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urbanização em Goiás

RIO VERDE

3.1 A Cidade de Anápolis/GO no contexto histórico e espacial

Historicamente, a cidade de Anápolis se destaca no contexto regional pelo dinamismo econômico que apresenta e por sua localização estratégica. Sua origem remonta o final do século XIX e está relacionada a duas explicações ou justificativas que se complementam. Uma delas corresponde à presença de condições naturais favoráveis no local onde se desenvolveu o sítio urbano de Anápolis: um relevo de ondulações suaves, perfazendo 54 % de seu território e com 43% de áreas planas; um clima tropical com temperaturas amenizadas pela altitude de, aproximadamente,

1.017 metros acima do nível do mar; e, uma vegetação original composta por mata ciliar e cerrado. Por sinal, essas características influenciaram na escolha do local para o pouso das comitivas que realizavam o transporte de mercadorias entre os antigos núcleos mineradores goianos (Jaraguá, Pirenópolis, Corumbá, Pilar, etc.) com os centros econômicos do país situados no Sudeste. Dessa forma, em meados do século XIX, em torno das paradas ou pousos, às margens de rios e córregos, surgiram edificações comerciais e moradias que, depois, transformaram-se em povoados e cidades, como no caso de Anápolis, onde o córrego das Antas é um referência ao longo do processo de formação da cidade (Figura 8).

Figura 8 – Anápolis/GO: Croqui da Vila de Santana das Antas em 1904 com os principais acessos e a projeção do Largo de Santana

Fontes: Borges (1975) e Museu Histórico de Anápolis (2007)

A outra explicação, de acordo com Borges (1975), Ferreira (1981) e Rocha (2007), refere-se a motivação religiosa que influenciou na decisão de Ana das Dores Almeida, dona de uma comitiva em passagem pelo local, de construir uma capela em retribuição a uma graça atribuída à Sant’Ana. Com isso, ao redor da capela

N

edificada em 1871, estabeleceu-se o povoado de Santana das Antas que se transformou em freguesia no ano de 1873, depois, na vila com mesmo nome em 1887 e, por fim, na cidade de Anápolis em 1907, ( Figura 9).

De forma geral, da fase inicial aos dias de hoje, é possível destacar três períodos que caracterizam o processo evolutivo da cidade de Anápolis: o primeiro compreende o final do século XIX e as três primeiras décadas do século XX; o segundo inicia-se com a chegada da ferrovia em 1935 e encerra-se na década de 1960 com a construção de Brasília; o terceiro se desenvolve a partir da década de 1960 e alcança o século XXI.

Figura 9 – Município de Anápolis/GO: Processo de instituição da cidade, 1870- 1907

Fontes: Prefeitura Municipal de Anápolis (2006), Freitas (1995). Organização: Luz (2007) CRONOLOGIA Povoado Freguesia Vila Cidade 1870

Const rução da Capela de Nossa Sra. Sant ana

1873

Resolução Provincial no. 514 06/ 08 – Elevação á cat egoria de Freguesia denominada de Sant ana das Ant as

1884

Resolução Provincial no. 695 19/ 07 - Altera o nom e da Freguesia para Santana dos Campos Ricos

1886

Lei no. 778 13/ 11 – Ret orna o nom e de Freguesia de Santana das Ant as

1887

Resolução Provincial no. 811 15/ 07 – Elevação à cat egoria de Vila denominada de Vila de Santana das Antas.

1892

10/ 03 - Inst alação da Vila – José da Silva Batista (Zeca Batist a) é nom eado adminis- trador.

1907

31/ 07 – Elevação da Vila à cat egoria de cidade denominada de Anápolis.

No primeiro período ocorreu a efetiva inserção da região do Mato Grosso Goiano, onde se localiza a cidade de Anápolis, no mercado nacional com a introdução do cultivo do café. Essa atividade transformou as áreas agrícolas voltadas, até então, para a subsistência em áreas de produção comercial, o que contribuiu para o crescimento demográfico de Anápolis (Gráfico 13), além de promover a valorização das terras e para estabelecer fluxos comerciais contínuos com os estados do Sudeste, atraindo e concretizando a chegada da ferrovia em 1935, inclusive a origem dos municípios de Nova Veneza e Nerópolis se relaciona com a expansão da cafeicultura nessa área.

Gráfico 13 – Anápolis-G0: Taxa Geométrica de Crescimento da População de 1872 a 2007

Fontes: Polonial (2005). Dados censitários do IBGE (1872-1991). Estimativas do IBGE (2007) Disponível em < www.seplan.gov.go.br/sepin> Acesso em nov.2007.

Nesse sentido, o período que antecedeu a chegada da ferrovia em Anápolis, presenciou o incremento do mercado consumidor o que possibilitou a capitalização interna dos comerciantes. Pois, eles desempenhavam a função de fornecedores das mercadorias, ferramentas e dos créditos necessários ao plantio, ao mesmo tempo em que se encarregavam do beneficiamento, armazenagem, transporte e comercialização da produção agrícola. Para colocar esta cadeia produtiva em movimento, os comerciantes anapolinos se transformaram em empreendedores e políticos, investindo de modo direto e indireto em várias atividades. Inclusive, de acordo com Santos (1978, p.7):

A especialização espacial impõe uma intensificação dos atos do comércio – de um comércio feito à distância – acompanhada pelo reforço e expansão do aparelho bancário, parabancário, comercial e administrativo, assim como pelos meios de armazenamento e transporte.

As características dinâmicas desde período são exemplificadas pela construção da Usina de Força e Luz em janeiro de 1924 e da abertura de várias casas comerciais, ruas, do serviço de iluminação pública e das estradas de rodagem, contribuindo para o desenvolvimento das infra-estruturas que influenciaram no comando regional exercido por Anápolis. Com relação às estradas, por exemplo, destacamos: Anápolis-Roncador, com uma extensão de 170 km, interligando a cidade à via férrea em 1920; a estrada Anápolis-Jaraguá em 1921, favorecendo a penetração para o interior e região norte, base para a implantação da BR 153; e a estrada Anápolis-Vianópolis em 1926, dinamizando o comércio local.

Também, ocorreu o processo de expansão das fronteiras agrícolas e das frentes pioneiras que transformaram Anápolis em um centro econômico, influenciando na dinamização do povoamento e no desenvolvimento econômico do Estado de Goiás e, principalmente para os municípios próximos que, posteriormente, constituíram a área de atuação da cidade. Dessa forma, a drenagem da renda fundiária consolidou e diversificou o desenvolvimento econômico, transformando Anápolis em uma área de intenso dinamismo, promovendo a expansão da Estrada de Ferro Goiáz até o centro da cidade, (Fotos 1 e 2), após décadas de atraso, uma vez, que no início do século os trilhos se encontravam na divisa com Minas Gerais,

pois, a expansão dos trilhos foi influenciada pelos conflitos políticos internos, conforme destacamos anteriormente.

Fotos 1 e 2 – Anápolis/GO – Imagens da cidade na década de 1930, Rua General Joaquim