar os homens que chegaram à cidade para construção da estrada de ferro. Nesse caso, o jornal Commercio de Caxias publica que “distintos cavalheiros”

96 abordam dos vapores e chegam à cidade de Caxias com objetivo de prestarem serviços

na estrada de ferro, que ligaria Caxias à “Vila das Flores, outrora, S. José das Cajaseiras.”97

Desse modo, é valido apontar que essa contratação de homens das mais diversas profissões não foi visível apenas nesse período do qual estamos tratando, notamos que desde o processo de elevação do espaço de Caxias a condição de vila e depois à categoria de cidade, os projetos voltados para urbanidade da cidade, incentivado por seus administradores, como também os projetos dos empreendimentos, como as fábricas, tiveram que recorrer aos profissionais de outros locais para atender as necessidades existentes.

Ao pensar nesse contexto da cidade de Caxias e nas questões que estavam sendo apresentadas como forma de identificá-la enquanto cidade que experimentava o crescimento, nota-se na figura masculina como um sujeito presente nesses momentos, e sendo dada a ele a primazia de ser o interlocutor na construção desse progresso. Outro exemplo que podemos citar se dar em uma nota publicada pelo jornal Commercio de Caxias, onde o discurso aponta o quanto a Estação Telegraphica instalada na cidade tem sido importante para o crescimento da região. Segundo a nota, “João Alipio Bayma do Lago,” encarregado para administrar a estação naquele momento, teria a responsabilidade de dar continuidade ao “bom trabalho”. 98

Sendo um núcleo urbano de expressiva representação comercial e um ponto estratégico para o escoamento da produção, foi instalado um telégrafo, cujo objetivo seria agregar as demais regiões circunvizinhas à Caxias. Esses elementos ditos e entendidos como modernos, segundo os articulistas dos jornais, agregavam à cidade aspectos novos. Por essa perspectiva, os jornais apontavam que os comerciantes teriam um papel representativo para o incremento dessas ações modernizadoras na urbe caxiense.

96 Jornal do Commercio de Caxias, 08 de agosto de 1891, nº. 693, p. 01 97 Jornal do Commercio de Caxias, 08 de agosto de 1891, nº. 693, p. 01 98 Jornal do Commercio de Caxias, 17 de julho de 1891, nº. 690, p. 02

Mais um exemplo constituído para elaboração desse imaginário moderno, que Caxias experimentava, foi a chegada das linhas telefônicas, cujos articulistas dos jornais, como os presentes no Jornal Commercio de Caxias, afirmavam ter sido muito

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